08 outubro, 2008

E-book

Invente uma história e crie um livro virtual.

Como?

Entrando aqui....

Como sua intenção é vista?


"Nós julgamos nós mesmos baseados nas nossas intenções, mas os outros nos julgam baseados no nosso comportamento", diz Been Reed.





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Sempre jovem... dicas

ENTREVISTA DA VEJA COM CIRURGIÃO CARDÍACO TURCO e CIDADÃO AMERICANO DR. MEHMET OZ - São Paulo - 04.12.2007

A especialidade do cirurgião cardíaco turco e cidadão americano Mehmet Oz, de 47 anos, é retardar ao máximo os efeitos da idade em seus pacientes. Diretor do Programa de Medicina Integrada da Universidade Colúmbia, em Nova York, ele é consultor da famosa clínica antienvelhecimento do médico Michael Roizen, criador do conceito de que é possível manter o organismo mais jovem do que aponta a idade cronológica.


Oz e Roizen também assinam a quatro mãos uma série de livros de sucesso que ensinam como manter um estilo de vida que adia a velhice. O mais recente deles, You Staying Young (Você Sempre Jovem), lançado há um mês nos Estados Unidos, já vendeu meio milhão de exemplares. Nos últimos quatro anos, Oz se tornou uma celebridade ao participar de um quadro fixo no programa de TV da apresentadora Oprah Winfrey. Ele também apresenta documentários no Discovery Channel. Nos dois casos, dá dicas aos telespectadores sobre como viver mais com boa saúde. Esse é justamente o tema da entrevista que ele deu a VEJA.

BREVE BIOGRAFIA DO DR.OZ

Dr.Mehmet Oz nasceu em Cleveland, Ohio (EUA), dos pais turcos. Ele é casado e pai de quatro filhos. Ele se formou da Harvard Univesity em 1982, depois fez mestrado e MBA na Universidade de Pennsylvania.

Ele é autor de mais de 350 publicações e vários livros. Em maio de 2005 estava na lista de New York Times Bestseller. Alguns livros e publicações dele são junto com o colega Michael F. Roizen.



ENTREVISTA DA VEJA

Veja - Existe uma fórmula para se manter jovem por mais tempo?
Oz - Sim. Há catorze agentes principais envolvidos no envelhecimento. Sete retardam o processo, como os antioxidantes, e sete nos enfraquecem, como a atrofia muscular. É preciso manter esses agentes sob controle. O primeiro passo para alcançar esse objetivo é pensar não na possibilidade de ficar doente, mas na necessidade de manter o organismo saudável. Deve-se tirar o foco da prevenção dos males e direcioná-lo para a preservação da saúde. Se ninguém mais morresse de câncer e de doenças cardiovasculares, a expectativa de vida média do ser humano subiria apenas nove anos. Isso mostra que, para aumentar consideravelmente a expectativa de vida, não basta evitar doenças. É preciso cuidar do corpo para que ele não enfraqueça. Quando uma pessoa envelhece, doenças potencialmente fatais, como o câncer e o infarto, não aparecem de imediato. Antes que elas se instalem, o corpo torna-se mais frágil e vulnerável.

Veja - O que fazer para evitar que o corpo se torne frágil e vulnerável?
Oz - Meu novo livro, You Staying Young (Você Sempre Jovem, ainda sem previsão de lançamento no Brasil), trata exatamente desse tema. Os exercícios físicos são uma ferramenta essencial. Eles combatem o primeiro sinal do envelhecimento, que é a perda de força muscular. Outros recursos importantes são alimentar-se bem e meditar. Uma boa recomendação é a prática do tai chi chuan, exercício oriental que combina equilíbrio, coordenação motora e também meditação. Se todos adotassem essas medidas, a vida média da população poderia subir para 110 anos. Quanto à alimentação, não podem faltar nutrientes como o resveratrol da uva e o licopeno do tomate, que são poderosos antioxidantes. O principal, mas também o mais difícil, é controlar a quantidade dos alimentos. De qualquer forma, todo mundo deve comer um pouco menos do que tem vontade.

Veja - Fazer várias pequenas refeições por dia, como recomendam alguns médicos, faz bem para a saúde?
Oz - Deve-se comer de três em três horas. Se o intervalo é maior, a taxa de hormônio grelina, que estimula a fome, começa a subir. O problema é que, após uma refeição, ainda demora trinta minutos para que a taxa desse hormônio volte a baixar. Em conseqüência disso, acaba-se comendo mais do que se deveria. O mais importante, além de comer alguma coisa a cada três horas, é trocar as refeições grandes por pequenas, intercaladas por lanchinhos. Esse conceito não foi criado por mim. É o que mostram as pesquisas científicas.

Veja - O que o senhor considera refeições grandes e pequenas?
Oz - Uma refeição grande ultrapassa 1 000 calorias. Uma pequena tem, no máximo, 500. Quem consome por volta de 2 000 calorias diárias pode fazer duas refeições de 300 calorias cada uma e outra maior, de até 800. Os lanchinhos podem ter até 250 calorias.

Veja - O que deve ficar de fora do cardápio?
Oz - Existe uma regrinha fácil de ser usada, a regra dos cinco. Para isso, é preciso examinar o rótulo dos alimentos. Cinco ingredientes não podem estar entre os primeiros listados no rótulo. São eles: gorduras saturadas, gorduras trans, açúcar simples, açúcar invertido e farinha de trigo enriquecida. Dois desses nutrientes são gorduras, dois são açúcares. Os dois tipos de gordura podem estimular processos inflamatórios no fígado que forçam a produção de substâncias deletérias, como o colesterol. Também fazem com que o fígado fique menos sensível à insulina, aumentando o risco de diabetes. Os açúcares listados fazem mal por estimular a produção de insulina, o que aumenta o depósito de gordura corporal. O pior é que esses cinco itens são os mais comuns nas dietas atuais.


Veja - O cardápio básico do brasileiro, composto de arroz, feijão, carne e salada, é saudável?
Oz - A princípio, sim. Esse cardápio contém exatamente os nutrientes para os quais a digestão humana está preparada. Mas os brasileiros comem carnes muito gordas, o que é errado.. Antigamente, no mundo inteiro, quando os métodos de criação do gado eram mais simples, a porcentagem de gordura dos melhores cortes da carne bovina era, em média, de 4%. Hoje é de 30%. Outro problema dos hábitos alimentares do brasileiro é que ele come arroz em excesso, o que não traz nenhum benefício. Melhor seria adotar o arroz integral. Os alimentos integrais têm mais fibras, o que os mantém mais tempo no intestino e diminui a absorção de açúcar pelo organismo. Uma vantagem dos brasileiros é ter à disposição enorme variedade de frutas e vegetais maravilhosos, por preço razoável.

Veja - Os hábitos que o senhor propõe para prolongar a vida são relativamente simples, mas exigem controle estrito sobre as atividades do dia-a-dia. Como exercer esse controle?
Oz - A palavra-chave é automatizar. Ou seja, fazer desses hábitos uma rotina, sem precisar pensar muito neles. Acordar, escovar os dentes e passar o fio dental, para reduzir a quantidade de bactérias prejudiciais à saúde. Beber muito líquido ao longo do dia, principalmente água e chá verde. Dormir ao menos sete horas por noite. Durante o sono se produz o hormônio do crescimento, essencial mesmo para quem já é adulto, pois prolonga a juventude. Caminhar meia hora por dia e praticar exercícios que façam suar três vezes por semana. Meditar cinco minutos diariamente, o que pode estar embutido na prática de ioga ou tai chi chuan. Evitar alimentos que estejam na regra dos cinco, que mencionei anteriormente. Uma última coisa: estreitar o relacionamento com as pessoas próximas e abster-se de julgá-las. Em vez de julgar os outros, é melhor tomar conta de si próprio.

Veja - Abster-se de julgar os outros ajuda a manter a juventude?
Oz - Sim, da mesma forma que resolver situações de conflito. O conflito não traz nada de positivo. É apenas desgastante. Costumo recomendar a meus pacientes que procurem as pessoas com quem mantêm uma relação de animosidade e tentem resolver o impasse. Essa é uma atitude para o bem-estar próprio. Não há nada de altruísta nela. É uma atitude egoísta.

Veja - O que o senhor acha das dietas para emagrecer que surgem e viram moda a cada seis meses?
Oz - Essas dietas fazem sucesso, mas são péssimas para a saúde. A alimentação não deve ser encarada como uma maratona para a perda de peso. Uma dieta que tenha como chamariz o emagrecimento rápido não é confiável. Comer menos do que o corpo necessita é uma agressão à fisiologia. Ou seja, aos processos químicos que fazem o organismo funcionar. Quando a fisiologia é desprezada, os resultados das dietas são transitórios.

Veja - Por que o senhor recomenda cuidados com o jantar?
Oz - Na verdade, há uma única regra a observar: deve-se jantar pelo menos três horas antes de dormir. Deitar logo após a refeição facilita o acúmulo de gordura, principalmente na cintura. Além disso, comer muito tarde prejudica o sono.

Veja - O senhor recomenda beber muita água durante o dia. Quanto se deve beber exatamente?
Oz - Deve-se beber uma quantidade suficiente para que a urina esteja sempre clara. Isso varia de um dia para o outro. Em dias quentes, sua-se muito e, por isso, é preciso beber mais água. Para quem não abre mão da cafeína, sugiro chá verde. Em lugar de quatro cafezinhos por dia, beba quatro copos de chá verde. Essa bebida concentra muitos antioxidantes e nutrientes bons para a saúde.

Veja - Muitos ambientalistas condenam o consumo de água engarrafada. Do ponto de vista da saúde, ela é melhor que a água da torneira?
Oz - Eu acho um erro beber água engarrafada. Há dois problemas principais com ela. O primeiro é que, se a garrafa plástica não for reciclada, pode contaminar os mares e os rios. Isso prejudica o meio ambiente e, indiretamente, a saúde. O plástico das embalagens vai parar nos peixes que comemos. O resultado é que 97% das pessoas apresentam resíduos de plástico no organismo, o que interfere no sistema hormonal. Esses resíduos estimulam os receptores de estrogênio, o hormônio feminino. Em excesso, o estrogênio pode causar câncer e outros problemas. As toxinas contidas no plástico também aceleram o envelhecimento. O segundo problema é que, como a água engarrafada não apresenta vantagens com relação à água da torneira, trata-se de um desperdício de dinheiro.

Veja - O senhor recomenda exercícios físicos que provoquem suor. Exercícios leves são inúteis?
Oz - Essas recomendações visam à saúde cardiovascular. Para essa finalidade, apenas os exercícios moderados ou intensos, que fazem suar, apresentam benefícios. Mas os exercícios suaves e de baixo impacto têm valor. Mesmo a caminhada movimenta grandes músculos, como os das coxas e dos quadris, que consomem muita energia. Como o gasto calórico muscular é maior durante o exercício, a queima de calorias aumenta.

Veja - Os suplementos vitamínicos são criticados em muitos estudos científicos. O que o senhor acha deles?
Oz - Eles são eficazes, mas prometem mais do que cumprem. Na verdade, os médicos saem da faculdade sem conhecimentos suficientes sobre os suplementos e são forçados a tirar suas próprias conclusões. De modo geral, uma suplementação só é necessária quando as vitaminas não são obtidas naturalmente com a alimentação. Por outro lado, acredito que determinadas vitaminas podem melhorar a qualidade de vida e a longevidade. Entre elas estão as vitaminas A, B, C, D e E, além de cálcio, magnésio, selênio e zinco. A vitamina D é importantíssima, pois previne câncer e osteoporose. Principalmente nos países mais frios, onde a exposição solar é restrita, os suplementos são essenciais.

Veja - Além dos procedimentos já descritos nesta entrevista, o que mais o senhor faz para adiar o envelhecimento?
Oz - Minha receita principal de juventude é brincar com meus filhos. Também procuro descobrir coisas novas todos os dias. Aprendo ao conversar com os outros e, apesar de ser muito assediado para responder a perguntas, por causa de minha atuação na TV, prefiro perguntar, saber como é a vida das pessoas, como elas trabalham. Isso faz minha mente exercitar-se.

Veja - Nos últimos anos, o aperfeiçoamento do tratamento clínico fez cair o número de cirurgias cardíacas. Essa é uma tendência em outras especialidades médicas além da cardiologia?
Oz - Sem dúvida. Os recursos clínicos tornaram-se mais eficazes tanto para a prevenção de doenças quanto para seu tratamento. Por isso, assim como na cardiologia, a cirurgia deixou de ser a primeira opção em outras áreas. Há poucos anos, quando o paciente machucava o joelho, ia direto para a sala de operação. Agora, ele vai para a sala de fisioterapia. Essa tendência também é evidente nos casos de diverticulite, uma inflamação do intestino, que passou a ser tratada com o consumo de fibras. O mesmo acontece com pacientes que apresentam doença arterial obstrutiva periférica. Antes eles iam para a faca. Agora, recebem como orientação deixar de fumar e caminhar. Mesmo que sintam dor num primeiro momento, essa é uma maneira de estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos para substituir os danificados.

Veja - O senhor já esteve no Brasil. Como foi sua experiência no país?
Oz - Visitei o Brasil há muitos anos, quando ainda era estudante de medicina. Fui ao Rio de Janeiro e conheci o doutor Ivo Pitanguy. Também fiquei deslumbrado com as frutas brasileiras e com as lojas de sucos. Elas misturam frutas e outros vegetais, uma combinação pouco convencional. Conheci o açaí, que até hoje está no meu cardápio. Compro açaí em Nova York mesmo. É um dos alimentos com maior concentração de antioxidantes. Planejo voltar ao Brasil em meados do ano que vem para gravar um programa. Quero muito ir à Amazônia e conhecer as plantas medicinais da região.

07 outubro, 2008

sobre a provisoriedade da vida...




"Tomei uma decisão certa, ou não? Provavelmente nunca saberei. Resta-me aceitar a responsabilidade dessa decisão, como um duelista aceita o facto de (provavelmente) já estar morto antes de terçar lâminas".








Diretamente do Blog JPS

Infelizmente abandonado, pois o autor me parece mui inteligente e sensível.







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update: trocando em miúdos, deveríamos aprender bem mais cedo que o não já se tem..

06 outubro, 2008

Como surgiu o Dia das Crianças no Brasil...




A criação do Dia das Crianças no Brasil foi sugerido pelo deputado federal Galdino do Valle Filho na década de 1920.

Arthur Bernardes, então presidente do Brasil, aprovou por meio do decreto de nº 4867, no dia 5 de novembro de 1924, a data de 12 de outubro como o dia dos pequenos.

O Dia das Crianças só passou a ser comemorado mesmo em 1960, quando a fábrica de brinquedos Estrela fez uma promoção junto com a empresa Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" e aumentar suas vendas.

A idéia das duas empresas deram tão certo que outros comerciantes resolveram adotar a mesma estratégia. E assim, dia 12 de outubro é dia de criança ganhar presente!

Dia das Crianças no Mundo

Muitos países comemoram o Dia das Crianças em outros dias do ano. Na Índia, é em 15 de novembro. Em Portugal e Moçambique, a comemoração acontece no dia 1º de junho. Na China e no Japão, a comemoração acontece em 5 de maio.

Dia Universal da Criança

A Organização das Nações Unidas, também conhecida como ONU, comemora o dia de todas as crianças do mundo em 20 de novembro. Foi nessa data que os países aprovaram a Declaração dos Direitos das Crianças.
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E...repetindo...

O primeiro brasileiro que teve a idéia de criar um dia que homenageasse as crianças foi o então deputado federal Galdino do Valle Filho, na década de 1920. A idéia logo foi aprovada pelos outros deputados, e em 1924 o presidente Arthur Bernardes oficializou a data através do decreto 4867, de 5 de novembro.

Dessa maneira, o dia 12 de outubro passou a ser a data de comemoração do Dia da Criança no Brasil. A data, porém, não pegou logo de cara. Apenas na década de 60, quando a fábrica de brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" é que a data passou a ser comemorada.

O sucesso de vendas foi tão grande que naquele mesmo ano outras empresas do ramo criaram algumas “semanas da criança” com o intuito único de aumentar as vendas. No ano seguinte os fabricantes de brinquedos se uniram e “ressuscitaram” o antigo decreto do presidente Arthur Bernardes, elegendo o dia 12 de outubro como data oficial para todo o comércio do setor.

A comemoração do Dia das Crianças no mundo, porém, acontece nas mais diferentes datas (sem falar no estilo das comemorações!). Na Nova Zelândia, o Dia da Criança é sempre o último domingo de outubro. A cada ano, as crianças escolhem um animal nativo do país para homenagear.

Dia Internacional da criança no rádio e na TV
Anualmente, no segundo domingo de dezembro, mais de 2 mil emissoras de rádio e TV de 170 países abrem espaço para crianças participarem da criação de programas e dizerem o que pensam.


Na Iugoslávia, o Dia das Crianças é comemorado no dia 22 de dezembro. A tradição manda os pais brincarem de amarrar seus filhos para depois soltá-los, já que são bons meninos. A folia vai até o domingo seguinte, Dia das Mães, quando os filhos brincam de amarrar as mães e soltá-las em troca de doces e guloseimas. E, no próximo domingo, os pais entram na brincadeira e são soltos em troca de presentes para as crianças.

A Turquia celebra o Dia das Crianças no dia 23 de abril. Assim como no Brasil, as crianças passeiam com seus pais e ganham presentes. Na Índia, o Dia das Crianças é no dia 14 de novembro, e serve também para comemorar o aniversário de Jawaharlal Nehru, primeiro-ministro da Índia quando o país se tornou independente do Reino Unido.

A comemoração mais “diferente” é a do Japão. No dia 5 de maio é celebrado o Tango no Sekku (Dia dos Meninos). Nessa data, as famílias exibem capacetes de guerra tradicionais, para que as crianças cresçam fortes e saudáveis. Come-se bolo de arroz recheado de feijões vermelhos e enrolado em folhas de carvalho e bolo de arroz enrolado com folhas de bambu. E pensar que tem “brasileirinhos” que reclamam de comer algumas folhas de alface hein...

A ONU (Organização das Nações Unidas), por sua vez, comemora o Dia Universal das Crianças. A data é celebrada em 20 de novembro quando é comemorada a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças. No Brasil, o direito das crianças e do adolescente é garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Declaração dos Direitos das Crianças

1. Todas as crianças são iguais e têm os mesmos direitos, não importa a sua cor, raça, sexo, religião, origem social ou nacionalidade.

2. Toda criança deve ser protegida pela família, pela sociedade e pelo Estado, para que possa se desenvolver física e intelectualmente.

3. Toda criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade.

4. Toda criança tem direito à alimentação e a atendimento médico antes e depois do seu nascimento. Esse direito também se aplica à mãe.

5. As crianças portadoras de dificuldades especiais, físicas ou mentais, têm direito à educação e a cuidados especiais.

6. Toda criança tem direito ao amor e à compreensão dos pais e da sociedade.

7. Toda criança tem direito à educação gratuita e ao lazer.

8. Toda criança tem direito de ser socorrida em primeiro lugar em caso de acidentes ou catástrofes.

9. Toda criança deve ser protegida contra o abandono e a exploração no trabalho.

10. Toda criança tem direito de crescer em ambiente de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.





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Veja aqui a história do surgimento de alguns brinquedos


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05 outubro, 2008

Antes muito bem acompanhada...






Filme: Muito bem acompanhada (The Wedding Date, 2005)

Cotação: muito bom

Ponto forte: Apesar de simples comédia romântica, o filme tem tiradas inteligentes e "aconselhamentos" para homens e mulheres que valem reflexão. A personagem Nick Mercer, psicanalista, coloca na tela questões entre homens, mulheres e amor. Poderia até durar mais o filme do quanto é leve e gostoso. Além disso, os atores são muito bons.




Para não esquecer: "você aprendeu a ficar de pontas por causa do balé ou por viver pisando em ovos?"

Sinopse: Há 2 anos atrás Kat Ellis (Debra Messing) foi abandonada no altar. Agora sua irmã, Amy (Amy Adams), está prestes a se casar e terá como padrinho de casamento justamente seu ex-noivo. Decidida a demonstrar ter superado o abandono, Kat contrata Nick Mercer (Dermot Mulroney) como seu acompanhante no casamento. O que Kat não esperava era que Nick conquistasse a simpatia de sua família, demonstrando ser um genro perfeito e objeto de desejo de qualquer mulher. Aos poucos ela nota que a relação que possui com Nick, que era para ser de fachada, torna-se cada vez mais séria.



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Ficha Técnica
Título Original: The Wedding Date
Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Site Oficial: www.theweddingdate.net
Estúdio: 26 Films / Gold Circle Films
Distribuição: Universal Studios Inc. / UIP
Direção: Clare Kilner
Roteiro: Dana Fox, baseado em livro de Elizabeth Young
Produção: Jessica Bendinger, Paul Brooks, Michelle Chydzik Sowa e Nathalie Marciano
Música: Blake Neely
Fotografia: Oliver Curtis
Desenho de Produção: Tom Burton
Direção de Arte: Astrid Sieben
Figurino: Louise Page
Edição: Mary Finlay
Efeitos Especiais: Pacific Title / Cine Image Film Opticals Ltd.


Elenco
Debra Messing (Kat Ellis)
Dermot Mulroney (Nick Mercer)
Amy Adams (Amy Ellis)
Jack Davenport (Edward Fletcher-Wooten)
Sarah Parish (TJ)
Jeremy Sheffield (Jeffrey)
Peter Egan (Victor Ellis)
Holland Taylor (Bunny)
Jolyon James (Woody)
Linda Dobell (Sonja)
Helen Lindsay (Tia Bea)
C. Gerod Harris (Mensageiro de bicicleta)

Feliz aniversário Fernanda!!!!










































“Todo Origami começa quando pomos a mão em movimento. Há uma grande diferença entre compreender alguma coisa através da mente e conhecer a mesma coisa através do tato.”




Tomoko Fuse

04 outubro, 2008

03 outubro, 2008

Dia das Crianças - para a amiga CACAU!

No mês das crianças, a dica é uma bolsa ecológica para ir às compras, deixando de lado as sacolas de plástico. É tão simples de fazer que crianças (a partir de 10 anos supervisionadas por adultos) podem arricar a fazer na máquina de costuras ou à mão. Criativa e curiosa, que ensina é um gatinho... A dica foi pescada no Blog Zuperziper, que a pescou no Craftzine, que pescou no ....

02 outubro, 2008

Brincadeira de criança





Eu que nunca aprendi a escrever... mas aprendi a brincar de...não soube até hoje se...







Quando eu era criança minha mãe brincava comigo de uma brincadeira que a mãe dela brincava com sua avó. Uma diversão passada pelas gerações, o "pinhel".
Uma brincadeira "brincada" com as mãos. Uma pilha de mãos dançando ao ar até desabar em cócegas na barriga de alguém. Normalmente, desempilhava na minha ou na do meu irmão menor.



Eu, com meus dedinhos pequeninos, beslicava a pele da mão de minha mãe em formato de concha, e o meu irmão beliscava a minha e íamos nos revezando em mãos até não sobrar qualquer uma solta. Depois das mãos apoiadas umas sobre as outras, fazíamos um movimento vertical, suspendendo e abaixando, repetindo a cada deslocamento a palavra "pinhel".


Assim se dava o "pinhel-pinhel-pinhel-pinhel-brululululu". O brululululuuuuu acontecia no desabamento das mãos até as costelas mais próximas. Difícil até de descrever essa lúdica brincadeira de toques e intimidade.




O tempo passou e o pinhel ficou. Pra trás. Ficou, também, na mente, na pele, no gesto, no gosto, na saudade... Na memória do corpo e da infância.
Há alguns meses, três décadas depois, eu relembrei dele e resolvi brincar com minha filhota de sete anos. Nem é preciso dizer o quanto ela adorou a brincadeira cosquenta.


No vaivém das mãozinhas e das pupilas, ela ri até desabar os dentes de alegria e a barriga a tremer de satisfação "pinhelenta".
Os olhinhos, fixados nos outros e procurando por vezes os dedos em pinça, podem se remexer em gargalhadas no segundo seguinte a uma piscadela. E a gente se diverte. E a gente se repete em pinhels (?).

No mesmo instante em que as mãos se desmancham em cutucadas risadas elas correm para se amontoar novamente e, assim, recomeçar a dança, que tem por graça o inesperado da fuga da mão adulta a procurar um lugar cheio de cosquinhas na criança.

Pinhel é assim: movimento e alegria. Quase uma cor que salta da barriga.


Só que...
O tempo gira. O cata-vento roda. A aurora surge e a gente não sabe de nada!
Nadica!
Até que...
A dúvida faz coceira dentro da cabeça e a gente fica doido de querer saber.
Foi assim...
Eu nunca tinha precisado escrever (como outras tantas devem ter) a palavra "pinhel" ou seria "pinheu"? Quem sabe "pinhéu"? Apenas passei anos e anos da minha vida "falando" pinhel. Sentindo o "pinhéu". Gargalhando com o "pinheu". E tudo bem. E eu ria. E não caiu no vestibular.
Como o que se vive não cai no vestibular e nem entra no currículo, é bobagem decerto. Ninguém precisou ensinar. Nem ninguém precisou saber escrever, afinal.

Até que, revirando um site de brinquedos de papel (sou uma eterna criança), dou de cara com uma palavra escrita que me faz relembrar a infância: "pin wheel" (traduzindo toscamente "pino roda"). Eu pensei: "céus é o meu pinhel!" Correndo, lá fui catar meu riso alto! Mas não era o meu pinhel! Ops, pin wheel (falado"pin-huiu").

A ignorância remexeu os dedos no teclado e fui ao dicionário inglês-português e achei o coladinho "pinwheel" (cata-vento e similares).

O vento não parou e a curiosidade aumentou. Como se escreve o MEU pinhel?

Pedi clemência ao Houaiss dei de cara com o regionalismo "douro", que é o mesmo que "caruma", que significa folha, quantidade, que por fim é igual a folha de pinheiro.


Uau! Pinhel vem de pinheiro! Que lembra o Natal (estrangeiro, mas tudo bem)! Que me lembra luzes saltitantes... que por fim me trazem presentes! Fiquei extasiada feito criança que junta sílabas e lê a palavra. Le-gal! Pi-nhel!
Ainda não era o pinhel da gargalhada! Continuei procurando um pouco mais, na santa internet e seus hipertextos, achei a Pinhel de Portugal. Agora com a mesma pronúncia do meu pinhel. Mais próxima e com castelo para contar histórias. Cujo nome "Pinhel", é claro, deriva da grande quantidade de pinheiros existentes por lá.


E nada de encontrar o pinhel de mãos!
Sem verbete para o meu, de pinhel a pin wheel, pinwheel, até Pinhel rodei como um pinhel. Cata-ventei até subir às torres do castelo de mãos e achei o que estava escondido de mim: o renascimento da palavra carregada de significados emotivos, sensoriais, afetivos, melódicos.
O pinhel falado ganhou sua roupa de letrinhas. Ganhou primos. Ganhou ascendentes. Ganhou, agora, no meu papel a forma de PINHEL. Assim maíusculo. Gritando sua importância.
Agora sim, ele existe na forma escrita e eu o batizei em grafema. O pinhel falado... que eu não aprendi a escrever... mas aprendi a brincar... o pinhel bolinado... que não sei de onde vem... o pinhel dos contos de réis e não de reis... o pinhel popular... da tradição oral... o pinhel feito de pinheiro de mãos que balançam ao vento até o topo chegar no chão para cutucar as costelas de quem ainda não aprendeu a ler e já sabe brincar... de falar... "pinhel-pinhel-pinhel-pinhel-brululululu".
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Origem das fotos usadas nesta postagem:


1) blog.craftzine.com
2) visualparadox.com
3) bp0.blogger.com
4) ruimsc.blogspot.com
5) olhares.aeiou.pt

pra pensar


"Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem."

Safatle hoje no Café com Letras


Não perca nesta quinta-feira (2), a partir das 19h30, o lançamento e noite de autógrafos do livro Cinismo e falência da crítica (Boitempo editorial) escrito pelo filósofo Vladimir Safatle. O Café com Letras fica na 203 sul, bloco C loja 19.




A obra põe em pauta o capitalismo contemporâneo e baseado em estudos de Adorno, Freud, Hegel, Foucault e outros pensadores, o autor desenvolve uma perspectiva histórica do cinismo, desde os cínicos gregos que negavam a polis e desejavam a physis. O livro inclui também elementos da cultura brasileira mostrando, por exemplo, o carnaval como proposta à inversão da norma... veja mais....









Informações:
cafe.letras@gmail.com
(61) 3322-4070 / 3322-5070

29 setembro, 2008

MSN muitas navegadas depois...

ai ai
- ! quem tem desejo tem idéias diz:
o tempo passa
- ! quem tem desejo tem idéias diz:
os olhos brilham
Fê >> Sarau de Aniversário: um sucesso! Obrigada pela presença! diz:
é
Fê >> Sarau de Aniversário: um sucesso! Obrigada pela presença! diz:
vou dormir ja ja
- ! quem tem desejo tem idéias diz:
o cérebro agita
- ! quem tem desejo tem idéias diz:
as idéias pulam
Fê >> Sarau de Aniversário: um sucesso! Obrigada pela presença! diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
- ! quem tem desejo tem idéias diz:
o corpo cansa
- ! quem tem desejo tem idéias diz:
as maõs coçam
- ! quem tem desejo tem idéias diz:
e mais um dia amanhece
- ! quem tem desejo tem idéias diz:
depois de uma madrugada inteira fuçando na internet...



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Sites para facilitar sua convivência eletrônica


Vejam dicas compiladas pelo Professor Aldo Barreto [odla@centroin.com.br]



01 Quando for comprar qualquer coisa não deixe de consultar o site GastarPouco - http://www.gastarpouco.com/
02 Serviço dos cartórios de todo o Brasil, que permite solicitar documentos via internet - http://www.cartorio24horas.com.br/index.php
03 Site de procura e reserva de hotéis em todo o Brasil ,por cidade, por faixa de preços, reservas etc - http://www.hotelinsite.com.br/
04 Site que permite encontrar o transporte terrestre entre duas cidades, a transportadora, preços e horários -https://appweb.antt.gov.br/transp/secao_duas_localidades.asp'
05 Encontre a Legislação Federal e Estadual por assunto ou por número, além de súmulas dos STF, STJ e TST http://www.soleis.adv.br/
06 Tenha a telinha do aeroporto de sua cidade em sua casa,chegadas e partidas -http://www.infraero.gov.br/aero.php - http://www.infraero.gov.br/pls/sivnet/voo_top3v.inip_cd_aeroporto_ini =
07 Encontre a melhor operadora para utilizar em suas chamadas telefônicas -<http://sistemas.anatel.gov.br/sipt/Atualizacao/Importante.asp>
08 Encontre a melhor rota entre dois locais em uma mesma cidade ou entre duas cidades, sua distância, além de localizar a rua de sua cidade - http://www.mapafacil.com.br/
09 Encontre o mapa da rua das cidades, além de localizar cidades - http://mapas.terra.com.br/Callejero/home.asp
10 Confira as condições das estradas do Brasil, além da distância entre as cidades http://www.dnit.gov.br/
11 Caso tenha seu veiculo furtado, antes mesmo de registrar ocorrência na polícia, informe neste site o furto.O comunicado às viaturas da DPRF é imediato -http://www.dprf.gov.br/ver.cfmlink==form_alerta
12 Tenha o catálogo telefônico do Brasil inteiro em sua casa. Procure o telefone daquele amigo que estudou contigo no colégio - http://www.102web.com.br/
13 Confira os melhores cruzeiros,datas, duração,preços, roteiros, etc. - http://www.bestpricecruises.com/default.asp
14 Indexador de imagens do Google - captura tudo que é foto e filme de dentro de seu computador e os agrupa, como você desejar - http://www.picasa.com/
15 Site de procura, semelhante ao GOOGLE -http://www.gurunet.com/
16 Site que lhe dá as horas em qualquer lugar do mundo - http://www.timeticker.com/main.htm
17 Site que lhe permite fazer pesquisas dentro de livros - http://www.a9.com/
18 Site que lhe diz tudo do Brasil desde o descobrimento por Cabral - http://www.historiadobrasil.com.br/
19 Site que o ajuda a conjugar verbos em 102 Idiomas -http://www.verbix.com/
20 Site de conversão de Unidades - http://www.webcalc.com.br/
21 Site para envio de e-mails pesados, acima de 50Mb - http://www.dropload.com/
22 . Site para envio de e-mails pesados, sem limite de capacidade - http://www.sendthisfile.com/
23 Site que calcula qualquer correção desde 1940 até hoje, informando todos os indices disponiveis no mercado financeiro. Grátis para Pessoa Física - http://www.debit.com.br/
24 Site que lhe permite ler jornais e revistas de todo o mundo - http://www.indkx.com/index.htm
25 Site de camaras virtuais, funcionando 24 hs por dia ao redor do mundo - http://www.earthcam.com/
26 Site de mapas que identificam endereços do Brasil inteiro e dá sugestões de rotas - http://www.ondeestou.com.br/
Localizar cidades no Brasil - http://www.ibge.gov.br/cidadesat/default.php

22 setembro, 2008

Deu na Veja, só falta dar no ensino...




Por Solange Pereira Pinto



Para grande parte da população urbana, domingo é dia de igreja, Veja, TV e futebol, não necessariamente nesta ordem. Ontem (21/09/2008), junto às notícias da crise americana, veio na revista uma matéria especial sobre o instigante escritor Machado de Assis que não freqüentou universidade, mas é ícone da nossa literatura.

Sabemos que a Veja é a revista semanal mais lida no Brasil. É falada e comentada, quase como centro do universo, nas escolas do país, principalmente faculdades. É tida como um meio de comunicação para se ler antes de fazer provas de concurso na área de conhecimentos gerais (!?). Ou seja, a Veja é para a maioria dos brasileiros “letrados” a maior fonte de informações.

Então, quando eu li na Veja o texto “Quem entendeu a nova avaliação do ensino?”, pensei: finalmente alguém para falar diretamente dos insumos e outras quantidades absurdas que têm virado moda por aqui. Cláudio Moura e Castro foi no x (certo da questão) e apropriadamente mostrou como índices podem não fazer qualquer sentido, principalmente quando se fala em educação.

Em certa altura ele disse: “finalmente, há o terceiro elemento, o Índice de Insumos. Trata-se de uma lista de descrições do processo de ensino, incluindo o número de doutores, docentes em tempo integral e outros. Pensemos no famoso Guia Michelin, que dá estrelas aos restaurantes franceses. O visitador vai anônimo ao restaurante e atribui estrelas se a comida e o ambiente forem muito bons. Jamais ocorreria pôr ou tirar estrelas por conta da marca do fogão, dos horários dos cozinheiros ou do número de livros de culinária disponíveis. Depois que a comida foi provada, nada disso interessa - exceto para algum consultor da área. Para escolher um restaurante, só interessam as estrelas, refletindo a qualidade da sua mesa. A avaliação da excelência de um curso é como as estrelas do Michelin. Para o público, conhecidos os resultados, os meios ou processos se tornam irrelevantes. Se o aluno aprendeu, não interessa como nem com quem - a não ser aos especialistas”.

Não preciso dizer mais nada... Agora me resta a esperança... Se deu na Veja, ainda que em apenas um artigo (muito bom por sinal), que dê agora também na cabeça dos brasileiros a reflexão: nem todo número informa, esclarece ou representa de fato a realidade. Qualidade não é quantidade. Veja abaixo o artigo comentado.










Quem entendeu a nova avaliação do ensino?





"Louvemos a coragem do MEC de gerar e divulgar avaliações. Mas parece inapropriado entregar ao público uma medida tão confusa"

Um médico que ficasse sabendo que seu paciente tem 88 batidas cardíacas por minuto, 39 graus de febre e um índice de 380 de colesterol teria os elementos iniciais para fazer um diagnóstico. Imaginemos agora que somássemos esses três índices e mostrássemos apenas o total. Seria um número sem sentido.


É tal espécie de soma que o MEC acaba de fazer, com o seu novo indicador de qualidade dos cursos superiores, o Conceito Preliminar de Avaliação. Ao somar três indicadores, deixa o público igualzinho ao médico do parágrafo acima. Pior, junta conceitos individualmente pouco conhecidos. Como o professor Simon Schwartzman havia partido antes na empreitada de entender essa química, juntei-me a ele na preparação do presente ensaio.


O primeiro número levantado pelo MEC é baseado em prova aplicada a uma amostra de alunos de cada curso. É o Enade (a nova versão do Provão), que mede quanto os alunos sabem ao se formar. É um conceito tão simples e poderoso quanto o resultado de um jogo de futebol. Só que não podemos comparar profissões, como faz o MEC, pois a dificuldade das provas não é a mesma. Se o Grêmio ganhou do Cruzeiro, isso não significa que é melhor do que o Real Madrid que perdeu do Chelsea.


Ademais, o MEC introduziu um complicador. Soma aos resultados da prova aplicada aos formandos a nota dos calouros na mesma prova. Ou seja, premia o curso superior que atrai os melhores alunos (a maioria deles oriunda de escolas médias privadas). Portanto, soma a contribuição do curso superior à do médio. Em uma pesquisa de que participei, 80% do resultado do Provão se devia à qualidade dos alunos aprovados no vestibular. Assim sendo, ele favorece as universidades públicas, pois sendo gratuitas atraem os melhores candidatos.



O segundo ingrediente do teste é o Índice de Diferença de Desempenho (IDD). O Enade mostra quais cursos produzem os melhores alunos. Contudo, um desempenho excelente pode resultar apenas de haver recebido alunos mais bem preparados. Em contraste, o IDD mede a contribuição líquida do curso superior. A idéia é boa. Em termos simplificados, calouros e formandos fazem a mesma prova. Subtraindo das notas dos formandos a nota dos calouros, captura-se o conhecimento que o curso "adicionou" aos alunos. Portanto, mede a capacidade do curso para puxar os alunos para cima, ainda que não consigam atingir níveis altos. É o que faltava na avaliação. Exemplo: na Farmácia temos uma escola com 5 no Enade e 2 no IDD. Temos outra com 2 no Enade e 5 no IDD. Embora a média seja a mesma, esconde mundos diferentes. A primeira forma os melhores profissionais, porque recruta bem, mas ensina pouco. A segunda produz alunos medíocres, mas oferece muito a eles. Cada indicador tem seu uso.


Finalmente, há o terceiro elemento, o Índice de Insumos. Trata-se de uma lista de descrições do processo de ensino, incluindo o número de doutores, docentes em tempo integral e outros. Pensemos no famoso Guia Michelin, que dá estrelas aos restaurantes franceses. O visitador vai anônimo ao restaurante e atribui estrelas se a comida e o ambiente forem muito bons. Jamais ocorreria pôr ou tirar estrelas por conta da marca do fogão, dos horários dos cozinheiros ou do número de livros de culinária disponíveis. Depois que a comida foi provada, nada disso interessa - exceto para algum consultor da área. Para escolher um restaurante, só interessam as estrelas, refletindo a qualidade da sua mesa. A avaliação da excelência de um curso é como as estrelas do Michelin. Para o público, conhecidos os resultados, os meios ou processos se tornam irrelevantes. Se o aluno aprendeu, não interessa como nem com quem - a não ser aos especialistas.


Mas há outras tolices. Um curso de filosofia em que todos os professores são doutores em tempo integral pode ser ótimo. Mas seria medíocre um curso de engenharia, arquitetura ou direito em que isso acontecesse, pois as profissões estariam sendo ensinadas por quem não as pratica. Esse curso ganha pontos pelo perfil dos docentes, justamente quando deveria perdê-los. Há outros desacertos técnicos que não cabe aqui comentar. Mas, como dito, a falha mais lastimável é a decisão de somar três indicadores que mal sabemos como interpretar individualmente. Louvemos a coragem do MEC de gerar e divulgar avaliações. Mas nos parece inapropriado entregar ao público uma medida tão confusa.


Claudio de Moura Castro é economista (claudio&moura&castro@cmcastro.com.br)

Data: 21/09/2008
Veículo: VEJA
Editoria: SEÇÕES
Assunto principal: ENSINO SUPERIOR MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

21 setembro, 2008

arte no sábado à noite




Filme: O Livro de Cabeceira /(Pillow Book, The, 1996)

Cotação: Excelente


Ponto forte: estética inovadora que propicia construir reflexões sem cair no lugar comum. O filme jorra sensibilidade e arte. Belíssimo!

Para não esquecer: quem curte livro do artista, book art e afins assistirá cenas inspiradoras.


Sinopse: Nagiko cresce em uma tradicional família japonesa, sua mãe morreu, e seu pai (Ken Ogata), escritor, a cria com a ajuda da tia (Hideko Yoshida). A cada ano, em seu aniversário, seu pai escreve de forma ritualística uma saudação em seu rosto e nuca. Com o tempo, Nagiko passa a aguardar ansiosamente tais momentos. Sua tia a presenteia com um livro de uma escritora japonesa do final do século dez, chamada Sei Shonagon, o Livro de Cabeceira.



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» Direção: Peter Greenaway
» Roteiro: Peter Greenaway (escrito por), Sei Shonagon (livro)
» Gênero: Drama/Romance
» Origem: França/Holanda/Reino Unido
» Duração: 126 minutos

20 setembro, 2008

O casulo de nós mesmos



Por Solange Pereira Pinto




O livro “Seda”, de Alessandro Baricco, escrito em 1996, é inexplicavelmente lindo. A alegoria, construída com maestria, nos faz sentir como os bichos da seda a tentar virar mariposas. O texto, tramado como as voltas das mãos de um ilusionista, surpreende. “Uma vez tivera entre os dedos um véu tecido com fio de seda japonesa. Era como ter entre os dedos o nada”.

Narrativa breve. Concisa. Não sobra e nem falta. Encanta. Tal qual a borboleta para nascer, Hervé Joncour, protagonista, segue seu destino com uma naturalidade que pode beirar ao nada. Como o cair de uma tempestade... “Era, além disso, um daqueles homens que amam observar a própria vida, julgando imprópria qualquer ambição de vivê-la”.

Baricco empresta à obra uma composição melodiosa do ritmo da prosa à escolha dos nomes de lugares, das personagens, dos detalhes; aspecto talvez influenciado por sua formação musical.

O recurso da repetição de trechos ampliados e sutilmente modificados dá no leitor a impressão de rotina, de "mundo que gira em torno de si mesmo”, de bicho a se revirar dentro do casulo para confeccionar o fio da seda.

A pacata Lavilledieu, o visionário-idealista Baldabiou, o instigado Hervé Joncour, o misterioso Japão e Hara Kei, e o contraponto feminino de Hélène, a menina dos olhos sem corte oriental, Mme. Blanche fazem as imagens sensoriais de Baricco correrem no sangue do leitor. São pequenos e certeiros picos na veia embriagando, inebriando... até o fim do mundo.

A seda. Os segredos. A sedução. “Esperou longamente, no silêncio, sem mover. Depois, lentamente, retirou o pano molhado dos olhos. Já não havia quase luz, no cômodo. Não havia ninguém, ao redor. Levantou-se, apanhou a túnica que jazia dobrada no chão, colocou-a sobre os ombros, saiu do cômodo, atravessou a casa, chegou diante de sua esteira e se deitou. Pôs-se a observar a chama que tremia, diminuta, na lanterna. E, com cuidado, parou o Tempo, por o todo o tempo que desejou. Foi um nada, depois, abrir a mão e ver aquele papel. Pequeno. Poucos ideogramas desenhados um embaixo do outro. Tinta preta.”

Disse Walter Benjamin que “toda ordem é precisamente uma situação oscilante à beira do precipício”. Lá estava Joncour. Dedilhando a seda. “Tinha atrás de si uma longa estrada de oito mil quilômetros. E diante de si o nada. De repente viu aquilo que julgava invisível. O fim do mundo”.

A rotina caminha, se repete trecho a trecho. Num átimo algo que muda... Para iludir uma rotina que insiste em se repetir... Assim como nós nos insistimos. Uma dor estranha. Tentar sair do casulo de nós mesmos... para chegar ao fim do mundo.



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Brasília, chuva fina sobre o cerrado, 20 de setembro de 2008.



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Sinopse

Na França de 1861, a tranquilidade do jovem Hervé Joncour, comerciante de ovos de bicho-da-seda, é abalada quando uma epidemia assola a criação dos fiadores europeus e o obriga a procurar a preciosa mercadoria no Japão, a milhares de quilômetros de Lavadieu, onde vivia com a mulher Helène. Começa, então, um novo ciclo em sua vida. Em viagens perigosas, repletas de descobertas e sofrimentos indizíveis, Hervé muda pouco, mas sente fortemente o antagonismo de culturas e a intensa atração pelo desconhecido.

17 setembro, 2008

Inventário do mundo: Arthur Bispo do Rosário e Peter Greenaway









por Maria Esther Maciel



Toda ordem é precisamente uma situação oscilante à beira do precipício.
Walter Benjamin




Aproximar artistas de contextos radicalmente distintos e com histórias de vida não menos dissonantes não deixa de ser um exercício de imaginação. Sobretudo quando não há pontos de interseção entre suas trajetórias criativas, nem evidência de qualquer diálogo explícito entre eles que possa justificar possíveis afinidades. Este é o caso da aproximação que tentarei estabelecer entre o artista brasileiro Arthur Bispo do Rosário e o cineasta britânico Peter Greenaway, à luz de alguns escritos de Jorge Luis Borges.

Advindos de culturas inteiramente diversas, criando a partir de condições sociais e de motivações estéticas contrastantes, Bispo e Greenaway encontram-se, entretanto, no mesmo apreço pelas taxonomias e enumerações impossíveis, compartilhando uma certa cumplicidade em relação ao que Borges chamou de "la tarea de dibujar el mundo".


Não foi à toa que Greenaway (foto), em seu primeiro contato com a obra de Bispo, em agosto de 1998, quando esteve no Rio de Janeiro para a exibição da ópera "100 Objetos para Representar o Mundo", reconheceu as afinidades de seu próprio trabalho com o do artista brasileiro – este um ex-pugilista, ex-marinheiro e ex-empregado doméstico, negro, psicótico, nascido em 1909. "Ele é mais obsessivo do que eu; a obsessão dele é infinita" – admitiu Greenaway – à medida que percorria o vasto acervo dos trabalhos de Bispo, composto de quase mil peças criadas ao longo de cinqüenta anos de confinamento do artista em uma instituição psiquiátrica.

Essas peças, que vão desde objetos avulsos, como navios de madeiras ou uma roda de bicicleta, até assemblages, fardões, fichários, faixas, panôs, coleções de miniaturas, tabuleiros com peças de xadrez e um majestoso manto bordado, dentre vários outros artefatos, compunham o que o próprio artista designou de "registros sobre minha passagem sobre a terra", um catálogo de todas as coisas do mundo, que, segundo ele, seria apresentado a Deus no dia do Julgamento Final.

De meados dos anos 50 até sua morte em 1989, Bispo se dedicou, com grande afinco e extraordinário senso de rigor, à sua missão, convicto de que tinha sido o escolhido de Deus para reconstruir o mundo após o fim de tudo, repovoando a terra com seus "objetos mumificados" e suas listas infinitas de nomes e imagens bordadas sobre panos ordinários. Buscava sua matéria prima no cotidiano mais imediato, nos redutos marginalizados da pobreza, no agora de sua própria experiência: sapatos, canecas, pentes, garrafas, latas, ferramentas, talheres, embalagens de produtos descartáveis, papelão, cobertores puídos, madeira arrancada das caixas de feira e dos cabos de vassouras, linha desfiada dos uniformes dos internos, botões, estatuetas de santos, brinquedos, enfim, tudo o que a sociedade jogou fora, tudo o que perdeu, esqueceu ou desprezou. Compôs, a partir desse entulho, uma narrativa visual de sua passagem pelo mundo, uma narrativa ordenada segundo as leis mais rigorosas da taxonomia e, ao mesmo tempo, atravessada pelo movimento espontâneo da imaginação. Nela, como explica Eliana Lourenço em ensaio sobre o artista, Bispo deixou inscrito o seu "desejo de buscar uma compreensão da ordem cósmica e de reordenar a vida".

Difícil não comparar esse trabalho de catalogação com o que, segundo a mitologia bíblica, Noé realizou mediante a ameaça do Dilúvio. Considerado por estudiosos da taxonomia como o primeiro colecionador da história da humanidade, o primeiro – segundo John Elsner e Roger Cardinal – a sofrer a "patologia da completude a todo custo", Noé converteu o ato de inventariar todas as criaturas da terra em um antídoto contra a destrutividade do tempo e da morte. Sua paixão foi colocada a serviço da salvação do mundo, como a de Bispo do Rosário. Com a diferença de que, para Bispo, o mundo não se afigurava de forma naturalizada, mas artificialmente moldado a partir do que nele foi depositado pela cultura. Interessava-lhe, particularmente, coletar a multiplicidade das coisas fabricadas e das nomenclaturas que as acompanham. Ou como ele mesmo dizia, "o material existente na terra dos homens". Para depois, ordenar tudo, fazer tudo coexistir em um todo finito, a partir de uma lógica desconcertante, na qual se conjugam, paradoxalmente, a lucidez e o delírio.

Lembrando, de certa forma, algumas classificações borgeanas, como a que caracteriza, por exemplo, a famosa enciclopédia chinesa descrita no ensaio sobre John Wilkins, as coleções de Bispo apresentam, na forma como são organizadas, uma ordenação que aponta, simultaneamente, para os modelos taxonômicos sistematizados pelos códigos reconhecidos de classificação e para uma maneira particular de captar, como diria Foucault, "por sob as diferenças nomeadas e cotidianamente previstas, os parentescos subterrâneos entre as coisas, suas similitudes dispersas". Ou, num plano inversamente simétrico: captar, por sob as semelhanças explícitas, as diferenças invisíveis entre os objetos repetidos de uma série. O resultado de todo esse processo, que tem como função alegórica representar a complexa sintaxe do mundo, não poderia ser senão a fragmentação dessa mesma sintaxe, a revelação da vertigem caótica da realidade circundante.

Jean Baudrillard, em ensaio sobre o ato de colecionar, diz que todo objeto, ao ser colecionado, deixa de ser definido pela sua função para entrar na ordem da subjetividade do colecionador. Abstraído de seu contexto, perde sua presentidade, desloca sua temporalidade para a espacialidade de um repertório fixo, no qual a história é substituída pela classificação. Nesse sentido, colecionar se converte em uma forma de enclausurar o objeto, des-historicizá-lo, de maneira que seu contexto seja abolido em favor da lógica sincrônica da coleção.

No caso de Bispo de Rosário, entretanto, isso se dá de forma mais complexa. Seus objetos, mesmo que desvestidos do caráter funcional e descartável, ao serem subjetivizados pela posse e pela criatividade do artista, passam a dizer muito mais de seu contexto do que quando ocupavam simplesmente o espaço utilitário de suas funções imediatas. Eles adquirem uma linguagem, convertem-se em metonímias do próprio contexto de que foram tirados. As coleções de Bispo arrancam o objeto de sua própria inércia, dão-lhe um nome, um lugar e uma história. Ao mesmo tempo em que se configuram como registros de um tempo, de uma vida e de um contexto marcados pela pobreza, pela loucura e pela exclusão, elas se transfiguram em metáforas sempre renovadas do mundo, confirmando as palavras de um outro artista, Hélio Oiticica, segundo o qual "o objeto é a descoberta do mundo a cada instante".

Isso se constata sobretudo quando tomamos os objetos avulsos de Bispo, verdadeiros ready-made, que guardam visíveis semelhanças com certos artefatos de Marcel Duchamp, como a roda de bicicleta, por exemplo, sem que haja por parte do artista brasileiro qualquer dívida para com o artista francês.
E por um motivo muito simples: Bispo nem mesmo sabia da existência de Duchamp. Sua história não lhe permitiu entrar no mundo intelectualizado dos movimentos estéticos, dos salões de arte, dos espaços privilegiados do saber letrado. Mal sabia escrever, apesar dos impressionantes textos que bordou, das inúmeras listas de nomes que escreveu e dos mapas detalhados que traçou em seus estandartes de pano.

Completamente alheio aos movimentos estéticos que, nos anos 50 e 60 fervilhavam nos meios culturais brasileiros e internacionais, dialogava, sem saber, tanto com os experimentos internacionais da chamada Pop Art, quanto com algumas expressões da neovanguarda brasileira que, na época, ganhava espaço sobretudo no cenário cultural carioca. Mesmo na claustrofobia de seu confinamento psiquiátrico, Bispo manteve uma inexplicável sintonia com o seu próprio tempo, chegando a antecipar também alguns aspectos da arte contemporânea. Como afirma o crítico de arte Frederico Morais, um dos maiores divulgadores da obra do artista:

"Sem que algum dia tivesse saído de sua cela para visitar exposições ou folhear revistas de arte em alguma biblioteca sofisticada, Bispo fez nos anos 60 assemblages como as de Arman, Cesar, Martial Raysse e Daniel Spoerri, integrantes do Novo Realismo. (...) A lógica formal com que Bispo envolve seus trabalhos antecipa certos aspectos da nova escultura inglesa, de um Tony Cragg, por exemplo. (...) Os textos costurados de Bispo lembram os manuscritos de Joaquim Torres-García, nos quais ele funde palavra e imagem. (...) O manto e as demais roupas de Bispo remetem aos parangolés de Hélio Oiticica, tanto quanto sua cama-nave assemelha-se à casa-ninho de Oiticica em sua residência nova-iorquina ou ao Éden que ele expôs em Sussex, Inglaterra."

Como não retornar aqui, aproveitando a lista de Morais, às similitudes dissonantes entre a obsessão de Bispo por catálogos, enumerações, mapas e nomenclaturas e a de Greenaway, que através de seus filmes, trabalhos de artes plásticas, óperas e escritos ficcionais, também tem se dedicado à tarefa de converter o mundo em uma grande enciclopédia, valendo-se dos sistemas racionais de classificação e mostrando, ao mesmo tempo, os pontos em que tais sistemas transbordam e se rompem?


Vale lembrar que o que mais chamou a atenção de Greenaway em relação à obra de Bispo, durante sua já referida visita ao Museu Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, foi precisamente o uso criativo que o artista brasileiro fez das taxonomias, a forma como ele parece "zombar um pouco com a mania dos intelectuais de catalogar tudo, de transformar o mundo em verbetes de enciclopédia".

Com tal observação, Greenaway – um eterno seduzido pelos "excitements of research, collection and collation" – não apenas marca a sua cumplicidade oblíqua com a obra do artista brasileiro, como também define o seu próprio gesto catalogador. Um gesto que não se define necessariamente pelo objetivo ilusório de completude, mas pela necessidade crítica de mostrar como os princípios legitimados de organização, sejam alfabéticos, numéricos, estatísticos, cartográficos, tendem a se tornar fins em si mesmos.

Desde os seus primeiros pseudo-documentários, como "Windows", em que faz, pela via do nonsense, um estudo estatístico de casos de defenestração, "H is for House", em que leva ao infinito as possibilidades e impossibilidades da nomenclatura, ou "Act of God", em que levanta uma lista insólita de casos de pessoas atingidas por raios, Greenaway vem jogando ironicamente com as taxonomias, conjugando as regras de classificação com as leis paródicas da ficção. Para não falar aqui de seus longa-metragens, todos eles estruturados em forma de catálogos narrativos, de cuja simetria rigorosa emerge, paradoxalmente, uma lógica desordenadora e muitas vezes absurda.
Poderíamos citar ainda seus trabalhos de artes plásticas e, especialmente, os de curadoria, como o que teve como título "Some Organising Principles", uma exposição em Wales (1993), na qual, através de obras selecionadas, criou uma espécie de história sincrônica da taxonomia, do século XVII à época contemporânea. Em todos esses trabalhos, Greenaway não busca senão constatar o caráter ilusório de toda tentativa de ordenação do mundo, de todo impulso de se colocar, como quis Mallarmé, o mundo inteiro em um Livro.

É nesse sentido que Greenaway (e, por extensão, Bispo) também poderia ser associado a Borges, dado o conhecido apreço de Borges pelas séries temáticas, combinações insólitas, listas e categorizações. Bastaria mencionarmos o modelo taxonômico que o escritor argentino usou na delirante descrição do mundo enciclopédico de Tlön, o planeta "donde abundan los sistemas increíbles", na enumeração dos catálogos infinitos da "Biblioteca de Babel", na explicação do idioma analítico de John Wilkins, e ainda nos verbetes insólitos do bestiário Manual de zoología fantástica. Em todos esses textos, "há uma reversão do típico uso épico de catálogos e listas", como apontou Flora Sussekind, visto que Borges não almeja necessariamente classificar racionalmente a realidade ou o universo, mas revelar o caráter arbitrário de todos os sistemas de classificação. Seus catálogos e listas seriam, portanto, "auto-anulatórios", por se basearem no famoso princípio do próprio autor, segundo o qual "não há universo no sentido orgânico, unificador, que tem essa ambiciosa palavra". E se em Greenaway este gesto crítico se repete é porque suas conjeturas sobre o que Borges chamou de "secreto dicionário de Deus" também não almejam tornar o caos do mundo mais legível, mas evidenciar o impossível de sua organicidade e unidade.

Não seria descabido dizer, portanto, que o cineasta britânico busca chegar, pelas vias transversas da ironia, ao que Bispo do Rosário alcançou, de forma espontânea, com a força da imaginação: revelar, através das ordenações taxonômicas, a desordem e a multiplicidade do mundo. E é nesse sentido que ele transforma em projeto o que para Bispo foi uma missão.

Isso pode ser visto, de forma explícita, na já mencionada ópera-instalação, "100 Objetos para representar o Mundo", escrita e co-dirigida por Greenaway, com música de Jean-Baptiste Barriére. Definido como uma "opera-prop" (prop, em inglês é um termo do teatro que significa acessórios do contra-regra, adereços), o trabalho é uma paródia da história das duas naves Voyager que, contendo mais de uma centena de imagens e arquivos sonoros, foram enviadas ao espaço pelos norte-americanos, em 1977, com o propósito de mostrar a eventuais extra-terrestres a existência da Terra. Como argumenta o próprio Greenaway, é provável que tal material representativo, compactado em um espaço restrito, tenha se limitado às referências culturais da década de 70 e à visão subjetiva de um grupo de "americanos brancos, de classe-média, com formação científica, e talvez com arrogantes ideais democráticos e atitudes paternalistas em relação ao resto do mundo".

Com o visível propósito de ironizar tal empreendimento, Greenaway cria a sua própria lista, inventariando um número limitado de objetos (concretos e abstratos) que, em sua opinião, poderia simbolizar e descrever (ironicamente, é claro) a multiplicidade inumerável das realizações do homem e da natureza na terra. Tais objetos, que vão desde o mais prosaico guarda-chuva ou uma coleção de sapatos até figuras representativas do imaginário cultural do Ocidente, como Adão e Eva, "A Vênus de Willendorf", "O chapéu, o casaco e a pasta de Freud", são recolhidos de temporalidades e culturas diversas (dependendo do país onde a ópera é apresentada, a lista passa a incorporar símbolos locais) e dispostos no espaço serial de um catálogo multimídia, cuja finalidade principal não difere da de outros projetos taxonômicos do artista: desqualificar todo e qualquer esforço humano de representação racional do mundo. Uma lista que atesta não apenas a nossa diversidade, mas também a nossa vulnerabilidade, nossa irrelevância e nossa megalomania, tornando-se, portanto, crítica de si mesma e de sua própria pretensão.

Para a apresentação de tal lista, Greenaway converte o palco em uma espécie de sala de exposição, onde alguns objetos são dispostos segundo a lógica curatorial do diretor. Elementos cinemáticos e teatrais contribuem para o impacto visual do espetáculo, pois à medida que os cem objetos vão sendo apresentados em uma seqüência narrativa, uma profusão tecnológica de vozes, luzes, textos e imagens projetadas sobre o palco satura o espaço de signos, apontando para a impossibilidade de se esgotar a pluralidade de referências que circunda culturalmente cada "objeto" apresentado. Um projeto enciclopédico, sem dúvida, que guarda similitudes com certos projetos literários de autores contemporâneos que também fizeram de suas obras verdadeiras enciclopédias ficcionais. Enciclopédia, aqui, entendida não como um conjunto fechado e definitivo, mas como uma totalidade incompleta, conjetural, multíplice. Como é também a obra de Bispo, feita de um saber não legitimado socialmente, fora da ordem canônica da cultura erudita e, portanto, em estado de deslocamento, de novidade e de alteridade radical em relação aos modelos enciclopédicos conhecidos.

Umberto Eco, ao comparar o dicionário à enciclopédia, chama a atenção para o princípio de "semiose ilimitada" que define o modelo enciclopédico. Segundo ele, a enciclopédia, ao contrário do que almejaram os filósofos iluministas, não reflete de modo unívoco e racional um universo ordenado, mas fornece regras, em geral "míopes", para que, "segundo algum critério provisório de ordem", se busque dar sentido a um mundo desordenado ou cujos critérios de ordem nos escapam. Nesse sentido, tal modelo destoaria do de dicionário, por excluir definitivamente, segundo Eco, "a possibilidade de hierarquizar de modo único e incontroverso as marcas semânticas, as propriedades, os semas". Em suas palavras:

"O conhecimento enciclopédico seria de natureza desordenada, de formato incontrolável, e praticamente deveria fazer parte do conteúdo enciclopédico de cão tudo o que sabemos e poderemos saber sobre os cães, até a particularidade por que minha irmã possui uma cadela chamada Best – em suma, um saber incontrolável até para Funes, o Memorioso."

Como vimos, os objetos apresentados por Bispo em suas coleções são visivelmente enciclopédicos, pois abrangem toda a esfera das matérias a que o homem empresta uma forma. Eles compõem, em conexão com os inúmeros textos, desenhos, mapas, em geral bordados em roupas e estandartes, um mundo desordenado pelas suas próprias regras de organização, através do qual o artista busca dar um sentido à sua própria realidade. É interessante observar ainda o fato de que vários de seus objetos também aparecem na ópera de Greenaway, como os sapatos em série, uma coleção de moedas, a cadeira-de-rodas, o guarda-chuva, a cama, o barco, a boneca, o lixo, objetos de uso doméstico, além dos mapas, textos e das listas intermináveis de palavras começadas com uma determinada letra do alfabeto. O que confirma, mais uma vez, as imprevistas afinidades entre os dois.

Na interseção entre esses dois artistas que nunca se encontraram, cada um cria uma forma distinta (porque subjetiva e cultural) no ato comum de inventariar o mundo. Se, por um lado, a subjetividade de Greenaway é a da consciência irônica, lapidada pelo exercício diário de uma lucidez que, de tão lúcida, revela sua própria vertigem, por outro, a de Bispo advém de uma cumplicidade visceral com a experiência, com o agora de seu próprio corpo, de sua loucura e de sua realidade.
Enquanto um busca sua matéria-prima no espaço canônico da cultura ocidental, o outro recolhe a sua da precariedade material de sua existência cotidiana. Um faz do rigor um delírio; o outro extrai do delírio o rigor. Ambos mostram, por caminhos inversos, que a desordem não deixa de habitar qualquer de nossas tentativas de apreensão totalizadora do mundo, visto que o paradigma da construção e reconstrução dos mundos míticos, místicos, estéticos e até mesmo científicos, é sempre, como aponta Félix Guattari, o da "narratividade delirante". E isso é o que também Borges parece nos dizer em seus textos, como neste que fecha o seu livro El hacedor, e que reproduzo aqui, a título de conclusão :

"Um homem se propõe a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naus, de ilhas, de peixes, de moradas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu próprio rosto."

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Maria Esther Maciel (Minas Gerais, 1963). Poeta e ensaísta, publicou livros como As vertigens da lucidez: poesia e crítica em Octavio Paz (1995), Borges em 10 textos (org., 1998) e Triz (poemas, 1998). Ensaio originalmente publicado em Poéticas da diversidade (org. Marli Scarpelli e Eduardo Assis Duarte, 2002). Contato: esthermc@letras.ufmg. Página ilustrada com obras do artista João Câmara (Brasil).