23 agosto, 2010

Luís XIV, XV LI

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22 agosto, 2010

Beleza a qualquer preçõ



Os jovens exigem de si e dos outros nada menos que a beleza absoluta. Até onde isso pode levar?
Foi em março do ano passado, pouco antes de o verão terminar, que o estudante paulistano F., de 16 anos, tomou a decisão: não haveria mais luz em seu banheiro. Ele não queria ver o próprio rosto refletido no espelho. Detestava sua imagem. Havia quase um ano que ele reclamava com a mãe, advogada, sobre suas “rugas” – pequenas linhas de expressão no canto dos olhos, praticamente imperceptíveis. “Meu filho sempre foi bonito, alvo de elogios de todos”, diz ela. “Mas, adolescente, começou a inventar imperfeições.” O estudante queria fazer tratamentos para ficar com a pele (que nem sequer tinha espinhas) “completamente lisa”. Implicava com os poros do rosto. Quando ele retirou as lâmpadas do banheiro, a mãe o levou a uma dermatologista, que acabou atuando mais como psicóloga do que em sua própria especialidade. “Receitei uns sabonetes para ele sossegar, mas passávamos as consultas conversando”, afirma a médica. “Cheguei a apresentá-lo a uma jovem atriz, paciente minha, para ele se convencer de que a pele perfeita dos famosos das revistas não existe na vida real.” Aos poucos, auxiliado por um psicólogo, F. dominou sua ansiedade. Hoje ainda consome hidratantes, mas dá mais atenção à faculdade de engenharia, recém-iniciada.
Histórias como a de F. estão chegando aos consultórios de dermatologistas e cirurgiões plásticos – além de nas salas dos psicólogos. Os adolescentes querem mudar o corpo, guiados por uma percepção estética exacerbada e irrealista. O belo não é mais suficiente para eles. Querem ser perfeitos: pele sem máculas, rosto sem assimetrias, cabelos iguais aos de seus ídolos. Com esse tipo de sensibilidade, pequenos defeitos (ou mesmo particularidades de origem racial) são motivo de vergonha ou depressão.
“Somos uma sociedade obcecada pela beleza, disposta a persegui-la a qualquer custo”, afirma Nancy Etcoff, psicóloga da Universidade Harvard. Pesquisadora do tema há duas décadas e autora do livro A lei do mais belo, ela diz que crianças e adolescentes atuais estão mais preocupados com a aparência do que em qualquer outro período da história. “É uma preocupação torturante e cotidiana”, afirma. Os americanos cunharam a expressão “geração diva” para definir os jovens e os adolescentes tomados pelo ideal da perfeição física. Na semana passada, uma pesquisa com 200 jovens americanos, realizada pela Universidade Rutgers-Canden, em Nova Jersey, constatou que aqueles que acompanham reality shows sobre cirurgias plásticas são mais propensos a realizar esse tipo de cirurgia. “O que os adolescentes pensam sobre seu corpo hoje vai contribuir para o próprio conceito de saúde que terão no futuro”, diz Charlotte Markey, uma das pesquisadoras. E não só nos Estados Unidos.
“O espelho está distorcido”, afirma o cirurgião plástico Ivo Pitanguy. “O adolescente está programado para captar informação e absorve como ninguém essa busca pela perfeição em nosso tempo.” Pitanguy acredita que vivemos a “era da visibilidade”, na qual a forma e a imagem são os valores sociais mais importantes. Em seu consultório e nas palestras, ele diz deparar com necessidades estéticas cada vez mais elaboradas, nem sempre “coerentes com a realidade”. Qual é a fração da juventude brasileira que vive essa tremenda ansiedade estética? Não se sabe, mas médicos e psicólogos sugerem que ela não se restringe apenas aos privilegiados. O imperativo da beleza atinge todos os grupos sociais, e cada um gasta o que pode. Uma pesquisa encomendada nos Estados Unidos pela Associação Cristã de Moços (YMCA, na sigla em inglês) descobriu que garotas pobres estão gastando em produtos e tratamentos de beleza um dinheiro desproporcional. Economizado, ele poderia garantir o pagamento da universidade. E o futuro profissional dessas garotas.
A ansiedade em torno da beleza já foi captada pela literatura. Uma sociedade em que todos são igualmente belos é o tema do best-seller Feios, do escritor americano Scott Westerfeld, lançado no Brasil pela Editora Record. O livro se passa num mundo imaginário, onde, ao completar 16 anos, todos têm direito a uma plástica radical que os tornará não apenas bonitos, mas perfeitos. As feições são corrigidas e a pele é trocada por outra, sem espinhas nem manchas. Os ossos são substituídos por uma liga artificial, mais leve e resistente. A partir daí, os adolescentes saem dos alojamentos da “Vila Feia” e passam a frequentar “Nova Perfeição” – uma região rica, de festas grandiosas e aventuras esportivas. Sonho de todo adolescente? “Não se pode negar que pessoas bonitas têm mais oportunidades de emprego, de amizade, de sucesso”, disse o escritor a ÉPOCA. “A beleza é hoje o maior referencial de nossa sociedade. A busca da perfeição tomou conta até de quem ainda não percebeu.”
Coordenadora do Laboratório de Doenças da Beleza da PUC-RJ, a psicóloga Joana de Vilhena diz que a percepção que os jovens têm do próprio corpo obedece a um misto de ambiente familiar e cultura. “Uma sociedade de espetáculo e de consumo como a nossa inunda o jovem de belas imagens e o incita a consumi-las”, afirma. Como dissociar a magreza cada vez mais visível de modelos e atrizes do boom de transtornos alimentares de nosso tempo? Estima-se que haja 100 mil adolescentes anoréxicos ou bulímicos no Brasil, sendo 90% mulheres de 12 a 20 anos.
Um novo tipo de distúrbio que vem sendo estudado na última década parece intimamente ligado à obsessão pela beleza dos adolescentes: o transtorno dismórfico corporal (TDC). Quem sofre de TDC não tem uma percepção adequada da própria imagem. Vê defeitos que não existem ou aumenta os existentes. Como consequência, o doente coloca aquela “imperfeição” no centro de sua vida e preocupa-se em tempo integral com a possibilidade de superá-la. Um dos exemplos de provável vítima desse tipo de transtorno foi o cantor Michael Jackson, que passou a vida refazendo sua aparência.
“O pedaço vira o todo”, diz a dermatologista Luciana Conrado, pioneira em estudos do TDC no país. Em 2003, ela constatou, em seu consultório, um número expressivo de jovens querendo tratamentos desnecessários. Acabou desenvolvendo uma tese de mestrado na Universidade de São Paulo (USP), na qual uniu as áreas de dermatologia e psiquiatria. “No Brasil, os adolescentes tendem a sofrer muito com a autoimagem por causa da diversidade e das misturas raciais, que produzem biotipos diferentes do padrão europeu, valorizado por eles”, afirma.
Época

21 agosto, 2010

I Encontro Nacional de blogueiros



I Encontro Nacional de Blogueiros reúne em São Paulo 323 blogueiros independentes e progressistas, de 19 estados.

Ele bombou ao nascer, diz o Azenha.
Leia também a reportagem de André Cintra, no Vermelho.
Segundo Luis Nassif, um dos expositores, é um “fim de ciclo”, o fim de uma hegemonia.

Segundo Paulo Henrique Amorim é a festiva organização dos funerais do PiG (*).

O professor Emir Sader, do Carta Maior,  ressaltou que ali se celebrava a criação de uma “esfera pública na defesa de direitos”.

Para escapar da lógica mercantil que opõe o estatal ao privado.

E a esfera pública não é uma nem outra.

Por aclamação – estava prevista uma votação secretíssima – e delírio da platéia, o Cloaca Newsrecebeu o troféu Barão de Itararé, como o Blog do Ano.

A Comissão Organizadora, também por aclamação e entusiasmo incontido, decidiu entregar por Sedex – para prestigiar os Correios – o troféu “O Corvo” a Judith Brito, re-eleita presidente da Associação Nacional dos Jornais.

O professor Emir Sader havia concedido troféu do mesmo nome e o mesmo traço de Maringoni ao Otavinho.

Ninguém melhor do que uma funcionária da Folha (**) para levar adiante a gloriosa premiação.

O I Encontro deliberou apoiar e subscrever a ação judicial iniciada pelo Cloaca News – clique aquipara ler “Blogosfera reage” e aqui para ir ao Cloaca.

O Cloaca vai interpelar o jenio para saber quem é o “blog sujo” que vive à custa de dinheiro do Lula.

Na abertura do Encontro, tornou-se oficial a decisão de o Barão de Itararé entrar no Supremo com uma ADIN por Omissão, contra o Congresso Nacional, que não regulamenta os artigos da Constituição que tratam da Comunicação Social.

A ação é de autoria do emérito professor Fabio Konder Comparato, como mostrou este Conversa Afiada.

O Encontro se realizou sob inspiração de afirmação do Ministro Ayres Britto, do Supremo: “A liberdade da internet é maior do que a liberdade da imprensa”.

Várias idéias surgiram no Encontro que, entre atividades principais, tentou oferecer dicas para enfrentar ações na Justiça, vender publicidade para sobreviver, e utilizar a tecnologia – twitter, áudio, vídeo e as redes sociais – para defender a liberdade de expressão.

Surgiram idéias desafiadoras, como uma “cooperativa de páginas vistas”, um projeto para ter acesso a publicidade pública, e bombar a  página do Instituto Barão de Itararé, organizador do evento, e se torne um portal para expor todos os blogueiros progressistas.

Ainda esta semana, sob a presidência ilustre do Miro Borges, o Barão se reunirá no restaurante “Sujinho” de São Paulo para levar adiante as deliberações do Encontro.

Então, se discutirá a proposta deste ordinário blogueiro de conferir um prêmio especial ao José Serra no II Encontro.

Já que, no dia 4 de outubro, ele será um twitteiro e nada mais, conferir-lhe um prêmio e um troféu desenhado pelo Maringoni.

O troféu Cascão.

Paulo Henrique Amorim



“A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa, na medida em que a imprensa compreensiva do rádio e da televisão se define como serviço público sob regime de concessão ou permissão, ao passo que a internet se define como instância de comunicação inteiramente privada.” (Ministro Ayres Britto)


Em 21 e 22 de agosto de 2010, homens e mulheres de várias partes do país se reuniram em São Paulo, no Sindicato dos Engenheiros, com a finalidade de materializarem uma entidade, inicialmente abstrata, dita blogosfera, a qual vem ganhando importância no transcurso desta década devido à influência progressiva que passou a exercer na comunicação e nos grandes debates públicos.

A blogosfera é produto dos esforços de pessoas independentes das corporações de mídia, os blogueiros progressistas, designação que alude a àqueles que, além de seus ideais humanistas, ousaram produzir o que já se tornou o primeiro meio de comunicação de massas autônomo. Contudo, produzir um blog independente, no Brasil, ainda é um ato de heroísmo porque não existem meios sólidos de financiamento para exercer a atividade profissionalmente, ou seja, obtendo remuneração.

Em busca de soluções para as dificuldades que persistem para que a blogosfera progressista siga crescendo e ganhando influencia em uma comunicação de massas dominada por um oligopólio poderoso, influente e, muitas vezes, antidemocrático, os blogueiros progressistas se unem para formularem aspirações e propostas de políticas públicas e pelo estabelecimento de um marco legal regulatório que contemple as transformações pelas quais a comunicação está passando no Brasil e no mundo.

Com base nesse espírito que permeou o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, os participantes deliberaram em favor dos seguintes pontos:

I – Apoiamos o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), de iniciativa do governo federal, como forma de inclusão digital de expressiva parcela do povo brasileiro extemporaneamente alijada de um meio de comunicação de massas como a internet no limiar da segunda década do século XXI, o que é inaceitável e incompatível com os direitos fundamentais do homem à comunicação em um momento histórico em que os avanços tecnológicos nessa área já são acessíveis a qualquer cidadão de qualquer classe social nos países em estágio civilizatório mais avançado.

Apesar do apoio ao PNBL, os blogueiros progressistas declaram que, mesmo entendendo a iniciativa governamental como positiva, julgam que precisa de aprimoramento, pois da forma como está ainda oferece pouco para que a internet possa ser explorada em todas as suas potencialidades. A velocidade de processamento a ser oferecida à sociedade sem cobrança dos custos exorbitantes da iniciativa privada, por exemplo, precisa ser ampliada ou não realizará aquilo a que se propõe.


2 – Defendemos a regulamentação dos Artigos 220, 221 e 223 da Constituição Federal, que legislam sobre a comunicação no Brasil e, entre outras coisas, proíbem a concentração abusiva dos meios de comunicação de massa e que dispõem sobre os sistemas público, estatal e privado.

Por omissão dos Poderes Executivo e Legislativo na regulamentação da matéria e sob sugestão do eminente professor Fabio Konder Comparato, os blogueiros progressistas decidem mover na Justiça brasileira uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) com vistas à regulamentação das leis que determinam profundas alterações na realidade da comunicação no Brasil supra descrita e que vêm sendo solenemente ignoradas.


3 – Combatemos iniciativas que tramitam no Poder Legislativo tais como o Projeto de Lei de autoria do senador mineiro Eduardo Azeredo, iniciativa que se notabilizou pela alcunha de “AI-5 digital” e que pretende impor restrições policialescas à liberdade de expressão na rede mundial de computadores, bem como as especulações sobre o que se convencionou chamar de “pedágio na rede”, ou seja, a possibilidade de os grandes grupos de mídia poderem veicular seus conteúdos na internet com vantagens tecnológicas como capacidade e velocidade de processamento em detrimento do que for produzido pelos cidadãos comuns e pelas pequenas empresas de comunicação.


4 – Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela blogosfera progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação do país.


5 – Cobramos dos Poderes Executivo e Legislativo que examinem com seriedade deliberações da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) como a da criação do imprescindível Conselho Nacional de Comunicação.


6 – Deliberamos pela instituição de um Encontro Anual dos Blogueiros progressistas, que deve ocorrer, sempre que possível, em diferentes capitais para que um número maior de unidades da Federação tenham contato com esse evento e, em algum momento, com o universo da blogosfera.


7 – Lutaremos para instituir núcleos de Apoio Jurídico aos Blogueiros Progressistas, no âmbito das tentativas de censura que vêm sofrendo sobretudo por parte da classe política e de grandes meios de comunicação de massas.
São Paulo, 22 de agosto de 2010


(Blog da Cidadania)

19 agosto, 2010

crendices

Chamar a Bíblia de livro santo ou de guia moral


é uma afronta à decência e a dignidade.

Pretender que ela seja a verdade absoluta

é subestimar o intelecto humano.
 
Leia a bíblia do cético aqui
 

18 agosto, 2010

Carta aberta, de Eliane Sinhasique, para Renato Aragão, o Didi.

Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências)...

Achei que as cartas não deveriam ser endereçadas a mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos).

Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula.

A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem.

Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.

O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal.

Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?

Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é 'o cara'. Ele tem a chave do Cofre e a vontade política para aplicar os recursos.

Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...

No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho.

Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não.

Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando... Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari. P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.


PS2* Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

PS3* E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS? MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?


17 agosto, 2010

Mais lento, mais curtido

CONSUMO DA INFORMAÇÃO




Por Washington Araújo em 17/8/2010




O escritor britânico Chesterton dizia que "a pressa tem a desvantagem de nos fazer perder demasiado tempo". Desde as últimas décadas do século 20 tomamos conhecimento do Movimento Devagar (Slow Movement). Os princípios eram em direção a um ritmo menos acelerado da vida: não à comida preparada em minutos (McDonald, China-in-box e centenas de outras mais), não ao tempo desperdiçado em várias coisas a um só tempo (dirige/atende celular, assiste televisão/escuta mp3, faz esteira/escuta áudio-livro), não ao turismo "se é quinta-feira então estamos em Haifa, mas se estamos em Jerusalém é porque hoje é sábado".


O movimento não é contra as modernidades nem o progresso. O movimento é a favor de uma maior qualidade de vida, de uma vida em harmonia com o meio ambiente e em que as horas são mais valorizadas que os minutos e estes que os segundos. Como entender este conceito num mundo em que tudo parece ter que ser feito mais rápido que imediatamente?


Porque, de repente, rápido passou a ser sinônimo de eficiência, de ser melhor, de passar para os outros a imagem que somos muito mais espertos do que realmente somos. Fazemos compras em supermercado correndo feito loucos pelas gôndolas e em poucos minutos somos que atraídos para a fila do caixa que, ao chegar nossa vez, parece que já somos empurrados por outro cliente em nossa cola e, quando atentamos, estamos literalmente no meio-fio, cheios de compras em busca do carro. E às vezes ainda nem pagamos e já temos o cliente seguinte em cima de nós. Tudo é apressado, tudo é acelerado e como o dia tem o número de horas prefixado há muito tempo o jeito é ir enfiando cada vez maior número de coisas para se fazer entre o amanhecer e a noite.


Luz amarela


Apostei nesse movimento ainda em 1994. Lembro que fazia cada coisa dentro do tempo certo e aos poucos deixei de, ao sair de casa, anotar antes as coisas que iria... esquecer! A verdade é que continuamos impelidos a levar a vida no ritmo próprio de quem tem apenas mais 24 horas de vida e então trocentas coisas têm de ser realizadas no limite do tempo que se esvai; e, finalmente, desperdiçamos cada instante mais pela ansiedade do que deixa de ser feito que fruindo do que está em execução. E é assim que a vida avança para a terceira dimensão fazendo desta uma espécie de filme em 3D.


Êpa, tenho que voltar ao assunto porque até agora nenhuma linha atende aos nossos exigentes leitores do Observatório da Imprensa. Está faltando responder onde está a crítica da mídia. Vamos lá. Tenho observado que em meio à crise que enferma nosso jornalismo impresso, feito com papel e tinta, se firma a sensação de que essa espécie de vazio de "suporte físico" é preenchido crescentemente pela internet. Nossos jornais e revistas, nossas emissoras de tevê e de rádio, todas elas, têm seu domínio virtual bem demarcado. Os profissionais de um e de outro parecem interagir ao longo do dia.


O que me faz acender a luz amarela é a percepção de que as notícias que leio na internet são sempre pela metade, como se esta última frase pudesse ser lida – e entendida – assim: "O que me faz a luz a é a per que as no na in são sem pe me". Resumindo: tudo pela metade, tudo truncado, tudo esperto demais de forma que deixar de entender o que está escrito parece ser normal, muito normal.


Décimos de segundo


Ler mais devagar para entender melhor. Estas palavras deveriam fazer parte de qualquer campanha para atrair novos leitores, seja de livros, seja de jornais. O tempo da tal leitura dinâmica pode até ter servido em algumas situações, mas aquilo que fica mesmo é o que conseguimos reter, uma vez entendido o pensamento de seu autor.


Em algum lugar do planeta há que se criar um Movimento Leia e Entenda Sem Pressa (MLESP). Do contrário temos o que temos: reportagens, além de mal escritas, ininteligíveis, fracionadas, segmentadas, deformadas, amputadas. Algumas vezes a notícia inteira que lemos no computador está exposta nas cinco ou sete palavras da manchete. E o corpo da matéria? Burocraticamente informa que "acesso permitido apenas aos assinantes" ou a repetição da manchete de forma mais esparramada, se é que me entendem...


A internet começa a passar por seu teste de fogo – cadê a notícia bem apurada? O advento da internet por si só não teve – e nem terá – a força de obliterar o conceito básico de que uma matéria jornalística para se por de pé tem de responder ao menos cinco dessas questõezinhas: o que?, quem?, quando?, como?, onde?, quanto? e por que?


O resultado é mais ou menos este: somos informados de muitas coisas, mas não as entendemos por completo e nem sabemos como reproduzir o que lemos alguns minutos depois. O jornalismo continuará exigindo trabalho, esforço, dedicação e, se possível e não for pedir muito, talento. Observo também que ao invés de os ciberjornalistas se espelharem em seus colegas do "mundo real", o que acontece é exatamente o contrário: os jornais impressos abrem cada vez mais espaço para dar notícias no estilo apressado de seu similar virtual.


Isto não quer dizer que a totalidade do noticiário existente na internet sofre desses males, mas que são influenciados por estes, são! O que facilita a assimetria é a facilidade de o noticiário virtual ser apagado em fração de segundos, de uma notícia ser "aumentada" no mesmo décimo de segundo, enquanto as que usam papel como suporte trazem consigo o sentimento de permanência: do jeito que foi impresso, fica. Alterações serão possíveis apenas em sua próxima edição diária ou semanal.


Futuros leitores


Isto porque complicamos o simples. E esquecemos que o simples nada mais é que um equilíbrio entre o rápido e o lento. Simples é deixarmo-nos parar, permitir-nos sentir o nosso próprio ritmo, e não o ritmo que a sociedade nos impõe. Ler é algo simples para quem sabe ler. Óbvio, claro cristalino. Mas ler exige tempo e esforço e não é aconselhável ler texto com vinte ou trinta linhas pulando cinco a cada três lidas.


Se o espaço é cada vez mais diminuto ou escasso – seja no noticiário impresso ou no televisivo, por exemplo – há que se dar preferência ao "mais importante" em relação ao que é apenas "importante". E fugir da corrida alucinada por notícias pouco apuradas, sem ouvir os dois ou cinco lados antes de ser publicada. Assim como sabemos do necessário alinhamento dos planetas em nosso sistema solar precisamos lutar para que haja um seguro alinhamento de ideias sempre que um jornalista ou um internauta se planta ante um terminal de computador e se dispõe a contar uma história. Ideias interrompidas, longe de cativar o leitor, o afasta. E depois, como aprendi em Nova Déli, quem não entende um olhar está longe de entender uma explicação.


Até para aprender há que haver tempo e a pressa, além de antipedagógica, é de todo inútil. As crianças (e por que não os jovens e os adultos?) necessitam ser incentivadas a relaxar para ordenar de maneira estável e criativa as suas idéias. Sou favorável a um ensino mais lento, pausado, baseado em aprender a pensar e a estabelecer conexões, pois acredito com convicção genuína que isso acarreta resultados mais positivos do que devorar informação para logo despejá-la em uma prova. E são essas crianças de hoje os leitores de jornais e revistas de poucos anos mais a frente, os telespectadores e os ouvintes de rádio. Sem estabelecer as conexões na época certa... Afinal, educar é ensinar a viver.


***


Em tempo: Outra constatação: cada vez aprecio menos o novo formato do autodesignado jornal do futuro, a Folha de S.Paulo. O corpo das fontes aumentou, houve mais espaçamento entre os intertítulos e talvez até os espaço entre linhas aumentou. Se gostei disso? Claro. Quem não gosta de ler palavras, vamos dizer, aumentadas? O que não gostei mesmo foi que o conforto visual existiu em detrimento do conforto intelectual. A Folha de S.Paulo diminuiu o conteúdo de cada abordagem ou estes ficaram com aquele gosto de reclame publicitário, tudo muito rápido, comprimidos em poucos caracteres et cetera e tal. Na falta de outras opções, fiz algo que julgava ser impensável até alguns anos atrás: passei e ler o Estado de São Paulo. Eu que farejava algum aroma de naftalina no jornal dos Mesquita vi que era preconceito juvenil e, como todo preconceito, algo quando não irracional, idiota mesmo. Pois bem, estou gostando do jornalismo ora praticado no Estadão e, excetuando-se seu perfil político-partidário, sou brindado com matérias bem escritas, de gente que sabe sacrificar no que for possível para apresentar um bom jornal diário e que dispensa fazer algo que atente contra a inteligência do leitor.


-- http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=603IMQ001
Pamela Lins

16 agosto, 2010

Dez coisas que fazem as mulheres comprarem mais

02 de agosto de 2010, 21:45

Promoções, sonhos, raridade, combinações, rapidez e outros itens importantes explorados no e-commerce que fazem as mulheres comprarem mais pela internet.

Por Mauricio Salvador
Com Solange Oliveira *
Alguns anos atrás as mulheres passaram os homens em participação nas compras pela internet brasileira. Junto com isso, veio o crescimento acentuado das categorias moda e acessórios, beleza e saúde.
O tíquete médio dos homens é mais alto, uma vez que compram mais produtos eletrônicos e informática. Mas as mulheres compram em mais quantidade e uma vez fidelizadas, tornam-se evangelistas da marca.
Quando surgiu a ideia de escrever esse artigo, veio junto o receio de parecer “machista” ou ganhar outros adjetivos desagradáveis. Então convidei minha amiga Solange, a E-commerce Girl, especialista em comércio eletrônico, para fazermos a quatro mãos. O resultado está aí.
Não tivemos a pretensão de querer entender as mulheres, é só uma lista com dicas baseadas em nossa experiência adquirida ao longo de mais dez anos nos bastidores do e-commerce e de três anos ensinando e ouvindo lojas virtuais nos cursos de e-commerce da Ecommerce School. Vamos lá:

1. Não venda produtos, venda sonhos

Mulheres são apaixonadas e sonhadoras por natureza. A roupa do personagem da novela ou do filme, aquilo que “está na moda” ou que “está todo mundo usando” devem estar na vitrine da loja virtual que quer agradar esse público. Como descobrir isso? Ninguém mais antenado do que os jornalistas. Vá até uma banca de jornal e dedique algum tempo lendo as manchetes de revistas femininas e de variedades. São elas que ditam tendências e mostram o que está em alta.

2. A paixão

Algumas categorias se destacam no gosto feminino. Despertam verdadeira paixão. Mulheres amam sapatos e bolsas. Também compram online artigos de beleza e saúde. Se olharem e amarem… nada vai impedi-las de comprar. O produto em si é importante, mas boas imagens e descrições ajudam a despertar paixão.
Mostre detalhes dos produtos; uma fivela dourada ou um pequeno laço vermelho fazem toda diferença. Explore o zoom. Publique depoimentos de outras consumidoras apaixonadas. Descreva aromas e texturas com sentimentos.

3. O inacessível

Inclua em seu mix de produtos coisas que normalmente não são encontradas nas lojas tradicionais, artigos importados, grifes e novidades que não são muito fáceis de comprar. A Victoria Secrets, que é de difícil acesso no Brasil, por exemplo. A mulher vai na loja física e lá eles fazem um cartãozinho com as medidas dela, calcinha e soutien… depois é só comprar pela numeração do cartão pela loja virtual. Algumas maquiagens de grife, também são de difícil acesso no Brasil.
É um desafio que deve ser feito a quatro mãos: você e seu fornecedor. Por isso é importante manter bom relacionamento e amizade com esses fornecedores, são eles que vão lhe ajudar num bom mix de produtos e na sua margem de lucros.

4. Novidades

O inconsciente coletivo feminino é diferente do masculino, elas sabem o que é new, o que quase ninguém tem, então eu quero ter. A internet é o lugar perfeito para isso. Um ótimo lugar para tirar ideias: a banca de jornal, de novo.
Navegue em sites e portais femininos, acompanhe atentamente o que elas dizem nas redes sociais e fóruns. Assim como na vida real, seja um ouvinte atencioso ao que as mulheres estão dizendo.

5. Use e abuse de promoções

Poucas mulheres resistem ao: “Era 100,00 agora (só para você) por R$ 25,00″.
Dizem as más línguas que “um homem é capaz de pagar o dobro do preço por uma coisa que ele precisa e uma mulher é capaz de comprar uma coisa que ela não precisa se está pela metade do preço”. Brincadeiras à parte, habilite ferramentas de marketing viral e redes sociais para elas compartilharem as “barganhas” com as amigas.

6. Crie combos

Eexplore ofertas do tipo “compre um e leve dois”. É uma das melhores jogadas para quem vende produtos femininos… mulheres adoram ser prestigiadas. Se elas sentirem que por comprar algo, levam outra coisa de graça… vão comprar!

7. O indispensável

Toda mulher precisa de um “esfoliador multitasksuperx”. Sabem que não é indispensável, mas a frase “Você precisa ter um” toca fundo no “eu” consumista feminino. Misture esse ponto com os itens 5 e 6 dessa lista e você terá uma receita infalível.

8. Venda praticidade

Busque produtos que facilitem a vida. Mais uma vez é importante o uso de boas imagens e descrições mostrando o “como usar” e o “como fazer”. De novo: depoimentos de outras consumidoras satisfeitas influenciam na decisão. Elas irão comprar.

9. Facilidade de pagamento

É possível pagar facinho? Em várias vezes no cartão? Sem ter que por a mão na carteira? Ela compra! Sem culpa!
Lembre-se que as classes C e D estão presentes com força no e-commerce brasileiro. Esse público não olha para o preço à vista, mas para o valor da parcela. Algumas lojas já parcelam em boletos e cheques. É um risco, mas em qual retorno alto não há riscos?

10. Rapidez

Os sites que querem vender (muitos) produtos femininos precisam seguir essa dica: poucos cliques para fechar a compra… porque se a compra se estender ela abandona o carrinho! A rapidez de fechar a compra é o que faz a mulher finalizar o processo.
Você já fez um teste de usabilidade em sua loja virtual? Convide sua avó, tia, priminha, enfim, diferentes perfis de internet users, dê um vale compras para elas e peça para comprarem algo em sua loja enquanto você observa. Esteja atento à principais barreiras encontradas. Faça testes A/B.
Há empresas que vendem pesquisas de comportamento de compras detalhadas e específicas por sexo, idade e classe social. Claro que há muitos outros fatores psicosociais envolvidos no ciclo de compra, mas o que pretendemos aqui é dar alguns toques para que as lojas virtuais que atendem esse tipo de público melhorem seus serviços e… seu faturamento, claro. Deixando as clientes satisfeitas, fica bom pros dois! [Webinsider]
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* Solange Oliveira é especialista em e-commerce, trabalha em tecnologia há 20 anos e já dirigiu os melhores e maiores e-commerces da América Latina. É E-commerce Girl no Twitter. Publicou o livro: “De camelô a joalheiro todos podem vender on-line” pela Editora Gudrum e atualmente é vice presidente da DataG Technologies e professora de cursos de ecommerce na Ecommerce School. 

15 agosto, 2010

Busca-se uma nova forma de literatura


Busca-se uma nova forma de literatura

17082010
Blogueiros que se tornam autores. Escritores famosos, como João Ubaldo Ribeiro ou Mario Prata, que se aventuram pela web – ambos já escreveram livros pela rede. Ou até mesmo projetos como o da 20ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o Livro para Todos, são apenas alguns exemplos que mostram como a internet vem desempenhando um papel de destaque na revolução silenciosa que está criando novas formas de consumir e fazer literatura.
Porém, essas iniciativas acabam, em maior ou menor grau, sendo fiel ao modelo tradicional do livro de papel, que por sinal é o formato final desses trabalhos. Mas engana-se quem pensa que a literatura digital limita-se à criação ou reprodução de obras no formato papel.
Foi pensando em quebrar esse paradigma que a tradicional editora inglesa Penguin se uniu à empresa Six to Start, de games de realidade alternativa (ARG), para criar o We Tell Stories (wetellstories.co.uk). O projeto, que teve repercussão mundial, buscava recontar seis clássicos da literatura, entre eles As Mil e uma Noites, usando recursos digitais e da internet, como o Twitter e o Flickr, além de permitir ao leitor definir o rumo da trama, como, por exemplo, em Fairy Tales (conto de fadas).
“Queríamos criar algo inédito que usasse o máximo das possibilidades da internet e que não pudesse ser reproduzido no papel”, explica Jeremy Ettinghausen, editor de projetos digitais da editora.
A primeira história lançada, The 21 Steps (os 21 passos), por exemplo, é toda contada usando o Google Maps. Enquanto você acompanha a história de Rick, uma linha azul mostra os passos do personagem principal pelas ruas de Londres. “Escrever essa história, que foi pensada para ser lida online, foi um exercício fascinante”, conta o escritor escocês Charles Cumming, autor da adaptação de Os 39 Degraus, de John Buchan.
Ficou curioso? Vá até a página do projeto e descubra o por quê da última cena desse suspense online se passar no Rio de Janeiro. Todas as seis histórias – há uma sétima “escondida no site” envolvendo uma menina, chamada Alice, e um coelho – estão disponíveis gratuitamente, em inglês.
Para o jornalista e escritor Sergio Rodrigues, do blog Todo Prosa (www.todoprosa.com.br), o projeto “foi a iniciativa mais avançada na forma de misturar tantos recursos”. Rodrigues destaca entre as criações Your Place and Mine (o seu lugar e o meu). De autoria do casal Nicci Gerrard e Sean French, que trabalha em dupla e assina como Nicci French, o romance foi escrito ao vivo, durante cinco dias, uma hora por dia.
Em entrevista por e-mail, cinco dos autores do projeto disseram que iniciativas como o We Tell Stories não substituem a literatura tradicional e responderam à pergunta: o livro de papel vai morrer?
Entre as respostas: a mais pragmática foi a do inglês Toby Litt, de Slice (fatia). “O livro de papel sim. O livro, nunca.”