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Desenho de Deus (2006) Dandara (2005) Mulher Ideal(2002) Eu Sei (2004) Meu Ébano(2005) Passarela no ar(2006) Por mais que eu tente(2005) Se não é amor(2005) Epitáfio (2001)
A Miragem (2001) A Loba(2001) Se quer saber (2002) Amor e Sexo(2003) As Loucuras de uma Paixão(1997) Vê se me erra(1992) Devagar...Devagarinho(1995) Dois (1997) A canção tocou na hora errada(1999) Mal Acostumado(1998) Paratodos(1993) Espanhola (1999)
Partituras (1995) Sonhos (1994) Tem coisas que a gente não tira do coração(1996) Chama da Paixão(1994) Sol de Primavera(1994) Lenha (1999) Mulheres (1998) SE (1992) Beija eu (1991) O Canto da Cidade(1992) Nobre Vagabundo(1996) Recado(1990)
Encontro das Águas(1993) Sozinho(1999) Ta na Cara(1998) Resposta ao Tempo(1998) Ainda lembro(1994) Nuvens(1995) Dez a Um(1997) Bem Querer(1998) Caça e Caçador(1997) Alma Gêmea(1995) Quem é Você(1995) Um Dia de Domingo(1985)
Coração de Estudante(1983) Momentos(1983) Quarto de Hotel(1980) Se eu quiser falar com DEUS(1980) Meu Bem Meu Mal(1981) Você é Linda(1983) Baila Comigo(1980) Vai Passar(1984) Menino do Rio(1980) Oceano (1989) Fonte da Saudade(1980) Conselho(1986)
Alma (1982) Mel na Boca(1985) Saigon(1989) De volta pro meu aconchego(1985) Faz parte do meu show(1988) Só Pra Contrariar(1986) Um Homem também chora(1983) Deslizes (1989) Bilhete (1980) Balada do Louco(1982) Viajante(1989) Um certo alguém(1983)
Purpurina (1982) Verde (1985) O que é o que é (1982) Me dê Motivo(1983) Lança Perfume(1980) Estranha Loucura(1987) Tiro ao Álvaro(1980) Anos Dourados(1986) Caçador de mim(1980) Agonia (1980) Meu Bem Querer(1980) Ao que vai chegar(1984)
Como Uma Onda(1983) Tudo com você(1983) Paixão(1981) Codinome Beija Flor(1985) Samba pra Vinicius(1980) Papel Machê (1984) Judia de Mim(1986) Brasil (1988) Ontem (1988) Encontros e Despedidas(1985) Nos bailes da vida(1981) Samurai (1982)
Todo o Sentimento(1987) Apesar de Você (1972) Grito de Alerta (1979) Naquela Mesa (1970) Detalhes (1970) Gabriela (1975) Gostava Tanto de Você(1973) Tigresa (1977)
Coisinha do Pai(1979) Quando eu me chamar Saudade(1974) Canta Canta minha gente(1974) Foi um Rio que passou em minha vida(1970) Cio da Terra(1976) Juízo Final(1976) O Mar Serenou(1975) Gota D'Agua(1976) Não deixe o samba morrer (1975) Viagem (1973) Sufoco (1978)
Bandolins (1979) Atrás da Porta(1972) Argumento(1975) Regra Três(1973) A paz do meu amor(1974) Toada(1979) Meu mundo e nada mais(1976) Você abusou(1971) Tristeza pé no chão(1972) Rosa de Hiroshima(1973) Valsinha(1971) Retalhos de cetim(1973)
Águas de Março (1972) Começar de Novo ( 1978) Loucura (1979) Começaria Tudo Outra Vez(1976) Foi Assim (1977) Outra Vez(1977) Café da Manhã (1978) Folhas Secas(1973) Só Louco(1976) 1.800 Colinas(1974) Dança da Solidão(1972) Olho por Olho(1977)
Conto de Areia(1974) A Deusa dos Orixás(1975) Alvorada no Morro(1973) Pra Você(1972) Os Amantes(1977) O Surdo(1975) Pedaço de Mim(1979) To Voltando(1979) Pela Luz dos Olhos Teus(1977) Se queres saber(1977) O Bêbado e a Equilibrista(1979) Wave (1977)
Você (1974) Canto das Três Raças(1974) Desabafo(1979) Samba de Orly(1971) Seu Corpo(1975) Madalena(1970) Samba de uma Nota Só ( 1960) Disparada (1965) Travessia ( 1967) Matriz ou Filial ( 1964) Trem das Onze (1965) Viola Enluarada (1967) A Banda (1965)
Cantiga por Luciana ( 1969) Carolina (1967) Festa de Arromba ( 1964) Hoje (1966) Upa Neguinho (1967) Prova de Fogo (1967) Samba do Avião(1967) Noite dos Mascarados(1967) Laranja Madura (1966) Mas que nada(1963) País Tropical(1969) Modinha(1968)
Poema do Adeus(1961) Sem Fantasia(1967) Estão voltando as flores(1961) Samba em preludio(1962) Negue (1960) Garota de Ipanema ( 1962) Apelo (1967) O Barquinho ( 1961) Gente Humilde ( 1969) Minha Namorada (1962) Arrastão (1965) Alegria Alegria (1967)
Caminhando (1968) Você passa eu acho graça(1968) Namoradinha de um amigo meu(1965) A Flor e o Espinho ( 1964) Preciso aprender a ser só(1965) Volta por cima(1962) Mulher de Trinta(1960) A Praça(1967) Chove Chuva(1963) Brigas(1966) Fotografia (1967) Andança(1968)
Roda Viva(1967) Samba do crioulo doido(1968) Ninguém Me Ama( 1952) Eu Sei Que Vou Te Amar (1958) Saudosa Maloca ( 1955) Chega de Saudade ( 1958 ) Conceição ( 1956) Desafinado (1958) Esse seu olhar(1959) Iracema(1956) Dindi (1959) Ronda (1953)
vocação nº1(1957) Eu não existo sem você(1958) A Noite Do Meu Bem(1959) Se Todos Fossem Iguais a Você (1957) Castigo ( 1958) Ouça ( 1957) Lábios de Mel ( 1955) Molambo ( 1953 ) Estrela do Mar(1952) Tereza da praia(1954) Alguém como tu(1952) Evocação nº2(1958)
E daí?(1959) A Deusa da Minha Rua ( 1940) Chuvas de Verão (1949) Copacabana ( 1947) Amélia (1941) Adeus -Cinco Letras que choram-( 1947) Última Inspiração( 1940) Marina ( 1947) Ave Maria no Morro (1942) Eu sonhei que tu estavas tão linda (1942) Atire a Primeira Pedra ( 1944)
Brasileirinho ( 1949) Mensagem ( 1946) Velho Realejo( 1940) Caminhemos( 1947).
08 maio, 2007
Frase do msn
"Eu costumo dizer que eu me acho burro demais. Portanto, não tolero gente mais burra que eu de jeito nenhum". Du Moraz
07 maio, 2007
O rei e a censura togada

Entrevista com Paulo César Araújo para IstoÉ
Biógrafo de Roberto Carlos diz queo cantor maculou a imagem e queimpedir a venda de seu livro é umato reacionário
Por Eliane Lobato
O historiador e jornalista Paulo Cesar de Araújo tem 45 anos de idade, 22 deles vividos na Bahia e 23 no Rio de Janeiro. Uma grande paixão atravessou a infância e virou objeto de pesquisa da última década e meia: a vida e obra do cantor Roberto Carlos. Entretanto, foram necessárias apenas cinco horas para Araújo confirmar o quanto as paixões são cruéis: esse foi o tempo que durou a audiência realizada na semana passada na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, São Paulo, na qual seu livro Roberto Carlos em detalhes foi proibido, em caráter definitivo, de ser produzido e comercializado. Lançada em dezembro pela editora Planeta, a obra de 504 páginas chegou a vender espetaculares 22 mil exemplares. No acordo, a editora entrega a Roberto Carlos os quase 11 mil exemplares restantes e fica obrigada a ressarci-lo caso ele compre algum livro não recolhido em lojas. O autor fica proibido de falar sobre a vida íntima do artista. O Rei, por sua vez, retira os processos civil e criminal que movia contra eles e suspende a cobrança de multas. Isso foi chamado de audiência de conciliação.
As partes que mais desagradaram ao Rei, segundo ele disse ao juiz, são referentes ao sofrimento de Maria Rita na fase final do câncer, ao suposto caso que teria tido com a cantora Maysa (já falecida) e sobre a suposição de que teria participado de orgias na casa do produtor Carlos Imperial. Casado, pai de uma menina de cinco anos, Araújo trabalha como professor. A ISTOÉ, ele diz que tem chorado diariamente pelo desfecho “reacionário”, mas continua amando Roberto Carlos.
ISTOÉ – Houve acordo ou uma rendição?
Paulo Cesar de Araújo – Foi um acordo bom para a Planeta, foi muito bom para o Roberto Carlos. E ruim para mim, para a história, o público e o mercado editorial.
ISTOÉ – Para a Planeta foi bom por quê?
Araújo – Porque a expectativa, segundo os advogados, era de uma derrota na Justiça. Iríamos perder a causa, dois processos, um civil e outro criminal, e haveria uma indenização alta a pagar. A Planeta avaliou que seria melhor fazer o acordo agora sem pagar nenhuma indenização. O livro tinha sido proibido por liminar e os advogados de Roberto Carlos já estavam lá com uma petição pedindo multa acumulada de R$ 250 mil. No início, eles tinham estipulado multa de R$ 500 mil por dia se houvesse venda após a liminar. O juiz é que passou para R$ 50 mil.
ISTOÉ – Não valeria a pena lutar?
Araújo – Se dependesse só de mim, evidentemente que eu continuaria. Eu queria arriscar, queria testar os limites desse sistema, dessa democracia, dessa liberdade. Mas, na avaliação dos advogados da Planeta, todo o quadro era favorável a Roberto Carlos. A forma e a rapidez inédita como o processo andou, a postura do juiz, dos promotores. Na audiência, os promotores e o juiz pediam para fazer acordo. Veja o clima em que a audiência transcorreu: o juiz (Tércio Pires) disse ao diretor da Planeta (Cesar Gonzalez) que se ele não tivesse comparecido seria expedida uma ordem judicial para fechar a editora! Então, na avaliação da editora, a derrota era iminente. Preferiram fazer o acordo.
ISTOÉ – Você chegou a falar diretamente com Roberto Carlos?
Araújo – Sim, fiz uma proposta a ele. Eu disse: Roberto, a proposta que vou apresentar agora é a melhor para todo mundo, para você principalmente porque queimar 11 mil livros em pleno século XXI é lamentável. Será uma mácula para sempre na sua biografia. Proponho que você tire do livro o que acha que não deve ser tocado, que considera ofensivo, que o magoou. O que chama de invasão de privacidade representa apenas 5% do meu livro. Você também reclamou que eu estava usando a sua história em benefício próprio, então eu cedo a você todos os direitos autorais, não quero mais um centavo. Mas que o livro continue a existir, após a revisão que será feita por você. Roberto Carlos falou: “Posso até pensar nisso depois, mas prefiro seguir o que está acordado aqui.” E o juiz já foi entregando o papel para ele assinar, ninguém mais se manifestou. Saí chorando da audiência.
ISTOÉ – Há mágoa com a Planeta?
Araújo – Não. Acho que são interesses diferentes. O interesse da editora é vender livro. O autor, embora também queira vender livro, quer também manter a obra viva. Lamento a decisão da editora porque acho que foi imediatista. Esse caso seria emblemático, definitivo para se conhecer a liberdade de se fazer biografias no Brasil, um divisor de águas. Lamento que os editores todos não tenham se unido para fazer um “corporativismo positivo” já que isso afeta a eles também porque abre um precedente importante. Advogados da Planeta me revelaram que, nesse momento, todos os livros que a editora publica passam por uma banca de advogados que estão cortando trechos. Tive informação de que outras editoras também estão fazendo isso. Isso é censura prévia, interna, que era vista nos anos de chumbo da ditadura militar.
ISTOÉ – Ficou acordado também que você não pode mais falar sobre a vida pessoal de Roberto Carlos, não é?
Araújo – Os advogados do Roberto Carlos queriam botar uma cláusula no acordo me proibindo de falar do livro. Eu falei: não dá, esse livro já é parte da história, é uma obra de referência e ainda prevalece a liberdade de expressão no Brasil. Vou passar o resto dos meus dias falando desse livro. Aí ele disse: então, não vai poder falar da vida pessoal de Roberto. Falei: também é impossível porque a obra dele é marcadamente biográfica, pessoal. Ele fala da mãe em Lady Laura, fala do pai em Traumas, dos filhos em Quando as crianças saírem de férias, da cidade em que nasceu em Meu pequeno Cachoeiro, do sofrimento do filho, Segundinho, em As flores do jardim da nossa casa. Não tem como falar da obra do Roberto sem aspectos da vida pessoal. Aí, ele disse que não posso falar da vida íntima dele. Tudo bem. Vida íntima não me interessa mesmo, nem a do papa nem a do Roberto Carlos.
ISTOÉ – O que ficou, para você, dessa experiência?
Araújo – É lamentavel que o livro tenha sido condenado não por uma questão objetiva. Os advogados jamais questionaram, em nenhum momento, nos dois processos, qualquer afirmação do livro. Não se fala que tal fato não é verdadeiro. Foi condenado por uma coisa subjetiva: o artista se sentiu ofendido, ficou magoado, incomodado. Atribuo isso à personalidade do Roberto Carlos, uma pessoa complicada, com todo o processo de superstição e de Transtorno Obsessivo Compulsivo e, infelizmente, mal assessorada também. A boa fama e a respeitabilidade do artista estão sendo atingidas. Ele tem sido alvo de crítica de muitos fãs, formadores de opinião, leitores. A imagem dele está arranhada justamente por causa desse ato reacionário, totalmente fora do contexto na sociedade brasileira.
ISTOÉ – Existe alguma garantia constitucional para o biógrafo?
Araújo – Existe. Eu comecei o livro acreditando nisso. A liberdade de opinião, de expressão está na Constituição. Esse debate envolveu dois poderes: a mídia e o Judiciário. Ganhei no primeiro, os formadores de opinião deram razão ao autor. E Roberto ganhou no Judiciário – onde sabemos que se encontra respaldo para as teses mais retrógradas, reacionárias.
ISTOÉ – Cabe ação ainda? A proibição é válida também para outras línguas?
Araújo – Não sei.
ISTOÉ – Deu para ganhar dinheiro? Qual é seu porcentual?
Araújo – Meu porcentual é o tradicional, 10%. Ainda não recebi nada de direitos autorais porque agora é que vai ter a prestação de contas. Era um livro para vender muito porque não fala só de Roberto Carlos. É uma obra de referência para a música: trato de tropicalismo, festivais de canção, bossa nova, ditadura militar.
ISTOÉ – Mas o título é Roberto Carlos em detalhes...
Araújo – Claro, ele é o fio condutor. Mas não é uma biografia de Roberto Carlos, é um ensaio biográfico. Falo de Caetano Veloso, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Tim Maia. Entrevistei cerca de 200 pessoas, entre as quais Tom Jobim, João Gilberto, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Tim Maia.
ISTOÉ – Do que ele não gostou no livro?
Araújo – Na audiência, ele disse que não gostou que eu tivesse abordado questões da vida pessoal dele. Citou o episódio Maysa, a Maria Rita e o “caso Imperial”. Ele interpretou que eu teria afirmado que ele teria participado de orgias na casa de Carlos Imperial, um escândalo que envolvia menores e que abalou a jovem guarda. Mas eu digo no livro, está lá: esse acontecimento não atingiu Roberto Carlos.
ISTOÉ – Roberto Carlos disse que admite que escrevam 500 livros sobre a vida pública dele, mas que sobre a vida pessoal só ele pode falar. É um direito?
Araújo – Claro que não! Imagina se cada personagem da história se arvorasse proprietário exclusivo da trajetória. Vai contra o bom senso e o direito da liberdade de expressão... Que ele possa contar, e deve contar, é evidente. Torço para que Roberto Carlos faça o livro dele, será um depoimento importante. Imagina o presidente Lula dizendo a mesma coisa: só eu posso contar minha história quando quiser e como quiser. Evidentemente isso não se sustenta, ainda mais nos tempos atuais. Até porque uma história está relacionada a outras histórias. Roberto Carlos teria que pedir permissão aos herdeiros de Tim Maia quando for falar dele, e a todos os outros que citasse. Já pensou?
ISTOÉ – Diferentemente de outros artistas, Roberto Carlos sempre trancou sua vida pessoal e foge de holofotes. Esse comportamento não dá direito a não querer que se divulgue com quem ele dormiu?
Araújo – Artista discreto e reservado é como é o João Gilberto. Não dá entrevista para a Rede Globo, ninguém sabe para quem ele dedicou tal disco, tal música. Ele sempre foi assim, a vida inteira. Já no caso de Roberto Carlos, é diferente. Ele leva, atualmente, uma vida discreta, mas sempre expôs publicamente tudo da sua vida, seus dramas e sentimentos. O Brasil sabe as mulheres que ele amou intensamente: a Nice, a quem dedicou Como é grande o meu amor por você, a Míriam Rios, para quem fez A atriz, e a Maria Rita, que ele ama e a quem dedicou outras canções. Ele dividiu isso com o público; mantém uma exposição relativa. Agora, por exemplo, tornou público o problema do TOC. Tem edição antiga da revista Amiga com Roberto Carlos com a esposa e filhos na sala de sua casa. Ele ficou discreto nos últimos 15 anos. Mas sua carreira é a de um astro pop, de celebridade. Ninguém entra hoje na casa de Roberto Carlos para tirar foto, mas já entrou.
ISTOÉ – Você continua fã dele?
Araújo – Claro. Continuo achando As curvas da estrada de Santos uma grande canção... Não interfere. O que está acontecendo é circunstancial. A obra é eterna.
ISTOÉ – Que sentimento você tem hoje por Roberto Carlos?
Araújo – Digo que meu caso com Roberto Carlos é um caso de amor não correspondido. Acontece na vida. Sou fã dele desde a infância. Fiquei 15 anos tentando falar com ele e não consegui. Mesmo assim, entrevistei todo mundo, escrevi um livro que considero uma homenagem e ele vai e me processa. É uma relação de amor não correspondida mesmo.
ISTOÉ – O que acha do verso “sua estupidez não lhe deixa ver que te amo...”?
Araújo – (Risos) É para mim. Pode ser sim. As canções do Roberto servem para todo mundo, ele expressa o sentimento próprio e o dos outros também.
__________________________
NOTÍCIA COMENTADA:
Bom, diante de tudo isso agora EU VOU LER O LIVRO! JÁ COMPREI! Eu não o leria em circunstâncias normais, mas o fato de ter sido censurado me atiçou a curiosidade: o que tem lá que não pode ser lido?
Acho o Roberto Carlos um problemático que deveria se tratar. Se ele não quer exposição que deixe de lado sua carreira e fama.
Acredito que ele tem dinheiro suficiente para se APOSENTAR!
Que ele largue a MãE REDE GLOBO e vá ficar em um mosteiro! Ou em casa, ou em alto mar, sei lá, menos no espetáculo de fim de ano da Globo diante da mídia, dos fãs, da exposição.
Se ele faz programa para a maior rede de televisão do país é por que GOSTA DO SUCESSO! GOSTA DA FAMA! GOSTA DE SER O REI!
E todos falam do rei, não é mesmo? Absurdas as atitudes do Roberto Carlos e do judiciário brasileiro.
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Diálogo via embratel
- Não passei no concurso...
- Por que?
- Não sei decorar. Minha memória para isso é ruim.
- Oh! Céus! Então você tá ferrada! Sem decoreba não se passa em concurso público.
- Pois é. Eu sei. Por isso meu desânimo.
- Hum, eu também sou péssima para reter dados que considero inúteis. E, por que você acha que tem gente que decora tudo?
- Ah, quem decora o detalhe é porque ignora o todo.
- Por que?
- Não sei decorar. Minha memória para isso é ruim.
- Oh! Céus! Então você tá ferrada! Sem decoreba não se passa em concurso público.
- Pois é. Eu sei. Por isso meu desânimo.
- Hum, eu também sou péssima para reter dados que considero inúteis. E, por que você acha que tem gente que decora tudo?
- Ah, quem decora o detalhe é porque ignora o todo.
Fiquei três dias pensando nisso. "Quem decora ignora o todo, não vê o contexto, não faz ligações". Pelo jeito, o pré-requisito para ser funcionário público é ignorar o todo, o contexto, e não perceber as ligações que estão bem ao lado do seu nariz, para assim, sem ver, ignorando, se calar... seguir... obdecer... para seguir empilhando os dados conforme seu mestre mandar... Quem percebe o todo, se lembra é do todo, e não do detalhe.
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04 maio, 2007
Por que sentimos cócegas?
Sentir cócegas é uma reação de pânico que o homem adquiriu para defender-se, respondendo rapidamente ao perigo. Por isso, gera sempre uma risada nervosa e desconfortável. Quando uma aranha tentava escalar as pernas de um de nossos antepassados, eram as cócegas que o faziam perceber e expulsar o bicho sem precisar entender exatamente o que acontecia. De certa forma, podemos dizer então que as aranhas, escorpiões e insetos em geral são os responsáveis pelos ataques de histeria que alguns de nós sentem hoje ao ser cutucados pelos outros.» Por que é impossível fazer cócegas no próprio corpo?
São Paulo - Cena IV - Da net para o bar
Nosso primeiro encontro se deu na internet. As duas blogueiras unindo Idéias e Ideais (DF) num papo do Café Docente (SP). Essa amizade promete! Beijão Fê! Foi ótima nossa cervejada filosófica!
São Paulo - Cena III - Memorial da América Latina
As casas em pé e as casas deitadas.
Pavilhão da criatividade: abrigo da arte popularque abriga as gigantes obras de concreto de Caribé e Poty
Criativo e sugestivo...
Bem perto da estação Barra Funda (SP) está plantado o Memorial da América Latina. Milhares de pessoas passam por ali e um percentual muito pequeno pára. São Paulo ferve. O relógio anda. A história fica parada, ao lado do metrô. Absorver cultura exige tempo. Ver exposição exige vontade. Sair da mesmice exige... Exige? Sei lá. Ainda não entendi o que faz uns saírem do senso comum e outros não. Talvez nunca saiba a resposta. O fato é que procurar as artes não é desejo de todos, nem tampouco da maioria. Lá estava o memorial vazio. Vi Botero com sua arte-testemunho pintando os "horrores" da violência na Colômbia. Eu e mais quatro pessoas, numa metrópole chamada Sampa. Foi ali que comecei meu turismo cultural. Na cabeça incessantemente pertubando a frase: o que leva alguém a querer ver? ou a não querer ver?
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03 maio, 2007
02 maio, 2007
Blogar - 1 ano de posts
Este blog fez um ano em Abril/2007. Nem quis comemorar com muito estardalhaço hahahaha (bem típico de mim). Pura falta de tempo para escrever sobre o aniversário de um blog. Queria postar algo com "sentido" (essa é boa!). Somente hoje, tive a iluminação: "ser blogueiro (blogar e ler blogs dos outros) é conversar com os dedos na falta de tempo de conversar com os olhos. É, também, mostrar-se sem exibir roupa nova ou olheiras de noites mal dormidas. É uma necessidade de gente egocentrica-comunicativa que quer que o mundo saiba o que pensa. É, talvez, uma megalomania mal disfarçada, um desejo de palco (?). Mas, mais que tudo, pra mim, é a oportunidade de conhecer gente interessante e interagir com elas a quilometros de distância. É deixar marca, imortalizar, profetizar, dizer, mostrar, conjugar, compartilhar, revelar. É saber o que o seu amigo blogueiro anda fazendo ultimamente. É ver a propaganda do pensamento. É diversão. Ser blogueiro é investir um tempo na palavra e na leitura". Adoro ser blogueira!
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São Paulo - Cena II - Yakisoba na Paulista
A fila imensa do Masp não me permitiu ver Goya. Em frente à bilheteria, a feira de antiguidades vazia. Voltamos para um lanche na Paulista e encontramos o chinês do yakisoba e o cearense do milho. Profissionalismo puro! O cliente pede uma pamonha, o vendedor abre, corta, poe no descartável, entrega o garfo e o guardanapo, por R$2,00. O mesmo acontece com o milho, todo cortadinho no prato! No ambulante ao lado, o cliente pede o yakisoba, o chinês prepara na hora, põe no descartável, entrega o garfo e o guardanapo, por R$ 3,50. Eles, ambulantes paulistas, deveriam dar consultoria pelo país. Isso é o que faz uma metrópole ser metrópole e não a falsa medição pelo número de habitantes. Comi e fui caminhando para o metrô, surpreendentemente encontro uma exposição no prédio da Fiesp: o Museu da Solidariedade Salvador Alende. Agora, itinerante passando por São Paulo. Concluíndo, então, esse papo de trabalho informal desorganizado, sujo e mal-feito é generalização miúda. Há sim como se fazer uma atividade, na rua, de forma profissional, ainda que não sejam pagos impostos, aluguel pelo ponto etc. Para isso é preciso inteligência, visão de negócio, e estar antenado às novas tecnologias (como, por exemplo, a dos descartáveis variados). Detalhe: a rua estava limpa, as pessoas esperavam sua vez sem aglomeração e havia uma lixeira ao lado de cada carrinho que se espalhava ali, perto do Masp, na avenida Paulista. Ah, o Yakisoba estava muito bom, comparável a qualquer restaurante de shopping (que por sinal nem sempre são os melhores restaurantes).
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A loucura da normose
Dó do dobermann (por Mscudder)
Eu disse um dia desses a uma amiga, acerca de um sujeito: – Aquele é doido. Insisti: – Doido, doido. Ela não entendeu: – Como assim, doido? Detesta o cara, mas não o associa à loucura. Considera-o somente um ultracertinho; por isso o detesta.
Antigamente, doidos eram só os que têm parafusos soltos. Mas, faz um tempo, estudiosos descobriram os normóticos, os que sofrem de normose, a mania da normalidade. Meu doido é assim: doido-dobermann.
Criança, ouvi a história – não sei se verdadeira – de que o dobermann é uma raça surgida de cruzamentos induzidos. O resultado é aquele cachorro alto, magro, ágil, forte e agressivo. E, segundo a historinha da minha infância, com um crânio pequeno demais. O crânio pequeno aperta o cérebro do dobermann. Isso enfurece o bicho, faz o cachorro surtar. No surto, o dobermann ataca até o dono. Coisa de doido.
O meu doido se parece com um dobermann porque é um normótico. Os normóticos são do tipo parafuso ultra-apertado. Nas horas de maior aperto, o sujeito surta.
O que me inspirou estas linhas é um homem importante. Ocupa um cargo de direção numa empresa entre média e grande. Ministra palestras aos subordinados. Exibe obviedades. Suas frases mais profundas são: "a grama é verde"; "sem nuvens, o céu é azul"; "de noite, as estrelas brilham" etc. Nessas horas, os parafusos estão na última volta, quase espanando.
Em um conto que não canso de citar e indicar – Os Famintos, de Thomas Mann –, o narrador afirma que somos todos criaturas precárias e sofredoras, mas não reconhecemos uns aos outros. Minha amiga olha o sujeito e vê somente força, adequação, certeza. Não enxerga a aflição.
Sou doido do tipo parafuso solto. Quando ando, minha cabeça chacoalha. Doidos assim podem ser chamados de idiotas. Os de parafusos ultra-apertados são os imbecis. No entanto, ninguém é totalmente idiota ou imbecil, mas apenas predominantemente. Tenho um quê da imbecilidade do doido-dobermann; ele, um quê da minha idiotia.
Aquele sujeito desfila soberano, impávido pelos corredores da empresa. Acho que minha amiga tem medo dele. Mas ele sofre. Minha amiga também. E eu?
Eu disse um dia desses a uma amiga, acerca de um sujeito: – Aquele é doido. Insisti: – Doido, doido. Ela não entendeu: – Como assim, doido? Detesta o cara, mas não o associa à loucura. Considera-o somente um ultracertinho; por isso o detesta.
Antigamente, doidos eram só os que têm parafusos soltos. Mas, faz um tempo, estudiosos descobriram os normóticos, os que sofrem de normose, a mania da normalidade. Meu doido é assim: doido-dobermann.
Criança, ouvi a história – não sei se verdadeira – de que o dobermann é uma raça surgida de cruzamentos induzidos. O resultado é aquele cachorro alto, magro, ágil, forte e agressivo. E, segundo a historinha da minha infância, com um crânio pequeno demais. O crânio pequeno aperta o cérebro do dobermann. Isso enfurece o bicho, faz o cachorro surtar. No surto, o dobermann ataca até o dono. Coisa de doido.
O meu doido se parece com um dobermann porque é um normótico. Os normóticos são do tipo parafuso ultra-apertado. Nas horas de maior aperto, o sujeito surta.
O que me inspirou estas linhas é um homem importante. Ocupa um cargo de direção numa empresa entre média e grande. Ministra palestras aos subordinados. Exibe obviedades. Suas frases mais profundas são: "a grama é verde"; "sem nuvens, o céu é azul"; "de noite, as estrelas brilham" etc. Nessas horas, os parafusos estão na última volta, quase espanando.
Em um conto que não canso de citar e indicar – Os Famintos, de Thomas Mann –, o narrador afirma que somos todos criaturas precárias e sofredoras, mas não reconhecemos uns aos outros. Minha amiga olha o sujeito e vê somente força, adequação, certeza. Não enxerga a aflição.
Sou doido do tipo parafuso solto. Quando ando, minha cabeça chacoalha. Doidos assim podem ser chamados de idiotas. Os de parafusos ultra-apertados são os imbecis. No entanto, ninguém é totalmente idiota ou imbecil, mas apenas predominantemente. Tenho um quê da imbecilidade do doido-dobermann; ele, um quê da minha idiotia.
Aquele sujeito desfila soberano, impávido pelos corredores da empresa. Acho que minha amiga tem medo dele. Mas ele sofre. Minha amiga também. E eu?
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27 abril, 2007
Dúvida de anteontem
Por que podemos fotografar artesanato, arte popular e não podemos registrar, da mesma forma, as " belas artes", as "obras-primas"? Logo mais vou blogar sobre Botero, Memorial da América Latina, Clarice Lispector no Museu da Língua e outros
São Paulo - Cena I - Alibabar
Quarta-feira - 25.04.2007
22h40min
22h40min
A fumaça do narguilé se misturava às batidas do bumbo. Quadris se alternando aos estampidos secos e compassados dos pés masculinos contra o chão. Uma grande fila lateral se forma no centro do bar, feito roda. Na pista de dança mulheres e homens se dão as mãos. A grande serpente dançante se enrola, se espicha e se contrai em movimentos lentos, inebriados, quase um desenho da naja enfeitiçada. Um instante distraído, de olhos fechados, poderia se imaginar o "olodum", o "vira-vira", o reggae, uma celebração indígena. De olhos bem-abertos se vê no teto longos tecidos dourados que se armam em tenda. O charuto da mesa ao lado adorna o ambiente num cheiro amadeirado. A tragada sobe ao tom do mantra... uê uê uê uê uê ... uh uh uh... ahn... aaaaaaaaaiiiiii. Entrecorta a flauta sibilante uh uh uh aaaaaai. Magia. Na palma da mão os sorrisos arremessando as batidas das mil e uma noites. Estamos na Zona Norte, Jardim São Paulo, Alibabar. Dança árabe com pasta de beringela e pão sírio. Avisto o "sheik", 1m90cm, rodeado de louras, morenas, "califas", e o grão-vizir. Harém de diversão. aaaaaaai. Face com sorriso de colar de pérolas. A corda do narguilé traz o gosto de maçã. Lembra-me Eva, a serpente, o paraíso. Adãos juntos, presos pelos dedos, degustando o prazer. É a pura sedução dos movimentos fálicos. O chocalho da cobra. A chacoalhada dos quadris. As tremidas, em onda, na barriga da odalisca. A sucção da fumaça, pela piteira presa na ponta da mangueira, do cachimbo d´água. Preliminares dum ritual sagrado. Um orgasmo público, coletivo. Senti o gozo no olhos, na boca, no ouvido. Um corpo estremecido perto da estação de metrô Parada Inglesa.
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24 abril, 2007
LIVRO LIVRE
O que é o "Livro Livre"?
O Livro Livre, ou Bookcrossing como é conhecido nos Estados Unidos, nasceu em 2001. A idéia é bem simples. Na brincadeira, leitores de diferentes localidades abandonam seus livros em qualquer lugar para que outros leitores, cadastrados no site possam achar estes exemplares, ler e, em seguida, abandoná-los para que outra pessoa o encontre. Para não perder a obra de vista, os exemplares são rastreados através de um número identificador gerado no ato de cadastramento do livro no site da Câmara do Livro do DF. A partir deste momento o livro inicia uma longa trajetória, podendo ser localizado em qualquer parte do mundo.
Cerca de 540 mil obras estão registrados na versão americana do Livro Livre. No Brasil, o projeto já tem participantes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazonas e Rio Grande do Sul.
Fonte aqui
O Livro Livre, ou Bookcrossing como é conhecido nos Estados Unidos, nasceu em 2001. A idéia é bem simples. Na brincadeira, leitores de diferentes localidades abandonam seus livros em qualquer lugar para que outros leitores, cadastrados no site possam achar estes exemplares, ler e, em seguida, abandoná-los para que outra pessoa o encontre. Para não perder a obra de vista, os exemplares são rastreados através de um número identificador gerado no ato de cadastramento do livro no site da Câmara do Livro do DF. A partir deste momento o livro inicia uma longa trajetória, podendo ser localizado em qualquer parte do mundo.
Cerca de 540 mil obras estão registrados na versão americana do Livro Livre. No Brasil, o projeto já tem participantes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazonas e Rio Grande do Sul.
Fonte aqui
Convite criativo
23 abril, 2007
e a pena de morte?
Homem passou 25 anos na cadeia e é declarado inocente após exame de DNA
Da France Presse
23/04/2007
13h35-CHICAGO -
Um homem de 48 anos, que passou 25 anos na prisão por um estupro que não cometeu, se converteu nesta segunda-feira no condenado número 200 a ser declarado inocente graças a um exame de DNA, anunciou a associação Innocence Project, que luta contra os erros judiciais.
Jerry Miller tinha 22 anos quando foi detido pelo seqüestro e estupro de uma mulher em Chicago em 1981. Duas testemunhas que teriam visto o agressor fugir o identificaram formalmente, assim como a vítima, durante o julgamento em 1982. Declarado culpado, Miller foi condenado a 45 anos de prisão.
Em liberdade condicional desde maio de 2006, tinha que usar bracelete eletrônico e estava sujeito às restrições e humilhações impostas aos agressores sexuais que cumpriram pena.
Porém, análises de DNA feitas no ano passado no esperma encontrado na roupa da vítima comprovaram a inocência de Miller.
Nesta segunda-feira, a juíza local encarregada pelo caso aceitou a demanda de anulação do veredicto, apresentada pela defesa em acordo com a acusação.
_________________________
E se houvesse condenação à pena de morte?
Se o inocente já tivesse sido executado?
Será que a dúvida já não seria uma boa hipótese para não existir a pena de morte?
Será que a falibilidade da "justiça" não é boa justificativa para não se ter pena de morte?
Imagine o Brasil, com um sistema judiciário tão competente e eficiente, tendo a pena de morte?
A notícia do paradeiro dos integrantes do crime do índio Galdino me deixou em dúvida se cumprir pena: é "pagar" pelo erro, é "pensar" no erro, ou é "satisfazer" o desejo de vingança da sociedade?
Afinal para que serve a cadeia?
Para que serve cumprir pena?
Se os garotos cumpriram a pena e tiveram direito a sair, por que motivos deixa-los lá ainda?
Para cumprir o desejo de vingança perante nossa impotência de fazser um mundo melhor?
Para que "alguém" pague o pato de uma sociedade maluca, que não consegue ser ética e solidária?
Quanto tempo é suficiente para alguém se "arrepender", se "curar"?
É isso aí minha gente! Vamos botar nossos fantasmas nos presidiários! Queimar vivos os criminosos!
Acho mesmo é que temos que por na cadeira elétrica nossa incompetência em assumir nossa parte nesse latifundio chamado existência humana e vida em sociedade!
Da France Presse
23/04/2007
13h35-CHICAGO -
Um homem de 48 anos, que passou 25 anos na prisão por um estupro que não cometeu, se converteu nesta segunda-feira no condenado número 200 a ser declarado inocente graças a um exame de DNA, anunciou a associação Innocence Project, que luta contra os erros judiciais.
Jerry Miller tinha 22 anos quando foi detido pelo seqüestro e estupro de uma mulher em Chicago em 1981. Duas testemunhas que teriam visto o agressor fugir o identificaram formalmente, assim como a vítima, durante o julgamento em 1982. Declarado culpado, Miller foi condenado a 45 anos de prisão.
Em liberdade condicional desde maio de 2006, tinha que usar bracelete eletrônico e estava sujeito às restrições e humilhações impostas aos agressores sexuais que cumpriram pena.
Porém, análises de DNA feitas no ano passado no esperma encontrado na roupa da vítima comprovaram a inocência de Miller.
Nesta segunda-feira, a juíza local encarregada pelo caso aceitou a demanda de anulação do veredicto, apresentada pela defesa em acordo com a acusação.
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E se houvesse condenação à pena de morte?
Se o inocente já tivesse sido executado?
Será que a dúvida já não seria uma boa hipótese para não existir a pena de morte?
Será que a falibilidade da "justiça" não é boa justificativa para não se ter pena de morte?
Imagine o Brasil, com um sistema judiciário tão competente e eficiente, tendo a pena de morte?
A notícia do paradeiro dos integrantes do crime do índio Galdino me deixou em dúvida se cumprir pena: é "pagar" pelo erro, é "pensar" no erro, ou é "satisfazer" o desejo de vingança da sociedade?
Afinal para que serve a cadeia?
Para que serve cumprir pena?
Se os garotos cumpriram a pena e tiveram direito a sair, por que motivos deixa-los lá ainda?
Para cumprir o desejo de vingança perante nossa impotência de fazser um mundo melhor?
Para que "alguém" pague o pato de uma sociedade maluca, que não consegue ser ética e solidária?
Quanto tempo é suficiente para alguém se "arrepender", se "curar"?
É isso aí minha gente! Vamos botar nossos fantasmas nos presidiários! Queimar vivos os criminosos!
Acho mesmo é que temos que por na cadeira elétrica nossa incompetência em assumir nossa parte nesse latifundio chamado existência humana e vida em sociedade!
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21 abril, 2007
e dai?
o sul-coreano matou
eu mato
tu matas
ela mata
nós matamos
vós matais
eles matam.
Não vejo o sentido de tantos holofotes.
O cara matou, e daí?
o que você tem matado?
o que nós temos matado?
As pessoas MATAM, ainda que não seja empunhando armas de fogo!
eu mato
tu matas
ela mata
nós matamos
vós matais
eles matam.
Não vejo o sentido de tantos holofotes.
O cara matou, e daí?
o que você tem matado?
o que nós temos matado?
As pessoas MATAM, ainda que não seja empunhando armas de fogo!
20 abril, 2007
Trocando os ouvidos pelos olhos...
Por Solange Pereira Pinto
Ao ver fotografias das manifestações organizadas pelo movimento “Rio de Paz”, coordenado por Antônio Carlos Costa, pensei estar diante de um ato artístico, por tamanha beleza das imagens. Intrigantes e reflexivas.
A forma de retratar a violência que origina os assassinatos e as vidas perdidas na “cidade maravilhosa”, que já dá sinais tão desgastantes de descontrole social, é criativa, inovadora e porque não dizer pura arte.
A mais recente manifestação (terceira do movimento no mesmo local), batizada de “Jardim da morte”, foi realizada nesta semana na praia de Copacabana/RJ. Na ocasião, os manifestantes plantaram 1300 rosas na areia, representando o número de vítimas da violência no Rio de Janeiro desde o início do ano.
Em geral, manifestos são atos com faixas, palavras de ordem, gritaria. Ações que acabam por envolver polícia, engarrafamentos, fechamento de ruas, e até mesmo criar certa “antipatia” por mudar a rotina dos cidadãos que se vêem “obstaculizados” pela passeata.
Nesse caso, não. Houve movimento sem tumulto. Houve recado sem faixa. Houve mobilização da população sem engarrafamentos. Penso que tudo se deu numa espécie de “performance”, ou melhor “happening”. Um manifesto-arte. Um evento planejado sob outro olhar. De certa forma, uma apresentação “quase teatral”, com participação de voluntários, que culminou em uma “obra de arte” no espaço público. Verdadeira arte contemporânea, com visível rebeldia, vontade de surpreender, originalidade.
Um manifesto que vai além do próprio ato, deixando sua marca para futuras reflexões. Um ato que tem por trás de si uma mensagem perene. Os manifestantes se foram e a idéia ficou. Um silêncio que promove contemplação, como somente a arte tem poder. O espectador interage com a obra e guarda em si a imagem.
Quantas manifestações vemos diariamente nas ruas? O que delas retemos em nossas mentes? O que nos lembramos quantos aos discursos gritados ou escritos em faixas? E agora diante das imagens das flores, das cruzes, das pessoas deitadas no calçadão, o que ficará?
Penso que essas imagens se manifestam mais em nós. Deixam-nos com a alma embevecida de beleza e dor. Coloca-nos em contato com o espelho, com o reflexo. Atiça o pensamento.
Talvez seja o “manifesto-arte” um mecanismo de protesto contemporâneo mais eficaz. Pelo menos, para mim, mobiliza melhor do que ruas interrompidas com camisetas de ordem e megafones para escutarmos o que já estamos cansados de ouvir.
A forma de retratar a violência que origina os assassinatos e as vidas perdidas na “cidade maravilhosa”, que já dá sinais tão desgastantes de descontrole social, é criativa, inovadora e porque não dizer pura arte.
A mais recente manifestação (terceira do movimento no mesmo local), batizada de “Jardim da morte”, foi realizada nesta semana na praia de Copacabana/RJ. Na ocasião, os manifestantes plantaram 1300 rosas na areia, representando o número de vítimas da violência no Rio de Janeiro desde o início do ano.
Em geral, manifestos são atos com faixas, palavras de ordem, gritaria. Ações que acabam por envolver polícia, engarrafamentos, fechamento de ruas, e até mesmo criar certa “antipatia” por mudar a rotina dos cidadãos que se vêem “obstaculizados” pela passeata.
Nesse caso, não. Houve movimento sem tumulto. Houve recado sem faixa. Houve mobilização da população sem engarrafamentos. Penso que tudo se deu numa espécie de “performance”, ou melhor “happening”. Um manifesto-arte. Um evento planejado sob outro olhar. De certa forma, uma apresentação “quase teatral”, com participação de voluntários, que culminou em uma “obra de arte” no espaço público. Verdadeira arte contemporânea, com visível rebeldia, vontade de surpreender, originalidade.
Um manifesto que vai além do próprio ato, deixando sua marca para futuras reflexões. Um ato que tem por trás de si uma mensagem perene. Os manifestantes se foram e a idéia ficou. Um silêncio que promove contemplação, como somente a arte tem poder. O espectador interage com a obra e guarda em si a imagem.
Quantas manifestações vemos diariamente nas ruas? O que delas retemos em nossas mentes? O que nos lembramos quantos aos discursos gritados ou escritos em faixas? E agora diante das imagens das flores, das cruzes, das pessoas deitadas no calçadão, o que ficará?
Penso que essas imagens se manifestam mais em nós. Deixam-nos com a alma embevecida de beleza e dor. Coloca-nos em contato com o espelho, com o reflexo. Atiça o pensamento.
Talvez seja o “manifesto-arte” um mecanismo de protesto contemporâneo mais eficaz. Pelo menos, para mim, mobiliza melhor do que ruas interrompidas com camisetas de ordem e megafones para escutarmos o que já estamos cansados de ouvir.
O silêncio fala e arte o divulga.
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17 abril, 2007
Esboço sobre auto-conhecimento...
Ao refletir não atire pedras no espelho... pode rachar sua imagem e suas conclusões serão fragmentadas ou distorcidas. Visão nublada, conclusão nublada. Mas, felizes mesmo são os ignorantes, que nada vêem, nada sabem, e no final das contas são inimputáveis... além de terem o "direito" de serem primários... Aí estão as leis que protegem os índios, os incapazes, e os doentes mentais... Sair da ignorância é se responsabilizar pelo que vê, pelo que sabe e ainda ter a obrigação de "proteger" àqueles que ainda estão no escuro da caverna... soll, ainda no esboço...
15 abril, 2007
Trilhas em interseção

Não queria esvaziar o peito das emoções para escrever. Depoimentos longos, em geral, são enfadonhos.
Quando entro muito em mim, quero sair. Desaguar. Sem retornar à casa, lugar pretenso do acolhimento.
Quero ir para a rua, para o movimento, para a noite das almas perambulantes. Ir.
Fugir decerto da angústia que me toma para dizer. Escoar. Enxergar o que não se vê para olhar o que nubla. Não sou pássaro de cercas, tampouco de gaiola. Canto bonito na liberdade. Não sou rio margeado. Sou enchente. Sou também noite tranqüila, estrelada, com lua cheia. Jamais minguante. Permito-me ser nova ou crescente. Sou feita de brisa e tempestade, conforme os acordes do peito. Sou solidão e multidão. Mas ilha não sou. Prefiro continente, planeta, universo.
Conjugo os verbos na primeira pessoa da singular. Porém, me encanto ainda mais ao decliná-los em todos os pronomes. Sou visão e cegueira, variando de acordo com a dor. A minha. A sua. a nossa. Sou palco e protagonista. Posso sustentar histórias alheias ou representar as minhas. Sou anjo e diabo, na medida em que necessite alterar a "ordem". Sou lágrimas e sorrisos, em cada partida de lucidez ou loucura.
No fim das contas, sou mesmo interseção das dualidades que habitam em mim. Caminho pelas trilhas que me levam a quem fui para voltar a ser o que serei. Sou túnel, avenida ou ruela. Só não sei parar de caminhar...
Soll, sexta-feira 13 de abril de 2007.
Cotidiano IV - Reciclando o conhecimento
A modernidade é líquida
O amor é líquido
A geração é delivery
- Quero agora
- Quero prazer
- Que coisa chata
- Assim não dá
- Todo mundo tem, eu também quero
- Consumo, consumo, consumo
- Agir por impulso
- Pra quê pensar?
A modernidade é líquida
O amor é líquido
A geração é pronta-entrega
Enquanto isso, vou rabiscando as idéias...
Soll, 14 de abril de 2007 - V Encontro de Educadores do Centro-Oeste
13 abril, 2007
Miniconto
Doctor Fróes decidiu patentear: "celular deve ter um sensor para que os bêbados não liguem em vão". Para ele, só faz sentido ligar embriagado para a polícia/bombeiro, para o advogado ou para um parente ou amigo próximo, mas para os casos afetivos mal resolvidos jamais. Pois, ao contrário, dizem que há uma receita que ensina: peça na alta madrugada sal, limão e tequila. Em frente deixe o celular, a postos. Chupe o sal, vire o copo, esprema o limão e aperte "send" para o número pré-escolhido. Na mensagem do torpedo deixe registrado: "eu nunca lhe disse, mas eu te amo". Isso lá pelas três da madrugada. O resultado? Ressaca, para uns alcóolica, para outros moral...
11 abril, 2007
A mala perdida...
Queridos leitores, lembram-se do post (A mala quase sem alça) sobre a mala que pintei? Pois é, ela SUMIU! Simplesmente a mala não chegou em Lisboa (foi despachada em Brasília).
O que terá acontecido?
Agora é uma mala linda e perdida, antes fosse "feia" e achada. hahahaha.
Mas, vamos torcer para a mala aparecer, pois agora a mala pintada virou uma dor de cabeça igual mala sem alça...
O que terá acontecido?
Agora é uma mala linda e perdida, antes fosse "feia" e achada. hahahaha.
Mas, vamos torcer para a mala aparecer, pois agora a mala pintada virou uma dor de cabeça igual mala sem alça...
Cotidiano 0 - Não somos máquinas, mas homens...

Em uma semana, na mesma agência do Banco do Brasil, vi dois caixas eletrônicos arrombados (sem os teclados). Qual é o significado disso? Será um sinal dos tempos em que vivemos arrombados? Violência? Depredação? Mensagem subliminar? Revide? Estratégia? Raiva do sistema? Ou "mero assalto"? Já nem sei mais quem rouba quem, ou viola quem, ou depreda quem...
09 abril, 2007
Platéia contemporânea?

Por Solange Pereira Pinto
Hoje fui ao CCBB Brasília, com meu namorado e com minha filha de seis anos, ver as “novidades”. Sábados ou domingos, geralmente, passeamos por exposições artísticas. Pintura, escultura, teatro, música... e, pela primeira vez, dança contemporânea.
Não é comum ter em Brasília espetáculos de dança com preços acessíveis ou lugares disponíveis de última hora. Porém, tivemos a “sorte” de, após apreciarmos “Aleijadinho e seu Tempo – Fé, Engenho e Arte”, “Jardim do Poder” e “Mundus Admirabilis” de Regina Silveira, obter ingressos para o primeiro dos espetáculos “Dança Contemporânea – 4 movimentos” (Damián Muñoz e Virginia García e Maria Alice Poppe, pois Cie. Beau Geste foi cancelado devido à chuva).
Observar as obras barrocas de Aleijadinho e as instalações contemporâneas de vários autores foi estimulante. Galinhas com penas coloridas, montanha de lixo, insetos gigantes, santos esculpidos, sacos plásticos cheios de água, miniaturas, caixas de som emitindo “ruídos”, pedras formando vitórias-régias, tiveram nossos olhos ora atentos, ora distraídos.
Lulu olhava as peças e fazia seus comentários, não para todas é claro. Ao ver a maquete da igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto) ela reparou que as cruzes no alto das torres não eram iguais às das fotografias plotadas na parede. Perguntava o nome dos santos. Olhava e fotografava as borboletas e os escorpiões gigantes de Regina Silveira. Pulava sobre as vitórias-régias, imaginando ser água a grama que as circundava. A criança de seis anos interagia, sentia, percebia, se encantava, desaprovava...
Às 19h fomos ao teatro assistir à dança. É que minha filha dança balé desde os três anos e gosta muito de ver dançarinos, dos clássicos, passando pelo gelo, pela água, até a ginástica rítmica no solo. Contudo, ainda tinha visto a tal dança contemporânea de perto. E, lá fomos.
Não foi muito simples explicá-la que ali era um lugar para se fazer absoluto silêncio e não fazer perguntas. Disse-lhe que calasse, e ela quando queria saber algo cochichava em meu ouvido. Assim foi o combinado.
A dança começou e o movimento dos bailarinos não impressionou à pequena Lulu, que, após um tempo de espetáculo, cutucou meus ouvidos sussurrando “que coisa mais chata mãe. Isso é dança? Vou dormir quando tiver algo mais interessante me chame”. Embora o volume de sua voz fosse mínimo, nas poucas vezes em que me questionou, não se evitou que dois adultos da fileira da frente virassem suas faces com olhares repressores. Enquanto isso, outros adultos da platéia davam risadas e até gargalhadas em certos movimentos dos dançarinos, o que não “afetava” os espectadores.
Talvez tivessem no teatro umas três crianças. Talvez a minha fosse a mais nova. Talvez eu não tenha tido bom-senso ao levar uma criança àquele lugar. Talvez adultos não estejam acostumados com crianças em eventos artísticos. Talvez se deva amordaçar crianças, enquanto os adultos podem expressar suas gargalhadas ou lágrimas emocionadas. Talvez se deva proibir um adulto de se levantar, para ir embora, durante uma apresentação enfadonha. Talvez só “entendidos” devam comparecer em espetáculos de arte.
São vários os “talvezes”. Eu pouco sei sobre “arte”. Procuro no google e vejo que “a dança dança contemporânea é a busca de uma ruptura total com o balé, chegando, às vezes, até mesmo a deixar de lado a estética: o que importa é a transmissão de sentimentos, idéias e etc. Solos de improvisação são bastante freqüentes [...] A dança contemporânea surgiu na década de 60 como uma forma de protesto ou rompimento com a cultura clássica” etc.
Procuro, também, na apresentaçao do folheto do CCBB qual é o objetivo da mostra e lá está “o evento pretende difundir a dança contemporânea, formando platéias e opiniões”. Legal.
Pouco antes de terminar, minha filha diz baixinho “quando é que isso vai ficar interessante? É só isso que vamos ver? Ao que eu respondo “daqui a pouco vamos lá para fora ver o resto, calma”. Ela novamente se aquieta e espera ser “arrebatada” pela dança que vê no palco.
Quando acaba a segunda apresentação. Aplausos. As luzes se acendem. Entra no palco uma moça para explicar que, a dança ao ar livre teve que ser cancelada, em virtude da chuva e por motivos de segurança. Minha filha, já não mais cochichando, diz “mãe um esforço desse para nada? Que coisa mais chata. Nunca vi uma dança tão chata”. A fila na saída está grande e alguns adultos sorriem em razão do comentário dela.
Em contrapartida, os dois adultos que estavam na fileira em frente à nossa, estão novamente a nossa frente misturado-se à “massa” que entope a porta de saída do teatro, e olham horrorizados para trás com horrendas caras. Eu não resisto e digo ao meu namorado “aposto que muitos aqui acharam chato e jamais dirão, mas como criança é espontânea diz exatamente o que pensa”.
É óbvio que os dois adultos se sentem “atacados” com meu comentário. Olham para mim e desferem “isso não é lugar para criança”. Eu rebato “que eu saiba não há restrição de idade e é livre”. Um provoca “só se for para criança educada”. Eu contesto “você acha que platéia se forma como? Uma criança jamais será ‘educada’ para isso se não experimentar”. Ele diz “que vá a espetáculo infantil”. E a Lulu repete “eu achei essa dança muito chata”. O outro diz “chatinha, é ela, mais que o espetáculo”. Eu finalizo “não mais que vocês”.
Depois desse bate-boca fui refletir sobre a presença ou não de crianças em eventos artísticos. Qual é a arte então voltada à criança? O que dizer de uma “possível” separação da arte por públicos? Arte para criança, arte para adolescente, arte para adulto, arte para terceira idade e por aí vai. É uma categorização confiável e justa, em se tratando trabalhos que não contêm nada de erótico, violento, abusivo?
Muito se fala em “formar platéia”. Por que caminhos se dariam essa formação que não sejam pela experiência? Se a música erudita quer platéia, se a dança quer platéia, se a literatura quer platéia, que se abram às portas aos infantes. Não creio que seja somente “infantilizando” a arte que se alcance “públicos”. Ou se não é para ter crianças pequenas que se limite a idade.
Por “livre”, eu entendo livre. Por “formação”, eu entendo formação.
Quanto à imposição do “silêncio” total da platéia, apesar de ser um tema controvertido, fico com a opinião do italiano Paolo Pinamonti “os códigos de conduta aprendem-se à medida que se freqüentam os espectáculos. O ambiente da sala impõe por si uma conduta"; e com o comentário de Rui Vieira Nery: "mesmo as pessoas que vão pela primeira vez a um concerto de música clássica e não sabem as regras de funcionamento acabam por aprendê-las naturalmente."
No fim das contas, falta mesmo é uma platéia contemporânea. Uma platéia que não se sinta tão incomodada com a presença de uma criança em um espetáculo de arte, que não seja teatro de bonecos ou a última versão de Chapeuzinho Vermelho. Talvez falte mesmo é formar o público adulto e ensinar que arte já foi predicado de castas, de elites, de entendidos. Mostrar aos “grandes” que cada dia mais é necessário se popularizar e dar acesso a todas as manifestações artísticas, culturais, e que, isso, sem dúvida, pode e deve começar na infância.
Para finalizar, eu confesso que já vi dança contemporânea mais empolgante. Ah, a Lulu elogiou algumas instalações “pós-modernas” vistas hoje.
____________________
“Afinal, sempre se quebraram tabus’. Até a questão do traje já foi superada. Hoje, um mero 'smoking' dá mais nas vistas do que um 'piercing'." Luís Rodrigues
08 abril, 2007
Páscoa

Ressurreição das fábricas de chocolates e de embalagens, do comércio, da economia informal etc. Além das empresas, milhares de doceiras e donas de casa trabalham semanas para ressuscitar um dinheirinho a mais na época da páscoa. No jejum financeiro dos tempos atuais um empenho criativo pode render ganho a mais. A cruz já carregamos diariamente nestes tempos capitalistas. Quem não se sente crucificado em busca da sobrevivência? Quantos são os pregos fincados no fim do mês? Aluguel, mercado, prestação disso e daquilo, e outras pendengas martelando dia após dia. Contudo, resta o coelhinho da páscoa para animar a criançada que procura seus "ovos" espalhados pela casa. Sorte de quem ainda acredita nele. Feliz páscoa seja ela o que for...
Miniconto
Entrando pela diagonal
Ela chega em casa completamente bêbada depois de um happy hour alongado com as amigas. Entra cautelosa. Corre para o banho para espantar o cigarro e o cheiro de bebida impregnados na alma. Abre a porta do quarto, cambaleante, em diagonal, e vê seu marido deitado com cara de discussão. Na verdade, ela vê "dois homens" e mentalmente se anima. Ele começa a discutir com a frase de sempre "toda vez que você sai com essas amigas...". Ela num ato contínuo mira- lhe a face com seus olhos verdes avermelhados, abre o roupão, e convicta diz "vai brigar ou vai trepar?".
Soll
Ela chega em casa completamente bêbada depois de um happy hour alongado com as amigas. Entra cautelosa. Corre para o banho para espantar o cigarro e o cheiro de bebida impregnados na alma. Abre a porta do quarto, cambaleante, em diagonal, e vê seu marido deitado com cara de discussão. Na verdade, ela vê "dois homens" e mentalmente se anima. Ele começa a discutir com a frase de sempre "toda vez que você sai com essas amigas...". Ela num ato contínuo mira- lhe a face com seus olhos verdes avermelhados, abre o roupão, e convicta diz "vai brigar ou vai trepar?".
Soll
06 abril, 2007
COMO NASCE UM PARADIGMA
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de porradas.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o encheram de porradas.
Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato.
Um quarto e, finalmente,o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
Você não deve perder a oportunidade de passar esta história para seus amigos, para que, vez por outra, questionem-se porque estão batendo...
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de porradas.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o encheram de porradas.
Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato.
Um quarto e, finalmente,o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
Você não deve perder a oportunidade de passar esta história para seus amigos, para que, vez por outra, questionem-se porque estão batendo...
05 abril, 2007
Frase do louco
O Roger pra variar surta no MSN. É cada pérola que não resisto! As conversas são completamente malucas, mas rola um "conteúdo". rsss. A frase do louco hoje é:
"Felicidade artificial para um mundo artificial". (Rogério Silvério)
Acho que ele tem toda razão. Hoje tem a felicidade sintética do Prosac para uma vida de peitos e bundas de silicone. Hoje tem o Viagra para uma vida de mulheres loiras, de chapinha, salto de acrílico e argolas imensas. Hoje tem o cheque especial para se comprar carro do ano numa sociedade de gente que ostenta. Hoje temos um mundo tão artificial que só uma felicidade sintética e plastificada pode dar conta...
E ele completa:
Rogério diz:
falou e disse tudo, é isso aí mesmo, se for pra sofrer naturalmente, entao que se fique feliz artificialmente. nao tou nem aí. E nem aqui. rs
"Felicidade artificial para um mundo artificial". (Rogério Silvério)
Acho que ele tem toda razão. Hoje tem a felicidade sintética do Prosac para uma vida de peitos e bundas de silicone. Hoje tem o Viagra para uma vida de mulheres loiras, de chapinha, salto de acrílico e argolas imensas. Hoje tem o cheque especial para se comprar carro do ano numa sociedade de gente que ostenta. Hoje temos um mundo tão artificial que só uma felicidade sintética e plastificada pode dar conta...
E ele completa:
Rogério diz:
falou e disse tudo, é isso aí mesmo, se for pra sofrer naturalmente, entao que se fique feliz artificialmente. nao tou nem aí. E nem aqui. rs
To vendendo!
Com estilo...

Depois do lançamento maravilhoso do livro da Selena (terça-feira), demos uma esticada pelo Monte Sion e depois seguimos para o lugar que nunca fecha - Sabor Brasil. Claro que ficamos até o amanhecer. Rindo, cantando, anestesiados pela madrugada. Cheguei em casa quase sete horas. Sol nascido. Dormi pela manhã. O dia foi se arrastando com muita água com gás. Apesar da bagaceira da noite longa, a ressaca foi curada com estilo...
03 abril, 2007
DVDs no fim de semana

Clube e filme. Uma boa combinação...
O azar foi pegar dois filmes ruins: "Rastros do Passado" (ridículo e clichê) e o "Efeito Borboleta 2" (uma continuação que, para quem viu o primeiro, fica vazia...).

Em compensação, na semana passada assisti "Efeito Borboleta" (o primeiro) que é fantástico! Esse eu realmente recomendo. Faz refletir sobre escolhas, sobre a falta de controle quanto ao futuro, sobre o valor que damos ao que vivemos. É um roteiro que aborda os "se isso ou se aquilo acontecesse". Algo que sempre temos em mente ao ter que tomar uma decisão, ou simplesmente escolher no dia-a-dia que atitude tomar, caminho a seguir etc.

Outro filme muito legal é "Lucas um intruso no formigueiro". Um desenho divertido e cheio de mensagens sobre trabalho em grupo, força grandes x pequenos, união, arrependimento, aprendizagem. Basta um pouco de atenção para ver, além das imagens coloridas, o quanto podemos aprender com situações aparentemente banais.

"A casa do lago" é também um filme recomendável. Uma trama interessante, que mostra possibilidades de comunicação entre passado, presente e futuro... Vale a pena...

Ah, continuo recomendando a série (vi todas as temporadas) "Sex and the City". Homens e mulheres assistam! É divertido e mostra bem as relações da atualidade.
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