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03 outubro, 2010

"Jornalismo literário" na TV?

GLOBO REPÓRTER
"Jornalismo literário" na TV?
Por Lilian Reichert Coelho em 5/10/2010
Resisti quanto pude, mas cá me apresento, novamente, para lastimar os produtos que a Rede Globo de Televisão exibe ao se arvorar pela Amazônia. Ao que parece, repórteres e editores olham, mas são incapazes de ver esses outros, o ribeirinho, a mulher escalpelada, os extratores de açaí, os condutores de barcos, capazes de fasciná-los apenas superficialmente, arraigados como estão na segurança das próprias formulações conceituais. Prefiro crer que a orientação pelos clichês, típica das generalizações banalizadoras e da opção pelo caminho mais fácil, indica apenas desconhecimento sobre a região e seus habitantes, e não truque intencional.

O mais impressionante é que, dia desses, ouvi uma colega jornalista defender com avidez a ideia segunda a qual esse tipo de abordagem é "puro jornalismo literário na TV". Com indignação, fiquei a pensar sobre isso até deparar com a edição do Globo Repórter de sexta-feira (1/10). Honestamente, nada mais fake do que, às vésperas de importantes eleições, apresentar ao público brasileiro reportagem tão vazia e alienante sobre a Amazônia, como a dizer aos espectadores que o Brasil é mesmo o que apresentam os marqueteiros e os debates eleitorais: uma rica diversidade humana e geográfica, plena de belezas e riquezas naturais, cujos problemas são nada face à criatividade das humildes gentes.

Na mencionada edição do programa, a emissora nivelou-se ainda mais baixo ao enfrentar esse "lá" amazônico, ao posicionar equipes in loco sem, no entanto, mais uma vez, conseguir acessar esse outro topos para além do imaginário comum sobre a Amazônia, seus rios e sua gente, preferindo a reprodução da ideia surrada de lugar mítico, quase místico. Qualificações dessa ordem foram utilizadas em profusão na reportagem da experiente repórter Cristina Serra: "império das águas", "imenso espelho da vida", "paraíso intocável", "segredo das águas" e outras mais, todas com evidente pretensão poética, absolutamente dispensável.

Frases descontextualizadas

Imagino que, no malfadado intuito de conferir certo traço "literário" à reportagem, o texto verbal derramou trocadilhos deploráveis, rimas pobres e fáceis, adjetivos a dar e vender, empregados sem qualquer critério, além da inevitável e sempre repetida exploração gratuita e superficial de vidas que a emissora não se digna, de fato, a conhecer. Pode-se apontar também a narração, que mais parecia irritante leitura, feita ao modo teatralizado (no pior dos sentidos) da contação artificialmente empolgada de histórias sobre outro(s) mundo(s). O excesso de interjeições e outras expressões de espanto e falsa surpresa da repórter permearam os offs: "Como são férteis os rios da floresta!", exclamou. Além de incontáveis "ahs!" de mal encenada espontaneidade. 

Tudo isso para ser fiel a certa característica terrível – possivelmente popularizada por Glória Maria nas reportagens para o Fantástico e hoje praticada quase como regra: de deixar a criticada objetividade de lado, em favor da manifestação explícita da subjetividade do/a repórter. Se não soasse tão falso, se a subjetividade dos jornalistas se debruçasse honestamente sobre a realidade e se não fosse recurso utilizado de modo tão banal, sem coerência e sem preterir a informação e/ou a interpretação da realidade, poderia até funcionar, mas não é o que a prática corrente da TV aberta demonstra.

No caso da reportagem sob foco, talvez o cúmulo do uso forçado e sem sentido do referido mecanismo tenha sido a esdrúxula e terna afirmação: "É mesmo um mar de lembranças que vamos guardar do Negro, um rio inundando corações." Se isto puder ser seriamente considerado "jornalismo literário", deveríamos rasgar, em praça pública, os livros de Tom Wolfe, Fernando Morais, Joseph Mitchell e tantos outros. Para quê tanto afinco, tanta pesquisa, tanto esforço na procura e na construção de personagens, na contextualização, se qualquer figura de linguagem mal construída for colocada no mesmo patamar? Basta mostrar rapidamente uma mãe ribeirinha zelosa e dizer, de modo o mais descontextualizado possível: "O desafio das águas traz à tona a força e o espírito valente dos ribeirinhos!"

Venda de crianças para prostituição

O próprio povo da região amazônica, assim como de outras regiões que despertam a curiosidade do Brasil de mentalidade classe-média-urbana-metida-a-rica, já se tornou personagem profissional desse tipo de jornalismo. O melhor marqueteiro de propaganda político-eleitoral não conseguiria extrair das pessoas simples tamanha espontaneidade publicitária. Só posso imaginar que já devem ter se acostumado a esse tipo de abordagem, tal o esforço por reiterá-la.

Às vezes, penso que a encenação constitui canalhice subversiva, que se riem dos jornalistas e das emissoras por detrás. Parecem atores e atrizes que sabem muito bem escolher as palavras para exibir-se em rede nacional, como ocorre em qualquer lugar turístico do Brasil. Os sorrisos são abertos facilmente à mera presença das câmeras de TV e o discurso publicitário fake está na ponta da língua de qualquer pessoa comum que se enquadre nas personagens-padrão: a mãe ribeirinha, a vendedora de feira, a extrativista que mora "no paraíso", o condutor de gente "por uma das aventuras mais emocionantes da floresta, a travessia na estrada de maior movimento nesse pedaço do Brasil, o rio que nunca seca." 

O condutor Raimundo Nonato sabe muito bem vender a imagem desgastada de paraíso das águas: "Para mim, o rio é como se fosse uma estrada. Quando vocês saem para fazer uma reportagem em tal lugar, vocês têm tantos quilômetros. Eu aqui tenho tantas extensões de água. Eu acho isso aqui uma coisa fabulosa, uma coisa muito bonita."

Pelo visto, esses outros espetacularizados já conhecem seu papel de cor e o desempenham a contento, para saciar a curiosidade momentânea, dispersa e falsamente interessada da emissora e de seus prováveis telespectadores. A impressão que dá é que emissoras e telespectadores são todos tão turistas no próprio país quanto o casal (ele, paulistano, ela, japonesa) de forasteiros entrevistado no barco de Nonato.

Vale salientar que até a mais terrível das condições é explorada positivamente, sem senso crítico algum, com preocupação social também fake: crianças miseráveis, pedintes; mulheres que se arriscam para vender produtos aos passageiros do barco; outras, escalpeladas por descuido de condutores, tudo isso é mostrado de acordo com o modelo mais alienante possível. A repórter surpreende-se com a jovem que sobe rapidamente ao barco, escorada, para tentar vender algo a qualquer dinheiro, sem problematizar a necessidade por que passam as pessoas que, sem instrução ou alternativas de sobrevivência, arriscam suas vidas e a de crianças. 

Ao invés de se sobressaltar com o bom trabalho do prático nos navios, por que não abordar, de modo mais aprofundado, a venda de crianças para prostituição nas embarcações pelos próprios pais, a falta de condições básicas, questões ambientais, possibilidades (já realizadas ou não) de efetiva mudança no cenário regional? Isso, sim, seria algo próximo da prática do "jornalismo literário" na TV. Mas não, a emissora prefere os "ahs!" e "ohs"! de enfado mal disfarçado de surpresa.

Um novo e bobo programa de humor

Outro fator questionável na reportagem sob leitura é a trilha sonora. Em geral, os editores da Rede Globo são eficientes na produção audiovisual, inserindo trilhas que se coadunam perfeitamente às imagens e aos efeitos de sentido que pretendem criar. Desta vez, no entanto, até a trilha foi mal selecionada, despertando a atenção para o imbricamento mal ajambrado entre verbo, imagem e som, que deve confluir e passar despercebido à recepção. Se tivessem optado pelos clichês usuais, teriam sido mais bem sucedidos. O olhar exógeno explicitou-se desde o início da reportagem pela trilha e se repetiu, ao final, com uma voz infantil que cantava, em francês: "Il faut sauver l´Amazonie". Outra gafe foi utilizar a canção Come as you are, da banda Nirvana, como trilha para cenas de aventura e diversão dos que praticam esqui aquático no rio. Risível, não fosse ridículo! Até a trilha instrumental, ao ser agregada às imagens, deixou muito a desejar, não coincidindo nem no ritmo, nem no significado criado por uma e outras.

Em suma, reportagens deste tipo enganam os telespectadores, por se negar a oferecer-lhes informações relevantes, interpretações sobre a realidade que desconhecem e que poderiam passar a conhecer, não fosse o investimento nefasto na "humanização" fake e só nela. Além de mal utilizado, tal procedimento sequer emociona o/a telespectador/a, pois é demasiadamente distante e asséptico, como se esses outros fossem animais num zoológico, onde se adentra para um safári seguro e com hora para terminar: a da estreia de um novo (?) e bobo programa de humor.

17 agosto, 2010

Mais lento, mais curtido

CONSUMO DA INFORMAÇÃO




Por Washington Araújo em 17/8/2010




O escritor britânico Chesterton dizia que "a pressa tem a desvantagem de nos fazer perder demasiado tempo". Desde as últimas décadas do século 20 tomamos conhecimento do Movimento Devagar (Slow Movement). Os princípios eram em direção a um ritmo menos acelerado da vida: não à comida preparada em minutos (McDonald, China-in-box e centenas de outras mais), não ao tempo desperdiçado em várias coisas a um só tempo (dirige/atende celular, assiste televisão/escuta mp3, faz esteira/escuta áudio-livro), não ao turismo "se é quinta-feira então estamos em Haifa, mas se estamos em Jerusalém é porque hoje é sábado".


O movimento não é contra as modernidades nem o progresso. O movimento é a favor de uma maior qualidade de vida, de uma vida em harmonia com o meio ambiente e em que as horas são mais valorizadas que os minutos e estes que os segundos. Como entender este conceito num mundo em que tudo parece ter que ser feito mais rápido que imediatamente?


Porque, de repente, rápido passou a ser sinônimo de eficiência, de ser melhor, de passar para os outros a imagem que somos muito mais espertos do que realmente somos. Fazemos compras em supermercado correndo feito loucos pelas gôndolas e em poucos minutos somos que atraídos para a fila do caixa que, ao chegar nossa vez, parece que já somos empurrados por outro cliente em nossa cola e, quando atentamos, estamos literalmente no meio-fio, cheios de compras em busca do carro. E às vezes ainda nem pagamos e já temos o cliente seguinte em cima de nós. Tudo é apressado, tudo é acelerado e como o dia tem o número de horas prefixado há muito tempo o jeito é ir enfiando cada vez maior número de coisas para se fazer entre o amanhecer e a noite.


Luz amarela


Apostei nesse movimento ainda em 1994. Lembro que fazia cada coisa dentro do tempo certo e aos poucos deixei de, ao sair de casa, anotar antes as coisas que iria... esquecer! A verdade é que continuamos impelidos a levar a vida no ritmo próprio de quem tem apenas mais 24 horas de vida e então trocentas coisas têm de ser realizadas no limite do tempo que se esvai; e, finalmente, desperdiçamos cada instante mais pela ansiedade do que deixa de ser feito que fruindo do que está em execução. E é assim que a vida avança para a terceira dimensão fazendo desta uma espécie de filme em 3D.


Êpa, tenho que voltar ao assunto porque até agora nenhuma linha atende aos nossos exigentes leitores do Observatório da Imprensa. Está faltando responder onde está a crítica da mídia. Vamos lá. Tenho observado que em meio à crise que enferma nosso jornalismo impresso, feito com papel e tinta, se firma a sensação de que essa espécie de vazio de "suporte físico" é preenchido crescentemente pela internet. Nossos jornais e revistas, nossas emissoras de tevê e de rádio, todas elas, têm seu domínio virtual bem demarcado. Os profissionais de um e de outro parecem interagir ao longo do dia.


O que me faz acender a luz amarela é a percepção de que as notícias que leio na internet são sempre pela metade, como se esta última frase pudesse ser lida – e entendida – assim: "O que me faz a luz a é a per que as no na in são sem pe me". Resumindo: tudo pela metade, tudo truncado, tudo esperto demais de forma que deixar de entender o que está escrito parece ser normal, muito normal.


Décimos de segundo


Ler mais devagar para entender melhor. Estas palavras deveriam fazer parte de qualquer campanha para atrair novos leitores, seja de livros, seja de jornais. O tempo da tal leitura dinâmica pode até ter servido em algumas situações, mas aquilo que fica mesmo é o que conseguimos reter, uma vez entendido o pensamento de seu autor.


Em algum lugar do planeta há que se criar um Movimento Leia e Entenda Sem Pressa (MLESP). Do contrário temos o que temos: reportagens, além de mal escritas, ininteligíveis, fracionadas, segmentadas, deformadas, amputadas. Algumas vezes a notícia inteira que lemos no computador está exposta nas cinco ou sete palavras da manchete. E o corpo da matéria? Burocraticamente informa que "acesso permitido apenas aos assinantes" ou a repetição da manchete de forma mais esparramada, se é que me entendem...


A internet começa a passar por seu teste de fogo – cadê a notícia bem apurada? O advento da internet por si só não teve – e nem terá – a força de obliterar o conceito básico de que uma matéria jornalística para se por de pé tem de responder ao menos cinco dessas questõezinhas: o que?, quem?, quando?, como?, onde?, quanto? e por que?


O resultado é mais ou menos este: somos informados de muitas coisas, mas não as entendemos por completo e nem sabemos como reproduzir o que lemos alguns minutos depois. O jornalismo continuará exigindo trabalho, esforço, dedicação e, se possível e não for pedir muito, talento. Observo também que ao invés de os ciberjornalistas se espelharem em seus colegas do "mundo real", o que acontece é exatamente o contrário: os jornais impressos abrem cada vez mais espaço para dar notícias no estilo apressado de seu similar virtual.


Isto não quer dizer que a totalidade do noticiário existente na internet sofre desses males, mas que são influenciados por estes, são! O que facilita a assimetria é a facilidade de o noticiário virtual ser apagado em fração de segundos, de uma notícia ser "aumentada" no mesmo décimo de segundo, enquanto as que usam papel como suporte trazem consigo o sentimento de permanência: do jeito que foi impresso, fica. Alterações serão possíveis apenas em sua próxima edição diária ou semanal.


Futuros leitores


Isto porque complicamos o simples. E esquecemos que o simples nada mais é que um equilíbrio entre o rápido e o lento. Simples é deixarmo-nos parar, permitir-nos sentir o nosso próprio ritmo, e não o ritmo que a sociedade nos impõe. Ler é algo simples para quem sabe ler. Óbvio, claro cristalino. Mas ler exige tempo e esforço e não é aconselhável ler texto com vinte ou trinta linhas pulando cinco a cada três lidas.


Se o espaço é cada vez mais diminuto ou escasso – seja no noticiário impresso ou no televisivo, por exemplo – há que se dar preferência ao "mais importante" em relação ao que é apenas "importante". E fugir da corrida alucinada por notícias pouco apuradas, sem ouvir os dois ou cinco lados antes de ser publicada. Assim como sabemos do necessário alinhamento dos planetas em nosso sistema solar precisamos lutar para que haja um seguro alinhamento de ideias sempre que um jornalista ou um internauta se planta ante um terminal de computador e se dispõe a contar uma história. Ideias interrompidas, longe de cativar o leitor, o afasta. E depois, como aprendi em Nova Déli, quem não entende um olhar está longe de entender uma explicação.


Até para aprender há que haver tempo e a pressa, além de antipedagógica, é de todo inútil. As crianças (e por que não os jovens e os adultos?) necessitam ser incentivadas a relaxar para ordenar de maneira estável e criativa as suas idéias. Sou favorável a um ensino mais lento, pausado, baseado em aprender a pensar e a estabelecer conexões, pois acredito com convicção genuína que isso acarreta resultados mais positivos do que devorar informação para logo despejá-la em uma prova. E são essas crianças de hoje os leitores de jornais e revistas de poucos anos mais a frente, os telespectadores e os ouvintes de rádio. Sem estabelecer as conexões na época certa... Afinal, educar é ensinar a viver.


***


Em tempo: Outra constatação: cada vez aprecio menos o novo formato do autodesignado jornal do futuro, a Folha de S.Paulo. O corpo das fontes aumentou, houve mais espaçamento entre os intertítulos e talvez até os espaço entre linhas aumentou. Se gostei disso? Claro. Quem não gosta de ler palavras, vamos dizer, aumentadas? O que não gostei mesmo foi que o conforto visual existiu em detrimento do conforto intelectual. A Folha de S.Paulo diminuiu o conteúdo de cada abordagem ou estes ficaram com aquele gosto de reclame publicitário, tudo muito rápido, comprimidos em poucos caracteres et cetera e tal. Na falta de outras opções, fiz algo que julgava ser impensável até alguns anos atrás: passei e ler o Estado de São Paulo. Eu que farejava algum aroma de naftalina no jornal dos Mesquita vi que era preconceito juvenil e, como todo preconceito, algo quando não irracional, idiota mesmo. Pois bem, estou gostando do jornalismo ora praticado no Estadão e, excetuando-se seu perfil político-partidário, sou brindado com matérias bem escritas, de gente que sabe sacrificar no que for possível para apresentar um bom jornal diário e que dispensa fazer algo que atente contra a inteligência do leitor.


-- http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=603IMQ001
Pamela Lins

12 dezembro, 2009

STF não julgou caso Estadão

Posted by Túlio Vianna

Ontem à noite, quando eu li que o STF arquivou a reclamação proposta pelo Estadão contra proibição de veicular matérias sobre Fernando Sarney, eu cantei a bola no Twitter:

Notem: não foi julgado o mérito da ação do Estadão. O STF entendeu que o meio processual usado pra discutir a questão foi inadequado.

Não deu outra, hoje não só o Estadão estava reclamando da “censura” do STF, mas também a Folha de São Paulo avalizava acriticamente o discurso do seu concorrente contra a decisão do STF. No Brasil, o discurso da mídia é tão homogêneo que mesmo quando o concorrente está com a faca e o queijo na mão para fazer um contraponto crítico à notícia veiculada no outro jornal, a tradição fala mais alto e é sempre mais do mesmo. O leitor que escolha seu jornal predileto pela diagramação, pois não será justamente na abordagem da notícia que eles vão divergir.

Como a Folha não se deu ao trabalho de contrapor a notícia divulgada por seu principal concorrente, fá-lo-ei eu, então.

Toda decisão em um Tribunal é composta por dois momentos distintos: o primeiro é um juízo de admissibilidade, no qual o tribunal analisa se aquele recurso é ou não adequado para resolver aquele caso; o segundo é a análise da questão propriamente dita, o que em juridiquês chamamos de mérito.

No julgamento da reclamação do Estadão, o STF não chegou a analisar o mérito (se é censura ou não), pois entendeu que o instrumento processual utilizado pelos advogados do Estadão não era adequado para discutir a questão. O Estadão poderá voltar a recorrer ao STF para discutir a questão, desde que usando os recursos processuais adequados para que seu recurso seja conhecido (apreciado pelo STF).

É bom que se frise que os mesmos ministros que não conheceram da reclamação interposta pelo Estadão poderão votar favoravelmente ao mérito da causa, desde que o jornal recorra pelos meios adequados. Em um eventual novo recurso, o Estadão pode sair vitorioso, inclusive com a unanimidade dos votos dos ministros.

Muitos dirão: “mas é um formalismo jurídico absurdo este adotado pelo STF”, “o STF foi burocrático demais, devia ter decidido logo”, “o tecnicismo do STF atrasa o julgamento do mérito” e outras críticas do gênero. Já imaginaram, porém, se o STF resolvesse julgar o que, nas palavras do próprio Estadão, foi um “atalho à instância máxima do Judiciário para não ter que aguardar a tramitação complexa dos recursos” de todo mundo que não estivese com paciência para aguardar na fila? Você gostaria de saber que seu processo em tramitação há anos no STF ainda não foi julgado porque o tribunal tem apreciado muitas reclamações sobre liberdade de imprensa de jornais impacientes com o tamanho da fila? Disse e repito:

Tem um bocado de gente presa (muitos inocentes, inclusive) aguardando julgamento no STF. Por que o Estadão poderia furar fila?

O STF é lento para todo e qualquer cidadão brasileiro. Não será com um “jeitinho processual” para agradar a mídia e a seus leitores que resolveremos o problema da ausência de celeridade na Suprema Corte. Muito pelo contrário. Se o STF tivesse aceitado discutir o caso do Estadão por esta via processual, todo e qualquer caso versando sobre liberdade de imprensa poderia, em tese, passar a ser discutido pela mesma via. Seria razoável priorizar este tipo de caso, mesmo em detrimento do julgamento de réus presos?

Notem que não há aqui qualquer crítica ao Estadão e aos seus advogados por terem tentado este recurso processual. Todo mundo pode e deve pedir ao judiciário a solução que considera mais justa e rápida para o seu caso. Cabe ao judiciário decidir se vai julgar o pedido feito naqueles termos ou não dentro de regras previamente definidas que não priorize a solução de casos sobre outros sem uma boa justificativa.

A crítica aqui está no discurso de que “o STF manteve a censura ao Estadão”. Não manteve, pois não analisou. E não analisou, pois não aceitou o atalho processual tomado pelo Estadão e mandou o jornal pro fim da fila como todo e qualquer cidadão.

Se querem reclamar do STF por esta decisão, chamem-no de formalista, burocrático ou devagar quase parando. Só não digam que manteve a censura, pois o mérito sequer foi analisado.

17 outubro, 2009

Antes de sair de casa, peça a bênção a Patricia Poeta

Big Brother Belchior
Antes de sair de casa, peça a bênção a Patricia Poeta


por Francisco Bosco


No famoso plano-sequência de Profissão: Repórter, o assassinato de David Locke é narrado de modo indireto, por meio de uma janela com grade. Mas a força da cena não está exatamente em seu caráter indireto - o qual sempre se exalta - e sim na mediação da janela gradeada. Como se sabe, o repórter David Locke aproveita-se da morte de um desconhecido em um vilarejo remoto na África para falsificar sua própria morte e assumir a identidade do outro.

O que está em jogo para ele é uma tentativa de sair radicalmente de si. Como repórter, ele viaja o mundo fazendo entrevistas, matérias, documentários, mas sente que os deslocamentos geográficos e culturais não o levam a afastar-se de si próprio, pois ele, em suas palavras, acaba codificando toda a diferença nos seus (dele) próprios termos, fazendo-a desembocar sempre de volta no registro da identidade. Ao valer-se da morte de um desconhecido para tentar desconhecer-se, Locke vê-se herdeiro imediato da vida desse outro, David Robertson, um traficante internacional de armas.

Passa, então, a ser perseguido por agentes de um governo africano, pois Robertson fornecia armas para uma guerrilha que se lhe opunha. Ao mesmo tempo, a ex-mulher de Locke descobre que a morte de Robertson foi falsificada e começa ela também a persegui-lo. Locke não demora muito para concluir que sua tentativa fracassara. Não lhe bastara colar sua foto no passaporte de outro para transformar-se em outra pessoa. Pior, agora ele estava multiplamente emparedado: dentro de si mesmo, dentro da realidade de outro (mas não de sua subjetividade) e dentro de seu passado, que não pudera aniquilar. O emparedamento descortina-lhe o nome: David Locke, Locke D., ou seja, locked, trancado.

É por isso que o famoso plano-sequência é narrado através da janela gradeada, que assoma, então, como o correlato material da impossibilidade existencial a que se lançou Locke. Dentro do quarto, ele dorme, enquanto, pelas grades - portanto, da perspectiva dele -, vemos a realidade que lhe assaltaria, mas que ele não podia alcançar. Vemos, então, os agentes chegarem, andarem na direção do hotel e saírem do enquadramento.

Em seguida, ouvimos um tiro. A partir daí há uma extraordinária inversão de perspectiva. A jovem que Locke conhecera em Barcelona e passara a acompanhá-lo em sua fuga entra no quarto no mesmo momento que a ex-mulher dele, acompanhada da polícia. O policial pergunta, primeiro à ex-mulher: "Você o reconhece?", ao que ela responde: "Eu nunca o conheci". Em seguida, a mesma pergunta é dirigida à jovem, e sua resposta é: "Sim". Essa cena é narrada de fora para dentro da janela gradeada.

Da perspectiva da ex-mulher, havia também um emparedamento em Locke; ela nunca pôde conhecê-lo, embora tivesse vivido com ele muitos anos. Já a jovem, cujo nome não vem à tona, e a quem Locke se apresentara sob um nome falso, afirma, sem hesitar, tê-lo conhecido (confirmando uma frase de Barthes segundo a qual "conhecer alguém é conhecer-lhe o desejo").


Onde está Belchior?

O filme de Antonioni é de meados dos anos 1970. Sua questão é existencial: é possível reinventar-se completamente, ser radicalmente outro? A resposta do filme é não - mas não é isso que desejo investigar aqui. Quero chamar atenção para o fato de que, mesmo sendo Locke um repórter, a mídia não é uma questão fundamental para o filme. As forças que lhe saem à captura são a polícia, os agentes do governo africano e sua ex-mulher, ajudada pela embaixada. Locke consegue sair da África e ir para Londres, daí para Barcelona, daí para cidades pequenas na Espanha, até ser encontrado - e tudo isso se passa em registro de experiência privada. Agora cortemos para agosto de 2009, onde vamos acompanhar outra perseguição, bem diferente.

A primeira notícia de que Belchior havia desaparecido foi publicada num site. Nele, depoimentos de amigos e parentes afirmavam desconhecer o paradeiro do cantor. Daí em diante pipocaram novas matérias. Os maiores jornais do país noticiaram o sumiço, o Fantástico fez uma matéria, até a imprensa estrangeira repercutiu o assunto. Novas informações começaram a aparecer: Belchior teria dívidas com hotéis e estacionamentos. Especulações também surgiram: com a carreira em baixa, o cancionista estaria tentando criar um factoide que o levasse novamente aos holofotes.

E não faltaram, é claro, as piadas na internet: numa delas, Belchior figura entre os personagens do seriado Lost; noutra, murmura-se que seu desaparecimento faz parte de um mistério mais amplo, a envolver o sumiço de outros cantores, como Biafra, Silvinho (aquele do ursinho Blau Blau) etc. O mistério levou apenas três semanas até ser esclarecido, pelo Fantástico, que na edição do dia 30 de agosto revelou o paradeiro de Belchior e arrancou dele uma entrevista. Ao assistir à reportagem do Fantástico, fiquei ao mesmo tempo indignado e apavorado.


Vigiar e perseguir

Antes de entrar a reportagem, um solene Tadeu Schmidt anuncia o fim do mistério: Belchior foi localizado pelo Fantástico. Em seguida, Patrícia Poeta, em tom de reproche maternal, diz que o cancionista, "que se afastou da família, dos amigos e dos fãs, deu as suas razões à repórter Sônia Bridi". Pronto, começou o pesadelo.

O que vem a seguir é uma demonstração assustadora do funcionamento de uma sociedade de controle, onde um desvio existencial, mesmo que não diga respeito a mais ninguém, é tornado objeto de visibilidade, escrutínio, sarcasmo e julgamento públicos. É importante observar que a perseguição a Belchior não partiu da Justiça, a fim de que ele saldasse suas possíveis dívidas, mas sim da mídia; isto é, não foi movida por um legítimo interesse público (que não se confunde com uma espetacularização pública), mas por uma mistura de jornalismo de fofoca e vigilância coletiva, por meio da qual se pode ler um sintoma, a que voltarei.

O Fantástico recebeu pistas de pessoas que haviam estado recentemente com Belchior. Por meio delas, reuniram-se evidências de que ele estivera nas últimas semanas no Uruguai. Sim, evidências, porque foram enviadas fotos de Belchior em situações privadas (com o acoplamento de máquinas fotográficas em celulares, todo cidadão que os possui torna-se um delator em potencial). Em seguida, os repórteres receberam um e-mail anônimo que revelava o paradeiro de Belchior: ele estaria na pequena cidade de San Gregorio de Polanco, nos pampas uruguaios. O Fantástico não demorou a achar a pousada em que Belchior estava hospedado. Ao ligar para ela, alguém disse que o (a esta altura) fugitivo estivera lá, porém já fora embora. "Mas era mentira", conta a repórter Sônia Bridi, que, desconfiada, vai até lá e chega à porta de Belchior com a câmera ligada.

Já então era óbvio que Belchior não queria ser encontrado. Mas o desejo - e esse desejo não deve ser reconhecido como um direito? - de privacidade não conta para o Fantástico. A repórter bate na porta, Belchior não quer conversa, mas ela insiste, ronda a casa, sussurra com a voz mais cínica do mundo: "A gente veio de tão longe pra te encontrar, tem tanta gente te procurando lá no Brasil...".

Belchior deve ter resistido por horas, pois as primeiras imagens são ainda de dia, e quando ele finalmente cede já é noite. Sai de casa e quase podemos ouvir o famoso bordão futebolístico: "Taí o que você queria". O Fantástico triunfa, o que há de mais desrespeitoso nas pessoas também. E Belchior? Com uma aparência existencialmente saudável, ironiza com sutileza e bom humor o absurdo da invasão; diz ter achado estranha a primeira matéria do Fantástico (que ele viu pela internet), que aquilo nada tinha a ver com ele, e que ele não é uma celebridade.

Em seguida, recusa-se, com coragem firme, a responder a questões a respeito de sua vida privada. Num momento antológico, constrange a repórter - e, por extensão, espero, todos que compartilhavam ali a posição dela - ao afirmar que não tem interesse pela vida privada de niguém. Esclarece que sua presença ali se deve a um trabalho "muito especial" que está sendo desenvolvido por ele, a tradução de todo o seu cancioneiro para a língua espanhola, aproveitando para lembrar sua ligação com a América Latina, citando seu verso "Eu sou apenas um rapaz latino-americano".

Da perspectiva do perseguidor, o ponto central da cena reside na seguinte pergunta da repórter: "Você não deixou de fazer contato com sua família, com seus amigos, nesse período?". Essa pergunta retoma o tom de mamãe controladora de Patrícia Poeta. Nela está implícito nada menos do que isso: ninguém tem o direito de abandonar (mesmo provisoriamente) sua família e seus amigos, e se tiver essa audácia será julgado em público por ela. Ninguém tem o direito de em algum momento querer reinventar-se, ou simplesmente querer afastar-se, sem pedir a bênção aos demais.

A perseguição a Belchior, então, parece assumir um caráter sintomático: é precisamente porque todo mundo tem, já teve, terá ou pode ter esse desejo de reinventar-se, e não consegue realizá-lo ou nem ao menos assumi-lo, que aquele que o levou adiante deve ser perseguido, descoberto e recolocado em seu lugar. Deve ser lembrado de que tem satisfações a dar e de que, no limite, sem o consentimento dos outros, não pode se afastar deles. Pois os outros não querem ser lembrados de suas próprias covardias ou mediocridades existenciais.

É tênue a fronteira entre a curiosidade, o jornalismo e o desrespeito brutal. É revoltante (e apavorante) que essa questão não seja sequer colocada pelos que estão prestes a atravessá-la. Nos anos 1970, David Locke estava trancado em sua subjetividade; o caso Belchior vem nos lembrar que, hoje, estamos trancados na realidade, ao ar livre, gradeados por milhares de olhos que nunca se fecham.


franciscobosco@terra.com.br
fonte: Revista Cult --

18 maio, 2009

Capas de jornais

Capas de jornais de todo o mundo!

30 março, 2009

Iludidos pelo acaso

Muitas pessoas acham erroneamente que jornalistas são, por definição, negativos, o pessoal do contra — e que, por isso, a imprensa privilegia más notícias.

Embora alguns jornalistas optem de fato pela má notícia, existe um outro fenômeno que afeta os leitores, um fenômeno chamado a ilusão do acaso. Quem explica isso é o estatístico Nassim Taleb, autor do livro "Iludido pelo Acaso".

Embora ele não trate de jornalismo, mas do mercado de ações, mostrarei aqui a analogia com jornalismo — isso se vocês tiverem paciência, porque a lógica é, de fato, complicada. Mas vale a pena!

O mercado de ações americano sobe há mais de 40 anos a uma taxa média de 12% ao ano, lembrando-se de que média é media. Metade dos anos ele valoriza mais do que isso (uma excelente notícia), a outra metade ele cresce menos (o que continua sendo boa notícia, com exceção das poucas vezes em que a rentabilidade é negativa e você perde dinheiro). Apesar da volatilidade diária, olhando uma única vez por ano, você verá mais boas notícias do que notícias ruins.

Isso porque o mundo está melhorando lentamente, dando dois passos para frente e um para trás. Se você observar sua carteira de ações uma única vez por ano, em 40 anos você terá 93% de boas notícias: você ficou mais rico. Mas em 7% das vezes, ou 3 anos dos 40, a notícia será ruim: você ficou mais pobre (ou menos rico). Se você observar o nível da Bolsa de Valores todo trimestre, a situação muda de figura: 67% das vezes você ficará feliz - a Bolsa subiu no trimestre.

No entanto, 33% das vezes você terá uma má notícia: a Bolsa caiu e você empobreceu naquele semestre. Quem criou a frase dois passos para frente e um para trás deveria ler jornal a cada trimestre, que era a periodicidade de muitos almanaques da época. Como temos um gene de pessimismo, uma má notícia nos afeta 2 a 3 vezes mais emocionalmente do que uma boa notícia. Ou seja, apesar de você estar ganhando dinheiro trimestralmente, a sensação média é de quase empate ou vazia.

Bolsa

Em Alta /Em Queda

93.00%/ 7.00% Todo ano

67.00% /33.00% Todo Trimestre

59.00% /41.00% Toda Semana

54.00% /46.99% Todo Dia

50.17% / 49.83% Cada Minuto

Fonte: Fooled by Randomness, p. 57

Se você observar suas ações todo dia, como todo jornalista econômico faz, a situação ficará feia. 54% das vezes você terá boas notícias — a Bolsa subiu! E em 46% das vezes, você ficará infeliz...

E, como ninguém mantém esta contabilidade rigorosa, a sensação poderá ser de empate — ou até de que você, na média, perde dinheiro.

As oscilações de curto prazo da Bolsa, que chegam a ser mais ou menos 3%, ofuscam o lento crescimento de longo prazo de 0,056% ao dia. O 0,056% é quase imperceptível “a olho nu”, mas, depois de 200 pregões, chega aos nossos 12% ao ano.

No dia a dia, você só vê a volatilidade do curto prazo, e não a tendência de longo prazo. Você está sendo iludido pelo acaso, iludido pelas pequenas flutuações normais do dia a dia. Por isso, corretor de ações não é rico, day traders normalmente perdem dinheiro, especuladores pagam mais em corretagem do que ganham.

Por isso, tantos jornalistas econômicos e a maioria dos brasileiros acham que a Bolsa é um cassino, que é pura especulação, que é coisa para jogadores. Aqueles que mantêm uma “distância sadia” da Bolsa, aqueles que compram e ficam, e só olham as 93% de observações anuais, terão a visão que poucos têm — de que aplicar na Bolsa é relativamente seguro e de que só dá alegrias em 93% das vezes. É devido a essa ilusão do acaso que 98% dos brasileiros deixam de investir na categoria mais rentável do mundo, rendendo 12% ao ano em termos REAIS, preferindo títulos do governo que pagam 4% de valor real, e olhe lá.

Ultimamente, a situação ficou anda pior. Quem olhar pela internet a cada minuto, algo que só a nova geração teve o privilégio de experimentar, verá a Bolsa subir 50% das vezes e cair 49% das vezes. O crescimento histórico fica totalmente imperceptível.

O que tudo isso tem a ver com jornalismo?

Se a Bolsa incorpora todas as notícias boas e más do momento, isso significa que 50,1% das notícias são, de fato, boas para a Bolsa e que os outros 49,9% são notícias negativas, ao ponto de derrubar a Bolsa. Por isso, ela oscila de minuto a minuto, dia a dia.

Ou seja, se você quiser investir na Bolsa sem ficar com a sensação de que ela é um cassino, o melhor é não ler o noticiário econômico. Muito menos pela internet.

Refazendo a tabela de Taleb para o jornalismo, teríamos a seguinte distribuição:

más notícias/ boas notícias

49,8% / 50,2% jornalismo on line

46% / 54% jornalismo diário

41% / 59% jornalismo semanal

33% / 67% jornalismo mensal

7% / 93
% jornalismo anual

Ou seja, quem lê notícias diariamente será muito mais pessimista do que alguém que lê uma revista semanal como a Veja ou uma revista mensal como Época Negócios.

Otimistas são aqueles que lêem as edições de final de ano, cheias de esperanças e de dados de tendências para o ano seguinte, e aqueles que assistem uma vez por ano a uma palestra minha ou de outros economistas positivos como Octávio Barros ou Ricardo Amorim.

Por isso, jornalistas diários são mais pessimistas do que colunistas semanais, que por sua vez são mais pessimistas do que colunistas mensais.

Em momentos de crise, tendemos a aumentar a freqüência com que procuramos notícias, o que só piora a situação.


Se você observar a Bolsa todo ano, terá 93% de alegrias, como normalmente se faz com renda fixa e imóveis. Nem existem cotações diárias para imóveis e renda fixa. Se existissem, as notícias não seriam boas. Imóveis, como carros, desvalorizam ano após ano devido a idade e obsolescência do imóvel.

O jornalismo que dá certo é aquele que não se permite ser "Iludido pelo Acaso". É aquele que coloca a notícia no contexto, que aponta as tendências de longo prazo, que ignora marolas e concentra no horizonte que nem sempre aparece numa tempestade.

O jornalismo que dá certo é o que este site pretende ajudar a criar. Se você tem um blog de notícias, continue a publicar as más noticias que surgem para não ser tachado de otimista, mas contextualize com as análises que faremos aqui sobre O Brasil Que Dá Certo. Apesar dos pesares do dia a dia.

Stephen Kanitz