09 maio, 2009

KIBE LOCO ENTREVISTA - “FELINA”

Do blog Kibe Loco

Desde o dia 18 de abril, quando foi citada no Kibe Loco, Fabiane Menezes não para de receber convites para aparecer em jornais, revistas e programas de TV. Todos interessados em desvendar os segredos de “Felina” ou da “Loira da Internet”, apelidos que Fabiane usou para conquistar celebridades - e subcelebridades - em conversas via MSN.

O termo “conquistar” não chega a ser um exagero. Afinal, o poder de convencimento de “Felina” é tanto, que fez atores, cantores, modelos e atletas renomados despirem-se e, em alguns casos, até masturbarem-se diante de uma câmera. Feito que já seria digno de nota antes mesmo de Fabiane, para desespero de várias assessorias de imprensa do eixo Rio-São Paulo, publicar todos os flagrantes na internet (ATENÇÃO! Link não recomendável para menores de 18 anos).

O assédio da grande imprensa, até agora, foi em vão. A moça (ela jura que é mulher mesmo) está irredutível. Não dá telefone, não gosta de mostrar o rosto e diz que o medo de ser processada é maior que a vontade de ser famosa.

Contudo, o cuidado que Fabiane tem em não aparecer, não é o mesmo quando ela faz as vezes de assessora de imprensa para expor suas novas vítimas. Foi assim que, há alguns dias, ela me procurou. Agradeceu o post no Kibe Loco e perguntou se eu voltaria a mencioná-la. A partir daí, negociamos uma entrevista exclusiva. A primeira dela até agora. Fabiane provou ser quem era através de uma confirmação no blog (abaixo) e, no fim, concordou em mandar as fotos que ilustram esse post. Segundo ela, são de 2007, “quando ainda posava”. Algumas estão em perfis e comunidades de Fabiane no Orkut, mas como não ligamos a webcam (ufa!), fiquei impedido de verificar sua autenticidade e, portanto, optei pelas tarjas.



Fabiane confirmou, através de post, que era a autora do blog.

Hoje, Fabiane tem mais 4 Kg bem distribuídos pelo corpo, exibe no rosto o resultado de uma cirurgia plástica no nariz e não é mais modelo. É “namorada”. E pelo alvoroço que tem causado em casais Brasil afora, parece querer ser a única.

Abaixo, ”Felina” fala um pouco de Fabiane e vice-versa. A ex-modelo diz que ainda mora com o pai, fala de suas motivações e revela que, agora, vai em busca de personalidades internacionais.

***

- Quem é você?

- Felina.

- E os outros nomes, como “Loira na Internet” e Fabiane Menezes?

- “Felina” é um nome fictício.

- Sim, claro. Não imagino seu pai entrando em um cartório e dizendo “É ‘Felina’, sim. Pode registrar!”…

- Meu pai nem sabe dessa historia de “Felina”… (risos)

- Fabiane Menezes é seu nome verdadeiro?

- Sim.

- Quando você conversa com essas celebridades, usa seu nome verdadeiro ou é só “Felina” e “Loira na Internet”?

- Eu tenho uns cinco MSNs. O nome não importa. O que interessa é a webcam. Mas eles jamais a ligariam se soubessem que eu sou a tal “Felina” do blog. Alguns eu tenho de enrolar por semanas até acontecer.

- Semanas? É por isso que tenho a impressão de que os vídeos são antigos e você resolveu liberar tudo agora?

- Você está enganado. Os vídeos são recentes. O do Ronaldo gravei no sábado antes de um jogo. O do Pato eu soltei na net na mesma hora. E o do Diego Souza (jogador do Palmeiras) também.

- Como você consegue os MSNs dos famosos?

- Amigas modelos que me passaram. Uma delas, aliás, me passou vários. Aí, depois que o blog ficou famoso, os leitores começaram a mandar.

- Você é mulher?

- Claro.

- Já correram boatos de que você poderia ser um homem ou um transexual.

- Se ligo a webcam, não, né?

- Mas há programas que podem simular mulheres sensuais na webcam.

- Imagina! Isso é conversa do povo só porque até agora eu não me mostrei no blog.

- Então, para enrolar esses caras por tanto tempo e conseguir o que tem postado, você deve ser uma mulher atraente, certo?

- Sou loura, 1,65m e 57 kg. Acho que qualquer homem ficaria louco com minhas investidas.

- Por quê?

- Porque quando estou online, falo que eles são bonitos. Às vezes, invento que estou bêbada, carente, “na seca”… aí eles não aguentam.

- Só isso basta para eles tirarem a roupa?

- Não. Eu também tiro, né? Senão os caras não fazem. Faço tudo. Fico de quatro, deito no sofá… tem uns que não param de dar ordens.

- Quem é o mais mandão?

- Dos famosos, nenhum.

- Já te pediram alguma coisa estranha?

- Já. Um cara pediu para eu me tocar enquanto ele acariciava o próprio ânus.

- Famoso?

- Não. Um anônimo. Tá lá na seção “Outros”.

- Por que você coloca vídeos de anônimos no site?

- O povo quer é ver vídeo. Não importa de quem seja.

- Qual a sua motivação para fazer isso? Há quem diga que você está só criando uma personagem para, depois, lucrar com ela. Outros acham que é uma vingança, já que você dá ênfase ao estado civil de suas “vítimas” casadas.

- Só quero mostrar para o Brasil que todo mundo é igual.

- Você poderia mostrar que todos são iguais de outras maneiras, não acha?

- Acho que a galera tem mais que ver o “patinho” do Pato… o “Ronaldinho” do Ronaldo… o “Junior” da Sandy. Hahahaha!!!

- A graça que você vê nisso me faz duvidar dessa sua “motivação”. Parece que, no fundo, em vez de mostrar que todos são iguais, você só quer ver o circo pegar fogo…

- Adoro ver o circo pegar fogo. Bem que a Stephany (Brito, atriz e namorada de Alexandre Pato) poderia ter metido um pé na bunda do Pato para eu ficar com ele…

- Você queria ficar com o Pato?

- Acho o Pato delicioso.

- Prefiro o meu laqueado.

- (risos) Eu já o conheço. Temos até fotos juntos.

- De onde?

- Tiramos quando ele ainda morava no Brasil.

- Vocês já saíram?

- Nunca.

- Onde você mora?

- São Paulo.

- Quantos anos você tem?

- 26. E você? (risos) Desculpe. É costume.

- Olha… se quiser ver meu “Kibe”, compre um monitor de 42 polegadas.

- Nossa! Jura? Quero ver sim…

- Você trabalha? Estuda?

- Não. Estou sem fazer nada.

- Fez alguma faculdade?

- Só fiz curso de Nutrição.

- Você mencionou seu pai. Mora com ele?

- Moro com meu pai, minha mãe e minha irmã mais nova, de 21 anos.

- Como você se sustenta? Mesada?

- Não. Eu trabalhei e guardei.

- Trabalhou com o quê?

- Trabalhei numa clinica de nutrição e em uma agência de modelos nos Estados Unidos.

- Você tem namorado?

- Não. Só tenho uns coroas ai.

- Coroas como? São casos?

- Isso. Pagam minhas contas.

- A troco de que eles pagam suas contas? Você é garota de programa?

- Não. Saio com eles para me ajudarem.

- Mas se você sai com eles e, em troca, eles te pagam, é um serviço de acompanhante.

- Não. Sou a namorada cujas contas eles pagam.

- Então, você, que não tem namorado, seria “namorada” de alguns “coroas aí” que pagam suas contas. É isso?

- Isso.

- Você já ficou com algum dos caras que mostrou no seu blog?

- Já.

- Quem?

- Não vou falar.

- Quantos foram?

- Dois. Gosto dos safados. Os cachorros. Os que dizem que vão bater…

- E eles pagaram alguma conta sua?

- Não.

- Quem são os mais safados?

- O Lucas Marchi, o Di Ferrero (vocalista da banda NX Zero), o Albucacys e o Pato, que já ligava a câmera pelado.

- Lucas Marchi não sei quem é. O Albucacys (bombeiro e ex-namorado da modelo Luma de Oliveira) eu até acredito… mas o Di e o Pato? Safados? Eles diziam o quê? Que iriam te bater com os bichos de pelúcia deles?

- São safados, sim.

- Sei… você gosta dessa fama virtual?

- Não. Só faço isso porque estou à toa mesmo.

- Você espera ganhar alguma coisa com isso? Acha que pode ser convidada para se revelar, posar, etc.?

- Acho que não. Se fizesse isso, seria processada. Caso contrário, já estaria na TV.

- Não teme que te encontrem mesmo assim, sem aparecer?

- Como me encontrariam?

- Rastreando seu MSN, e-mail, blog…

- Não uso minha internet e cadastro tudo com o endereço errado.

- E até quando pretende fazer isso?

- Até quando houver famosos.

- Algum deles já pediu para você tirar as imagens do ar?

- O Elano (ex-jogador do Santos e atualmente no Manchester City da Inglaterra) pediu. Outros já chegaram a dizer que iriam se matar. A Priscila (ex-Big Brother Brasil 9) ficou duas horas pedindo para eu tirar o vídeo do namorado dela.

- Qual dos vídeos fez mais sucesso?

- O do Pato. Mas acho que o do Luxemburgo (Vanderlei, técnico do Palmeiras) é o que vai dar mais pano pra manga.

- Por quê?

- Porque ele é muito famoso.

- Já tem um próximo alvo?

- Não sei quem será o próximo, mas estou quase conseguindo uma “bomba”.

- Pode revelar ou tem receio de que isso atrapalhe seus planos?

- Não tenho receios. Pode publicar. Quero o Cristiano Ronaldo.

08 maio, 2009

8 de maio - Dia do Artista Plástico

Título: Na exposição da condição humana
Técnica: mista
Autora: Solange Pereira Pinto
Data: março/2009

07 maio, 2009

Dica do dia: caderno de rabiscos para adultos





"Intrínseca lança passatempo para adultos entediados no trabalho Seja feliz no trabalho! Longe das intrigas de escritório, das fofocas de corredor e das reclamações rotineiras, Caderno de rabiscos – para adultos entediados no trabalho, da artista gráfica francesa Claire Faÿ, funciona como uma válvula de escape. É ideal para aliviar a pressão de colaboradores insatisfeitos e de chefes estressados.

Lançamento da Intrínseca, o Caderno de rabiscos é um passatempo incomum. Surpreendeu ao permanecer nas listas de best-sellers da França, quando foi lançado, em 2006, e se colocar entre os 10 livros mais vendidos daquele país em 2007.

A autora garante risadas ao propor brincadeiras e “atividades” repletas de ironia com seu olhar crítico e bem-humorado sobre o ambiente corporativo. Sem efeitos colaterais ou contra-indicações do departamento de RH, esse livrinho provocante é um sucesso em vários países europeus. Uma sessão de rabiscos permitirá:


- esquecer seus problemas e conflitos no trabalho,

- puxar o saco do chefe sem que ninguém perceba,

- fazer intervalos mais saudáveis para fumar,

- responder a seus superiores e fechar o bico dos colegas,

- aturar os chatos,

- dar aquela cochilada em paz.


CLAIRE FAY começou a criar seus livros nos ateliês gráficos da Academia de Belas-Artes de Praga, na República Tcheca. Formada na Escola Superior de Artes Gráficas e na Escola Nacional Superior de Artes Decorativas de Paris. Autora de diversas obras ilustradas, publicou Le grand livre du cochon [O grande livro do porcalhão], Portraits de famille [Retratos de família], Cahier de taches [Caderno de manchas], Cahier de gribouillages pour les adultes qui veulent tout plaquer [Caderno de rabiscos para adultos que gostariam de enquadrar tudo e todos] e Osez lui dire: cahier de messages à l’usage des couples [Ouse dizer para ele: caderno de mensagens para uso dos casais].



Caderno de rabiscos para adultos entediados no trabalho, Claire Faÿ
Editora Intrínseca


Tradução de Jorge Bastos
48 páginas
R$ 14,90

06 maio, 2009

Conjugação verbal

quer conjugar o verbo falir no presente do indicativo?

Então vá ali

05 maio, 2009

Antidepe criativo

Para recuperar o vigor roubado em uma semana péssima, nada como ter pesadelos à noite e acordar valorizando a vida. Para o astral não ruir a pedida é pintar mandalas para equilibrar as energias dissidentes que oscilam entre ser animal e ser humano (ou nada ser). Ai estão as que fiz e se quiser aproveite para colorir também. É uma ótima terapia, eu garanto!










































Agora é a sua vez, experimente:







04 maio, 2009

Massagem e pilates no dia das mães


Que tal um presente no campo das sensações e da saúde?
melhor que um jogo de panelas! hhaha

03 maio, 2009

Mídia, saúde, ética e ambiente - A gripe suína em quatro dimensões




Por Solange Pereira Pinto
sollpp@gmail.com

“A gripe suína é transmitida por vias aéreas, mas a contaminação pode se dar pelo contato com objetos que tenham o vírus. Os sintomas são similares aos da gripe comum, mas com febre acima de 39 graus, dores musculares e de cabeça intensas, olhos vermelhos, fluxo nasal e tosse. Além disso, pode haver diarreia e vômitos”.

O noticiário internacional não para. A crise financeira perde manchete para uma dita possível crise na saúde pública, e paradoxalmente o aquecimento econômico de certos grupos. A gripe suína assume o topo de toda a imprensa e, mesmo antes de uma possível “pandemia” (epidemia mundial) se instalar no planeta, o preconceito (nem sempre velado) assume a liderança na audiência.

A avalanche informacional alardeia contabilizando – uma a uma – as descobertas de casos possíveis, casos suspeitos, casos reais, casos descartados, óbitos. Os infográficos vão apresentando os países “infectados”. Os noticiários online atualizam durante as 24 horas os acontecimentos em torno do tema. O google registra no filtro de busca mais de 1.220 milhões de ocorrências dos termos “gripe suína”.

Desinformação pelo excesso de informação

Na contramão, o expectador confuso (e ingênuo) não sabe se comer carne de porco mata, se respirar pega, se a gripe que tem naturalmente pode evoluir por si só em suína. De um lado, há especialistas garantindo que o país está sob controle. De outro, controvertidamente, existem especialistas dizendo que não existe vacina disponível para o vírus. Também há quem diga que pode ser a doença plantada como saída oportunista para certos mercados. As informações são muitas e a dúvidas maiores.
A mídia massiva, por sua vez, pecando em não trazer informações mais contextualizadas e críticas, melhor analisadas, para ajudar o cidadão a entender os acontecimentos. Fica se bastando na superficialidade e na contabilidade de vítimas, na subida e descida de “números”

Mudança de nome
No meio do caminho, a Organização Mundial de Saúde (OMS), para atender empresários do ramo, sugere que se pare de chamar a gripe de suína. Em nota afirma que passará a chamar a epidemia de influenza A (H1N1) – nome do vírus causador da gripe que é subdivido em gêneros (A, B, C) e em propriedades glicoprotéicas (HA e NA) – porque o nome está gerando preconceito com relação ao consumo de carne suína, cujo ato não transmite o vírus. A iniciativa da OMS visa preservar o mercado, pois a negativa de consumo pode gerar impactos econômicos (como no passado, por exemplo, com a gripe aviária).

Agronegócio, meio ambiente e saúde
Na balança, as questões de saúde e meio ambiente tem se convergido para uma mesma relação, na qual a ética poderia tomar partido. Vejamos.

Os casos de gripe suína em humanos, que já causaram algumas mortes no México, geram uma insegurança e incertezas para o agronegócio do Brasil, importante exportador de grãos e de carnes, afirmaram fontes dos setores público e privado. "Ainda não está claro, não dá para medir o que é factível e o que é especulação. Pode mexer no milho (nos preços), apesar de esse produto também estar focado em energia (nos EUA). Gera uma insegurança", declarou a jornalistas Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), pouco antes da abertura da Agrishow, maior feira agropecuária da América Latina que se inicia no dia quatro de maio em Ribeirão Preto. Além de outros impactos, como na soja.

O que não deixa dúvidas é que a Influeza A (H1N1), apelidada de gripe suína, tem sua origem no sistema de criação industrial de animais dominado pelas grandes empresas transnacionais. Para a produção em escala cada vez maior, se mantém confinamentos suínos sem a segurança sanitária como prioridade, tendo em vista políticas de mercado que prezam a rapidez do lucro em detrimento do cuidado à saúde e aos aspectos de proteção animal e humana.

As conclusões do painel Pew Commission on Industrial Farm Animal Prodution (Comissão Pew sobre Produção Animal Industrial), publicadas em 2008, afirmam que as condições de criação e confinamento da produção industrial, sobretudo em suínos, criam um ambiente perfeito para a recombinação de vírus de distintas cepas. Inclusive, mencionam o perigo de recombinação da gripe aviária e da suína e como finalmente pode chegar a recombinar em vírus que afetem e sejam transmitidos entre humanos. Mencionam também que por muitas vias, incluindo a contaminação das águas, pode chegar a localidades longínquas, sem aparente contato direto.

Medicamentos: uma saída lucrativa
Já na epidemia, são também as transnacionais as que mais lucram: as empresas biotecnológicas e farmacêuticas que monopolizam as vacinas e os antivirais. Os únicos antivirais que ainda têm ação contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do mundo e são de propriedade de duas grandes empresas farmacêuticas: o zanamivir, com nome comercial Relenza, comercializado pela GlaxoSmithKline, e o oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado pela Gilead Sciencies, licenciado de forma exclusiva pela Roche. Glaxo e Roche são, respectivamente, a segunda e a quarta empresas farmacêuticas em escala mundial e, igualmente como no restante de seus remédios, as epidemias são suas melhores oportunidades de negócio.

Preconceito e vulnerabilidade
Voltando ao termo, percebem-se outras iniciativas procurando mudar o nome da gripe. A França propôs o nome gripe mexicana, o que foi prontamente rechaçado pelo México. Interessante é notar que na epidemia anterior, a gripe aviária começou sendo chamada de gripe asiática. Agora o esforço está no sentido inverso, da mudança de um nome ligado ao animal para um nome ligado à geografia. Por que será? Melhor proteger um porco a proteger um povo?

Mudando ou não o nome o preconceito já atinge a população mexicana. Embora cidadãos oportunistas também encontrem lugar em meio a crises para contestá-las. Tamanho é o temor mundial a respeito da pandemia da gripe suína que o zagueiro Héctor Reynoso, do Chivas Guadalajara, tentou usar a doença que vem ameaçando o planeta para intimidar um adversário ao ameaçar o atacante argentino Sebastián Penco, do Everton, tossindo e tentando jogar catarro no atleta do Everton.

Já a chanceler mexicana Patrícia Espinosa criticou a decisão da Colômbia de se negar a sediar em Bogotá os jogos dos times mexicanos de futebol Chivas e San Luís pelas oitavas-de-final da Copa Libertadores da América.

Enquanto isso, de forma mais concreta, vários países estão adotando medidas para tentar conter a propagação do vírus cumprindo a “ética da discriminação”. A União Europeia pediu aos seus cidadãos que evitem viajar para México, Estados Unidos e Canadá. Argentina e Cuba foram além e suspenderam todos os voos vindos do México. A China, que teve o primeiro caso confirmado em Hong Kong na sexta-feira, de um mexicano que havia entrado no país por Xangai, anunciou uma quarentena para todas as pessoas que viajaram no mesmo voo do que o homem infectado. O hotel onde ele se hospedou em Hong Kong também foi fechado por sete dias e todos os seus hóspedes e funcionários receberam o antiviral Tamiflu, um dos dois medicamentos recomendados pela OMS para tratar a gripe suína.

No Egito, as autoridades iniciariam neste sábado o sacrifício de 300 mil porcos como medida de precaução, apesar de os especialistas afirmarem que não há risco de infecção pela ingestão de carne de porco e que não há indicações científicas de que o sacrifício de porcos possa conter a doença.

A vulnerabilidade se espalha e o povo mexicano começa a ganhar as marcas simbólicas da “pandemia” e ter sua dignidade ameaçada, a despeito das causas ecossistêmicas que envolvem a “produção da gripe suína”. Arcam com o peso desproporcional das consequências causadas pelo contexto industrial, comercial, econômico, político que envolve e mantém o interesse de vários países; com principios éticos espirrados.

Pânico ou oportunismo?
Máscaras, kits para testes, remédios, abastecimento da despensa, as “compras de pânico” crescem. Mesmo sem casos confirmados no Brasil, o governo de Minas Gerais anunciou ainda a compra de 6 milhões de máscaras --sendo 5 milhões para a população e 1 milhão de máscaras cirúrgicas para uso exclusivo dos profissionais de saúde. A Secretaria de Estado da Saúde informou ainda que está comprando 50 mil doses de medicamento antiviral para adultos e outras 500 doses para crianças.

Além disso, o Brasil vai receber na próxima terça-feira (5) kits para diagnóstico rápido da gripe. Os kits são produzidos num centro especializado de Atlanta, nos Estados Unidos. Ações e planos de contingência em saúde pública são adotados pelos diversos países. Bolsas de mercado oscilando, caem as ações das indústrias do agronegócio suíno e sobem as ações dos laboratórios farmacêuticos (com o anúncio da nova epidemia no México, as ações da Gilead subiram 3%, as da Roche 4% e as da Glaxo 6%; e isso é somente o começo).

Números mais ou menos
Até agora, foram confirmadas apenas 16 mortes provocadas pela gripe suína no México. As autoridades mexicanas revisaram para baixo o número de casos suspeitos de mortes provocadas pela gripe suína, de 176 para 101, indicando que o surto da doença pode ser menos grave do que se pensava. Enquanto isso, a OMS está enviando 2,4 milhões de doses de medicamentos antivirais para 72 países, de acordo com Michael Ryan.

Ética da sobrevivência ou sobrevivência da ética?

Diante da complexidade (Edgar Morin) que organiza o mundo neste século, onde cada um de nós está relacionado, afeta e é afetado pelas ações e pelas idéias de todos os demais, verifica-se que estamos vivendo a era dos desequilíbrios que geram novas questões ambientais, de saúde pública e de ética.

Pede-se com urgência uma nova atitude da comunidade planetária para o desenvolvimento sustentável, com responsabilidade e respeito aos direitos humanos.

Nota-se claramente, no caso da gripe suína, a influência do consumo, da economia, do ambiente, dos contextos políticos, da indústria, da coletividade acarretando maior vulnerabilidade a determinadas populações. A vez é do México, mas poderia ser outro o país do momento.

Medidas restritivas, preconceituosas, excludentes são tomadas pelos países “amigos”. Protege-se a reputação da carne de porco e deteriora-se a da população mexicana. A chanceler do México, Patrícia Espinosa, criticou as medidas "discriminatórias e carentes de fundamento" adotadas por alguns países contra cidadãos mexicanos.

Espinosa se mostrou "especialmente" preocupada pelo caso da China — que doou ao México material e equipamento médico avaliado em US$ 4 milhões — por "isolar, sob condições inaceitáveis, cidadãos mexicanos que não deram mostras de nenhuma doença". Trata-se de uma família de cinco mexicanos que foram levados à força para um hospital e, depois, impedidos de deixá-lo até que a embaixada do México na China interveio, permitindo que eles fossem transferidos para um hotel. E advertiu que "não há justificativa nenhuma para violentar os direitos de cidadão algum, nem para adotar medidas que não têm base científica nem de saúde pública".

Em comunicados conjuntos, por sua vez, Estados Unidos, México e Canadá pedem que nova gripe não limite o comércio e os negócios internacionais. Contudo, como limitar o contato com o estigma da hostilidade social? Como o povo mexicano está passando pela gripe, seja ela forjada, ampliada, real, diante das medidas hiperbólicas adotadas pelos organismos em defesa sabe se lá quais outros interesses? Como ficam os direitos dos cidadãos mexicanos de irem e virem? Repete-se a formação de uma nova classe de excluídos (como no caso desumano das colônias de Hanseníase)? Os mexicanos simbolizarão os novos párias, embora o problema seja sistêmico e da responsabilidade de todos?

Poderíamos, neste caso, fazer uma aposta na heurística (pedagogia) do medo para se chegar à ética da responsabilidade? Ou será apenas um reaquecimento da economia global mudando o foco de investimentos e consumo? Teoria da conspiração? Paranóia global?
Mídia e bioética

O uso da mídia, ainda que mais sutil e diversificado, lembrará o desempenho do rádio nas grandes guerras mundiais (a rádio era o principal meio de informação e, também, de desinformação das populações) e da psicalogia de Goebbels (o termo psicagogia foi usado nos anos de 1930, por Serge Tchakhotine para descrever os tiranos que utilizavam a rádio para conduzir as massas através da persuasão)?

Diante de tantos questionamentos, nesse contexto de alarde (mais de pandemônio que de pandemia) e histeria falta também uma bioética de intervenção em defesa dos interesses e direitos das populações econômica e socialmente excluídas do processo desenvolvimentista mundial.

A tese defendida pelos bioeticistas Volnei Garrafa e Dora Porto é de que seria eticamente defensável a utilização de “práticas intervencionistas, diretas e duras, que instrumentalizem a busca da diminuição das iniqüidades [...] o que define as prioridades não é a demanda ou as necessidade detectadas na realidade social: é o mercado. E o mercado tem se mostrado a cada ano mais perverso, com regras cada dia mais protecionistas para os países ricos, os mais insensíveis”. Pensando assim, qual (quais) população está mais propensa a ser dizimada diante de uma gripe?

O cotidiano vulnerável dos países periféricos marcados pela exclusão social, concentração de poder, manipulação da informação, miséria, pobreza, evasão de divisas das nações mais pobres para os países ditos centrais beneficiando conglomerados industriais etc. requer uma mediação competente com o estabelecimento de políticas efetivas de defesa dos direitos humanos e da cidadania. “As conseqüências danosas, humanas e ambientais, da desenfreada expansão tecnológica são partilhadas em nome da igualdade. Os efeitos nefastos, políticos e econômicos, de um sistema que vulnerabiliza e vitima o cotidiano de milhões soa impostos em nome da liberdade. A apropriação espúria das idéias de liberdade e igualdade transformam-nas em instrumentos ideológicos de dominação e exploração, legalizados por medidas políticas e sanções econômicas”, defendem Garrafa e Porto.

Cumplicidade e intervenção
É urgente a necessidade de se romper o pacto da mídia com a produção de notícias baseadas em interesses econômicos, em leads e em apurações superficiais. Há que se estabelecer uma cumplicidade entre os meios de comunicação e os fundamentos da Bioética para um debate sobre os rumos da uma epidemia que podem estar envoltos de conflitos morais pontuando sempre a vulnerabilidade. Trazer à pauta os universos contraditórios, as posturas paradoxais, aproximar as realidades.

Enfim, falta aos meios de comunicação de massa expor uma visão ampliada e complexa da saúde humana e das ações humanas que envolvem o ambiente, a vida e saúde, exigindo-se um enfoque transdisciplinar em suas reportagens. Falta à mídia exercer com competência o seu papel de formação da cidadania e de informação de qualidade a serviço do interesse público. Falta concretizar o amplo papel da comunicação de tornar comum o conhecimento e educar a audiência à luz da bioética.

Quem com certeza mais sofre são as populações submetidas à avalanche informacional que desinforma, quem paga diretamente é o povo mexicano vulnerável aos escarros que não vêm diretamente de uma gripe, mas de outras desordens. No entanto, ainda se declara que todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole os Direitos Humanos. Mas a mídia falante se cala.

“Descobrimo-nos portadores de doenças e buscamos resolvê-las individualmente, tentando ignorar que na maioria das vezes elas são frutos de um cotidiano opressor, ditado por uma engrenagem cega que não coloca o ser humano como fim em si mesmo, mas como meio exclusivo para obtenção de lucro. Nossa cegueira, no entanto, não nos exime da responsabilidade. Devemos reconhecer que nossas escolhas cotidianas refletem uma opção ideológica voltada apenas a reproduzir o status quo” (Porto, D & Garrafa, V. Bioética de Intervenção: considerações sobre a economia de mercado. Bioética. 2005; 13 (1):111-123).


Sites consultados durante a elaboração deste texto (Acesso em2/maio/ 2009)

02 maio, 2009

retorno do fantasma

Colunista fala sobre os mecanismos evolutivos dos vírus e o surgimento da gripe suína na população




O microbiólogo e botânico holandês Martinus Beijerinck, um dos fundadores da virologia, em seu laboratório (foto: Delft School of Microbiology Archives).



A compreensão da história evolutiva dos diferentes grupos de vírus é vital para que possamos entender a sua epidemiologia e desenvolver estratégias eficazes para o combate de uma série de doenças humanas.

Alguns vírus têm profundo efeito sobre a história da humanidade, enquanto outros têm impacto marcante e atual sobre a saúde pública. Compreender a evolução dos vírus e dos meios pelos quais eles obtiveram sua diversidade genética atual pode nos auxiliar a entender esses efeitos.

Os vírus são extremamente diversos e podem ser agrupados de acordo com seu material genético: DNA ou RNA de fitas simples ou dupla. Contudo, diferentemente de outros grupos taxonômicos, não há entre os variados grupos de vírus similaridade filogenética – ou seja, relação evolutiva.

Tipicamente, vírus pertencentes a uma mesma família possuem genoma similar e alguns genes semelhantes ou homólogos. Membros de famílias diferentes raramente possuem genes homólogos identificáveis. Podemos, portanto, traçar uma árvore filogenética descrevendo as similaridades evolutivas dos organismos que apresentam estrutura celular (bactérias, arqueobactérias e seres eucariotos), mas isso não é possível para os vírus.

Os vírus são classificados em cerca de setenta famílias. Destas, vinte infectam o homem. A diversidade genética dos grupos de vírus é afetada por sua história evolutiva e a de seus hospedeiros. Ancestrais humanos foram infectados por muitos vírus e a compreensão dessa relação nos diz muito sobre a nossa própria história evolutiva.

Por exemplo, vírus que causam doenças associadas com aglomerações não puderam se manter nas pequenas populações caçadoras e coletoras de homens pré-históricos. O vírus do sarampo é um exemplo clássico desse grupo. Indivíduos afetados por essa infecção desenvolvem imunidade durante sua vida. Por isso, a manutenção desse vírus requer um suprimento constante de indivíduos não infectados – principalmente crianças.


Micrografia do vírus do sarampo, que precisa de grandes aglomerados humanos para se manter na população (foto: Cynthia S. Goldsmith/ CDC).



Tem-se estimado que o sarampo pode persistir em populações com pelo menos 250 mil indivíduos, algo que só ocorreu com grupos humanos há 5 mil anos, no Oriente Médio. Uma vez que os primeiros humanos chegaram ao continente americano há mais de 10 mil anos, eles não estiveram expostos – até 1492, quando a América foi “descoberta” por Cristóvão Colombo – a vírus adquiridos por populações humanas aglomeradas. Por isso, estima-se que até o século 16 cerca de 90% das populações nativas das Américas morreram de doenças causadas por vírus como o sarampo e a varíola, provenientes dos invasores europeus.

Por outro lado, alguns vírus passaram a afetar a saúde humana apenas nas últimas décadas do século 20. O HIV é o exemplo mais conhecido desses vírus. Existem, contudo, diversos outros, como o Marburg, o Ebola, o Nipah, o Hendra e o SARS, que têm um espectro de ação mais limitado. Essas viroses emergentes estão associadas com o crescimento demográfico e as alterações ambientais e a poluição que vêm nos trilhos desse aumento populacional.

Além disso, a maior facilidade dos indivíduos para se deslocar para qualquer lugar do planeta contribui para o surgimento dessas infecções. Por exemplo, em 1999, foi noticiado um caso de infecção por um vírus da região oeste do rio Nilo (África) nos Estados Unidos e, em 2005, o vírus Chikungunya, originário da África Central, contaminou aproximadamente um terço dos cerca de 770 mil habitantes das ilhas Reunião, no oceano Índico. Outro caso que estamos acompanhando atualmente nos noticiários é o alastramento global da gripe suína a partir do México.

Diversidade genética viral
A diversidade genética contemporânea dos vírus está associada com o período de separação dos diferentes grupos a partir de seus ancestrais e com a sua respectiva taxa de evolução. Diversos vírus têm sido adquiridos pelo homem a partir de outras espécies animais (por exemplo, o vírus da gripe suína) e sofrem muitas vezes modificações posteriores na espécie humana.

Forças como a deriva genética, a seleção natural, as taxas de mutação e a competição entre indivíduos de espécies iguais ou diferentes obviamente atuam sobre esses vírus. Grupos menores ou que apresentem uma menor capacidade de dispersão e que sofram uma proporção maior de mutações genéticas podem evoluir mais rapidamente.

Vírus de RNA que dependem da RNA polimerase para a sua replicação estão mais sujeitos a sofrer mutações. Isso se deve ao fato de que essa enzima é mais propensa a erros do que a DNA polimerase, associada à multiplicação dos vírus de DNA.

Substituições das subunidades componentes do DNA e do RNA – conhecidas como nucleotídeos – que não afetam o tipo de aminoácido codificado (substituições sinonímias) são provavelmente neutras do ponto de vista evolutivo. Por outro lado, substituições não-sinonímias podem afetar de forma negativa ou positiva a estrutura tridimensional da proteína codificada e influenciar, portanto, a sua atividade.

Como as proteínas têm sido, durante milhões de anos, submetidas a uma forte pressão seletiva, baseada na eficiência de seu relacionamento com os seus substratos, modificações na sequência de aminoácidos e, consequentemente, na estrutura tridimensional das proteínas quase sempre são nocivas para essas moléculas orgânicas.

Vírus da gripe

Micrografia colorizada do sorotipo H1N1 do vírus da gripe tipo A, responsável pela pandemia de 1918 e pelo atual surto de gripe suína (foto: E. Palmer e R.E. Bates/ CDC).



O vírus da gripe ou influenza representa – juntamente com o HIV – o exemplo mais extensivamente estudado de vírus que têm se associado ao homem. Os homens são infectados por três vírus da gripe relacionados entre si. Esses vírus, denominados A, B e C, pertencem à família Orthomyxoviridae.

Dentre esses três vírus da gripe, apenas o tipo C causa infecções mais brandas. O vírus tipo B pode provocar consequências danosas para a saúde de seus hospedeiros. Por isso, ele é utilizado no Brasil em campanhas de vacinação para idosos, nos quais pode causar problemas graves e mesmo óbitos.

O vírus tipo A, por sua vez, está associado à maioria das epidemias com consequências sérias. Tipicamente, as propriedades antigênicas (capazes de provocar a formação de anticorpos) dos vírus tipo A variam um pouco de um ano para o outro, um processo conhecido como deriva antigênica. Esse processo é responsável pela incapacidade do organismo humano hospedeiro de criar uma resistência permanente contra a gripe.

Contudo, em três ocasiões durante o século 20, as propriedades antigênicas do vírus da gripe tipo A modificaram-se radicalmente. Essas mudanças (conhecidas como mudanças antigênicas) fizeram com que esses vírus passassem a apresentar um sorotipo diferente (linhagem que induz anticorpos diferentes no hospedeiro) e geraram pandemias que levaram milhões de pessoas à morte.

O vírus da gripe tipo A possui um genoma formado por uma cadeia de RNA de fita simples com oito segmentos separados. Cada um desses segmentos corresponde grosseiramente a um gene. Cada sorotipo é determinado pelas proteínas hemaglutinina (H) e neuraminidase (N), codificadas respectivamente pelos segmentos 4 e 6.

Dezesseis sorotipos H e nove N são conhecidos. Existe também uma série de combinações entre eles. Porém, apenas poucos desses sorotipos são encontrados no homem e, tipicamente, apenas um ou poucos estão presentes na população humana em um dado período. Por outro lado, todos os sorotipos são encontrados em aves aquáticas, o reservatório natural do vírus da gripe tipo A. Alguns sorotipos estão presentes também em mamíferos como os cavalos e os porcos.

A evolução dos vírus da gripe
Os vírus da gripe foram caracterizados inicialmente na década de 1930 e o primeiro sorotipo identificado foi denominado H1N1. Uma mudança antigênica ocorreu em 1957, levando ao surgimento do sorotipo H2N2 e à pandemia conhecida como gripe asiática. Outra mudança ocorreu em 1968 e deu origem ao sorotipo H3N2 e à gripe de Hong Kong.


Hospital militar nos Estados Unidos durante a pandemia de gripe espanhola de 1918 (foto: National Museum of Health and Medicine, Armed Forces Institute of Pathology).



Estudos indicam que a gripe espanhola de 1918 marcou o início da infecção dos vírus H1N1 no homem. Essa foi de longe a pandemia humana mais severa do século 20 – e obviamente de todos os tempos. Estima-se que ela tenha levado pelo menos 40 milhões de pessoas à morte (veja coluna de janeiro de 2007 ).

O enorme impacto dessa pandemia sobre a saúde humana não ocorreu devido a uma associação de formas virais já presentes na espécie humana, mas sim devido à introdução de um sorotipo completamente novo de vírus (o H1N1) proveniente das aves.

Durante os últimos anos, tem-se observado o ressurgimento do sorotipo H1N1 na população humana. Um exemplo desse tipo de evento é a atual gripe suína, que, até o fechamento desta coluna (no dia 30 de abril), já havia infectado 260 pessoas somente em seu local de origem – o México – e provocado 12 mortes no país.

Portanto, a gripe suína não representa uma grande novidade em termos evolutivos, mas sim um velho fantasma que a humanidade tem combatido nos últimos 90 anos.


Jerry Carvalho Borges
Universidade do Estado de Minas Gerais
01/05/2009

01 maio, 2009

Antidepre natureba

A erva de São João é um conhecido antidepressivo natural, auxiliando no tratamento de distúrbios do sono e até insônia.

Ameniza também os sintomas da TPM (Sindrome ou Tensão Pré-Menstrual).

Por ser uma planta antivirótica e antibacteriana, alivia as inflamações, sendo excelente para tratamento de feridas e queimaduras e melhorando o desempenho do sistema imunológico.

Outra dica são os remédios naturais a base de Piper methysticum, popularmente conheciada como Kava Kava, podem ser usados para controlar a ansiedade e as depressões leves.

Além disso, a Kava kava contém a molécula lactona, que age como relaxante muscular o que contribui também, para regular os disturbios do sono.

30 abril, 2009

A pensão alimentícia e o imposto de renda.

ESTOU INDIGNADA EM TER QUE PAGAR IMPOSTO DE RENDA SOBRE PENSÃO!
O PIOR É VER A PASSIVIDADE DE TODOS QUE RECEBEM E SE CALAM!

Uma ameaça à dignidade da pessoa humana
Kalyne Lopes de Brito
Bacharelanda em Direito pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
Elaborado em 03.2007.


1. Introdução
O foco da presente análise incide sobre a exação do imposto de renda em face da pensão alimentícia prestada aos filhos menores.

A pensão alimentícia tem por escopo garantir àquele que não tem condições de prover o próprio sustento recursos para sobreviver dignamente. O vínculo originário da obrigação alimentícia é a solidariedade familiar, albergada no art. 229 da Constituição Federal, razão pela qual não pode representar acréscimo patrimonial.

O imposto de renda, por seu turno, incide sobre a renda e proventos de qualquer natureza ou rendimentos, sendo tal hipótese de incidência incompatível com a natureza jurídica e os fins a que se destinam os alimentos.

Importa na presente e breve análise indagar os limites da legitimidade da incidência do imposto de renda sobre os proventos de pensão alimentícia, quando conjugados com o princípio da dignidade da pessoa humana e da vedação do bis in idem, ambos princípios norteadores do Sistema Tributário Nacional, por imperativo da Carta de Outubro.

Para tanto, servimo-nos de consulta às bases legislativas pátrias, bem como procuramos alicerçar a pesquisa nos ensinamentos da literatura especializada.

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2. Alimentos: instrumento de afirmação da dignidade da pessoa humana

O comportamento social e a vida familiar evoluíram. As relações de convivência familiar e social já não são mais as rigidamente estabelecidas pelo Código Civil de 1916, em que o modelo único de família, fundado na desigualdade e sustentado pelo patriarcado, tinha na figura do homem a concentração do poder econômico e social da família.

Com o advento da Constituição de 1988 a família passou a ter especial proteção do Estado. Assim, a família contemporânea, diferentemente da família moderna do século passado, vem concebida a partir de um desenho marcado pela constitucionalização, que prestigia a proteção da família, com destaque para a dignidade da pessoa humana, a igualdade familiar e a prevalência da tutela dos interesses da criança e do adolescente.

É nesse cenário que a questão da tributação dos alimentos representa desequilíbrio, na contramão das conquistas das muitas igualdades, finalmente reconhecidas no ambiente da família brasileira.

A obrigação alimentícia funda-se sobre um interesse de natureza superior, que é a preservação da vida humana e a necessidade de dar às pessoas uma garantia no tocante aos meios de subsistência.

Nesse passo, os alimentos possuem características próprias: visam assegurar o direito à vida digna que tem assento constitucional (CF, art. 5º), sendo regulado por normas cogentes de ordem pública, devendo atender as necessidades normais de qualquer pessoa em desenvolvimento, como a habitação, a alimentação, o vestuário, o tratamento médico, a instrução, educação e o lazer.

Diante desse contexto, as prestações de caráter alimentício exercem o papel de promotores do direito à vida, podendo-se considerar ainda, no dizer de Carmem Lúcia Antunes Rocha [01], que o atributo da dignidade é inerente àquele direito (vida) onde se encontram intangíveis à própria concepção jurídico-estatal.

A obrigação alimentar cumpre um papel muito importante, qual seja, o de efetivamente servir como ambiente propício para a promoção da dignidade e a realização da personalidade dos beneficiários, aqui concentrados na figura da criança e do adolescente, os quais têm o direito de manter o mesmo padrão de vida de seu alimentante.

Desta forma, qualquer desconto da pensão alimentícia implica a redução dos valores que deveriam atender o alimentando. Descontando o imposto de renda da pensão alimentícia recebida, há inegável diminuição do quantum da pensão, na medida em que a tributação direta inevitavelmente reduzirá o valor final a ser percebido, tendo em vista que a parcela tributada não é considerada ao se deferir a prestação alimentícia. Como não há tal previsão, o que ocorre é a real diminuição do quantum que, se já é justo para atender a fins delimitados, torna-se mais limitado e, no mais das vezes, colabora para o aperto financeiro do alimentando.

Alimento não é renda e com esta não se confunde, não devendo merecer o tratamento como se rendimento fosse, bem como não pode sofrer uma interpretação extensiva que o faça incidir na expressão "proventos de qualquer natureza".

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3. Imposto de renda versus pensão alimentícia

3.1 Imposto de renda e alimentos: convivência conflituosa

Os tributos possuem, como uma de suas funções, promover a intervenção do Estado na economia (extrafiscalidade) e, especialmente a de funcionar como instrumento de redistribuição de riqueza, porém, por vezes tais funções acabam ferindo alguns princípios constitucionais como o da capacidade contributiva que é reflexo do princípio da igualdade e o da dignidade da pessoa humana.

O imposto sobre rendas e proventos de qualquer natureza encontra seu sustentáculo legal no art. 153, III, da Constituição Federal, o qual confere competência à União para instituí-lo, fixa os princípios que o cercam, delimita a sua regra matriz de incidência e expressamente coloca que o imposto deverá ser informado pelos critérios de generalidade, da universalidade e da progressividade.

Já o Código Tributário Nacional, em seu art. 43, complementa o texto da Lex Mater normatizando os aspectos gerais do citado imposto e definindo os elementos que o compõem. Na condição de norma complementar, o CTN, ao disciplinar o imposto de renda, deve guardar estrita obediência ao que se encontra previsto no texto constitucional, além de guardar harmonia com a principiologia jurídica do Sistema Tributário Nacional, também de extração constitucional.

No núcleo da exação em comento encontram-se as palavras "renda e proventos de qualquer natureza", as quais revelam o sentido de "acréscimos patrimoniais" desde que levados em consideração o conjunto de princípios que norteiam a incidência do imposto sobre a renda. O art. 43 do CTN oferece respaldo a esta afirmação, senão vejamos:

Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:

I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;
II – de proventos de qualquer natureza, assim entendido os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.

A incidência do imposto de renda sobre os valores auferidos como pensão alimentícia é uma forma de exploração desnecessária do menor e do adolescente, uma verdadeira ameaça ao princípio da dignidade da pessoa humana.

O recebimento de pensão alimentícia não implica aumento patrimonial para quem recebe. Em se tratando de aumento patrimonial, é interessante trazer a posição de Hugo de Brito Machado, quando ensina que:

(...) uma das bases mais universais da tributação no mundo atual é a renda que, por definição, é crescimento patrimonial resultante do capital, do trabalho, ou da combinação desses dois fatores. Verifica-se, porém, que apenas a renda derivada do trabalho, que muitas vezes não chega a ser propriamente renda porque não implica aumento patrimonial porque é inteiramente consumida no atendimento das necessidades imediatas do trabalhador, tem sido alvo da tributação no Brasil [02].

Para vislumbrar melhor tal situação podemos lembrar que no caso da obrigação alimentícia, aufere renda ou rendimento aquele que paga a pensão, e não aquele que recebe a pensão. O fisco, por sua vez, contempla o pagador da pensão com o desconto integral no imposto de renda dos valores pagos com a pensão alimentícia, privilegiando, assim, o mais forte, tornando menos oneroso o ato de pagar pensão. Por outro lado, o fisco reembolsa-se da dedução integral que concede ao pagador, cobrando o imposto de renda do alimentando, retirando daquele valor, previamente calculado, parcela destinada a promover uma vida digna ao menor de idade.

Como se percebe, o imposto de renda figura como tributo hábil em reverter aos cofres públicos parcela ou parte de rendimentos de determinado grupo de contribuintes que, sendo constatado a "aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica", nos termos dos incisos explicativos supra, é convertido em exação tributária.

Neste ponto, quando confrontado o tributo em comento com o instituto da pensão alimentícia, surge uma zona grísea de litigiosidade, entre a natureza jurídica do instituto e a assanha arrecadatória do ente público. A solução desta problemática, contudo, deve passar necessariamente pela filtragem constitucional do princípio da dignidade da pessoa humana e da vedação do confisco.

3.2. Pensão alimentícia: acréscimo patrimonial?

Há, porém, que se debruçar sobre o sentido da expressão "acréscimo patrimonial" para evitar que se cometam equívocos, incluindo aí aquisições que não possuem caráter patrimonial, como por exemplo, as pensões alimentícias, correndo-se o risco de ferir o princípio da vedação do confisco inerente ao Sistema Tributário Nacional e garantia fundamental do cidadão contribuinte.
Nesse sentido, é preciosa a lição de Mary Elbe Queiroz [03]:

Sobre o que seja acréscimo patrimonial, o vocábulo não deverá ser entendido como tudo que se somar ao patrimônio. Do contrário, o imposto incidirá sobre ingressos e não sobre a renda, pois, somente poderá ser considerado como acréscimo aquilo que efetivamente aumentou o patrimônio. O acréscimo é o resultado dos valores auferidos menos os recursos empregados na sua obtenção e na manutenção da fonte produtora. O acréscimo é o produto líquido (receitas menos custos e despesas), pois, nem toda a renda percebida ou todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos resulta um acréscimo patrimonial.

Em vista disso, percebe-se a impropriedade da tributação sobre o montante da pensão alimentícia, uma vez que o conceito ou o sentido dos termos que delimitam o fato gerador não se coaduna com a finalidade ou o propósito do instituto, fugindo, portanto, em uma exegese teleológica, à finalidade da pensão.

O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que regulamenta a Tributação das Pessoas Físicas, por sua vez, em seu art. 5º refere-se a alimentos como "caso de rendimentos percebidos em dinheiro", in verbis:

Art. 5º No caso de rendimentos percebidos em dinheiro a título de alimentos ou pensões em cumprimento de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial, inclusive alimentos provisionais ou provisórios, verificando-se a incapacidade civil do alimentado, a tributação far-se-á em seu nome pelo tutor, curador ou responsável por sua guarda (Decreto-Lei nº 1.301, de 1973, arts. 3º, § 1º, e 4º).

O mencionado artigo afronta o texto constitucional, uma vez que não respeita as limitações jurídicas impostas pela Constituição, em sede de matéria tributária, notadamente no art. 153, III e no CTN em seu art. 43, I e II que definem, de forma categórica, a hipótese de incidência tributária.

Ademais, viola por tergiversação princípio comezinho do direito tributário, insculpido por obra do legislador ordinário no artigo 110 do Código Tributário Nacional, consoante o qual "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado (...)".

Sobre esta vedação, alerta Luciano Amaro que "(...) o legislador não pode expandir o campo de competência tributária que lhe foi atribuído, mediante o artifício de ampliar a definição, o conteúdo ou o alcance de institutos de direito privado, utilizados para definir aquele campo" [04].
Em uma interpretação extensiva deste enunciado, conjugando-o com o propósito do presente estudo, fácil se mostra perceber que a tributação do importe da pensão alimentícia esbarra neste empecilho de ordem legal.

O artigo 5º do Decreto nº 3000/1999 encontra-se eivado de incontestável ilegalidade, tendo em vista que renda e proventos de qualquer natureza são empregadas pela Constituição, segundo Hugo de Brito Machado, para limitar o âmbito de incidência do imposto de renda, não podendo o legislador ordinário defini-las livremente, sob pena de transformar a supremacia da constituição em ornamento da literatura jurídica [05].

No âmbito dos tributos não vinculados, por certo que a Lei Fundamental desenhou uma norma-padrão de incidência tributária. Para Roque Carraza, a Constituição:

ao discriminar as competências tributárias, estabeleceu – ainda que, por vezes, de modo implícito e com uma certa margem de liberdade para o legislador – a norma padrão de incidência (o arquétipo genérico, a regra matriz) de cada exação. Em síntese, o legislador, ao exercitar a competência tributária, deverá ser fiel à norma padrão de incidência do tributo, pré-traçada na Constituição. O legislador, enquanto cria o tributo, não pode fugir deste arquétipo constitucional. Era precisamente isto que Albert Hensel queria expressar quando enfatizou que toda norma tributária deve respeitar as limitações jurídicas impostas pela Constituição [06].

Em vista do exposto, as prestações alimentícias não podem ser inseridas, em decorrência de sua natureza jurídica, fundamentos e fins a que se destina, dentro da hipótese de incidência do imposto de renda, já que não representa, em essência, acréscimo de ordem patrimonial do beneficiário.
________________________________________
4. Considerações finais

A legislação do imposto de renda deve ser reformada para isentar de tributação os alimentos devidos em razão de laços familiares, dedicando ao alimentando tratamento mais digno e cidadão.

Se, por um lado, o Estado procurou tutelar o direito de família contemporâneo, expressando progressos apreciáveis, de outro manteve as estruturas rígidas do século passado. Não é preciso reforma constitucional ou tributária para rever a matéria em foco, basta reformar a legislação do imposto de renda, que poderá isentar de tributação os alimentos de qualquer natureza, e assim o alimentando receberia tratamento mais digno.

Dessa forma, estar-se-ia diante dos ditames de justiça fiscal apregoados pela Carta Magna de 1988. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação e demais condições de vivência e convivência, e, imbuídos nesses ditames, assegurados pelo art. 226 da Constituição, deve ser verificado que estender à pensão alimentícia os efeitos tributários do Imposto de Renda aniquila o caráter alimentar do instituto, não se coadunando, desse modo, com os ditames constitucionais aí estatuídos.

AAssim sendo, é descabida a incidência do imposto de renda sobre alimentos, por ser tributação injusta, indevida e que ameaça a dignidade da pessoa humana, e viola frontalmente a vedação do confisco, princípios de extração constitucional.


NOTAS
01 ROCHA, Carmem Lúcia Antunes. Vida digna: Direito, Ética e Ciência. In O Direito à Vida Digna. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2004, p. 43.
02 MACHADO, Hugo de Brito. Tributação capital e trabalho. Disponível em: www.hugomachado.adv.br. Acesso em 04 de março de 2007.
03 QUEIROZ, Mary Elbe. O Conceito de Renda para Fins do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Inconstitucionalidade de Lei Ordinária que Afronta o Arquétipo Constitucional de Tributo. In Construindo o Direito Tributário na Constituição. Belo Horizonte: Del Rey, 2004, p. 490.
04 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro.12ª ed, São Paulo: Saraiva, 2006, p. 220.
05 MACHADO, Hugo de Brito. A supremacia constitucional e o imposto de renda. Disponível em: www.hugomachado.adv.br. Acesso em: 23 de fev de 2007.
06 CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2004.

REFERÊNCIAS
AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro.12ª ed, São Paulo: Saraiva, 2006
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de outubro de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm. Acesso em: 04 de março de 2007.
__________. Código Tributário Nacional. Lei nº 5.172, promulgado em 25 de outubro de 1966. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5172.htm. Acesso em: 04 de março de 2007.
CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2004.
MACHADO, Hugo de Brito. A supremacia constitucional e o imposto de renda. Disponível em: www.hugomachado.adv.br. Acesso em: 23 de fev de 2007.
__________. Curso de Direito Tributário. 26ª ed. São Paulo: Malheiros, 2005.
_____________. Tributação capital e trabalho. Disponível em: www.hugomachado.adv.br. Acesso em 04 de março de 2007.
QUEIROZ, Mary Elbe. O Conceito de Renda para Fins do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Inconstitucionalidade de Lei Ordinária que Afronta o Arquétipo Constitucional de Tributo. In Construindo o Direito Tributário na Constituição. Belo Horizonte: Del Rey, 2004
ROCHA, Carmem Lúcia Antunes. Vida digna: Direito, Ética e Ciência. In O Direito à Vida Digna. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2004, p. 43.
Informações bibliográficas:
Conforme a NBR 6023:2002 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma:
BRITO, Kalyne Lopes de. A pensão alimentícia e o imposto de renda. Uma ameaça à dignidade da pessoa humana. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1414, 16 maio 2007. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2009.

“A vida só é digna de ser vivida quando se faz algo pela vida em vida" Adolpho Bloch

“Todas as idéias nas quais repousa hoje a sociedade foram subversivas antes de serem tutelares” (Anatole France)

29 abril, 2009

O corpo é a alma


Como uma pequena contusão pode mudar a pessoa que somos

por Denis Russo Burgierman

Cada um de nós é formado por corpo e mente, certo? Ou, se você for mais místico, mais religioso, a divisão é entre corpo e alma. De um lado, nossa essência, aquilo que nos faz únicos. Do outro, a lataria ­ ossos, carne, entranhas. De um lado, a centelha da vida, eterna e pura. Do outro, a matéria, inferior, desimportante.

Pois bem. Eu acredito que essa visão não tem pé nem cabeça, que ela é uma besteira tremenda. Não estamos divididos ao meio. Cada um de nós é um só, e aquilo que chamamos de “mente”, ou de “alma”, nada mais é que uma conseqüência direta e inevitável do corpo. São as células do nosso cérebro ­ e também as do nosso fígado, e as do nosso pâncreas, e as do intestino ­ que fazem com que sejamos quem somos. Nada mais que isso.

Poxa, leitor, me perdoe pensamentos tão pretensiosos neste espaço, que costumo dedicar às coisas pequenininhas do dia-a-dia, mas é que estes dias essas refl exões se tornaram inevitáveis para mim. Conto por quê. Semana passada fui operado. Um médico me sedou, eu apaguei, aí ele abriu uns buraquinhos no meu ombro e parafusou num osso um ligamento que estava solto. Acordei perguntando que horas seria a cirurgia, o médico gentilmente me informou que ela já tinha acabado.

Antes que você se preocupe, atencioso leitor, aviso que a operação foi um sucesso. Finalmente resolvi um problema ortopédico que me incomodava há mais de uma década. Mas agora circulo por aí com o braço esquerdo pendurado numa tipóia. Sou destro, o que quer dizer que o braço esquerdo é o mais dispensável dos meus quatro membros ­ sua imobilização não me impede de me locomover, nem de trabalhar, nem mesmo de dirigir um carro com câmbio automático. Quer dizer, meu probleminha mudou a pessoa que sou, pelo menos um pouquinho.

Por exemplo, acho que escrevo pior com a mão esquerda numa tipóia. Minha mão direita, sozinha, não consegue acompanhar o texto que eu vou bolando na cabeça. O resultado disso é este texto chato (desculpe, mas você não vai ficar bravo com um cara com uma tipóia, vai?). Outra conseqüência é que todo mundo me trata com condescendência, e o jeito que as pessoas me tratam certamente muda a pessoa que sou. Fiquei menos ativo, claro. Menos falante. Outro dia uma senhora me pediu um trocado e neguei. Na hora pensei que, em outra circunstância, daria 1 real para ela. Mas, com a tipóia, fica difícil puxar a carteira, dá preguiça. Ou seja, o braço na tipóia me tornou até menos generoso, mais egoísta. Por outro lado, fiquei mais cuidadoso, menos apressado, ansioso ­ com os dois braços eu queria tudo rápido, agora meu tempo é mais lento. Enfim, mudei. E mudei na minha “essência”.

Minha deficiência é pequenininha. E é temporária. Logo volto a ser quem eu era, só que com um ombro melhor. Mas essa história me ajudou a entender a importância do corpo ­ não só como suporte da alma, ou da mente, mas como base de tudo que somos. E me ajudou a imaginar o tamanho da dificuldade de lidar com problemas mais sérios que o meu. Daqui para a frente, vou ser mais compreensivo com quem tem dificuldades físicas. E vou cuidar bem direitinho do meu corpo.

Denis Russo Burgierman, jornalista, pegou uma bolsa de gelo e colocou no ombro logo depois de entregar este texto. gambiarra@abril.com.br

28 abril, 2009

Jogos loucos

Descobri um joguinho legal: anjo oculto! As nuvens são tão rápidas que haja atenção! Bom para distrair...

27 abril, 2009

autoconhecimento

"É preciso convir que aquilo que somos contém, queiramos ou não, um pouco da maneira como os outros nos vêem..." Sandra Jatahy Pesavento


(talvez por isso fico recolhendo feedbacks... para me dar conta de mim)

26 abril, 2009

Aborto, corpo, poder e saúde pública

por Solange Pereira Pinto

Desde o movimento feminista, o papel da mulher (e do homem) tem se reconfigurado. Por estarmos na era tecnológica e de ampla comunicação e mídias, isso se faz – aparentemente – com maior rapidez. A nova visão de mundo e as necessidades das mulheres derrubaram mitos e tem erguido diversas formas de relacionamento com o outro e com a sociedade, de tal forma que novos comportamentos e posturas podem sim influenciar aspectos da saúde pública.

O aborto, por exemplo, tem se mostrado um tema relevante para a saúde da mulher, uma vez que aquelas que decidem se submeter a essa intervenção não possuem o respaldo técnico da medicina, exceto os poucos casos previstos em lei. Mulheres sem condições financeiras e mais vulneráveis acabam por colocar a própria vida em risco ao tentarem abortar. Ainda que em nosso país o aborto seja proibido, tal fator não impede às mulheres que de fato se vejam em certas situações – limite ou não (por elas julgadas assim) – tentem recorrer a essa prática.

“Abortar” não pode mais ser tratado como um assunto apartado do contexto cultural, plural, social e globalizado em que a humanidade vive neste século XXI. Os tempos mudaram e têm mudado ainda mais. Hoje, o domínio que a mulher pretende dar ao seu corpo é muito maior do que em tempos atrás. Hoje, de modo geral, a mulher não aceita mais que seu corpo pertença ao domínio de outrem, seja esse outro a Igreja, o marido, o pai, o Estado, a Lei. Ou, ainda, ao masculino e suas formas de representação. A mulher quer dispor do seu corpo como pertencente ao seu domínio próprio (autonomia) e integrado ao seu sujeito – ser mulher, com seus valores e subjetividades. Aliadas a elas estão a camisinha feminina, a pílula do dia seguinte, o DIU, a pílula anticoncepcional. E o aborto...

O problema torna-se ainda mais grave, pois, como analisam os pesquisadores, o abortamento inseguro cria um ambiente ameaçador, de violência psicológica e de culpabilidade que leva muitas mulheres a apresentarem sintomas de depressão, ansiedade, insônia e arrependimento da escolha realizada. “O problema da gravidez não desejada deve ser enfrentado a partir de políticas públicas que reconheçam os direitos humanos reprodutivos das mulheres, que incluam os homens nessas políticas e criem nos municípios brasileiros com ações de saúde a cultura de ações de educação sexual e de atenção à anticoncepção”.

Por outro lado, interessante é notar que, contemporaneamente, podemos fazer uma série de mutilações corporais (tatuagens, piercings, silicones, próteses penianas, redução de estômago, retirada de sisos, retirada de amídalas, doação de rins, plásticas estéticas de todo tipo de órgão, amputações, depilações, escarificação e até implante de orelha no braço como vi recentemente e outras formas de bodymodification). Isso significa que a cultura do corpo tem tomado outras dimensões em nossa época. E a mulher está integrada a esse fluxo.

Segundo Domingues , o corpo “é produto e produtor do meio, nele estão inscritas as marcas bio-histórico-culturais de cada sociedade. É preciso compreender que o corpo tem uma história, é dotado de linguagem, por isso, fala e exprime seus anseios de forma bastante significativa”.

Isso pode sem dúvida gerar tensões e discussões sobre ética médica, humana, estética etc. Mas como o aborto e o papel da mulher entram nesta polêmica?

A sociedade, também, tem mudado seu conceito de reprodução biológica e social. O modelo familiar – mulher, marido, filhos – toma novas formas a partir das uniões homossexuais, das construções familiares híbridas com filhos de vários casamentos, famílias só de mulheres com avós participantes. Ou seja, a própria definição de família mudou.

Nesse sentido, a mulher vem procurando outras formas de reprodução e planejamento familiar em razão das novas tecnologias e nova visão de mundo, numa “pós-modernidade líquida, uma realidade ambígua, multiforme”, como definiu o sociólogo polonês Zygmunt Bauman e por que não dizer “descartável”.

De um lado, os métodos de reprodução assistida, inseminação artificial, proveta, barriga de aluguel, banco de esperma estão disponíveis (em maior ou menor grau) para aquelas mulheres que usam de todos os meios para atingir seu fim: engravidar.

De outro lado, resta a clandestinidade das agulhas de tricô e ingestão desmedida de Citotec. Algumas mulheres vêem a gestação como uma “invasão” de seu corpo. Outras que engravidaram “inconscientemente” quando estavam drogadas, alcoolizadas. Ou aquelas que já têm tantos filhos e sem planejamento familiar não querem mais uma gestação. São muitas as questões e conflitos que pairam nas cabeças das mulheres que optam por vários meios perigosos para se atingir um único fim: abortar.

O filósofo francês Jean-François Lyotard considerou a pós-modernidade como um tempo em que a ciência não pode ser considerada como a fonte da verdade. Se assim estamos, não há mais que se falar em condutas únicas. Por isso, o importante papel da bioética para colocar em discussão a ética da vida e as conseqüências de certas posturas para a humanidade. Discutir o que é vida, onde ela começa e quando ela termina são pautas da agenda atual.

Para tantos questionamentos, surgem infinitas teorias. “As técnicas desempenham importante papel na constituição e manutenção da sociedade do controle. Os instrumentais refinados de comunicação e informação, resultantes da terceira revolução tecnológica, enraizam-se nas subjetividades, produzem novos desejos e sensações – o pós-humano. Sobre essa base, emerge uma nova tecnologia do poder, o biopoder”, analisa Braga e Vlach

A mulher ter “direito ao aborto” é a meu ver um assunto não somente relacionado ao conceito de vida ou não do embrião/feto, mas do domínio do corpo da mulher por ela mesma. É também uma questão de poder. Há por trás do aborto muito mais subjetividades do que simplesmente “eliminar uma gravidez”.

Na sua origem, o poder biotécnico disciplinador identificado por Foucault como a forma caracteristicamente moderna do poder estava baseada em duas formas principais: “a anátomo-política do corpo humano, centrada no corpo como máquina útil e dócil, que pode ser adestrada, ampliada em suas aptidões e ‘extorquida em suas forças’ e a biopolítica das populações, centrada no ‘corpo-espécie regulável’ do ponto de vista da natalidade, mortalidade, nível de saúde e duração da vida” (Foucault, 1990, p.131).

Por fim, longe de esgotar a discussão, engravidar e abortar são questões de saúde pública que tem a mulher como protagonista e passam pela noção de poder sobre o corpo feminino.

História

No início da era cristã, advogado era alguém que falava no lugar de outra pessoa.

Hoje que nome se dá a quem fala pelo outro?

25 abril, 2009

Enfim, as pazes com a cama

Medicina & Bem-estar

Especialistas indicam uma nova receita para o tratamento da insônia, problema que atinge 20 milhões de pessoas no Brasil

por Greice Rodrigues e Mônica Tarantino

O funcionário público Rogério Gomes passou mais da metade dos seus 37 anos com muita dificuldade para dormir. Ele até contou as noites em que ficou boa parte do tempo em claro: cerca de três mil. Ele assistia à televisão, ficava no computador, comia, andava pela casa ou rolava na cama à espera do sono. No ano passado, Gomes foi ao Instituto do Sono, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista.

Era mais uma tentativa de tentar resolver o problema. Lá, a primeira lição que aprendeu foi identificar a causa da insônia. Nas consultas seguintes, descobriu que o que fazia à noite só servia para mantê-lo mais desperto. Até o banho que tomava na hora de ir para a cama. "Não tinha consciência de que isso tudo interferia no problema", conta. "Fiz um processo de reeducação e treinamento para abolir os hábitos prejudiciais." Hoje, ele dorme até seis horas por noite. Finalmente fez as pazes com a cama.

O segredo que ajudou Gomes a recuperar o sono foi a terapia cognitivo-comportamental (TCC), um recurso usado pela Psicologia para auxiliar os indivíduos a mudar sua maneira de se relacionar com situações indesejadas. Seu objetivo é ajudar a pessoa a identificar o que a está levando a viver determinada circunstância e auxiliá-la a alterar esses gatilhos.

No caso da insônia - mal que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros -, o que se quer é que o indivíduo entenda a relação estabelecida com o sono, descubra o que está fazendo de errado e corrija esse caminho. A terapia faz isso a partir do trabalho sobre dois pilares: a percepção que se tem do problema, ou seja, em nível cognitivo, e as atitudes relacionadas ao que se pretende transformar - em termos de comportamento. Daí o nome de cognitivo-comportamental.

Há três meses, a TCC, como a terapia é chamada pelos especialistas, passou a ser indicada como primeira opção de tratamento para a insônia, antes mesmo dos remédios. A mudança na receita foi designada pelo novo Consenso Brasileiro de Insônia, concluído no final do ano passado pela Associação Brasileira do Sono. "Hoje o tratamento é muito baseado em medicamentos", explica o neurologista Luciano Ribeiro Pinto, do Laboratório de Fisiobiologia do Instituto do Sono e presidente da entidade. "Queremos mudar a conduta do médico e o comportamento do paciente", esclarece. A nova diretriz será publicada em revistas médicas brasileiras até o final do semestre.

O modelo segue a abordagem já usada nos Estados Unidos e na Europa. Nesses locais, a TCC tem se mostrado um recurso imprescindível. Aqui no Brasil, os primeiros resultados obtidos no Instituto do Sono são animadores. "Até 80% dos pacientes que fizeram a terapia deixaram de tomar remédios", afirma a terapeuta Maria Christina Ribeiro, especialista em distúrbios do sono e pesquisadora do instituto.

A mudança no jeito de tratar a insônia se deve à constatação de que o distúrbio tem suas raízes mais em questões psicológicas e comportamentais do que em disfunções orgânicas. Segundo os especialistas, os pacientes não têm esse entendimento e manifestam a tendência de enxergar a dificuldade para dormir como um problema isolado. Não percebem que, na maioria das vezes, ela é só um sintoma cujas causas podem ser complicações financeiras, crises familiares ou profissionais, por exemplo. "Com a TCC, ensinamos o indivíduo a dissociar os problemas", explica Maria Christina. "Ele desvia o foco da insônia e passa a administrar as duas coisas separadamente: o problema e o sono."

É preciso identificar as atitudes que impedem o adormecer ou nos levam a acordar de madrugada

À primeira vista, para quem está à procura do alívio do sono, pode ser desanimador pensar que terá de encarar um tratamento psicológico para resolver um problema que compromete tanto a vida - uma noite maldormida deixa qualquer um nervoso e desconcentrado. Uma pílula não resolveria o problema - pelo menos esse - mais rápido? Sim, mas cobrando um alto preço por isso. Segundo o neurologista Nonato Rodrigues, da Universidade de Brasília, quase a totalidade das drogas contra a insônia causa dependência a curto prazo. "Além disso, provocam prejuízos à memória e à atenção", afirma Rodrigues.

A TCC não é uma daquelas terapias sem fim, sem foco, sem resultados relativamente rápidos. O tratamento consiste geralmente em seis sessões - uma por semana. Na primeira, o paciente passa por uma avaliação para identificação, pelo especialista, das causas comportamentais ou psicológicas do problema. Depois, recebe informações sobre o sono e a insônia. Nesse momento, ele próprio começa a identificar a origem de sua dificuldade para dormir. A partir dessa etapa, é convidado a escrever um diário sobre o seu sono, relacionando os hábitos associados à hora de dormir.

Esse registro ajuda a detectar mitos e conceitos errados sobre o sono. Um dos mais comuns é esperar por ele na cama, mesmo quando ele não vem. Por meio de técnicas específicas, os terapeutas corrigem essas concepções, no plano mental, e orientam para a tomada de atitudes práticas, no plano do comportamento. Em relação a ficar rolando na cama, por exemplo, fazem uma comparação com o ato de comer. "Ninguém fica na mesa esperando a fome chegar", exemplifica Maria Christina. "Portanto, o melhor é ir para a cama quando tiver sono." Outro equívoco é realizar uma atividade, como meditação ou tomar um banho morno, e esperar que ela vá fazê-lo dormir melhor.

Tomar um banho morno antes de dormir esperando que isso ajude pode trazer ansiedade e piorar a situação

Os estudos mostraram que quando o paciente tem essa expectativa naturalmente fica ansioso para vê-la realizada. O problema é que ansiedade não combina com bom sono e o que se tem é o contrário do esperado. Outra técnica usada na TCC é a chamada intenção paradoxal: as pessoas são orientadas a fazer força para não dormir. O resultado é que a maioria pega no sono.

Para aumentar o acesso à terapia, foi criada uma versão para a internet. Em geral, o atendimento começa com um cadastramento. A condição básica é ter acesso diário ao computador, e-mail e telefone celular. No Japão, por exemplo, a maioria dos participantes dos testes que avaliam a ferramenta preferiu participar do programa usando celulares. Depois de ganhar uma senha, o interessado em se tratar online responde a perguntas sobre os hábitos de sono (a que horas vai para a cama, quantas horas dorme, se acorda durante a noite) e estilo de vida (se fuma, se faz exercícios).

Horário para adolescentes

O sono dos adolescentes tem sido alvo de estudo. É conhecida a dificuldade que eles têm para dormir cedo e pular da cama nas primeiras horas da manhã. Geralmente, dormem tarde e acordam lá pelo meio da manhã. Quando são obrigados a ir para a escola cedo, é um drama. Muitos não acompanham as aulas, de tanto sono.

Ainda não se sabe exatamente o que ocorre nessa fase da vida que leva a essa mudança. Há alguns indicativos. O primeiro seria a ocorrência de um atraso no ritmo do relógio biológico, causado pelas mudanças hormonais típicas da idade. Sabe-se que a melatonina, o hormônio que induz ao sono, começa a ser produzida um pouco mais tarde do que nos adultos. Isso atrasa o início do adormecimento e posterga o despertar.


Existe também um forte componente comportamental. Eles estão habituados a assistir à tevê até mais tarde, ficam noite adentro no computador. Retardam o sono porque demoram a ir para a cama e também porque ficam mais estimulados mentalmente.

A queda no rendimento escolar derivada das poucas horas de sono começou a preocupar pais e professores e está promovendo mudanças no horário escolar. "A solução mais sensata é atrasar os horários de atividades pela manhã", afirma Luiz Menna-Barreto, da Universidade de São Paulo (USP).

Em São Paulo, a Escola de Aplicação da USP e a Escola Estadual Francisco Brasiliense Fusco fizeram alterações. "Os adolescentes que estudavam de manhã passavam boa parte das aulas com sono. Os menores que estudavam à tarde dormiam na classe", conta Rosângela Moura, diretora da escola pública. Os horários foram invertidos. As faltas caíram e as notas melhoraram. Há iniciativas individuais também. Caio Dini, 14 anos, do Colégio Albert Sabin (SP), trocou de horário para render na escola. "Ele sentia sono pela manhã. Depois que foi transferido, virou outro aluno", diz Deise Dini, mãe do estudante.

Além disso, ele precisa dar informações diárias sobre seu estado de humor e sua disposição. A partir daí, o programa informa o beabá da insônia, como os fatores de risco, para só então introduzir as sugestões de mudanças no cotidiano. Pioneiro na investigação do potencial da internet contra o transtorno, o americano Lee Ritterband, da Universidade da Virgínia, acredita que essa é a melhor forma de reduzir o impacto mundial das noites em claro. "Vimos que esse tipo de intervenção pode melhorar o sono, o estado de humor e as funções cognitivas, como concentração e aprendizagem, prejudicadas pelo pouco sono", afirma o médico, baseado em uma pesquisa recente financiada pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.

Além da TCC, outra novidade tem empolgado os especialistas: o treinamento com imagens mentais, que associa técnicas de respiração e relaxamento com a visualização. O objetivo é levar o paciente a relaxar antes de dormir e criar imagens mentais para eliminar o fator estressante que pode estar por trás da briga contra o sono. Por exemplo, se é um cachorro que late sem parar, pode-se imaginar que o animal está num barco que vai levá-lo para muito longe. Se o que incomoda é o ranger da porta, pode-se colocar o barulho em uma caixinha e jogá-la no lixo. "O insone é uma pessoa que rumina preocupação e ansiedade.

Sem perceber, alguns também selecionam e monitoram estímulos que atrapalham o sono. É necessário trocar essas atitudes mentais por outras mais tranquilas", explica a bióloga Yara Molen, de São Paulo. Ela estuda o desempenho do método desde 2006, como tema de uma pesquisa de doutorado conduzida na Unifesp.

Até agora, 80 pessoas foram submetidas ao processo. Os resultados são bons. "A maioria aumentou seu tempo de sono entre 38 minutos a uma hora e meia", conta Yara. "Outros mudaram a percepção que tinham da qualidade do próprio sono." O engenheiro de sistemas Giovanni Celestre, 48 anos, por exemplo, submeteu-se a dez sessões para colocar abaixo as barreiras que interrompiam o seu sono e o faziam trabalhar mais para compensar a falta de concentração. "Minha insônia deixou de ser crônica e eu sei que se uma noite for ruim, na outra vou dormir bem", afirma.

A recomendação é que os remédios apresentem baixo risco de dependência e que sejam tirados aos poucos

A ascensão das duas modalidades de tratamento é o sinal evidente de que o moderno controle da insônia baseia-se principalmente em opções mais delicadas. Meditação e acupuntura, por exemplo, encontram-se entre elas. "Elas atuam na redução da ansiedade e no controle do stress, dois fatores que levam ao problema", afirma o médico e acupunturista Hong Jin Pai, do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-SP).

Porém, há situações na quais só as terapias não farmacológicas não bastam. "Não é raro a insônia estar associada a alterações e transtornos mentais, como a depressão", diz o neurologista Flávio Aloe, coordenador do Centro Interdepartamental de Estudos do Sono do HC-SP. Nestes casos, o remédio ainda é indispensável. Contudo, a necessidade de usar medicamentos é algo que nem todos aceitam de imediato.

A massagista e ex-publicitária Regina Chagas Paganoni, 42 anos, por exemplo, ficou surpresa ao saber que estava entrando em depressão porque não dormia bem havia pelo menos dez anos e teria de tomar antidepressivo. "Demorei a me acostumar com a ideia", lembra. Medicada, voltou a dormir e hoje trabalha com disposição.

Segundo o novo modelo de tratamento em vigor agora no Brasil, nos casos nos quais há real necessidade de remédio, o ideal é escolher entre as versões mais modernas de algumas medicações - elas apresentam menos risco de dependência. Algumas, entretanto, ainda não estão disponíveis no País. Depois, a recomendação é que o medicamento seja retirado aos poucos, com o apoio de terapias como a TCC. É nesta fase que se encontra a cabeleireira Fernanda Aparecida dos Santos, 27 anos, de São Paulo. Ela chegou a tomar três remédios por dia, e, ainda assim, não dormia. Hoje, quase um ano depois de ter começado a terapia, não usa mais medicamentos fortes e consegue, finalmente, fechar os olhos e se entregar ao sono. "A noite agora não me assusta mais", diz.

24 abril, 2009

Guias e receitas



Inovar para degustar é a meta dos apaixonados por gastronomia.





Para quem curte a arte do paladar tem um blog que dá dicas exóticas sensacionais: Gastronomix!





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Dadinhos de coalho com abacaxi /Rodrigo Caetano