02 setembro, 2006

Foto da madrugada



Título: Apocalipse embriagado
Autora: Solange Pereira Pinto
Técnica: Fotografia
Data: 01/setembro/2006
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18 Explicações necessárias:
1) O título das fotos é de Walmor P.
2) A tulipa não era de plástico como se pensava no início da noite.
3) Quem quebrou a taça? Bom, sei que eu não quebrei nada.
4) O garçom suspendeu temporariamente o chopp de quem quebrou a tulipa.
5) Estávamos no Armazém do Ferreira.
6) Choveu hoje, e muito. Que bom!
7) Bebemos o suficiente. Ou não?
8) Por que a gente é assim? A pergunta que não quer calar.
7) Uns tiveram 230 % de aproveitamento.
8) Outros menos 55% de aproveitamento, como no Canadá (quase sempre negativo).
9) Esta noite, ainda assim, foi maravilhosa.
10) A turma do Marcelino é bem legal. Ele, então, sem comentários.
11) Pagamos uma conta. Abrimos outra conta.
12) Falamos sobre plumagens e charlatanismo, entre outros.
13) Frase da noite: "Sou um velho colecionador de retalhos de boas histórias (Walmor),
14) Descobri que alguns blogs têm senha (estranho isso!).
15) Lourenço achei o caderninho laranja.
16) Niguém mandou mensagem de celular durante a madrugada.
17) Estou com insônia.
18) Amanhã tem mais.

Lançamentos

Não percam neste sábado (2/9) na Feira do Livro (Pátio Brasil) os lançamentos do livros:


Rapunzel (Autor Gladstone) às 18h, no estande da Secretaria de Cultura do DF.


Quase um dia” e “Na curva de um rio, mungubas” (Autor Marcos Freitas com imagens de Manoela Afonso), às 20h.




Estarei por lá...bjim

01 setembro, 2006

Marcelino Freire na Feira do Livro

Fotos e textos por Solange Pereira Pinto

Marcelino Freire
Maravilha! Ouvir Marcelino Freire na Feira do Livro Brasília (1/9), nesta seca capital federal (que hoje acredite choveu), é o mesmo acolher o seu estribilho Êta danado! Simpático, simples, informal, inteligente. Ele é assim. Maroto, fala, ri, comenta e se despe. Sem pieguice, se solta como em seus contos num sacolejo. “Cresci ouvindo minha mãe bater panelas. Agora também quero bater panelas nos ouvidos dos outros”.
Para Marcelino, a literatura tem que sacudir, remexer poeiras, levantar o tapete. Literatura sem perturbação? É qualquer outra coisa. E, completa, “tenho uma goteira no meu juízo, e tenho que fazer algo com ela”. Escrever um conto pode ser traduzir uma ladainha e formar um canto. Marcelino interpreta, tece as palavras em melodia.
“Escrevo porque gosto de escutar”. Não restam dúvidas de que sua escuta é tão forte que reverbera. Lá vai ele, recitando, cantando seus contos, e deixando um rastro de som que teima em repetir. Seu texto ecoa e nos cai como gotas insistentes, inquietantes, feito coro. Êta danado!





Escondida no terraço (uma resenha)



Pow! Pow! Foi seco. Preto e Branco. Simples? Duplo. Duro. Não entendia aquela impulsividade. Compulsiva. Misturava medo, vergonha e prazer. Olhava de longe e não acreditava. Danado. Eu tentava negociar. Saravá. A menina gritava. Mãeeeeee! Pára! Calma. Respire fundo. Oh mãeenhe! Psiuuu! Silêncio, gente. Silêncio! Por favor, assim as coisas vão piorar. Virei refém. Vai...continua...anda... Aquela capa apontada para minha cara. Não tinha forças para reagir. Onde me esconder? Talvez debaixo da cama. Ou no banheiro? Havia passado uma hora. Palpitação passando pela garganta. Minhas idéias pelos poros. “Hein seu branco safado? Ninguém aqui é escravo de ninguém”, berrou. Ele veio de Sertânia, interior de Pernambuco e chegou em São Paulo. Sabe das coisas. Até do que não sabe, sabe. Se chama Marcelino. Sua origem afiou o olhar. A cidade grande a língua. O tempo as idéias. Negreiros bem ali na minha frente. Forte. Intenso. É o porta-voz. Confessa. Dubla. Denuncia. Meus olhos não piscavam. Eram agora lentes coletoras. As desigualdades. Os preconceitos. As marcas. Os fingimentos. A violência. O silêncio. A vida e a morte severina. Urbana. Intestina. Rural. Favelada. Panorâmica. Ainda assim não perdia a sensualidade. O sexo. O tesão. Lembrei das covardias. Das contradições. Das sacanagens assentidas. “Devia nascer sem coração”, ele sussurrou. Passa logo mulher! Anda. Falta pouco! Minha agonia de chegar ao fim sambava entre meus dedos. Num descuido, corri. Fui para o terraço. Escondida nas alturas. Recostei-me nas barras de ferro. Enferrujadas. Olhei para cada lado. Abaixei os olhos. Trêmula. As páginas saltavam. Ligeiras. Lidas. Refletidas. Impressionadas. Finalmente estava a sós com “Contos Negreiros”. Na boca o gosto de vida de morte. Olhei do sexto andar para baixo. Salivei o cotidiano. Onde estão seus outros livros Marcelino Freire? Agora que estou aqui, mais perto das nuvens e do inferno. Com tempo para ver a lua saltar.

Mal de montano

Imagens e textos por Solange Pereira Pinto

O encontro do grupo Mal de Montano,

no Balaio Café, foi proveitoso.

Falamos de encontros literários.

Discutimos sobre plágio. Textos.

Brevemente faremos um sarau. Aguardem. bjims


Carppaccio de abacaxi

Uma das delícias do Balaio Café:

Rodelas bem finas de abacaxi.

Regadas com gengibre, cravo, canela e hortelã.

Cobertas com creme branco (segredo do Cheff).

Hummm. Só não gosto do cravo.

Mas vale experimentar.

Bom apetite!


Havia uma turma com violão.

A música estava animada!

Foi uma noite deliciosa!

Até outra, bjim

31 agosto, 2006

O grito e o silêncio


Roubando gritos, silêncios ganhos
Por Solange Pereira Pinto
Fico pensando o que significa roubar um grito. É, isso mesmo. Furtar um som penetrante, voluntário. Aquele emitido com força, um berro, um brado, como diria Houaiss. Ou larapiar um clamor, um alarido. Talvez surrupiar uma opinião forte, proclamada, um protesto veemente. E se apossar de um grito de dor, de angústia? Alguém se habilita? Apelos gritados bem sei que não são lá bem ouvidos (neste país de surdos). Ou nos faltam gritos dignos de primeiras páginas? Eu mesma tinha um blog “Se for preciso grite”. Abandonei, pois eram gritos travados de tecnologia limitada. O que dizer então dos silêncios. Aqueles arracandos à força. Vilipendiados, vendidos, forjados. Assim como os gritos. Vamos lá.

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Mas, finalmente acharam O Grito (foto), um dos mais famosos quadros do pintor expressionista norueguês Edvard Munch (1863-1944). A tela foi roubada em 2004 e foi encontrada pela polícia de Oslo. Segundo matéria, em 2005, o roubo de "O Grito" e Madonna" apareceu em quarto lugar numa lista do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, entre os dez maiores crimes cometidos contra as artes no mundo. Dizem que o setor criminoso das artes movimenta por ano entre R$ 1 e R$ 2 bilhões.

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Ninguém é de ninguém quem é de quem

Deduz-se daí que roubar gritos pode render dinheiro, grana alta. É por isso que tantos blogueiros estão preocupados e temerosos. Precisam decidir: se seus gritos ficarão presos na garganta (no silêncio, na mente), ou ganharão outros ouvidos, o mundo, de forma solta (livre) ou pelo menos presos às coleiras de seus donos (autoria, aspas e direitos autorais).

O plágio entra nessa discussão. Recentemente, houve o caso do blog Querido Leitor de Rosana Hermann que foi plagiado por Miltinho Cunha. Um caso que vai para a polícia.



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Por outro lado, há silêncio que ensina. Diz a notícia que o russo Grigory Perelman (foto), 40 anos, levou 10 anos para resolver a conjectura de Poincare (que descreve o formato do universo e intriga especialistas há 100 anos) e por isso ganhou um dos maiores prêmios mundiais de matemática ao resolver um dos sete “problemas do milênio”.


Perelman, que divide o aluguel de US$ 74 com a mãe e está desempregado desde dezembro, recusou o prêmio de US$ 1 milhão a ser entregue pelo próprio rei da Espanha e alega que não fez nada de extraordinário. "Eu não acho que eu seja de interesse público", disse o matemático ao London Telegraph.

"Eu não falo isso por causa da minha privacidade, não tenho nada a esconder. Só acho que o público não deve se interessar por mim. Jornais deveriam ter mais discernimento sobre o que publicar, deveriam ter mais requinte. Até onde eu sei, não ofereço nada que acrescente à vida dos leitores", completou.


Depois de 10 anos de trabalho, o modesto Perelman, ao invés de publicar seu achado em um importante jornal, jogou tudo em uma página da Internet, para que todos tenham acesso. "Se alguém tiver interesse na solução do problema, está tudo lá. Deixe-os pesquisar livremente."


Perelman vive recluso em São Petersburgo e mantém-se afastado da mídia. "Publiquei meus achados. É isto que ofereço ao público." A solução do problema pode ser vista nos sites aqui, aqui também, e ainda aqui . Devido ao tráfego intenso, pode haver instabilidade no acesso aos links.

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São inevitáveis as reflexões. Colocarei depois o texto que elaborei sobre "plágio". Agora o "Mal de Montano" me aguarda. Boas reflexões e comentem: "O que você acha do plágio?"

bjuns

Solange

Blog day (31/08)




Hoje é o Blogday. Soube desse dia porque fui “encontrada” pelo César, do Fudeblog, neste universo virtual. Ele olhou, gostou de Idéias e Ideais e pimba, postou lá uma recomendação a este blog. Legal, né? Por isso, vou fazer o mesmo e escolher outros blogs (que não indiquei ainda) para selar o dia:


Café Docente – é um blog feito por professoras. Inteligente e bem-humorado faz verdadeiras críticas (fundamentadas) ao ensino superior. Um verdadeiro circo!


Mulheres Fêmeas – Além do humor da Rosângela, encontramos um texto leve recheado de literatura e cotidianos. Muito bom.

Proseando –Para quem gosta de reflexões, conheci hoje (me visitando) e confesso: é muito interessante. Vale conferir o blog da Juliana.

Impostor – Vaculhando aqui e ali encontrei o impostor. Fala de filmes, livros, teatro e, claro, o mundo real. Vamos lá?

Lé-ri-bi – É um blog muito divertido. Danielle sabe contar a vida como ela é.
Boas visitas!
Feliz Blog Day!
Mais informações sobre blogday: vejam no Fudeblog

30 agosto, 2006

Balaio Café encontro de escritores

Na próxima quinta-feira (31/08), a partir das 20h, um grupo de escritores de Brasília se reunirá no Balaio Café na 201 norte. O grupo "Mal de Montano" é formado por uma geração de contistas, poetas, cronistas que se interessam pela troca literária e pela interatividade entre os atuais produtores de textos da cidade. Publicaremos depois os resultados desse encontro. Aguarde!

29 agosto, 2006

Feira do Livro de Brasília

Fotos e texto por Solange Pereira Pinto



A 25ª Feira do Livro de Brasília começou sexta-feira (25/8). Ontem passei por lá. Confesso que para um domingo à tarde achei o evento muito vazio. Esperava encontrar mais gente e produções culturais. Mas, sabemos que livro não é lá uma coisa que atrai muitas pessoas em nosso país. Melhor pagode, futebol e cerveja. Se fosse um sertanejo na Esplanada estaria lotado. Talvez certo esteja Octávio Paz “a sociedade expulsa aquilo que não pode assimilar”.





O ponto alto da feira (apesar do calor insuportável do “museu”) é a exposição “Evolução da Escrita”, projeto Sesc/DF que mostra os percursos da escrita desde sua origem até os tempos de internet. São 200m² de textos e imagens apresentando que a “escrita surge da necessidade do homem de se expressar tornando-se mais poderoso instrumento de sua evolução pela transmissão e perpetuação dos conhecimentos, bem como facilitador da comunicação e interação social”. Uma opção interessante para crianças também.





No Café Literário, assistimos Ronaldo Cagiano falar sobre a Antologia (que ele organizou) reunindo 100 contistas de Brasília. No encontro, Cagiano explicou os critérios que utilizou na seleção dos autores, enfatizando a qualidade textual e o fato de morar em Brasília. Junto a ele estavam outros escritores integrantes da coletânea, que puderam falar um pouco sobre o que é a qualidade em um texto literário. Características como qualidade da linguagem, concisão, e narrativa bem elaborada foram destaques. Assim como, a maioria concordou que a análise sempre passará pelo “juízo de valor” daquele que seleciona. Ou seja, qualidade acaba sendo algo mais subjetivo que mensurável objetivamente.







Neste ano o homenageado é Mário Quintana que se descrevia assim “nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora me pedem que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade”.


Espelho

Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...)
Parece meu velho pai - que já morreu! (...)
Nosso olhar duro interroga:
O que fizeste de mim? Eu pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga... Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste...


(Mário Quintana)








No mais a feira é praticamente a mesma de todos os anos. Um pouco piorada. Cheia de estandes de livrarias querendo vender. Vender. Vender. Caixas no chão e estandes lotados de livrinhos infantis de baixíssima qualidade, daqueles com muitas figuras óbvias, textos incompletos e superficiais, por cinco reais, para atrair o fundo que o GDF liberou para as escolas. Tudo made in China. Uma farsa! Pouca programação cultural. As mesmas figurinhas circulando. Uma feira escassa de novidades interessantes. Poucos acervos. Por exemplo, encontrar o livro de Marcelino Freire - Contos Negreiros - premiado Jabuti não foi nada fácil. Atendimento ruim. Será influência do mês? Brasília nesta época é muito seca. Mas outros convidados atuantes virão por ai. Vamos conferir!

28 agosto, 2006

Do Gates ao Bucaneras...por que hoje é sábado

Imagens e texto por Solange Pereira Pinto



Semana finda. Noite de sábado. Pensamentos cruzando fios. Telefonemas insistentes. Muitos ainda mudos. Silêncios opcionais. Solidões compulsórias. TVs acesas. As possibilidades cadentes, feito estrelas. Bar? Boate? Pub? Festa? Vídeo-locadora? Cinema? Edredom? Motel? Calmante? Antidepressivo? As ruas largas do Eixão abrigam faróis em oposição. Vestido ou saia? Blusa pólo, camisa ou camiseta? Sutiãs e cuecas selecionadas. Os solteiros se preparam. Alguns casados mais afoitos também. Casais inteiros idem.

O roteiro da dúvida se traça. Vamos no mesmo carro? Pego você em meia hora? Seu cartão tem crédito? Mãe cadê meu sapato rosa? Elisabeth já falei para você não usar meu perfume todos os dias. Ih, o creme de barbear acabou. Essa meia tá furada porra. Caretas no espelho. A cidade está inquieta. As filas se formam. Bonés. Carecas. Escovinhas. Chapinhas. Cabeludos. Cachos. Celulares nas orelhas. Brincos também. Cera quem sabe? Dialetos ocupando os ares. Carros em filas duplas. Manobristas. Buzão. Carona. Metrô. Táxi. Finalmente decidem. Gates. Rock. Tum. Tum. Tum. Pam. Pam Pam. Yeah. Yeah.

Bebidas se atropelam nos balcões. Sorrisos se desencontram. Olhares se perdem. Bocas se acham. Mãos tateiam. Beba mais. Beba menos. Vodkas lambendo vinhos. Chopps. Água. Tum. Tum. Tum. Desejos caindo na pista de dança. Corpos à procura de prazer. Sacolejantes. Paralisados. Alternantes. É madrugada. De repente um vazio. Onde foi parar aquela gata morena? Cadê aqueles olhos azuis da última música? E o… O número de gente diminui. A conta cresce. Parada obrigatória. Aplicar o plano B. Bucaneras. Dancing. Tam. Tam. Tam. Pem. Pem. Pem.

Suores. Horrores. Tropeços. Gargalhadas. Vista ao longe. Esbarrões descuidados. Esbarradas escolhidas. Oi. Oi. Tudo bem? Tudo bem. Plano C. O ataque. Vencem. Perdem. Desistem. Sobram. Soldados em final de batalha. Guardanapos molhados. Copos esquecidos. Trincheira vazia. Todos camuflados. Míopes. Falas atrapalhadas. Solidariamente se unem. Comunicação ébria. Quase manhã. Acerto de contas. Fechamento de caixa. Encerra a madrugada. Ressaca no domingo. O balanço ao acordar. Sozinho. Acompanhada. Perdido. Apavorada. Apaixonado. Arrependida. Pelado. Descabelada. O sol nasce. Sujeitos confusos. Verbos conjugados. Adjetivos mastigados. Palavrões reservados. Redação sem título. Texto sem conclusão. Melhor começar outro parágrafo. Semana finda. Acabou o sábado…

27 agosto, 2006

Eduardo






Conheço muitos Eduardos. O primeiro foi coleguinha do maternal. Depois dele tive outros tantos Eduardos. Conhecidos na escola. Na rua. Em casa. Tio Eduardo eu não tenho. Mas, um sobrinho sim. Primo Eduardo, talvez distante. Em primeiro e segundo grau certamente não. Namorado tive. Virou até quase noivo. E foi um só Eduardo. Noivos três. Marido de amiga tem. Virtual, vixe, também. Mais que todos. Tem Eduardo simples, tem Eduardo composto. Junto a eles os diminutivos. Du. Dudu. Dudi. Edu. Duardo. Além dos personalizados. Piolho. Bola. Cavaco. Ponta. Bandeira. De sobrenome uns poucos sei. Suplicy. Galeano. Gomes. Rangel. Do futebol, deve ter. Não conheço. Tem Eduardo político. Tem Eduardo artista. Escritor. Compositor. Tradutor. Tem Eduardo e Mônica. Se tem poeta, comerciante, ladrão acho que também tem. Mas desse não me lembro não. Deve ter outro nome. Conheci um, que de desconhecido passou a colega até chegar a ex-amigo. Tem Eduardos no meu MSN. Dois deles eu adoro. Os outros estão bloqueados. Tem Eduardo amigão, professor na Faculdade. Alunos, meus, têm uns seis. Ex-também. Reprovado nenhum. Ainda não vi Eduardo pobre. Tem Eduardo que visita meu blog. Mais de um. Outros têm blog. Mais de um também. Têm blogs de Eduardos que gosto muito de visitar. Especialmente um é fantástico. Parece que Eduardo escreve bem. Já vi muito Eduardo moreno. Loiro ainda não. Conheço dos baixos e dos altos. Enfim, são vários Eduardos. Gordos e magros. Mas, o que realmente me chateia nesse universo de Edus é "o" Eduardo. Por causa dele me lembrei de todos os outros Eduardos do mundo. E Robertos. E Pedros. E Fábios. E, também. Vou sair agora com os amigos. Nessa turma não tem Eduardo. Ufa! Quem sabe não encontro um outro prenome por ai. Boate cheia deve ter Eduardo. Vodka com energético. De costas. Oi! gata. Qual é o seu nome? Amanda. E o seu? Virando-me. Eduardo. Aquele que ligaria no dia seguinte. Que me fez esperar mais de duas horas numa noite de sábado.
Solange Pereira Pinto (2006)

26 agosto, 2006

Mestrado





O calouro comeu a teoria. Mastigou a verdade. Cuspiu o projeto. Inovou demais. Texto rejeitado. Dano colateral: reprovação. Foi internado. Diagnóstico: indigestão do saber. Indicação: obedecer ao orientador e à academia. Proibição: integrar idéias próprias ou revoltar-se. Interações medicamentosas: efeito tóxico se associado com ousadia; efeitos reduzidos ao ignorar vaidades alheias. Advertência: esquecer dúvidas durante o tratamento. Alergia à prepotência será tratada em outro momento. Reações adversas: emburrecer. Apesar do coma induzido o rapaz passa bem. Apenas alguns delírios de citações. Engoliu aspas demais. Meses depois da alta. Pergunta ao veterano: - Você acredita em tudo que eles dizem? À beira da banca o outro responde: - Cara, relaxa, veja a tudo isso como se fosse ficção.


Solange Pereira Pinto (abril/2005)

23 agosto, 2006

A pelada




Boteco cheio. Olhares. Duas da madrugada. Beijos. Em campo, a postos. O jogo começou há 30 minutos. Ida ao banheiro. Combinado. Segundo tempo. Excitação. Tiro de meta. Ricardinho dribla. Passa por um. Passa por dois. – Posso chupar aqui? Lá vem ele, chegando na grande área. Torcida animada. – Posso meter aqui? Falta! Uhhhhhhh! – Vou lamber atrás. Silêncio. Pênalti. – Posso... “Porra!”, pensa Catarina. Cartão amarelo pro Ricardinho. Placar 1x0. Semana passada viu o narrador sexual marcando uma pelada. Com a mesma chuteira furada.



por Solange Pereira Pinto (maio/2006)

Blog: literatura rápida e vitrine para livros

Blog: literatura rápida e vitrine para livros
Por Roberto Moreno (21/08/2006)


Primavera dos Livros, no Centro Cultural São Paulo - teve até gente pendurada para assistir ao debate entre as blogueiras.Veja mais imagens no Fotoblog


A principal conclusão do debate "Blog e Literatura - Blog é Literatura?", durante a Primavera dos Livros, no último sábado, em São Paulo, foi quanto à forma de elaboração dos textos para os meios eletrônico e papel. Que os dois são literatura, não restou dúvida.

Participaram da conversa as blogueiras Bruna Surfistinha, Rosana Hermann, Índigo e Ivana Arruda Leite, com moderação do jornalista e escritor Marcelo Duarte.

Generalizando, textos rápidos vão para o blog e aqueles mais trabalhados, que passam dias e semanas em preparação, são reservados para publicação em livros.

Apesar do consenso, a jornalista Rosana Hermann, do "Querido Leitor", vê uma distinção dentro do formato para internet: quando publica, enlouquecidamente, mais de vinte posts por dia, é blog. Quando se senta, tranqüila, e pensa na crônica que vai mandar para o "Blônicas", é literatura.

A escritora Ivana Arruda Leite, que "precisa de silêncio" para sua literatura, começou resistindo aos blogs, mas cedeu por insistência dos leitores. Hoje diz que a ferramenta é um alucinógeno e, em alguns momentos de "ira" com as editoras, chega a publicar textos inéditos, daqueles que seriam guardados para os livros, em seu "Doidivana".

O silêncio pretendido por Ivana é quebrado, nos blogs, pela participação direta dos leitores através dos comentários. Índigo, escritora que atualmente mantém o "Diário da Odalisca", abordou a compensação afetiva dessa participação. Um pequeno conto, escrito em cinco minutos, pode atrair milhares de leitores e gerar comentários sobre como aquele texto "mudou o dia do leitor", quase no limite da auto-ajuda. Já um livro, que pode demorar anos para ser gerado, normalmente é comentado em apenas três palavras: "adorei seu livro".

Para Bruna Surfistinha, pseudônimo de Raquel Pacheco quando era garota de programa, auto-ajuda é o foco de seu blog e livros -o segundo título deve ser lançado nos próximos meses- acreditando que o relato de suas experiências sexuais sirva para quebrar tabus e melhorar a vida das pessoas.

Independentemente do tempo dedicado ou do estilo de cada um, os blogs também são vistos pelas participantes da mesa como vitrine para suas atividades principais. Através deles ganham maior visibilidade e ampliam seu público, como no caso de Índigo, que publica livros infanto-juvenis e tem seus blogs visitados principalmente por adultos, ou como Raquel Pacheco que, a partir do blog, já vendeu mais de 140 mil cópias de seu "O Doce Veneno do Escorpião". E todas esperam que o próximo passo seja a profissionalização dos blogs, para que, além de vitrine, também possam ter ali o caixa de seus trabalhos.

Engarrafamento


Texto e imagem por Solange Pereira Pinto




Manhã seca. Brasília. Preguiça redundante. Mais uma semi-noite. Árida de descanso. Daquelas que não se dorme com dois olhos fechados. Os pensamentos se atropelam no travesseiro. Nem sei quais se perdem nos lençóis, arrancam a camisola, batem uns nos outros, e os que acordam comigo. É uma confusão danada. Corro pro chuveiro. Molhar o corpo e derreter as idéias. Bom banho de A a Z. Sigo pela rotina do dia. Uma pesquisa. Um texto. Um telefonema. Uma leitura. Uma bronca. Uma comida. Um suco. Uma raiva. Um sorriso. Um desespero. Hora de ir. O trabalho chama. Entro no velho Santana. Ligo o som. Não quero pensar. Melhor cantar. “Se fosse resolver iria lhe dizer foi minha aaaagonia se eu tentasse entender...”. Já é noite. Pimba. Chuva. Engarrafamento. Outro. Carros. Carros. Carros. Caminhões. Motos. Ônibus. Gente. Relógio apressado. Tempo parado. Arght. Lá vêm eles novamente. Os pensamentos. Na lentidão do trânsito. Superaquecimento do motor. Da cabeça também. A fila de cones. Um acidente. Agora entendo. Todos passam devagar para ver a desgraça alheia. Os ponteiros já passaram do ponto. Atrasada novamente. “... E a amargura e o tempo vão deixar meu corpo minha alma vaziaaaaaaa...”. Giro o dial. Freada brusca. Meto a cabeça no pára-brisa. Pensamentos estilhaçados. “... Vida é um souvenir made in Hong Kong...”

22 agosto, 2006

O bilhete





O pai enfiou no bolso da criança um bilhete. Dizendo-lhe: “não perca”. A festa estava animada. Uns subindo em árvores. Outros brincando de pega-pega. Estripulias da garotada. Trinta e cinco anos após. Repete a experiência com o próprio filho. Aniversário do coleguinha da escola com a turma do Menino Maluquinho. Recomenda-lhe: “não perca”. Tarde finda, volta o garoto. Sujo, suado, imundamente feliz. O papel do bolso se foi. O pai sorri aliviado. Melhor do que eu fui. Pensa. Relembra. Naquela manhã de um passado distante ficou imóvel. Limpo. Cuidado. Assistiu à diversão dos outros. Não perdeu o bilhete. Aquele que seu filho lhe fizera agora o favor de sumir.




por Solange Pereira Pinto (22.08.06)

Um frango às cinco






Tem dias que começam sempre iguais. Levantar cedo. Levar criança na escola. Ir para o trabalho. Hoje é terça-feira. Setembro. Quente. Seco. A paisagem meio cinzenta. Muitas folhas pelo chão. Já é quase primavera. O país também caminha meio cor de chumbo. Uma crise política de estrelas vermelhas. Meio dor. Meio sangue. Meio tomate. Um momento meio. Meio até estranho. Verdades ao meio. Mentiras ao meio. Partidos ao meio. Mas a minha manhã começou em ponto. Às sete. Nem mais. Nem menos. Depois das mochilas e lancheiras, rumei à faculdade. As alunas à espera da aula de TIC's. O sono ainda se encostava em meu corpo. Nem banho gelado. Nem agenda cheia. Lá vinha ele amolescente, me perseguindo. Trânsito louco. Tocando em frente no rádio. Chego na sala, surpresa: uma palestrante no meu lugar! Todos os alunos do curso no auditório ouvindo sobre alfabetização. Ninguém me avisou. Lá estava eu. Meio professora, meio ouvinte, meio perdida. A coordenadora me dispensou. Voltei. Trânsito menos louco. No som o bêbado e a equilibrista. O dia prometia. Visitei uma amiga, um papo meio na pressa e voltei à realidade. Peguei a filha na escola. Engoli o almoço. Corri para a loja para bolar mais uma vitrine. Pensei em algo meio rústico. Meio renda. Meio bege. Meio branco. Na CPI do Congresso Nacional deputados meio cassados se defendendo meio pálidos. Meio confiantes. Meio exultantes. Eram três horas quando entrei no supermercado. Massas. Molhos. Arroz. Feijão. Biscoito. Leite condensado. Pipoca. Pizza, fiquei em dúvida. Um tanto comum. Congelada demais. Na esteira do caixa ao lado, uma mulher e dois frangos assados. Hummm. Cheirando quente o sabor da pele torrada. Moço, vá passando as compras. Volto já. Corri peguei um frango. Paguei tudo. Pedi que entregassem os volumes em domicílio. Entrei no carro. Trânsito calmo. A música era Cio da Terra. A tarde caía terrena. Fértil. Alaranjada. Cheguei às quatro e meia, com o assado nas mãos. Esse eu mesma quis levar. Assim como o pão e a manteiga. Abro a porta. Ninguém em casa. Com os desejos salivantes arranco o frango da sacola. Agarro suas asas e escuto. Purullummpurummpullurumm. Era o computador ligado desde cedo. O messenger apitando. Feito peru perto da ceia. Aquele desejo de comemorar. Em azul a janelinha piscava. Meu coração palpitava. Sento-me em frente à tela. Em arte surge alguém esperado. Teclo para um oi. Mordo a primeira asa. As palavras carinhosas começam a deslizar pelo monitor. O gosto do frango aplacando a vontade. A fome. Os dedos lambidos. Os olhos sorrindo. A outra asa me provocando. Parto pra cima dela como quem sonha acordado. Vou degustando palavras. Vou me deliciando com a pele. Às cinco da tarde. O mundo pára. A realidade apaga. Tudo que estava ao meio, inteiro fica. No meio desta crônica o entregador chega. Atendo. Volto. O frango partido. O Brasil também. A fantasia correndo. Nas asas, vou. Vôo. O dia não terminaria igual. Mas, quem disse que tudo tem que terminar igual...em pizza...ao meio...melhor devorar um frango assado às cinco da tarde em plena terça-feira...o verão está chegando...


por Solange Pereira Pinto(06.09.2005)

21 agosto, 2006

Dica e foto


Título: Se for preciso grite
Autora: Solange Pereira Pinto
Técnica: Fotografia digital manipulada
Data: 11/agosto/2006
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Blog do dia:
"Danilo levava uma vida estável. 10 anos de um casamento monótono. 1 ano com a amante-coroa. Pouca ambição. Pouca emoção. De repente, perde a mulher, a amante e a faxineira. Faz 40 anos. Descobre a crise dos 40. Volta a freqüentar a noite. Conhece mulheres estranhas em festas estranhas. Começa a se achar estranho. Sua vida muda. Ganha vida".
Visitem Vida que muda. É imperdível!

A festa

Título: Mambo
Autora: Solange Pereira Pinto
Técnica: Fotografia digital manipulada
Data: 19/agosto/2006
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A festa de sábado foi sensacional.
Como diz uma amiga querida:
uns tiveram 70% de aproveitamento
e outros 110%.
Acho que estou na segunda opção.
hahahhahaha!!!
A vida é um banquete:
sirva-se!
hahahahhaha

Vida a dois...



Vaso entupido... Quantos baldes de água serão necessários para fazê-los novamente funcionar? Vários... Será que o importante é força com que se joga a água? Ou será a freqüência ininterrupta com que se derruba os baldes? Faço as duas tentativas. Ora, o vaso solta um ar parecendo arroto. Penso... para arroto é preciso esperar um pouco, pois o ar precisa sair para nova derrocada d’água. Ora, o ar solto parece soluço. Então, o melhor é água sobre água para fazê-lo cessar. No entanto cada “respiro” desses, invade-me a alma de esperança que o trabalho está a findar. Novamente, jogo outro balde de água. E pela lentidão com que a água esvai, percebo que o entupimento continua. A coluna já reclama de carregar baldes cheios de água - da área ao banheiro. Contudo, a esperança do sucesso empurra-me a buscar mais um balde. Lá volto a jogá-lo. E nada! Parece que no início a água descia mais rapidamente do que agora. Ou será o meu cansaço de baldes carregar? Não... Afinal, o que entendo de vasos entupidos? Vou mudar a estratégia. Entre soluços e arrotos, jogo baldes com mais força e maior freqüência. Não deu resultado satisfatório. A água parece descer mais lentamente ainda. Melhor sentar, acender um cigarro. Tentar não pensar no problema. Impossível! Quem sabe chamar um especialista na arte de desentupir privadas? Porém, pode ser melhor jogar mais um balde, quem sabe - agora - funciona!? Não resolveu. Acreditava que sozinha solucionaria problemas banais desse tipo. Quanta presunção! Quem sou eu afinal para entender disso? Deixar o problema de lado? Mudar temporariamente de vaso? Pode ser uma saída...


Por Solange Pereira Pinto (28.07.97)

Re(s)saqueadas questões...

Imagem e texto por Solange
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O casaco pendurado.
o vulto escondido.
um biombo fechado.
Vai?

...


Saqueei minha alma
para matar um desejo.
Meu?

...

Entrei na rua errada.
Agora dei com a cara no muro.
Onde estava a entrada?
Certa, a ressaca.
...

Sou fantasma que cruza tijolos.
O álcool parece argamassa
dessa tal vida queixosa.
Muda?
...

Começa outra semana.
Tudo dói.
Ainda não sei quem morreu
Se a vontade ou a esperança.
As duas?
...


Tudo junto na mesma cama.
Quem levanta primeiro?

...

O desejo de dormir, sempre alerta,
empurrando os outros para o edredom.
Sufocados?
...

Hoje nunca mais.
Amanhã tudo de novo.
Ontem passou.
Eu ou você?
...

Essa semana tem mais.
Terá? Será?