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30 março, 2010

por que ver bbb


Hoje tem paredão!
Quem ganha?
a) O Cadu, homem sensível que interagiu bem com todos da casa e nunca foi votado pelos brothers, o que não deixa de ser um reconhecimento pela capacidade que ele tem de conviver pacificamente em grupos, o que eu gostaria de ver clonado e triplicado na sociedade;
b) a Fernanda, que poderia levar o segundo lugar, por representar a grande parte morna do país, uma pessoa que faz esforço para sempre se controlar mas de vez em quando mostra o que realmente é;
c) ou Dourado, favorito tosco, que representa a projeção e o desejo da passiva população brasileira de ser mais ativa, irada, destemida e tosca com atitude corajosas?



A ilustração abaixo veio do blog Chiqsland




Façam suas apostas!

28 março, 2010

Bullying não tem idade! é uma violência sempre.

Ex-BBB Elenita critica seus colegas de confinamento: 'Passei por bullying aos 30 anos'

Professora fala sobre o livro que vai lançar e sobre o preconceito que sofreu por ter o corpo fora dos padrões.
-Divulgação/-Divulgação


Elenita prepara um livro sobre a experiência no reality show

Neste mês de abril, a ex-BBB Elenita vai lançar seu primeiro livro, “O homem ideal e outras conversas” (144 páginas, Editora Calon Rouge). A obra é uma coletânea de 30 crônicas escritas por ela e publicadas em seu blog desde 2005. Além disso, dois textos inéditos sobre sua passagem pelo “Big Brother Brasil 10” foram criados e incluídos na publicação pela doutora em linguística.

A experiência de Elenita na literatura não ficará restrita apenas a um livro. Ela já começou a elaborar uma nova obra na qual vai contar sua experiência dentro do “BBB”. O que, para ela, merece um estudo profundo. “Descobri que quando uma pessoa comum, fora dos padrões estéticos, mostra o corpo, as pessoas ficam incomodadas. Lá dentro passei por bullying (atos de violência física ou psicológica comuns entre crianças e adolescentes na escola) aos 30 anos!”

Elenita conversou por telefone com o EGO sobre esses e outros assuntos. Confira como foi o papo.

Como será “O homem ideal e outras conversas”?
Elenita:
São várias crônicas que falam do relacionamento homem e mulher até a autoestima. Reuni 30 textos publicados em meu blog desde 2005 e acrescentei dois sobre a minha participação no "BBB 10".

O que você escreveu sobre a sua passagem no reality show?
Tudo o que observei dentro do BBB. Relativizei a beleza. Nunca pensei que fosse passar por bullying aos 30 anos. Tive problemas por causa do meu corpo. Quando saí da casa, as pessoas me agrediam no Twitter, e isso me desestruturou. Mostrar um corpo fora dos padrões de beleza como eu fiz incomoda. Descobri que as pessoas do programa falavam de mim quando saí. Lá dentro existia uma mensagem velada. Me chamavam de complexada, e eu não sou!
Como você analisa a sua participação no “BBB”?
A minha participação no BBB abriu uma porta, foi emblemática. Achei que foi válida. Descobri que o simples fato de me sentir bonita, mesmo com o sobrepeso, incomodava as pessoas. Quando deixei a casa, notei que eles passaram o fim de semana metendo o pau em mim. Outro dia mesmo a Maroca falou mal de mim.

Como foram os primeiros dias fora da casa e de volta à realidade?
Eu me senti fora de órbita quando saí, tudo me incomodava. Agora, não. Vejo as pessoas lá dentro, depois de tanto tempo e, se fosse comigo, aquela rotina já teria me deixado maluca. Já me desvencilhei dessa rotina.

E como será seu segundo livro?
Vou falar sobre o “BBB” e o que passei lá dentro. Abordarei o preconceito e falarei que a mulher tem que ser bonita como ela é.
-Divulgação/-Divulgação


Ela tem vida pacata em Brasília

Como é a sua rotina pós-BBB?
Moro sozinha em Brasília. Voltarei a dar aula na universidade particular de comunicação empresarial no semestre que vem. Tenho alguns eventos fechados como DJ. Saio pouco. Quando vou a festas aqui em Brasília, é uma comoção. Não é como no Rio que o povo está acostumado a ver famosos pelas ruas.

E a maior lição do programa?
Aprendi muita coisa até mesmo para minha profissão. Aprendi que as palavras podem repercutir de maneira surpreendente, diferente da mensagem que você quer passar.

Você está solteira?
Estou solteira porque nesta fase nunca se sabe quem se aproxima de você sem interesse. O que é meu vai estar guardado lá na frente. Se você vibra coisas boas para o universo, elas voltam para você.

24 março, 2010

Dourado do BBB 10 não sabe como se contrai AIDS

MPF quer que 'BBB 10' esclareça como se contrai aids


DivulgaçãoO re-BBB Marcelo Dourado


Após uma conversa sobre aids entre os participantes da décima edição do Big Brother Brasil, veiculada no começo de fevereiro pela TV Globo, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação para que a emissora explique como se contrai a doença.

A conversa ocorreu em 2 de fevereiro, mas só foi ao ar sete dias depois, na edição dos melhores momentos do programa. Segundo o MPF, o participante Marcelo Dourado disse, em conversa com outros participantes, que "hétero não pega aids" e que obteve a informação com médicos. Afirmou também: "Um homem transmite (o vírus HIV) para outro homem, mas uma mulher não passa para o homem."

Para o autor da ação, o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, ao optar pela exibição desta fala do participante, a emissora acabou "prestando um desserviço para a prevenção da aids no Brasil".

A ação cautelar preparatória de ação civil pública, com pedido de liminar, foi ajuizada hoje a fim de que a Rede Globo exiba, enquanto ainda estiver no ar o BBB 10 - que termina daqui a seis dias -, um esclarecimento à população sobre as formas de contágio do vírus HIV, conforme definidas pelo Ministério da Saúde.

DEFESA - O apresentador Pedro Bial se limitou a dizer logo após a exibição do trecho que "as opiniões e batatadas emitidas pelos participantes deste programa são de responsabilidade exclusiva dos participantes deste programa. Para ter acesso a informações corretas sobre como é transmitido o vírus HIV, acesse o site do Ministério da Saúde".

Dias questionou a Globo sobre o episódio. A emissora respondeu que o BBB não conta com um roteiro, sendo espontâneas as manifestações de seus participantes e que, "qualquer manifestação preconceituosa ou equivocada, não reflete o posicionamento da TV Globo sobre o tema". Na resposta, a emissora disse ainda que "o esclarecimento feito pelo apresentador do programa foi a providência tomada pela TV Globo, por liberalidade".

Na ação, o MPF afirma que a urgência para a concessão da liminar "é cristalina" e que a ação preenche os requisitos, inclusive, para que seja concedida a medida judicial sem que a emissora seja ouvida, uma vez que o BBB 10 deve terminar no dia 30 de março e que, se não for concedida a liminar, "o público alvo do programa continuará desinformado".


Fonte aqui

21 março, 2010

Conheça o escroto e sem ética Boni, Boninho ou José Bonifácio de Oliveira

meus comentários são os grifos, ok?

21/03/2010 - 11h16

"'Big Brother' não é cultura, é um jogo cruel", diz Boninho


Big Brother Brasil 10A décima edição do "Big Brother Brasil" chega à reta final com recordes de votação e "merchandising" e mais interativo do que nunca.

"O 'BBB' não é cultura. É um jogo cruel", diz o diretor de núcleo do programa, José Bonifácio de Oliveira, o Boninho, em entrevista exclusiva à coluna Outro Canal.

Leia a íntegra da entrevista a seguir.

Renato Rocha Miranda/TVGlobo
O diretor do "Big Brother Brasil" Boninho
O diretor de núcleo do "Big Brother", José Bonifácio de Oliveira, o Boninho; programa está chegando à reta final

FOLHA - O que mais marcou o "BBB" nessas dez edições?
BONINHO - A coisa mais marcante do programa é o Pedro Bial, que vamos repetir sempre. Foi a melhor surpresa que tivemos. No começo, era ele e a Marisa [Orth]. O próprio Pedro descobriu algo diferente no programa. Um cara com a história dele como jornalista encarar isso com leveza, seriedade e bom humor, é raro.

FOLHA - Que fórmulas bem sucedidas são mantidas a cada edição?
BONINHO - Em conteúdo, quase nada. Todo mundo fala que há o pessoal que aprendeu, e há mesmo. Fazemos reality há doze anos. A televisão brasileira é muito poderosa, a penetração da TV na população é muito forte, então, há uma geração que já nasceu assistindo a esse programa e se preparando para participar dele. Da mesma forma que esses caras se preparam para participar, a gente aprende a surpreendê-los. De um programa para outro, percebemos que eles estão mais espertos e, então, nos preparamos para ficar mais espertos ainda. É meio que um jogo de gato e rato o tempo todo. Na realidade, em cada um há um pouquinho de tudo o que a gente já usou, mas sempre há uma virada nova. É uma preocupação muito grande ter novidades. Algumas coisas que fazem sucesso a gente mantém, como os desenhos de Maurício Ricardo, as historinhas, a forma como a gente apresenta os participantes. O que é bacana no "BBB" é que, quando se junta dez, 12 pessoas, conta-se sempre uma história diferente. Não adianta. A química do grupo é fundamental.

FOLHA - E o que a 'química' da homossexualidade traz para o jogo?
BONINHO - Isso não entra no jogo, mas, sim, na composição que a gente quer montar. Quem vou colocar no jogo para surpreender quem está dentro e quem está fora? Não colocamos ninguém no "BBB" para discutir homo ou heterofobia, minorias... Não escolhemos um personagem representando coisas. O fato de ser ou não homossexual não é para interagir no jogo. Não estou preocupado se o cara é gay ou não. Ele não vai entrar por ser gay, mas pelo que traz para a competição. Foi o que aconteceu com Jean [Wyllys, vencedor da quinta edição]. Ele não entrou por ser gay, entrou por ser inteligente. "Big Brother" não é cultura, não é um programa que propõe debates. É um jogo cruel, em que o público decide quem sai. Ele dá o poder de o cara que está em casa ir matando pessoas, cortando cabeças. Não é um jogo de quem ganha. Para o cara de casa, é um jogo de quem você elimina. Só no último programa é que é feita a pergunta: "Quem merece ganhar?".

FOLHA - O que marca esta edição?
BONINHO - É o "BBB" da porrada, do jogo. Não há um cara ali que esteja a passeio. Eles estão claramente jogando, disputando um prêmio de R$ 1,5 milhão. Isso é um pouco do que a gente tentou muito fazer. Nos dez programas, tínhamos a expectativa de ter um grupo que quisesse dar a cara a tapa para jogar. E essa galera toda dá. Não temos nem bons nem maus meninos, não há esses parâmetros no programa. Há o grupo que você ama ou odeia, mas não há um grande vilão ou um grande herói. No Twitter, torcem para todos. Toda vez que um deles é eliminado, uma das torcidas ameaça não assistir mais ao "BBB". Está claro que a gente tem uma torcida enorme para cada participante. Era isso [jogo o tempo todo] o que a gente queria fazer, e conseguimos. O "BBB" do Alemão [sétima edição] foi mocinho contra bandido. Era o Brasil contra o bandido. Quando, nas provas de resistência, a turminha do Alemão ganhava, era uma torcida só. Como na Copa do Mundo: Brasil contra todo mundo. Era um programa mais fácil de fazer. Se ele roubasse na prova, ninguém ia reclamar. Agora, temos milhões de fiscais.

FOLHA - Qual o papel da interatividade via Twitter nesse "BBB"?
BONINHO - Desde o terceiro "BBB", a gente passou a usar a internet como um meio de reconhecer o que o público olha, o que avalia do programa e mesmo como uma forma de a gente conseguir fazer a seleção. O "BBB" começa em agosto, com os participantes querendo entrar no programa. No de 2009, teve uma espécie de Orkut, mas eu não estou procurando agregar público com a internet. Ela é uma forma de falar do "BBB" em outros caminhos, é uma grande interatividade. O Twitter dá um poder para o cara de casa que ele sempre achou que tinha e, agora, está descobrindo que tem mesmo. A internet é para os tempos modernos o que eram, no passado, aquelas duas velhinhas que conversavam na janela sobre televisão. Os fatos que acontecem nesse tipo de programa precisam ter uma sobrevida, reverberar o tempo todo. O que faço é marketing do programa.

FOLHA - O que o programa tem de melhor e de pior?
BONINHO - Aqui não tem nem melhor nem pior. O que me incomoda é quando não conseguimos provocar esses caras e eles conseguem ficar "armados". Mas geralmente a gente consegue desmontá-los. O que a gente tem de lembrar é que o "Big Brother" é um jogo, vale uma grana. Você tem um melhor amigo na casa, mas ele é o seu maior inimigo. Ele está competindo com você. Só um dos dois vai ficar com o dinheiro. É muito cruel. A gente quer sempre provocar o pior neles, nunca o melhor. A gente não quer que todo mundo se abrace e diga que se ama. Isso, para mim, seria o pior. A tendência do jogo é fazer com que eles briguem, que lutem pelo dinheiro. Quando alguém é péssimo para o público, ele é maravilhoso para a gente. O "Big Brother", para a minha equipe de seleção, não é um jogo de experiência científica, é só um jogo. Não nos afeta, não nos chama a atenção a hora em que o cara fica acuado ou fica psicologicamente afetado por alguma coisa e pode virar um monstro. Não estamos preocupados com conceitos psicológicos, mas, sim, com os relacionamentos e com a brincadeira que é proposta.

FOLHA - "Brothers" marcantes?
BONINHO - O que acontece é que eu vou deletando. Tem alguns de que eu gosto. O Dhomini [Ferreira, ganhador do terceiro programa] é um cara que jogou de forma muito bacana. A Sabrina [Sato, participante do "BBB3"] é uma figura ótima, que impulsionou. O Jean [Wyllys] foi muito inteligente quando descobriu que a casa inteira estava contra ele e usou essa bandeira até o final para ganhar. O Alemão, com o triângulo amoroso [formado com Fani Pacheco e Íris Stefanelli], foi superengraçado. A crise da Tina [Vanessa Cristina Soares Dias, do "BBB2"], a loucura dela batendo panela, foi genial. Só penso no sucesso do jogo. Tem alguns que me ligam, de quem sou amigo. Mas digo sempre: quando vejo um "big brother", atravesso a rua. Não é maldade. Mas é que não me apego. Eu os encaro como peças de um produto, de um jogo. Fico o tempo todo pensando em que provas posso fazer para incomodar alguém. Esse tipo de trabalho dá uma distância e eu acabo não torcendo para ninguém.

FOLHA - E como você cria essas provas?
BONINHO - Há dois tipos de provas. No primeiro, observo o grupo. Em conversas, eles acabam dando dicas do que pode incomodar. Pode ser uma besteira, como na semana passada, quando fiz a eleição do mais falso da casa. O segundo são as provas de resistência, que fazemos quando há uma certa tensão, uma divisão.

FOLHA - E a reta final do programa?
BONINHO - Até terça da semana que vem, teremos um paredão atrás do outro. A gente vinha trabalhando com paredões triplos, o que deixa a casa um pouco mais indecisa porque, quando se tem três pessoas para serem votadas, eles não conseguem avaliar o que foi determinante na escolha do público. Trouxemos do ano passado a experiência de não contar o percentual de votos para eles. Quando a gente falava, eles tinham uma referência do que as pessoas queriam aqui fora. Não contar funcionou à beça, eles ficaram perdidos. Eles não sabiam ainda, mas, desde sexta, a cada três dias sairia alguém. Essa eliminação é o mais cruel que existe, porque eles veem as pessoas indo e caem na real, podem ser os próximos. Acho que é o que vai pesar na reta final. Como esse é um time que discute, briga, fala as coisas na cara, a chance de pegar mais fogo ainda é enorme.

FOLHA - O que há reservado para o futuro do programa?
BONINHO - Temos quatro edições já fechadas e estamos negociando mais quatro. Mas isso só se confirmará em agosto.

FOLHA - E a 11ª edição?
BONINHO - Queremos dividir os participantes por regiões. Podemos ter pequenos "BBBs" em cada região e, depois, trazê-los para a casa nova. Seriam cinco casas com seis pessoas, de onde sairiam os finalistas. Entre o final de dezembro e o começo de janeiro, teríamos um micro-"Big Brother" para cada região.

FOLHA - O que tem a dizer sobre a suposta invasão do impostor do "Pânico na TV" (Rede TV!)?
BONINHO - Sou diretor do "BBB", de núcleo. A decisão de fazer alguma coisa foi da direção da TV Globo e do departamento jurídico. Eles estão partindo para um processo. Eu concordo com isso.

FOLHA - Tudo certo com Tessália?
BONINHO - Mais ou menos. Pode ser até que ela não venha à final com todos os outros. Há uma grande chance de ela não vir. É uma decisão nossa, não tem nada a ver com a direção.

27 fevereiro, 2010

BBB é um espelho para cada um

JOHN DE MOL

Curiosidade real

Inventor do primeiro Big brother diz que o programa é um espelho no qual o público observa a si próprio

Ana Paula Franzoia

Às vésperas de completar 47 anos, John De Mol tem uma certeza. Ele é um curioso. E foi essa curiosidade que acabou convertendo o executivo de TV numa estrela, apesar de sua imagem não estar exposta na telinha. Apaixonado pela televisão, o produtor costuma converter tudo em sucesso, de programas de variedades agame shows. Foi com o sócio da produtora Endemol, Joop van den Ende, que De Mol encontrou a galinha dos ovos de ouro. Ele inventou a fórmula Big brother apostando na simples curiosidade alheia. A idéia de um programa em que anônimos passam dias confinados numa casa sendo monitorados por dezenas de câmeras explodiu na Holanda em 1999 e se espalhou rapidamente pelo mundo. Chegou ao Brasil no dia 29 de janeiro e já é um dos programas de maior audiência da Rede Globo. Orgulhoso do barulho que provocou em países tão diferentes como Portugal, Estados Unidos, Argentina, França e Rússia, De Mol explicou a Época por que acredita que a realidade pode ser um show.

Perfil

• Dados pessoais
Nasceu na Holanda em 24 de abril de 1955

• A trajetória
Começou a trabalhar em rádio e foi para a televisão em 1979

• Maior negócio
A Endemol, produtora criada por ele e Joop van den Ende, em 1994, foi comprada pelo grupo Telefónica em 2000

ÉPOCA – O senhor já leu o livro 1984, de George Orwell?

John De Mol – Sim, li. Mas somente depois da produção de Big brother.

ÉPOCA – Qual a relação entre aquela visão assustadora de uma sociedade vigiada que o escritor previu e o programa que o senhor criou?

De Mol – Não há nenhuma relação entre o livro e o programa de TV. A única coincidência é o nome de um personagem que aparece no livro (Big brother é o governante de uma sociedade que controla tudo e todos com câmeras) . Na verdade, nós achamos muito engraçado tomar emprestado o nome do personagem.

ÉPOCA – Como surgiu a idéia de fazer o primeiro Big brother?

De Mol – Juntamos a idéia de mudança de uma rotina com um projeto científico que ocorreu há alguns anos chamado Biosfera 2. Um grupo de cientistas viveu junto numa casa de vidro por dois anos e era completamente auto-suficiente. (O projeto Biosfera 2 foi construído no Arizona, nos Estados Unidos. Numa redoma de vidro com 12 mil metros quadrados, oito cientistas ficaram confinados de 1991 a 1993. O objetivo era construir uma miniatura do planeta, mas o projeto fracassou) .

ÉPOCA – Mas por que o senhor acreditou que um programa que não tinha roteiro definido e mostraria pessoas comuns convivendo 24 horas numa casa fechada faria sucesso?

De Mol – Nós achamos que seria interessante observar como essas pessoas se relacionariam e formariam um grupo. Esperávamos que depois de alguns dias a personalidade real das pessoas começasse a aparecer. E foi exatamente o que aconteceu. Isso significou uma atração televisiva extremamente interessante, pois se podia ver o conflito entre o interesse do grupo e o interesse pessoal de cada participante.

ÉPOCA – É isso que, em sua opinião, explica o sucesso dos reality shows?

De Mol – Big brother chega muito perto das pessoas. Como espectador, você está constantemente pensando: ”Qual seria minha atitude diante de uma situação como essa?” Na realidade, você está olhando para si próprio. Nós sabíamos desde o começo que o show seria um sucesso, mas o que não esperávamos era que fosse um sucesso tão grande.

ÉPOCA – Então, se o senhor acreditava tanto na fórmula, por que demorou para transformá-la em um programa de televisão?

De Mol – Não sei ao certo. Na verdade, um programa como Big brother é tecnicamente complicado de ser montado. A tecnologia que usamos hoje não existia há alguns anos.

ÉPOCA – A novela é um gênero muito antigo e popular na TV. O senhor não acha que a novela da vida real corre o risco de apagar a ficção?

De Mol – As pessoas também gostam de assistir a novelas, do sonho da ficção, e sempre vão gostar. Mas Big brother é outra história. Mostra a realidade. Se uma pessoa ri ou chora no programa é porque ela está feliz ou triste de verdade. Pode-se dizer que é como um espelho, no qual você pode observar a si próprio. É isso que torna o programa especial, e completamente diferente das novelas, nas quais os atores estão o tempo inteiro representando.

ÉPOCA – Como será a televisão do futuro?

De Mol – Imagino que, de vez em quando, um novo gênero aparecerá ou algo antigo voltará a fazer sucesso, criando uma mistura entre o novo e o consolidado. Foi o que aconteceu com Big brother. Mas acredito que todos os gêneros televisivos sobreviverão. A televisão é muito parecida com a moda. O gosto das pessoas muda muito lentamente. Mas os estilos, as tendências do passado estão sempre sendo reciclados.

ÉPOCA – O senhor acredita que os reality shows vieram para ficar?

De Mol – Claro que sim. Como já disse, os reality shows são apenas um novo gênero dentro da televisão. Mas somente os bons sobreviverão.

ÉPOCA – Em quantos países Big brother é um sucesso?

De Mol – O programa já foi montado em cerca de 25 países.

ÉPOCA – Houve algum fracasso?

De Mol – Não tenho notícia de nenhum Big brother que tenha dado baixa audiência em nenhum canto.

ÉPOCA – Mas as críticas são ferozes. Em todos os países onde o programa é ou está sendo exibido aparecem críticos dizendo que os reality shows estão contribuindo para piorar a qualidade da programação de TV. Como o senhor vê isso?

De Mol – Em primeiro lugar é preciso dizer que Big brother é feito com muito cuidado e profissionalismo. Os críticos que não reconhecem isso estão errados. De qualquer forma, a audiência em todo o mundo é capaz de perceber isso e assiste aos programas. É o que importa. Não me interesso pelas afirmações feitas por críticos individualmente.

ÉPOCA – Invadir a privacidade, exibir cenas picantes e fomentar conflitos não é apelativo, de mau gosto?

De Mol – Isso é bobagem. Como produtores, nós temos responsabilidade sobre o produto final. Se necessário, devemos proteger os participantes. É exatamente o que fazemos.

ÉPOCA – Em algum lugar do mundo em que Big brother foi exibido a produção precisou intervir dentro da casa?

De Mol – Em Portugal aconteceu um fato inédito e foi preciso fazer uma intervenção física. Dois participantes partiram para a briga e a produção teve de intervir. Mas durou apenas alguns segundos. E foi só. No mais, foram só coisas engraçadas e emocionantes.

ÉPOCA – Os outros produtos da Endemol são parecidos com Big brother?

De Mol – Claro que não. Nós fazemos programas de todos os gêneros para a televisão. Temos cerca de 500 em nosso catálogo.

ÉPOCA – Quanto a Endemol já ganhou com Big brother?

De Mol – Big brother e outros reality shows representam apenas uma pequena porcentagem dos rendimentos da empresa. Também somos fortes em outros gêneros, como seriados, game shows e programas de variedades.

ÉPOCA – O senhor conhece a televisão brasileira?

De Mol – Claro, eu já vi inúmeros programas brasileiros, mas não sou um especialista.

ÉPOCA – Atualmente existem dois reality shows no país. O Big brother Brasil, exibido pela Rede Globo, que se associou à Endemol para produzir o programa em nosso país, e outro pelo SBT, a Casa dos Artistas. A Globo acusa o SBT de plágio e já perdeu vários recursos na Justiça brasileira, mas a sentença definitiva ainda não foi julgada. Qual a posição da Endemol nesse caso?

De Mol – Casa dos Artistas é 100% plagiada do Big brother original. Se a Justiça brasileira não reconhecer isso significa que vocês não conseguem proteger a propriedade intelectual. Isso pode ter tristes conseqüências para o Brasil.

ÉPOCA – A que o senhor costuma assistir na televisão?

De Mol – Claro que não sou um espectador médio. Gosto de zapear e vejo muitas fitas gravadas com antecedência. Acabo vendo um pouco de tudo o que aparece na televisão.

ÉPOCA – O senhor aceitaria viver numa casa monitorada por câmeras por dias ou meses, como acontece no Big brother?

De Mol – Sim, Big brother é o único programa de que eu realmente gostaria de participar. Sou curioso e gostaria de saber quais seriam minhas reações dentro da casa.

ÉPOCA – O senhor já bisbilhotou a vida dos vizinhos de sua janela?

De Mol – Nunca. Por que faria isso? Mas, se por acaso as cortinas estivessem abertas e eu estivesse passando por perto, sem dúvida que daria uma olhadinha. Isso porque todos nós somos curiosos. Eu também sou.

29 janeiro, 2010

Movimento contra Tessália cresce na web

Miopia semiótica

por @solangewww



Não fico surpresa.

A Tessália do BBB 10 é a mesma do Twitter.

Mas de musa à bruxa, o que mudou?

Nada, ou quase nada.

Quem de fato se transformou foi o leitor, que agora é um "olhador", ou melhor dizendo na linguagem televisiva: um expectador - que realmente cria expectativas.

Em uma tela, que se relaciona conosco privadamente, a dois (o monitor e o usuário), ao lermos as palavras estáticas (twittadas em 140 caracteres), que foram - antes - racionalmente escolhidas e escritas por seu autor (no caso a @Twittess), damos a elas os contornos pertencentes a nós mesmos.

Durante a interpretação da palavra impressa, preenchemos também as entrelinhas com a nossa imaginação, ilusão, desejos, leitura de mundo, repertório, cultura, preconceitos etc.

As palavras crescem! Se estamos tristes, lemos com um tom. Se estamos com raiva, lemos o mesmo com outro tom, e por ai vai.

Porém, a vida editada, em imagens e vídeos, da Tessália no BBB, da Rede Globo, é apenas um tanto mais pobre que a nossa imaginação (sem limites que se transfere livre para os textos escritos) e, por outro lado, assistimos à seleção feita por outra pessoa que também faz suas escolhas e leituras.

Quem já leu um livro e, depois, viu um filme baseado no texto, sabe bem o quanto o livro é melhor (pelo menos eu acho).

No caso da Tessália, as "críticas" (algumas bem ridículas e preconceituosas) divulgadas sobre ela ser calculista, jogadora, pensar em si mesma, "falar mal" ou implicar com outras mulheres ou ser dissimulada não são nada distantes das características da Twittess, que usou de marketing, estratégia, jogo, ego e, principalmente, inteligência para se estabelecer (vender?) na internet e, óbvio, por pensar em si mesma. Ou o mundo virtual (e real) está lotado de altruístas?

Tessália é jovem, interação e dinheiro, e fama, é claro. Como poderia dizer o twitteiro @hugogloss ela é a cara da juventude do século XXI. Além disso, ela é publicitária e internauta. Ela é da Geração Y e da "web 2.1", como se ela mesma define.

Ela sabe onde está.

Eu, particularmente, não vejo nada de diferente ou incoerente nas duas versões Tessália: a virtual e a televisiva.

Talvez a Tessália filha, amiga, mãe seja outra. Ou não. Talvez nem ela tenha a consciência exata do seu potencial de construir imagens. Amada no twitter, odiada no BBB. Isso é talento.

Enfim, a garota mais amada do twitter antes do BBB 10 e quase a mais odiada nele mesmo depois da TV, cresceu em expectativas. Esperavam uma Twittess e encontraram outra.

Pura miopia semiótica. Há várias Twittess e várias Tessálias e cada um carrega em si aquela (s) em que mais deseja acreditar.

Afinal, enxergamos as imagens que outros compuseram ou aquelas que neles projetamos?

por Solange Pereira Pinto 


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NOTÍCIAS (acima comentadas)
Movimento contra Tessália cresce na web

28/1/2010 - 16h54


Ela foi pivô de uma traição em rede nacional ao ficar com Michel, que tinha namorada. Passa o dia praticamente isolada, e não participa das brincadeiras dos brothers. Fala o tempo todo sobre jogo. Ofereceu-se como parceira de Dourado caso ele quisesse combinar votos. Gastou suas estalecas em um jantar japonês, enquanto os outros brothers usaram o dinheiro para compras de primeira necessidade. Critica as mulheres da casa, principalmente seu alvo preferido, Fernanda. Será que o comportamento de Tessália a está transformando na vilã do BBB10?

Se depender da internet, o título é dela e ninguém tasca. A curitibana tem sido citada com adjetivos nada amigáveis em fóruns virtuais sobre o reality show. Fria, calculista e dissimulada são alguns deles. Mas o grande movimento tem ocorrido no Twitter, onde o perfil “Fora Tessália” foi criado.

Os internautas também estão disseminando uma espécie de “Tessália facts” com frases negativas sobre a publicitária: é o chamado “Tessália serve para tudo”, onde se acrescenta o nome da sister em ditados populares. Como por exemplo: “A Tessália é um prato que se come frio”, “Quem não tem cão caça com Tessália”, ''Amigos, amigos, Tessálias à parte'' e “A Tessália é inimiga da perfeição”.

Músicas também estão sendo citadas: “Tessália veneno, o mundo é pequeno demais pra nós dois” ou “E vai descendo na boquinha da Tessália... é na boca da Tessália!!!”. Nem versos da literatura brasileira ficaram de fora: ''Minha terra tem Tessália, onde canta o saBial'' (sobrou até para Pedro Bial!).

Os bordões de Dona Florinda e Kiko, personagens do programa infantil mexicano ''Chaves'', também entraram na brincadeira: ''Vamos, tesouro. Não se misture com essa Tessália''. ''Sim, mamãe. Tessália. Tessália!''. E a criatividade dos internautas segue sem limites.

Nesta quinta, 28, o tópico ''Tessália serve pra tudo'' alcançou as primeiras posições no microblog no Brasil. Para quem era a musa do Twitter, muita coisa mudou depois do BBB...


Mãe prefere não comentar



Procurada pelo EGO, a mãe de Tessália, Regina, tem tentado se manter longe dos comentários maldosos envolvendo a filha. ''Estou sabendo por alto disso tudo. Prefiro não comentar, não vai adiantar eu ficar falando aqui. Melhor esperar ela sair da casa e conversar com ela'', disse Regina.

Fonte: por Barbara Duffles - G1



Twittess e redes sociais: uma entrevista com Tessália Serighelli

10jun
2009


Quem é esta moça que de uma hora para outra tornou-se uma das pessoas mais conhecidas na Twittosfera em Português. É o que você vai descobrir na entrevista que realizei com @twittess, ou melhor, Tessália Serighelli, através do gTalk. Nesta conversa franca (ela pediu apenas que não se falasse sobre scripts de adição automática de pessoas no Twitter), você saberá o que Tess pensa sobre o Twitter, publicidade e sobre as críticas que recebe de blogueiros de renome nacional.

Alex Primo: Tess, você ficou conhecida na twittosfera quase que instantaneamente. Contudo, pouco se sabe sobre você. Por favor, fale um pouco sobre você, o que faz, e onde é, etc.

Tess: Eu nasci em Curitiba, e fui criada aqui, na terra do frio! Meus pais são professores.. Minha familia toda é, na verdade. Depois de terminar o Ensino Medio, fui conhecer outras cidades. Morei em São Paulo e Brasília, trabalhei principalmente com fotografia nesses lugares. Fiz um semestre de faculdade em cada lugar.. Publicidade, Jornalismo, Moda foram alguns dos cursos que estudei, mas sem concluir nenhum. Hoje estou de volta a Curitiba, moro com minha filha, a Valentina, que tem 4 anos. E pretendo mudar de cidade novamelte, até o fim do ano.



Alex Primo: Essa mudança de cidade se deve ao fato de você ter se tornado bastante conhecida na internet?


Tess: Não. isso tudo foi antes. tem mais a ver com minha vontade de conhecer pessoas e culturas diferentes. Sociedades diferentes.. A diversidade brasileira.


Alex Primo: Celebridade é um conceito da mídia de massa. Em redes sociais online, por outro lado, falamos de reputação e autoridade. Por outro lado, muitos tem considerado você uma celebridade do Twitter. Como você vê esse comentário?


Tess: Não me preocupo com a nomenclatura. Até porque, o conceito que tenho de celebridade de maneira alguma se encaixa no que eu me vejo. Mas não podemos negar, que o twitter é usado por milhares de pessoas. É ferramenta de pesquisa, de análise social, de comunicação , por que não, em massa também. O twitter pode ser comunicação dirigida, mas também pode influenciar muitos, em diferentes classes, nichos, sociedades, cidades... Eu não me preocupo com o que decidem me chamar. Celebridade, rainha do twitter, esses nomes nada mais são que comparáveis aos apelidos que recebemos no colégio. Ou vocie aceita e se diverte, ou fica brabo e aumenta a repercussão. :)


Alex Primo: Até o momento você tinha uma participação ativa em comunidades no orkut sobre redação publicitária. Mas você era desconhecida entre blogueiros. Quando e por que decidiu construir uma vultosa rede de seguidores no Twitter?


Tess: Nunca tive um blog. Meu interesse sempre foi em conversar, trocar opniões, e não apenas "falar". Era a impressão que eu tinha dos blogs na época. E, sim, anteriormente os blogs eram tão unilaterais quanto redes de notícias. Por isso o twitter, quando decidi entrar realemente, me pareceu parfeito para a idéia que tenho de interação. No twitter eu passo as notícias, os links que filtro, e acho interessantes, mas também recebo muito de volta. Existe o feedback, em tempo real. E talvez, por eu já estar tão adaptada no meu modo de vida, mesmo sem existir twitter eu já "twittava" com meus amigos, por msn, e-mail, gtalk, etc.. Ele foi apenas uma ferramenta de optimização do que eu já fazia. O sucesso veio pela fácil adaptação.


Alex Primo: Existe hoje um grande furor sobre o Twitter. O que esse serviço tem lhe oferecido em retorno?


Tess: A opinião de milhares de pessoas.


Alex Primo: O Twitter tem alguma vinculação com seu trabalho? Em tempo, fale um pouco sobre sua atuação profissional no momento.


Tess: Trabalho como assistente de fotógrafa aqui em Curitiba. Mas também sou cool hunter independente. Claro, pra minha segunda atuação o twitter é bem fundamental. Mas costumo usar a ferramenta mais para diversão do que para trabalho.


Alex Primo: Como o Twitter tem lhe ajudado na atividade de cool hunter. Fale mais um pouco sobre essa profissão.


Tess: Eu uso para analisar tendências, mas não só o twitter, a internet é uma boa fonte para isso. E compartilho com meus seguidores o que acho que é do interesse deles. Nåo publico tudo, porque faco análise dos posts que são mais clicados e que tem maior relevância, então, não repito o mesmo assunto se não é algo que quem me segue quer ler.



Alex Primo: Você publica uma grande quantidade de links. Como é seu processo de seleção? Além disso, diga quanto tempo você permanece online por dia e por quê?



Tess: primeiramente, seleciono o que eu gostaria de ler. Depois, o que é relevante, de alguma maneira. E por fim, vejo o histórico 9na verdade já meio que sei de cor) do que é de maior interesse.


Tess: Meu tempo online depende muito. Mas no mínimo 2h por dia.



Alex Primo: Você comentou que usa o Twitter para se comunicar, compartilhar links e ouvir a resposta de milhares de pessoas. Mas por que trabalhou para conquistar dezenas de milhares de seguidores? Fale mais sobre como se deu esse processo.



Tess: Bem, eu sigo de volta quem me segue. Com isso, não encho minha timeline com respostas, posso responder por direct messenges, e posso responder a todos.

Tess: Com isso, tenho um canal aberto, consigo falar e ter a resposta. Consigo engater uma conversa mais produtiva, mais demorada.



Alex Primo: Há um interesse normal de agências por líderes de opinião. Isso não seria diferente na internet. Recentemente você comentou uma promoção de uma marca de lingeries. Tratava-se de um tweet pago? A sua popularidade tem lhe oferecido contratos publicitários?



Tess: Não tenho nenhum contrato publicitário. O que posto é por fazer parcerias com sites que são de interesse dos meus seguidores. Eu costumo dar RT em promoções e oportunidades mesmo sem que a pessoa que twittou tenha pedido :) Se é interessante, eu posto.



Alex Primo: Confesso que não vejo problema algum na contratação de blogueiros e twitteiros para promoverem produtos, desde que tal parceria fique clara. O que pensa sobre isso? E você está aberta a contratos publicitários que possam aproveitar o alcance de suas mensagens, tendo em vista o número de seguidores que você tem?



Tess: Sendo pertinente para meus seguidores, não vejo problema.



Alex Primo: Até o momento seus mais de 40 mil seguidores não lhe renderam nenhum benefício publicitário?



Tess: Não.



Alex Primo: Tess, você nos mostrou que não apenas a mídia de massa tem o poder de catapultar personalidades ao reconhecimento público. Do anonimato você saltou para a Playboy. Como você é da área da Comunicação, gostaria muito de ouvir seus comentários sobre isso.



Tess: Bem Alex, agora você pode dar um ctrl+c ctrl+v sobre "como os tempos mudaram e nós temos o poder nas mãos.. Os blogs são tão acessados quanto grandes portais de notícias, e até mesmo atribuídos a eles mais confiabilidade do que a ações publicitárias e repostagens jornalísticas.". A gente já sabe de tudo isso. E não porque lemos, estudamos, pesquisamos. Mas porque somos geração Y, nascemos na era digital, vivemos disso. Não importa mais como era "antes". Nós é quem mandamos agora. No que queremos ver, ouvir, falar. Como, quando, onde. Ou há uma adaptação, ou há perda de audiência. Se o twitter brasileiro coloca uma garota anônima como a mais seguida do Brasil, não somente atribui alguma relevância a ela como formadora de opnião, algo que na realidade, não difere muito do formato anterior, mas principalmente, mostra um direcionamento de poder voltado à audiência, ao receptor, e não mais ao emissor. O meio é nosso. Cabe aos emissores adequarem a mensagem.



Alex Primo: O blog de Gabriela Rolim lançou uma campanha para você posar na Playboy. Você a conhece? E como reagirá se esse convite chegar? Isso seria importante para você?



Tess: Conheço a Gaby pelo twitter. Ela é uma garota bem querida :) Imagino que essa "campanha" é mais como uma brincadeira. :) Eu sou de falar, não sou de mostrar ;)



Alex Primo: Quantas vezes em média uma mensagem sua é retweetada?



Tess: Depende muito. Do dia, do assunto. Vocie pode conferir pelo migre.me. Mas a média é de 500 cliques. RT varia muito.



Alex Primo: Você tem recebido muitas críticas em blogs, podcasts e no Twitter. Principalmente de blogueiros que estão há anos atuando na rede. A que você justifica tais críticas?



Tess: Mesmo dentro da "nova" web 2.0 já é possível perceber um antes e depois. Alguns blogueiros estão acostumados com o antes. Eles apareceram numa época comparada à uma pós ditadura. Uma época em que criar um blog era quase um ato de rebeldia, uma afronta ao poder centralizado da informacão pelos grandes jornais. Foram os precessores, os desbravadores, os iniciantes :) Era uma época em que era necessário ser mais rígido, mais ríspido, combater algo. Formaram legiões de fãs, e conseguiram um público fiel. Bem, como todo bom porquinho que chega a poder, que se preze, agora eles ficam assustados com uma nova era, dentro de uma mesma era 2.0. É uma nova revolução. Eles tentam se adaptar ao microblog, mas estranhamente, seus seguidores são apenas os que migraram de seus blogs para o twitter. :) Eles não tem novos seguidores. Seus números não crescem. Eles não fazem sucesso na nova mídia. Eles são uma adaptação, e como foram os primeiros portais de notícias e jornais, que apenas adaptavam o conteúdo. Eles nasceram no 2.0, mas esta é a 2.1. Aqui, mais do que gorjear, vale mais quem consegue que a mensagem seja uma troca. Refletida, repassada, repercutindo e, como num boomerang, voltando mais forte, com mais opniões e impressões.



Alex Primo: Você se tornou conhecida pelas dezenas de seguidores que conquistou. Esse número vultuoso lhe trouxe ainda mais seguidores. Um fenômeno conhecido na teoria das redes como "os ricos ficam mais ricos". O seu sucesso na rede pode ser justificado apenas pelo número de pessoas que assinam seu Twitter? O que podemos esperar da Tess daqui para frente?



Tess: Bem, acredito que esse dito "sucesso" tenha a ver com o numero de seguidores também. Mas não apenas por isso. Aqueles que tomaram um tempo para receber minhas mensagens, acabam por hora creditando relevância. Não é apenas por uma twittada que você define toda o potencial "twittico"(hehe) de um usuário do twitter. E sim por uma rede de relacionamento, que demanda tempo, conversa, troca de informações. Aqueles que se permitiram experimentar, e não apenas se deixar levar por opniões alheias, em maior parte, continuam a seguir. A prova disso é que nunca tive uma baixa no número de seguidores. Assim, prevejo que tenha uma taxa de retenção bem alta. :)



Alex Primo: Você comentou que usa o Twitter pelo simples prazer da comunicação e que não conseguiu nenhum contrato publicitário. Então por que trabalhou para conseguir dezenas de milhares de seguidores, de forma tão rápida? Trata-se de uma estratégia para projetos futuros, tendo em vista que você é uma publicitária?



Tess: Uma publicitária nunca descartaria o poder que uma rede tão consistente quanto o alto número de seguidores em um perfil do twitter pode ter. Mas sim, eu twitto por diversão. E como já respondi anteriormente, eu estou sempre procurando novidades, então, a minha rede tem papel fundamental nisso :)