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17 junho, 2011

cabelos trançados

por LOOK LEGAL


Trança tipo cascata!

Hoje é o dia das tranças aqui no Look Legal, porque eu estou realmente querendo inovar nos penteados fáceis de fazer. Descobri essa nova modalidade de fazer tranças a Waterfall Braid ou, traduzindo, cachoeira da trança.

Vamos fazer? Então se joga nas instruções aqui:
Primeiro Passo: Comece com a trança padrão de 3 mechas, trance normal umas duas vezes.
Segundo Passo: Solte a ponta do meio, junte mais uma mecha do cabelo que vai passar no meio do trançado, no sentido do caimento do cabelo.
Em seguida, reúna uma nova mecha e repita quantas vezes forem necessárias até obter o tamanho desejado da trança o até onde o tamanho do cabelo permitir.
Será que me fiz entender? Bem de qualquer forma, tem um monte de imagens aí pra você tentar fazer.
Fica lindo assim nas loiras, morenas, ruivas e até com mechas coloridas:

Cabelo de princesa

Quero mostrar pra vocês um tutorial de cabelo que não é novidade nenhuma, mas nem por isso deixa de ser eternamente lindoo! Tranças que circulam a cabeça e formam uma espécie de coroa ou tiara e deixa o look com ares de princesa, quem não gosta?


Veja os passos de como fazer o look princesinha em imagens que falam por si

16 junho, 2011

YouTube - Sarah Brightman & Antonio Banderas

YouTube - Sarah Brightman & Antonio Banderas

30 maio, 2011

Olhar Digital : Central de Vídeos : Prezi: crie apresentações bem legais com este agregador de ideias

Olhar Digital : Central de Vídeos : Prezi: crie apresentações bem legais com este agregador de ideias: "http://olhar.vc/50af6"

Correio Braziliense - Revista do Correio - (Proteja) as senhas da sua vida

(Proteja) as senhas da sua vidaO ingresso em redes sociais tem um efeito subestimado pela maioria dos internautas: o declínio da privacidade. Essa troca vale a pena? É o que perguntamos para diversos especialistas e usuários da web

Maria Júlia Lledó

Publicação: 20/05/2011 12:03 Atualização: 20/05/2011 20:46

Sabe aquela mentira aparentemente inofensiva? “Minha avó passou mal e não poderei ir ao trabalho hoje” Se, na verdade, você viajou para o litoral e tiver enviado essa justificativa para o chefe por uma rede social ou pelo celular, atenção: é bem capaz que ele descubra exatamente onde você está. Sinal de que a preocupação de homens e mulheres em guardar segredos não acompanhou o ritmo dos avanços tecnológicos, cada vez mais perscrutadores da intimidade.

Para o consultor de mídias digitais Marcelo Minutti, o limite entre o público e privado está com os dias contados. Segundo ele, a privacidade tornou-se uma utopia. “Não adianta tentar se esquivar. Se você faz um concurso público, por exemplo, lá aparece seu nome no site do órgão. Se quiser saber se uma pessoa tem o nome sujo na praça, é só jogar na internet. Sem falar nas operadoras de celular que sabem seus dados e onde você está. Basta fazer uma ligação que elas buscarão a antena mais próxima e esses dados serão armazenados pela empresa de telefonia. Ou seja, de grão em grão, é possível montar um dossiê sobre qualquer pessoa”, adverte.

No começo do mês, o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, alimentou a polêmica sobre a morte anunciada da vida privada. Em entrevista ao jornal Russian Today, Assange disse que a rede social mais popular do mundo, o Facebook, seria a mais eficiente máquina de espionagem já inventada. Ela abrigaria um abrangente banco de dados de cada usuário, incluindo endereços, relações de parentesco, rede de relacionamentos e campos de interesse. Tudo acessível ao serviço de inteligência norte-americano. O site de relacionamentos prontamente desmentiu a denúncia, mas a pulga atrás da orelha permanece.

Mas por que temos necessidade de publicar na internet tudo o que fazemos, inclusive com quem nos relacionamos e quais lugares frequentamos? Não deveria nossa vida particular estar reservada a um seleto grupo de amigos? Para o psicólogo Fauzi Mansur, as pessoas simplesmente querem atenção. “Não conseguimos guardar segredos porque queremos parecer importantes, sedutores e interessantes aos olhos de outros. E se eu escolho você como confidente, em algum momento da relação também serei escolhido para ouvir algum segredo seu”, reflete.

Os adultos até podem sair ilesos desse troca-troca de informações pessoas. Mas com os adolescentes é diferente: eles são os protagonistas dessa história. Só no Brasil, 17 milhões de jovens (entre 13 e 17 anos) afirmam ter a web como passatempo favorito. O número é da pesquisa A vida secreta dos adolescentes: o comportamento dos jovens na web, publicada ano passado e realizada pela empresa McAfee, especializada em segurança da informação. O levantamento levou em consideração as respostas de 400 meninos e meninas nessa faixa etária.

Leigos em redes sociais, os pais ainda ignoram o que os filhos publicam e acessam na web. “Os adolescentes pensam assim: quanto mais eu me expor, mais sou conhecido, mais amigos vou ter, mais pessoas vão gostar de mim. Os danos dessa superexposição na internet podem ser eternos”, analisa Marcelo Minutti.
Até que ponto conseguimos nos proteger de uma exposição que possa prejudicar a vida pessoal e a profissional? Como os

pais podem mostrar aos filhos que mais vale se resguardar do que se expor a desconhecidos? Como regra básica, o especialista em mídias digitais acrescenta: “Preserve-se. Aprenda a usar direito as ferramentas, separe vida profissional de pessoal e se faça sempre esta pergunta: ‘Será que eu contaria isso para a minha mãe?’”

O que é meu é meu

Embora seja muito ativa nos fóruns virtuais, Gicelma conta segredos para pouquíssimas amigas (Iano Andrade/CB/D.A.Press)
Embora seja muito ativa nos fóruns virtuais, Gicelma conta segredos para pouquíssimas amigas
“Tenho Facebook, Twitter, Orkut…E não tenho papas na língua”, alerta a analista de sistemas Gicelma Santos, 26 anos. Antes de sair de casa, ela posta na internet se está de mau humor, se vai ter uma reunião, com quem vai almoçar e ainda lança a pergunta: “Como está o trânsito?” Dessa forma, evita horas perdidas em engarrafamentos. Estar conectada na internet tornou-se hábito para a jovem, como escovar os dentes ou maquiar-se.

Os comentários de Gicelma, contudo, nem sempre são inofensivos. “Nas entrelinhas, posso falar sobre minha vida pessoal. Se briguei com meu marido ou se alguma amiga me deixou triste, escrevo uma frase direcionada para a pessoa”, conta. Há duas semanas, ela escreveu: “Não meça os outros com a sua régua.” A crítica era direcionada a uma amiga com quem havia discutido. “Ela sabia que a mensagem era para ela. Não precisei mencionar nomes.”

Sutis ou escrachados, os posts da analista de sistemas repercutem sem que ela perceba. Gicelma recorda uma vez em que teceu reclamações sobre uma empresa onde trabalhou e logo foi cerceada por uma amiga. Quando se deu conta da repercussão que o comentário poderia ter em sua vida profissional e pessoal, não teve dúvidas: apertou o “delete”.

Foi aí que começou a analisar os prós e os contras da superexposição na internet. “Hoje estou muito mais consciente do que escrevo nas redes sociais. Tudo o que falo toma uma proporção maior porque escrevo o que penso. Mas costumo dizer às pessoas, e sempre friso isso nas minhas páginas na internet, que sou responsável pelo que disse, não pela interpretação do que escrevi.”

Casada e mãe de uma menina de três anos, Gicelma acredita estar mais consciente da importância de se resguardar. “As pessoas se abrem demais para qualquer um. Você não conhece realmente para quem está confidenciando sua vida íntima. Por isso, quando se trata de assuntos particulares, conto apenas para duas amigas. Não quero que qualquer pessoa se ache no direito de falar sobre minha vida. O que é meu é meu e pouquíssimas pessoas sabem dos meus segredos”, assegura.

Etiqueta digital
Críticas ao trabalho, ao chefe, ao marido... Fotos de biquíni no verão passado, imagens do namorado, dos filhos… Tudo isso foi publicado e pode ser visto e lido por milhões de pessoas. Mas é isso mesmo que você quer tornar público? Estudioso de redes sociais, o relações públicas búlgaro Maxin Behar faz essa pergunta aos clientes e amigos que lhe consultam. Em 2009, ele decidiu reunir alguns conselhos na publicação 111 regras no Facebook (Ed. Leopardo). O livro ressalta a importância de se portar bem na maior rede social do mundo. Selecionamos cinco dicas desse manual:
- Nunca se leve a sério demais;
- Não seja arrogante nem autoritário;
- Quanto mais amigos você tiver, maior a chance de ter mais inimigos;
- Nunca tente enganar ninguém;
- Aprender a usar a tecla “delete” é a arte mais sublime da comunicação on-line.

Longe da vista dos pais

A empresária Régia abriu contas em diversos sites para tentar compreender as reações da filha (Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press)
A empresária Régia abriu contas em diversos sites para tentar compreender as reações da filha
Quando se tem filhos, os cuidados dobram com a chegada da puberdade. O período de mudanças hormonais costuma coincidir com a fase de imersão na web. Orkut, Facebook, Twitter, Youtube e outras ferramentas tornaram-se, na última década, o passatempo favorito da garotada, ainda muito incauta em se tratando de perigos virtuais.

A fim de investigar esse comportamento, a empresa McAfee, especializada em segurança da informação, levantou em 2010 com que frequência meninos e meninas acessavam a internet. Com base numa amostragem de 400 jovens, entre 13 e 17 anos, a pesquisa A vida secreta dos adolescentes: o comportamento dos jovens na web mostrou que navegar nas redes sociais é hoje a principal atividade nessa faixa etária, com 83% de adeptos.

A relação com os pais também foi abordada pelos pesquisadores. Dos adolescentes, 54% disseram ser questionados pelos responsáveis a respeito dos sites visitados, sendo que metade negociou, previamente, o que poderia ou não ser acessado. Apesar de a grande maioria, 88%, afirmar que os adultos acreditam que eles usam a internet corretamente, 39% não revelam as páginas que frequentam. Além disso, 32% deles têm como costume limpar o histórico do navegador e 39% minimizam o conteúdo toda vez que um adulto se aproxima. Ou seja, os pais ficam por fora do que os filhos estão publicando na rede.

Enquanto isso, os adolescentes divulgam nas redes sociais que, por exemplo, fumaram um cigarro, cabularam uma aula, tomaram um porre ou perderam a virgindade. Segredos escancarados para milhões de usuários da internet e desconhecidos pela família. “Como a maioria dos pais não domina essas ferramentas, eles desconhecem o que o filho está fazendo. Dessa forma, fica complicado para eles reconhecerem, a tempo, as consequências que os filhos podem sofrer com essas ações”, observa o psicólogo Fauzi Mansur.

Ao contrário de muitas mães que ainda acreditam que os filhos estão seguros em casa, mesmo com os olhos grudados no computador, a empresária Régia Rezende, 38 anos, faz questão de visitar as páginas frequentadas pela filha de 14 anos. Régia abriu uma conta em todas as redes sociais que a menina participa para tentar entender a mudança de comportamento da jovem, que antes só apresentava boas notas e conversava abertamente com a mãe. Qual não foi a surpresa de Régia ao ler posts e tweets indignados com a família e a escola?

“Fiquei surpresa com a raiva, com o linguajar da minha filha. Algo estava errado e isso me preocupou. Somos amigas e foi difícil perceber que, naquele espaço virtual, ela falava coisas sobre mim que eu nem sequer imaginava. Ela ainda contava tudo sobre o que sentia por um paquera, sem qualquer pudor”, lembra. A primeira providência a tomar foi chamar a filha e mostrar-lhe que estava ciente do que estava acontecendo. A adolescente explicou que não via nada demais no que fazia, uma vez que os amigos faziam o mesmo.

Trocar palavrões sobre os pais, compartilhar impressões sobre “ficantes”, criticar aulas da escola, combinar de sair para beber… Tudo estava ali. “Expliquei para minha filha que aquelas informações poderiam trazer implicações graves para ela”, recorda. Uma dessas exposições na internet, inclusive, rendeu à adolescente uma suspensão no colégio.

Hoje a garota se mostra mais conscienciosa e precavida. “Acho que o que aconteceu comigo foi um despertar. O mesmo deve ter acontecido com os outros pais de amigos da minha filha, que só souberam o que os filhos estavam escrevendo e fazendo porque eu fui atrás. Precisamos fazer parte desse universo para entender a linguagem dos nossos filhos e alertá-los sobre as consequências que determinadas informações podem acarretar no futuro”, enfatiza.

Minha vida, um livro aberto

Cada passo do arquiteto Gustavo Almeida é atualizado diariamente nas redes sociais  (Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press)
Cada passo do arquiteto Gustavo Almeida é atualizado diariamente nas redes sociais
Logo pela manhã, Miguel Gustavo Almeida, 32 anos, atualiza sua agenda diária nas redes sociais. As notícias são alimentadas em tempo real: desde o trajeto a ser feito ao menu do almoço, passando pela descrição dos encontros. A internet tornou-se ferramenta eficaz para a divulgação do trabalho do arquiteto, bem como canal de comunicação com amigos e paqueras. Miguel pensa, fala e tuíta na mesma velocidade, sem qualquer receio de como será interpretado. “Sempre fui muito comunicativo e extrovertido. Sei que falar sobre minha intimidade nas redes sociais pode ser um erro, mas assim que elas surgiram, ficou cada vez mais difícil não falar abertamente sobre minha vida. Na verdade, sempre estou me entregando”, conta.

Se o filé mignon do restaurante onde almoçou vale uma indicação, lá vai Miguel postar no Facebook, com direito a fotos e comentários. Se está parado no trânsito, mais um clique e outra publicação. “Já estou a caminho, gente!”, escreve. Ângulos de Buenos Aires, Nova York, fotos do carro novo, do apartamento reformado, do novo endereço do escritório… Tudo está lá: na rede social que ele alimenta de novidades.

“O meio em que vivo é alimentado por bochichos, novidades… Acredito que se tivesse outra profissão, como advogado ou delegado, não poderia me expor tanto.” Mas Miguel deixa claro que suas impressões são dirigidas apenas aos mais próximos. “Estou ligado nas redes sociais onde quer que vá. Isso me ajuda a economizar tempo para contar algo a todos os amigos. Na internet, já conto tudo de uma vez só”, explica.

Além de mídia instantânea da vida profissional, as redes sociais tornaram-se para o arquiteto uma espécie de espaço de confidência, em que pode contar a qualquer hora do dia ou da noite o que o incomoda ou alegra. “As redes sociais me fazem companhia, me trazem um plus de felicidade”, acredita.

A única dor de cabeça que o arquiteto já teve foi quando cancelou a presença na festa de um amigo para ir a outro evento. “Dei a desculpa de que estava gripado e que minha mãe vinha me visitar. Quando percebi, já estava publicando na internet fotos da festa para onde realmente fui e imagens de quem estava por lá.” Resultado? Naquele dia, Miguel esteve prestes a perder uma amizade. “Meu amigo não só ficou chateado pela minha mentira como também porque carreguei comigo outros convidados da festa que ele organizou. Depois dessa, aprendi a lição.”

Enquanto a vida particular do arquiteto não se tornar alvo de fofocas ou de especulações, ele continua com o hábito de compartilhar o que vive, escuta, pensa e sente. “A sorte é que meus pais não têm acesso a essas redes, senão escutaria: ‘Preserve-se mais, meu filho. Cuidado com sequestros, com assaltos’.”

Não adianta se esconder

Tela do Creepy: cruzando dados, é possível saber o paradeiro de qualquer usuário da rede (Creepy/Divulgação)
Tela do Creepy: cruzando dados, é possível saber o paradeiro de qualquer usuário da rede
Um novo aplicativo de localização do usuário da internet pretende ser mais do que uma ferramenta. Projeto do estudante de informática grego Yiannis Kakavas, 26 anos, o programa Creepy (traduzido como “arrepiante”) quer ser um instrumento de reflexão. O programa pode indicar a localização do usuário no momento em que publicou algo na web e alertar: “Cuidado, mais pessoas podem saber onde você está.”

Em entrevista ao site thinq_, Yiannis explicou que o programa tenta conscientizar as pessoas da capacidade que as redes sociais têm de escancarar a intimidade de seus usuários. “Existe uma categoria de internautas que sacrificaram a privacidade em nome do exibicionismo. Posso não concordar com essa atitude, mas pelo menos eles devem fazer isso conscientemente e entender as consequências. Mas existem outras pessoas que compartilham suas informações esporadicamente e acreditam que nada ruim pode acontecer”, pondera.

Para o estudante grego, defensor do direito à privacidade na rede, o programa serviria como alerta. Creepy está disponível para download na página ilektrojohn.github.com/creepy.

Cuide-se
Muitas ferramentas da internet guardam dados que podem ofender sua privacidade, informa o consultor de mídias digitais Marcelo Minutti. No blog colunistas.ig.com.br/tecnozilla, ele lista as mais (potencialmente) indiscretas:
- Blogs (Blogspot, Wordpress, Bloglines)
- Álbuns de Foto (Picasa, Flickr, AOL Pictures, WebShots)
- Sites de Vídeos (YouTube, iLike, MSN Vídeos)
- Redes Sociais (Facebook, Orkut, MySpaces, Yahoo! 360)
- Mecanismos de busca na Web (Google, Yahoo! Buscas, MSN Buscas)
- Mecanismos de busca no PC (Google Desktop, Windows Vista)
- Barras de Ferramentas (Yahoo, Microsoft, Google)
- E-mails gratuitos (Yahoo, Hotmail, Gmail)
- Mensagens Instantâneas (Live Messenger, Yahoo Messenger, Google Talk)
- Mapas digitais (MSN Maps, Yahoo Maps, Google Maps, Google Earth)
-Sites de comércio eletrônico (Amazon, Submarino, Americanas.com)


Correio Braziliense - Revista do Correio - (Proteja) as senhas da sua vida

Correio Braziliense - Revista do Correio - (Proteja) as senhas da sua vida

(Proteja) as senhas da sua vidaO ingresso em redes sociais tem um efeito subestimado pela maioria dos internautas: o declínio da privacidade. Essa troca vale a pena? É o que perguntamos para diversos especialistas e usuários da web

Maria Júlia Lledó

Publicação: 20/05/2011 12:03 Atualização: 20/05/2011 20:46

Sabe aquela mentira aparentemente inofensiva? “Minha avó passou mal e não poderei ir ao trabalho hoje” Se, na verdade, você viajou para o litoral e tiver enviado essa justificativa para o chefe por uma rede social ou pelo celular, atenção: é bem capaz que ele descubra exatamente onde você está. Sinal de que a preocupação de homens e mulheres em guardar segredos não acompanhou o ritmo dos avanços tecnológicos, cada vez mais perscrutadores da intimidade.

Para o consultor de mídias digitais Marcelo Minutti, o limite entre o público e privado está com os dias contados. Segundo ele, a privacidade tornou-se uma utopia. “Não adianta tentar se esquivar. Se você faz um concurso público, por exemplo, lá aparece seu nome no site do órgão. Se quiser saber se uma pessoa tem o nome sujo na praça, é só jogar na internet. Sem falar nas operadoras de celular que sabem seus dados e onde você está. Basta fazer uma ligação que elas buscarão a antena mais próxima e esses dados serão armazenados pela empresa de telefonia. Ou seja, de grão em grão, é possível montar um dossiê sobre qualquer pessoa”, adverte.

No começo do mês, o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, alimentou a polêmica sobre a morte anunciada da vida privada. Em entrevista ao jornal Russian Today, Assange disse que a rede social mais popular do mundo, o Facebook, seria a mais eficiente máquina de espionagem já inventada. Ela abrigaria um abrangente banco de dados de cada usuário, incluindo endereços, relações de parentesco, rede de relacionamentos e campos de interesse. Tudo acessível ao serviço de inteligência norte-americano. O site de relacionamentos prontamente desmentiu a denúncia, mas a pulga atrás da orelha permanece.

Mas por que temos necessidade de publicar na internet tudo o que fazemos, inclusive com quem nos relacionamos e quais lugares frequentamos? Não deveria nossa vida particular estar reservada a um seleto grupo de amigos? Para o psicólogo Fauzi Mansur, as pessoas simplesmente querem atenção. “Não conseguimos guardar segredos porque queremos parecer importantes, sedutores e interessantes aos olhos de outros. E se eu escolho você como confidente, em algum momento da relação também serei escolhido para ouvir algum segredo seu”, reflete.

Os adultos até podem sair ilesos desse troca-troca de informações pessoas. Mas com os adolescentes é diferente: eles são os protagonistas dessa história. Só no Brasil, 17 milhões de jovens (entre 13 e 17 anos) afirmam ter a web como passatempo favorito. O número é da pesquisa A vida secreta dos adolescentes: o comportamento dos jovens na web, publicada ano passado e realizada pela empresa McAfee, especializada em segurança da informação. O levantamento levou em consideração as respostas de 400 meninos e meninas nessa faixa etária.

Leigos em redes sociais, os pais ainda ignoram o que os filhos publicam e acessam na web. “Os adolescentes pensam assim: quanto mais eu me expor, mais sou conhecido, mais amigos vou ter, mais pessoas vão gostar de mim. Os danos dessa superexposição na internet podem ser eternos”, analisa Marcelo Minutti.
Até que ponto conseguimos nos proteger de uma exposição que possa prejudicar a vida pessoal e a profissional? Como os

pais podem mostrar aos filhos que mais vale se resguardar do que se expor a desconhecidos? Como regra básica, o especialista em mídias digitais acrescenta: “Preserve-se. Aprenda a usar direito as ferramentas, separe vida profissional de pessoal e se faça sempre esta pergunta: ‘Será que eu contaria isso para a minha mãe?’”

O que é meu é meu

Embora seja muito ativa nos fóruns virtuais, Gicelma conta segredos para pouquíssimas amigas (Iano Andrade/CB/D.A.Press)
Embora seja muito ativa nos fóruns virtuais, Gicelma conta segredos para pouquíssimas amigas
“Tenho Facebook, Twitter, Orkut…E não tenho papas na língua”, alerta a analista de sistemas Gicelma Santos, 26 anos. Antes de sair de casa, ela posta na internet se está de mau humor, se vai ter uma reunião, com quem vai almoçar e ainda lança a pergunta: “Como está o trânsito?” Dessa forma, evita horas perdidas em engarrafamentos. Estar conectada na internet tornou-se hábito para a jovem, como escovar os dentes ou maquiar-se.

Os comentários de Gicelma, contudo, nem sempre são inofensivos. “Nas entrelinhas, posso falar sobre minha vida pessoal. Se briguei com meu marido ou se alguma amiga me deixou triste, escrevo uma frase direcionada para a pessoa”, conta. Há duas semanas, ela escreveu: “Não meça os outros com a sua régua.” A crítica era direcionada a uma amiga com quem havia discutido. “Ela sabia que a mensagem era para ela. Não precisei mencionar nomes.”

Sutis ou escrachados, os posts da analista de sistemas repercutem sem que ela perceba. Gicelma recorda uma vez em que teceu reclamações sobre uma empresa onde trabalhou e logo foi cerceada por uma amiga. Quando se deu conta da repercussão que o comentário poderia ter em sua vida profissional e pessoal, não teve dúvidas: apertou o “delete”.

Foi aí que começou a analisar os prós e os contras da superexposição na internet. “Hoje estou muito mais consciente do que escrevo nas redes sociais. Tudo o que falo toma uma proporção maior porque escrevo o que penso. Mas costumo dizer às pessoas, e sempre friso isso nas minhas páginas na internet, que sou responsável pelo que disse, não pela interpretação do que escrevi.”

Casada e mãe de uma menina de três anos, Gicelma acredita estar mais consciente da importância de se resguardar. “As pessoas se abrem demais para qualquer um. Você não conhece realmente para quem está confidenciando sua vida íntima. Por isso, quando se trata de assuntos particulares, conto apenas para duas amigas. Não quero que qualquer pessoa se ache no direito de falar sobre minha vida. O que é meu é meu e pouquíssimas pessoas sabem dos meus segredos”, assegura.

Etiqueta digital
Críticas ao trabalho, ao chefe, ao marido... Fotos de biquíni no verão passado, imagens do namorado, dos filhos… Tudo isso foi publicado e pode ser visto e lido por milhões de pessoas. Mas é isso mesmo que você quer tornar público? Estudioso de redes sociais, o relações públicas búlgaro Maxin Behar faz essa pergunta aos clientes e amigos que lhe consultam. Em 2009, ele decidiu reunir alguns conselhos na publicação 111 regras no Facebook (Ed. Leopardo). O livro ressalta a importância de se portar bem na maior rede social do mundo. Selecionamos cinco dicas desse manual:
- Nunca se leve a sério demais;
- Não seja arrogante nem autoritário;
- Quanto mais amigos você tiver, maior a chance de ter mais inimigos;
- Nunca tente enganar ninguém;
- Aprender a usar a tecla “delete” é a arte mais sublime da comunicação on-line.

Longe da vista dos pais

A empresária Régia abriu contas em diversos sites para tentar compreender as reações da filha (Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press)
A empresária Régia abriu contas em diversos sites para tentar compreender as reações da filha
Quando se tem filhos, os cuidados dobram com a chegada da puberdade. O período de mudanças hormonais costuma coincidir com a fase de imersão na web. Orkut, Facebook, Twitter, Youtube e outras ferramentas tornaram-se, na última década, o passatempo favorito da garotada, ainda muito incauta em se tratando de perigos virtuais.

A fim de investigar esse comportamento, a empresa McAfee, especializada em segurança da informação, levantou em 2010 com que frequência meninos e meninas acessavam a internet. Com base numa amostragem de 400 jovens, entre 13 e 17 anos, a pesquisa A vida secreta dos adolescentes: o comportamento dos jovens na web mostrou que navegar nas redes sociais é hoje a principal atividade nessa faixa etária, com 83% de adeptos.

A relação com os pais também foi abordada pelos pesquisadores. Dos adolescentes, 54% disseram ser questionados pelos responsáveis a respeito dos sites visitados, sendo que metade negociou, previamente, o que poderia ou não ser acessado. Apesar de a grande maioria, 88%, afirmar que os adultos acreditam que eles usam a internet corretamente, 39% não revelam as páginas que frequentam. Além disso, 32% deles têm como costume limpar o histórico do navegador e 39% minimizam o conteúdo toda vez que um adulto se aproxima. Ou seja, os pais ficam por fora do que os filhos estão publicando na rede.

Enquanto isso, os adolescentes divulgam nas redes sociais que, por exemplo, fumaram um cigarro, cabularam uma aula, tomaram um porre ou perderam a virgindade. Segredos escancarados para milhões de usuários da internet e desconhecidos pela família. “Como a maioria dos pais não domina essas ferramentas, eles desconhecem o que o filho está fazendo. Dessa forma, fica complicado para eles reconhecerem, a tempo, as consequências que os filhos podem sofrer com essas ações”, observa o psicólogo Fauzi Mansur.

Ao contrário de muitas mães que ainda acreditam que os filhos estão seguros em casa, mesmo com os olhos grudados no computador, a empresária Régia Rezende, 38 anos, faz questão de visitar as páginas frequentadas pela filha de 14 anos. Régia abriu uma conta em todas as redes sociais que a menina participa para tentar entender a mudança de comportamento da jovem, que antes só apresentava boas notas e conversava abertamente com a mãe. Qual não foi a surpresa de Régia ao ler posts e tweets indignados com a família e a escola?

“Fiquei surpresa com a raiva, com o linguajar da minha filha. Algo estava errado e isso me preocupou. Somos amigas e foi difícil perceber que, naquele espaço virtual, ela falava coisas sobre mim que eu nem sequer imaginava. Ela ainda contava tudo sobre o que sentia por um paquera, sem qualquer pudor”, lembra. A primeira providência a tomar foi chamar a filha e mostrar-lhe que estava ciente do que estava acontecendo. A adolescente explicou que não via nada demais no que fazia, uma vez que os amigos faziam o mesmo.

Trocar palavrões sobre os pais, compartilhar impressões sobre “ficantes”, criticar aulas da escola, combinar de sair para beber… Tudo estava ali. “Expliquei para minha filha que aquelas informações poderiam trazer implicações graves para ela”, recorda. Uma dessas exposições na internet, inclusive, rendeu à adolescente uma suspensão no colégio.

Hoje a garota se mostra mais conscienciosa e precavida. “Acho que o que aconteceu comigo foi um despertar. O mesmo deve ter acontecido com os outros pais de amigos da minha filha, que só souberam o que os filhos estavam escrevendo e fazendo porque eu fui atrás. Precisamos fazer parte desse universo para entender a linguagem dos nossos filhos e alertá-los sobre as consequências que determinadas informações podem acarretar no futuro”, enfatiza.

Minha vida, um livro aberto

Cada passo do arquiteto Gustavo Almeida é atualizado diariamente nas redes sociais  (Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press)
Cada passo do arquiteto Gustavo Almeida é atualizado diariamente nas redes sociais
Logo pela manhã, Miguel Gustavo Almeida, 32 anos, atualiza sua agenda diária nas redes sociais. As notícias são alimentadas em tempo real: desde o trajeto a ser feito ao menu do almoço, passando pela descrição dos encontros. A internet tornou-se ferramenta eficaz para a divulgação do trabalho do arquiteto, bem como canal de comunicação com amigos e paqueras. Miguel pensa, fala e tuíta na mesma velocidade, sem qualquer receio de como será interpretado. “Sempre fui muito comunicativo e extrovertido. Sei que falar sobre minha intimidade nas redes sociais pode ser um erro, mas assim que elas surgiram, ficou cada vez mais difícil não falar abertamente sobre minha vida. Na verdade, sempre estou me entregando”, conta.

Se o filé mignon do restaurante onde almoçou vale uma indicação, lá vai Miguel postar no Facebook, com direito a fotos e comentários. Se está parado no trânsito, mais um clique e outra publicação. “Já estou a caminho, gente!”, escreve. Ângulos de Buenos Aires, Nova York, fotos do carro novo, do apartamento reformado, do novo endereço do escritório… Tudo está lá: na rede social que ele alimenta de novidades.

“O meio em que vivo é alimentado por bochichos, novidades… Acredito que se tivesse outra profissão, como advogado ou delegado, não poderia me expor tanto.” Mas Miguel deixa claro que suas impressões são dirigidas apenas aos mais próximos. “Estou ligado nas redes sociais onde quer que vá. Isso me ajuda a economizar tempo para contar algo a todos os amigos. Na internet, já conto tudo de uma vez só”, explica.

Além de mídia instantânea da vida profissional, as redes sociais tornaram-se para o arquiteto uma espécie de espaço de confidência, em que pode contar a qualquer hora do dia ou da noite o que o incomoda ou alegra. “As redes sociais me fazem companhia, me trazem um plus de felicidade”, acredita.

A única dor de cabeça que o arquiteto já teve foi quando cancelou a presença na festa de um amigo para ir a outro evento. “Dei a desculpa de que estava gripado e que minha mãe vinha me visitar. Quando percebi, já estava publicando na internet fotos da festa para onde realmente fui e imagens de quem estava por lá.” Resultado? Naquele dia, Miguel esteve prestes a perder uma amizade. “Meu amigo não só ficou chateado pela minha mentira como também porque carreguei comigo outros convidados da festa que ele organizou. Depois dessa, aprendi a lição.”

Enquanto a vida particular do arquiteto não se tornar alvo de fofocas ou de especulações, ele continua com o hábito de compartilhar o que vive, escuta, pensa e sente. “A sorte é que meus pais não têm acesso a essas redes, senão escutaria: ‘Preserve-se mais, meu filho. Cuidado com sequestros, com assaltos’.”

Não adianta se esconder

Tela do Creepy: cruzando dados, é possível saber o paradeiro de qualquer usuário da rede (Creepy/Divulgação)
Tela do Creepy: cruzando dados, é possível saber o paradeiro de qualquer usuário da rede
Um novo aplicativo de localização do usuário da internet pretende ser mais do que uma ferramenta. Projeto do estudante de informática grego Yiannis Kakavas, 26 anos, o programa Creepy (traduzido como “arrepiante”) quer ser um instrumento de reflexão. O programa pode indicar a localização do usuário no momento em que publicou algo na web e alertar: “Cuidado, mais pessoas podem saber onde você está.”

Em entrevista ao site thinq_, Yiannis explicou que o programa tenta conscientizar as pessoas da capacidade que as redes sociais têm de escancarar a intimidade de seus usuários. “Existe uma categoria de internautas que sacrificaram a privacidade em nome do exibicionismo. Posso não concordar com essa atitude, mas pelo menos eles devem fazer isso conscientemente e entender as consequências. Mas existem outras pessoas que compartilham suas informações esporadicamente e acreditam que nada ruim pode acontecer”, pondera.

Para o estudante grego, defensor do direito à privacidade na rede, o programa serviria como alerta. Creepy está disponível para download na página ilektrojohn.github.com/creepy.

Cuide-se
Muitas ferramentas da internet guardam dados que podem ofender sua privacidade, informa o consultor de mídias digitais Marcelo Minutti. No blog colunistas.ig.com.br/tecnozilla, ele lista as mais (potencialmente) indiscretas:
- Blogs (Blogspot, Wordpress, Bloglines)
- Álbuns de Foto (Picasa, Flickr, AOL Pictures, WebShots)
- Sites de Vídeos (YouTube, iLike, MSN Vídeos)
- Redes Sociais (Facebook, Orkut, MySpaces, Yahoo! 360)
- Mecanismos de busca na Web (Google, Yahoo! Buscas, MSN Buscas)
- Mecanismos de busca no PC (Google Desktop, Windows Vista)
- Barras de Ferramentas (Yahoo, Microsoft, Google)
- E-mails gratuitos (Yahoo, Hotmail, Gmail)
- Mensagens Instantâneas (Live Messenger, Yahoo Messenger, Google Talk)
- Mapas digitais (MSN Maps, Yahoo Maps, Google Maps, Google Earth)
-Sites de comércio eletrônico (Amazon, Submarino, Americanas.com)


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