23 abril, 2009

o Eu na vitrine

19/4/2009

Facebook, MySpace, Orkut e Twitter.
''Só é o que se vê''.
Entrevista especial com Paula Sibilia


Redes sociais como Facebook, Twitter e MySpace são, na opinião da professora do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Paula Sibilia, “compatíveis com as habilidades que o mundo contemporâneo solicita de todos nós com crescente insistência”. Segundo ela, essas ferramentas servem para dois propósitos fundamentais. “Em primeiro lugar, elas ajudam a construir o próprio ‘eu’, ou seja, servem para que cada usuário se auto-construa na visibilidade das telas. Além disso, são instrumentos úteis para que cada um possa se relacionar com os outros, usando os mesmos recursos audiovisuais e interativos”, explica.

Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Paula Sibilia reflete sobre as mudanças de comportamento da sociedade contemporânea e afirma que “mudaram as premissas a partir das quais edificamos o eu”. Na atual sociedade do espetáculo, continua, “se quisermos ‘ser alguém’, temos que exibir permanentemente aquilo que supostamente somos”. E dispara: “Esses são os valores que têm se desenvolvido intensamente nos últimos tempos, uma época na qual, por diversos motivos, se enfraqueceram as nossas crenças em tudo aquilo que não se vê, em tudo aquilo que permanece oculto.”

Paula Sibilia é graduada em Ciências da Comunicação, pela Universidade de Buenos Aires (UBA), mestre na mesma área, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e doutora em Saúde Coletiva, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente, é professora no Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Entre suas obras, citamos O homem pós-orgânico: corpo, subjetividade e tecnologias digitais (Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002) e O show do eu (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008). Em 2008, ela participou do Simpósio Internacional Uma sociedade pós-humana? possibilidades e limites das nanotecnologias, realizado pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que redes sociais como Facebook, Orkut, Twitter e Myspace revelam sobre a sociedade contemporânea?

Paula Sibilia - Estas novas ferramentas, que apareceram nos últimos anos e de repente se tornaram tão populares, servem para dois propósitos fundamentais. Em primeiro lugar, elas ajudam a construir o próprio “eu”, ou seja, servem para que cada usuário se autoconstrua na visibilidade das telas. Além disso, são instrumentos úteis para que cada um possa se relacionar com os outros, usando os mesmos recursos audiovisuais e interativos.

Por isso, tanto as redes sociais como Orkut, Facebook, Twitter ou MySpace como os blogs, fotologs, YouTube e outros canais desse tipo que hoje proliferam na internet são perfeitamente compatíveis com as habilidades que o mundo contemporâneo solicita de todos nós com crescente insistência. E uma dessas capacidades que tanto se estimula que desenvolvamos é, precisamente, a de “espetacularizar” a nossa personalidade. O que significa isso? Tornarmos-nos visíveis, fazer do próprio “eu” um show.

Este fenômeno responde a uma série de transformações que têm ocorrido nas últimas décadas, que envolvem um conjunto extremamente complexo de fatores econômicos, políticos e socioculturais, e que converteram o mundo em um cenário onde todos devemos nos mostrar. Se quisermos “ser alguém”, precisamos exibir permanentemente aquilo que supostamente somos. Nos últimos anos, portanto, têm cristalizado uma série de transformações profundas nas crenças e valores em que nossos modos de vida se baseiam, e a “espetacularização do eu” faz parte dessa trama.

IHU On-Line – Que novos modelos de relações se configuram através das redes sociais? A senhora acredita que as relações ganham um novo sentido?

Paula Sibilia - Uma das manifestações dessa mutação que tem ocorrido na sociedade contemporânea é a derrubada das fronteiras que costumavam separar o âmbito privado e o espaço público, e que constituíam um ingrediente fundamental do modo de vida moderno. Então, junto com essas mudanças que se consumaram nos últimos anos, também se reconfigurou a maneira com que nos construímos como sujeitos.

Mudaram as premissas a partir das quais edificamos o eu, e isso aconteceu porque também se transformaram as nossas ambições e os nossos horizontes. Portanto, não se modificaram apenas as formas de nos relacionarmos conosco, com o próprio “eu”, mas também as relações com os outros. E ferramentas como o Facebook ou o Orkut caíram como luvas nesse novo universo: são extremamente úteis para consumar essas novas metas.

Porque na atual “sociedade do espetáculo” só é o que se vê. Portanto, se algo (ou alguém) não se expõe nas telas globais, se não está à vista de todos — sob os flashes dos paparazzis ou, pelo menos, sob a lente de uma modesta webcam caseira —, então nada garante que realmente exista. Esses são os valores que têm se desenvolvido intensamente nos últimos tempos, uma época na qual, por diversos motivos, se enfraqueceram as nossas crenças em tudo aquilo que não se vê, em tudo aquilo que permanece oculto. “A beleza interior” seria um exemplo. Enquanto isso, de forma paralela e complementar, exacerbaram-se as nossas crenças no valor das imagens, na importância da visibilidade e da celebridade como fins em si mesmos, como metas auto-justificáveis, às quais supõe-se que todos deveríamos aspirar.

IHU On-Line – A partir dessas redes sociais, como a senhora descreve o nosso atual modelo de vida?

Paula Sibilia - Há uma necessidade de se mostrar constantemente, que se exacerba por toda parte, embora não tenhamos nada muito importante para mostrar ou para dizer. Os canais interativos da Web 2.0 permitem fazer isso a vontade, facilmente e com baixos custos, de um modo ainda mais eficaz do que os meios de comunicação tradicionais. Porque essas novas ferramentas “democratizam” o acesso à fama e a visibilidade.

Mas o Orkut e o Facebook não surgiram do nada. Ao contrário, as redes sociais apareceram num terreno que já estava muito bem sedimentado para que essas práticas pudessem florescer. Nos últimos anos, temos aprendido a estar conectados o tempo todo. Utilizando as mais diversas ferramentas tecnológicas (celulares, e-mail, GPS etc.), aprendemos a estar sempre disponíveis e potencialmente em contato. Acredito que tudo isso esteja dando conta de um forte desejo de estar à vista dos outros, de sermos observados, mesmo que seja apenas para confirmar que estamos vivos. Para constatarmos que somos “alguém”, que existimos. Sem dúvida, entre várias outras coisas, há muita solidão e vazio por trás de tudo isto.

IHU On-Line – O conceito de intimidade conhecido até então é alterado a partir de programas como Facebook, Twitter, Orkut?

Paula Sibilia - Neste momento, quando tantas imagens e relatos supostamente “íntimos” estão publicamente disponíveis, é evidente que a intimidade tem deixado de ser o que era. Nos velhos tempos modernos, aqueles que brilharam ao longo do século XIX e durante boa parte do XX, cada um devia resguardar sua própria privacidade de qualquer intromissão alheia. Isso não se conseguia somente graças às grossas paredes e às portas fechadas do lar, mas também mediante todos os rigores e pudores da antiga moral burguesa.

Agora, porém, a intimidade tem se convertido em um cenário no qual todos devemos montar o espetáculo daquilo que somos. E esse show do eu precisa ser visível, porque se esses pequenos espetáculos intimistas se mantivessem dentro dos limites da velha privacidade — aquela que era oculta e secreta por definição — ninguém poderia vê-los e, então, correriam o risco de não existirem.

É por isso que hoje se torna tão imperiosa essa necessidade de fazer público algo que, não muito tempo atrás e por definição, supunha-se que devia permanecer protegido no silêncio do privado. Porque mudaram os modos de se construir o “eu” e mudaram também os alicerces sobre os quais se sustenta esse complexo edifício.

Por isso, se as práticas que eram habituais naqueles tempos (como o diário íntimo e a correspondência epistolar) procuravam mergulhar no mais obscuro de si mesmo para ter acesso às próprias verdades, nestes costumes novos a meta é outra e bem diferente. No Orkut ou no Facebook, é evidente que o que se persegue é a visibilidade e, em certo sentido, também a celebridade. Ambas como fines autojustificados e como metas finais, não como um meio para conseguir alguma outra coisa e nem como uma consequência de algo maior.

IHU On-Line – Que futuro a senhora vislumbra a partir dessas redes sociais na internet? A sociedade tende a mudar ainda mais seus hábitos e comportamentos?

Paula Sibilia - Sobre o futuro, feliz ou infelizmente, é pouco o que posso dizer. Mas acredito que já seja possível fazer algumas avaliações sobre as implicações destas novidades.

Por um lado, estamos perdendo a possibilidade de nos refugiarmos em toda aquela bagagem da própria interioridade, que oferecia uma espécie de âncora ou um porto seguro para cada sujeito, que acolchoava seu “eu” contra as inclemências do mundo exterior e contra o inferno representado pelos outros.

Por outro lado, também é claro que ganhamos algumas coisas: uma libertação daquela prisão “interior”, ao se esfacelar essa condenação a ser “você mesmo”, aquela obrigação de permanecer fiel à interioridade oculta, densa e muitas vezes terrível que amordaçava os sujeitos modernos.

Outro problema que surge com estas novidades, no entanto, é que os tentáculos do mercado se desenvolveram de um modo que teria sido impensável algumas décadas atrás, e que hoje chegam a tocar todos os âmbitos. Agora, nos inícios do século XXI, tanto as personalidades como os corpos podem se converter em mercadorias que se compram, se alugam, se vendem e depois se jogam no lixo.

Numa sociedade tão espetacularizada como a nossa, a imagem que projeta o “eu” é o capital mais valioso que cada sujeito possui. Mas é preciso ter a habilidade necessária para administrar esse tesouro, como se fosse uma marca capaz de se destacar no competitivo mercado atual das aparências. Hoje, o espírito empresarial contamina todas as instituições e se impregna em todos os âmbitos, inclusive nos mais “íntimos” e recônditos, e o mercado oferece soluções para qualquer necessidade ou desejo. Além disso, sempre será possível (e inclusive desejável) mudar de “perfil”, atualizando as informações pessoais ou alterando suas definições para melhorar a cotação do que se é. Seja no mesmo Orkut ou Facebook, ou então migrando para um novo sistema apresentado como bem melhor do que o anterior, mais atual e dinâmico, daqueles cujo surgimento e cujo sucesso potencial não cessam de ser anunciados.

Para ler mais:

22 abril, 2009

o outro sujeito

”...outrem assegura as margens e transições no mundo. Ele é a doçura das contigüidades e das semelhanças. [...] Povoa o mundo de um rumor benevolente. Faz com que as coisas se inclinem umas em direção às outras e de uma para outra encontrem complementos naturais. Quando nos queixamos da maldade de outrem, esquecemos esta outra maldade mais temível ainda, aquela que teriam as coisas se não houvesse outrem.”

Gilles Deleuze

21 abril, 2009

Blogueiros viram 'saco de pancada' e reclamam de valentões da internet

Falsa sensação de anonimato gera xingamentos e até ameaças.
Se comentários passarem dos limites, blogueiros podem entrar na Justiça.


Juliana Carpanez
Do G1, em São Paulo


O dono do terceiro blog mais lido do mundo cansou. Depois de três anos escrevendo sobre novas empresas e serviços de tecnologia, uma ameaça de morte e uma cuspida na cara, Michael Arrington, co-fundador do TechCrunch, decidiu dar um tempo do site.

“Escrevemos sobre tecnologia e empreendedorismo. São coisas importantes, mas não tão importantes para nos fazerem temer pela nossa segurança e a de nossas famílias”, afirmou o blogueiro em nome de todos os contribuintes da página. Apesar de seu afastamento, o TechCrunch continuará sendo atualizado.


Michael Arrington contou no Twitter que havia tomado uma cuspida. No blog, ele escreveu sobre as agressões e ameaças. (Foto: Reprodução )
O fato de alguém desistir da blogosfera depois de chegar ao topo do Technorati, um site com a lista dos blogs mais acessados, indica que a pressão para quem está lá em cima não é pouca. E, como mostra o desabafo de Arrington, ela vem principalmente dos leitores: pessoas que muitas vezes não economizam na agressividade e apelam até para ameaças quando discordam do blogueiro -- esteja ele envolvido com temas polêmicos ou com amenidades.


Arrington afirmou ter se tornado alvo de empresas iniciantes que não recebem a atenção desejada, além de jornalistas e blogueiros concorrentes que acusam o TechCrunch “das coisas mais ridículas”. “Responder a essas acusações não vale nosso tempo: sempre achei que nosso trabalho e integridade iriam dar a resposta para tudo isso. Mas conforme crescemos e conquistamos mais sucesso, os ataques também cresceram”, contou.


No início de fevereiro, o autor de novelas Aguinaldo Silva fez um desabafo nesse mesmo tom em seu blog. “Dou aqui o meu melhor. Procuro não apenas agradar a quem me lê, mas dar informações, provocar debates, fazer pensar (...). E o meu modo de pensar, limpo e cristalino, está exposto aqui. Em troca dessa exposição, dessa sinceridade toda, o que recebo? Chutes na bunda. Agressões as mais deslavadas, e o que é pior: de pessoas que nem sequer existem! Pois em geral, todos os que entram aqui com propósitos deletérios tratam antes de resguardar com o maior cuidado suas identidades: são todas falsas.”

No post, o coautor de "Roque Santeiro", "Vale Tudo" e autor de "Duas Caras" afirma ter questionado se valia a pena manter a página, recebendo resposta negativa de seus amigos. Depois, ele concluiu: “vou desistir do blog? Pra deixar esse bando de zé ruelas feliz da vida? Mas nem morto!”



Ciberbullying

Erick Itakura, pesquisador do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica (PUC), classifica a agressão na blogosfera como um tipo de ciberbullying -- o termo define um comportamento agressivo e repetitivo adotado contra alguém no universo virtual, mesmo sem motivação aparente.



“O blogueiro exerce o direito dele de liberdade de expressão. Mas muitos leitores se incomodam e acabam querendo impor outras verdades”, afirmou o especialista, lembrando que a sensação de anonimato existente na internet facilita esse tipo de ação.

Segundo Itakura, as reações extremas na blogosfera acontecem quando alguém tem dificuldades em lidar com os sentimentos provocados pelo conteúdo postado - seja ele raiva, frustração, inveja ou admiração. “A agressão mostra que, de alguma forma, as informações tocaram a pessoa e ela não soube lidar com isso. Às vezes é mais fácil o leitor enxergar um defeito no blogueiro, que se expõe, do que nele mesmo.”


Ameaças


Rosana Hermann, 51, passou por uma situação parecida com a relatada pelo co-fundador do TechCrunch. Hoje dona do Querido Leitor, ela já chegou a fechar um blog e sair do país com a família, depois de receber uma ameaça no estilo “sei onde seus filhos estudam”.


Em outra ocasião, pagou um advogado até conseguir quebrar na Justiça o sigilo de um leitor definido por ela como “o clássico covarde na vida real, que se torna o bam-bam-bam atrevido sob o manto do anonimato”.

No segundo caso, após quebra de sigilo, ela acabou conversando com esse leitor pelo telefone -- ao identificar seu perfil, Rosana acabou desistindo do processo. O homem tinha 42 anos, era um administrador de empresas desempregado, morava com os pais, era separado e justificou os meses de perseguição à blogueira dizendo que queria ser como ela.

Depois de quase dez anos na blogosfera, Rosana diz que sua reação à agressão dos leitores depende de seu estado de espírito. “Quando vejo que a pessoa realmente só quer atenção, ignoro. Quando acho que existe alguma chance de trazê-la para a ‘luz’, comento no blog. Mas aí os outros leitores reclamam, dizendo que só dou atenção para quem me ofende”, contou em entrevista ao G1.


Se o comentário feito pelo internauta for mais “pesado, patológico ou perigoso”, ela o repassa a seu advogado, para que ele tome medidas legais.

O advogado Marcel Leonardi, especialista em direito digital, não vê problemas quando as críticas feitas em um blog são dirigidas ao conteúdo postado, e não à pessoa - nestes casos, eles diz que o debate é válido e está dentro dos limites da liberdade de manifestação de pensamento. No entanto, quando o leitor passa a ofender o blogueiro pessoalmente e vice-versa, pode-se cogitar os crimes de calúnia, injúria ou difamação.


Se isso acontecer e o blogueiro quiser entrar com uma ação judicial, Leonardi aconselha a não apagar o comentário. A informação preservada permite descobrir, com auxílio da Justiça, o endereço IP de quem publicou o texto. Assim, é possível identificar o responsável pela ofensa e tomar as medidas cabíveis.



Opinião

O jornalista Vitor Birner, 40, diz ser diariamente agredido nos comentários postados no Blog do Birner, uma página para fãs de futebol. “Há várias formar de agressão. O leitor mente a meu respeito, diz que falei o que não falei, fiz o que não fiz, penso o que não penso. E eu aprovo os comentários na gigantesca maiorias das vezes, por achar que as pessoas devem mostrar quem são”, contou ao G1. Segundo ele, também há muitas colocações interessantes, de pessoas inteligentes em sua página. “O blog é um local de informação e opinião. Ter de tudo faz parte.”

No mesmo endereço virtual desde 2007, Birner geralmente releva as agressões. No entanto, confessa que vez ou outra tem “seus dias” e responde às provocações deixadas na página. “Quando dizem que manipulo as informações, recomendo que não voltem ao meu blog. Se não acreditam no que escrevo, não devem perder seu tempo precioso de vida comigo.”

A estratégia de Renê Fraga, 25 anos, é tentar entender os leitores do Google Discovery -- mesmo aqueles mais agressivos. Ele diz sempre tentar oferecer um espaço para que o usuário da página expresse suas idéias.


“O trabalho do blogueiro é público e estamos envolvidos com diferentes tipos de pessoas. Por isso, é sempre importante manter uma conversação entre todos os envolvidos na blogosfera, respeitando suas opiniões”, defende.


Sem comentários

Já o Te Dou Um Dado?, com informações sobre o universo das celebridades, adota a direção oposta. A página criada por três blogueiros em abril de 2007 era aberta para comentários, mas com o tempo eles foram fechados. “Como a voz do povo definitivamente não é a voz de Deus, acabamos com essa história”, contou Ana Paula Barbi, a Polly, uma das criadoras do site.

A falta de espaço para comentários não impede, no entanto, que pessoas dispostas a agredir mandem e-mails para os blogueiros, muitas vezes com endereços falsos. “Quando ficaram sabendo que sofri uma parada respiratória, choveram mensagens. Mas o número de e-mails desejando melhoras foi infinitamente maior do que os xingando e celebrando minha quase-morte.”

Polly garante nunca se ofender com esse tipo de agressão, alegando que as pessoas não sabem xingar direito. “Elas não são criativas. É sempre aquela história de ‘você é gorda’. Poxa, jura? Valeu o toque, nunca tinha reparado”, ironizou a blogueira. “Grande parte desse recalque vem de uma vontade enorme de ser igual a nós. A pessoa queria muito ter um blog legal, mas não consegue e então apela para a agressão”, continuou, ecoando a explicação do psicólogo Erick Itakura.

19 abril, 2009

Porque eu vivo à noite

"O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem."
Por Roberto Shinyashiki

Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes. Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo. Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo. O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem.

Mas, para obter resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterás os mesmos resultados. Não compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso. Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.

A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica. Mas toda mágica é ilusão. A ilusão não tira ninguém de onde está. Ilusão é combustível de perdedores. "Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa."

18 abril, 2009


A mudança é a lei da vida!

17 abril, 2009

Diálogos impossíveis

Cena de novela. Caminho das índias. César e Aida discutem ao telefone porque ele depositou pensão alimentícia a menos. Camila fala com Leinha:


A filha, cansada de ver a mãe discutir com o pai por causa da pensão alimentícia, chorosa pergunta à irmã:

- Por que eles não conversam civilizadamente como gente grande?

A irmã responde:

- Porque o papai não é gente grande.


_________________

( Solange pensando alto)

Já vi essa cena na vida real, apenas nunca pensei nesta sábia resposta. Eu na minha mania de achar que sempre o diálogo deve ser soberano, esqueço-me que, antes dele, há que se ter duas pessoas capazes e dispostas. O que raramente acontece simultaneamente. Uma pena. Dai este mundo cheio de monólogos alternados.

16 abril, 2009

o simples que cria o exótico

"Viver (ou criar) é o resultado de um diálogo contínuo entre o arbítrio e o inesperado, a ordem e a desordem, a necessidade e o acaso".

Ferreira Gullar




Lápis e cor e grafite sobre papel. Fantástico!


Veja o blog de Márcia de Moraes

15 abril, 2009

"A Poesia Surge do Espanto"


De repente, quando se ergue da cadeira, o poeta percebe que o fêmur de uma perna resvala no osso da bacia. Aquilo o intriga. “É desse tipo de surpresa que nasce um poema”, diz Ferreira Gullar


Por Armando Antenore (Revista Bravo!)





Certa manhã, enquanto fazia recortes para novas colagens, notou que umas tiras miúdas de papel salpicavam o piso da sala. Mal se abaixou com a intenção de recolhê-las, viu que formavam um desenho abstrato. A figura inusitada e bela surgira de modo espontâneo, à revelia de qualquer pretensão estética. O escritor, hipnotizado, apanhou os pedacinhos de papel e os fixou em uma cartolina amarronzada exatamente da maneira como caíram no chão. Batizou o trabalho de Por Acaso, Puro Acaso. Quem percorre o apartamento carioca logo avista a composição pendurada numa nesga de parede e um tanto oprimida pelas dezenas de outros quadros e gravuras que decoram o imóvel — a maioria de artistas tão míticos quanto Iberê Camargo, Rubem Valentim, Oscar Niemeyer e Marcelo Grassmann. "Todos bons amigos", comenta o dono da casa, com um híbrido de displicência e orgulho.

O episódio dos papéis revela muito sobre o jeito de o poeta enxergar a vida e o ato criativo. Para o autor do célebre Poema Sujo, viver (ou criar) é o resultado de um diálogo contínuo entre o arbítrio e o inesperado, a ordem e a desordem, a necessidade e o acaso. O assunto veio à tona numa tarde abafada de fevereiro, ao longo da conversa de três horas que Gullar manteve com BRAVO!. O apartamento de Copacabana, silencioso àquela altura do dia, serviu de cenário.

Viúvo, o maranhense namora a poetisa gaúcha Cláudia Ahimsa. Ele a conheceu durante a Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, em 1994. Pouco tempo antes, amargara a morte da mulher, Thereza Aragão, e de um dos três filhos, o caçula Marcos. Inspirado pela atual companheira, escreveu os versos "Olho a árvore e já/ não pergunto 'para quê?'/ A estranheza do mundo/ se dissipa em você".

BRAVO!: O senso comum costuma apregoar que poetas nascem poetas. Poesia é destino?

Ferreira Gullar: Prefiro dizer que é vocação. O poeta traz do berço um modo próprio de lidar com a palavra. Não se trata, porém, de um presente dos deuses, de uma concessão divina, como se pregava em outras épocas. Trata-se de um fenômeno genético, biológico, sei lá. Há quem nasça com talento para pintar, jogar futebol ou roubar. E há quem nasça com talento para fazer poemas. Sem a vocação, o sujeito não vai longe. Pode virar um excelente leitor ou crítico de poesia, mas nunca se transformará num poeta respeitável. Quando um jovem me mostra originais, percebo de cara se é ou não do ramo. Leio dois ou três poemas e concluo de imediato. Por outro lado, caso o sujeito tenha a vocação e não trabalhe duro, dificilmente produzirá um verso que preste. Se não estudar, se não batalhar pelo domínio da linguagem, acabará desperdiçando o talento. "Nasci poeta, vou ser poeta." Não, não funciona assim. Converter a vocação em expressão demanda um esforço imenso. Tudo vai depender do equilíbrio entre o acaso e a necessidade. A vocação é acaso. A expressão é necessidade. Compreende a diferença? No fundo, a vida não passa de uma constante tensão entre acaso e necessidade.

Nada escapa desse binômio?

Nada. O que faz o homem sobre a Terra? Luta para neutralizar o acaso. Eis a principal necessidade humana: driblar o imprevisível, a bala perdida. Concebemos Deus justamente porque buscamos nos proteger da bala perdida. Deus é a providência que elimina o acaso. É o antiacaso.

Você não crê que Ele exista?

Gostaria de acreditar, mas não acredito. Uma pena... Poucas crenças podem ser mais reconfortantes do que a fé em Deus. Ele enche de sentido as nossas vidas sem sentido. "Eu não sou cachorro, não!", cantava o Waldick Soriano, lembra? Uma frase sugestiva, já que os homens realmente não se veem como cachorros. Os homens anseiam uma condição sublime. Não à toa, inventaram Deus: para que Deus os criasse. Se você pensar direito, todas as coisas abstratas ou concretas que a humanidade constrói têm a intenção de dar significado à vida — e, não raro, um significado especial. Nós, que frequentemente praticamos atos injustos, inventamos a justiça. Por quê? Porque desejamos ser melhores do que somos e tornar menos insolúvel o mistério de viver. A arte surge pelo mesmo motivo.

Conclui-se, então, que o poema também almeja dar significado à vida.

O poema nasce do espanto, e o espanto decorre do incompreensível. Vou contar uma história: um dia, estava vendo televisão e o telefone tocou. Mal me ergui para atendê-lo, o fêmur de uma das minhas pernas bateu no osso da bacia. Algo do tipo já acontecera antes? Com certeza. Entretanto, naquela ocasião, o atrito dos ossos me espantou. Uma ocorrência explicável de súbito ganhou contornos inexplicáveis. Quer dizer que sou osso?, refleti, surpreso. Eu sou osso? Osso pergunta? A parte que em mim pergunta é igualmente osso? Na tentativa de elucidar os questionamentos despertados pelo espanto, eclode um poema. Entende agora por que demoro 10, 12 anos para lançar um novo livro de poesia? Porque preciso do espanto. Não determino o instante de escrever: "Hoje vou sentar e redigir um poema". A poesia está além de minha vontade. Por isso, quando me indagam se sou Ferreira Gullar, respondo: "Às vezes".

A falta de controle sobre o ato de escrever o angustia?

Não, em absoluto. A experiência de criar um poema é maravilhosa. Mas, como não depende inteiramente de mim, sei que corro o risco de nunca mais vivenciá-la. Se parar de fazer poesia, vou lamentar — só que não a ponto de disparar um tiro na cabeça. Nenhum poema, de nenhum poeta, me parece imprescindível. Dante Alighieri poderia não ter escrito A Divina Comédia. Ou poderia tê-la escrito de outro jeito. Novamente: tudo se subordina à lei do acaso e da necessidade.

Um poema deve sempre emocionar?

Sim, deve emocionar primeiro o poeta e depois o leitor.

O pernambucano João Cabral de Melo Neto, com quem você conviveu, pensava diferente, não? Ele preconizava uma poesia menos emotiva.

João Cabral gostava de mentir! (risos) Pegue o poema O Ovo de Galinha e veja se aquilo não comove o leitor. Você acha que o João também não se comoveu ao escrevê-lo? Lógico que se comoveu! Na verdade, João recusava a ideia de o poeta transformar a poesia em confessionário, em objeto do sentimentalismo. Daí proclamar que o poema tinha de ser uma construção intelectual. A razão lhe serviu de bússola. No entanto, paradoxalmente, inúmeros de seus versos não resultaram tão frios. À medida que o tempo passa, o João se revela cada vez mais complexo, uma soma de contradições — o que, no fim das contas, só aumenta a grandeza dele.

Você concorda quando os críticos apontam o Poema Sujo, de 1975, como sua obra máxima?

Difícil responder. Não me debrucei profundamente sobre o assunto... O Poema Sujo é, de fato, o que reúne o maior número de interrogações e descobertas — em parte, pela extensão (os versos se espalham por quase 60 páginas); em parte, pela febre criativa que me assaltou enquanto o redigia. Entre maio e outubro de 1975, fiquei imerso no que classifico de "estado poético". Nada me tirava daquele clima. Eu comentava, brincando, que me tornara uma espécie de rei Midas. Tudo em que botava a mão virava ouro, tudo virava poesia. Foi uma fase excepcional. Para mim, porém, trabalhos mais recentes podem ter importância idêntica à do Poema Sujo, por exprimirem reflexões novas, algo que não me ocorrera dizer antes.

Uma parcela da crítica sustenta que você é o maior poeta brasileiro vivo. É mesmo?

Imagine! E como se mede o tamanho de um poeta?, já perguntava Carlos Drummond de Andrade. Que régua consegue dimensionar um negócio desses? Claro que, quando escuto uma avaliação do gênero, me envaideço. Mas não me iludo. Cada poeta, vivo ou morto, é inigualável. O João Cabral, o próprio Drummond, o Vinicius de Moraes, o Mário Quintana nos transmitiram um legado riquíssimo. São inventores de um universo muito pessoal e insubstituível. Sem mencionar o Murilo Mendes, autor de pérolas tão lindas quanto "A mulher do fim do mundo/ Chama a luz com um assobio".

Poeticamente, você jamais permaneceu num único lugar e sempre procurou a renovação. Em contrapartida, como crítico, acabou recebendo a pecha de conservador, por rejeitar diversas manifestações da arte contemporânea. O rótulo o incomoda?

Não, não me incomoda. Nesta altura do campeonato, quando o vale-tudo se apoderou das artes plásticas, a qualificação de "conservador" perdeu sentido. Conservador por quê? Por diferenciar expressão e arte? No meu entender, toda arte é expressão, mas nem toda expressão é arte. Se me machuco e grito de dor, estou me expressando; não estou produzindo arte. Da mesma maneira, se alguém começa a bater numa lata, emite sons; não cria música. O filósofo francês Jacques Maritain, católico, afirmava que a arte é "o Céu da razão operativa". Ou melhor: é o ápice do trabalho humano. Arte, portanto, pressupõe o "saber fazer". Saber pintar, saber dançar, saber esculpir, saber fotografar, saber tocar, saber compor. Tal critério prevaleceu durante milhares de anos, desde as cavernas até o advento das vanguardas, no final do século 19, período em que se questionou o "saber fazer". Pois bem: sob a minha ótica, a preocupação vanguardista é um fenômeno que se esgotou. Por milhares de anos, a arte seguiu adiante sem ligar para o conceito de vanguarda. Ninguém me convencerá de que, em pleno século 21, crucificar-se na traseira de um Fusca, deixar-se filmar cortando a vagina ou masturbar-se numa galeria equivale a um gesto artístico. Segundo o norte-americano John Canaday, historiador da arte, os críticos de hoje temem repetir o erro cometido pelos críticos do século 19, que não compreenderam os impressionistas. Em consequência, assinam embaixo de qualquer bobagem que levante a bandeira do "novo". Percebe a armadilha? Caso três ou quatro artistas resolvam espremer uma bisnaga de tinta no nariz de um crítico, ouvirão dele que praticaram um ato inovador. Definitivamente, não penso desse modo.

Nos tempos de militância comunista, você usou a poesia com fins políticos. O engajamento dos poetas ainda se justifica?

Não, de jeito nenhum. Os poetas, agora, irão se engajar em quê? No socialismo ridículo do Hugo Chávez? Foi um engano imaginar que versos contribuiriam para a revolução social. Admito que um poema consiga iluminar o leitor, consiga lhe abrir a cabeça. Mas daí a mudar a sociedade... Muito complicado! Abandonei todos os mitos daquela época. Não creio mais em luta de classes. Já aprendi que o capitalismo é como a natureza: invencível.

E a crise econômica que o mundo enfrenta atualmente? Não põe o capitalismo em xeque?

Sem dúvida atravessamos um momento delicadíssimo. Mesmo assim, estou convicto de que o capitalismo resistirá. Trata-se apenas de mais uma crise num sistema que vive de crises. Repito: o capitalismo vai imperar porque segue a lógica da natureza. É brutal, é feroz, é amoral. Não demonstra piedade por nada nem por ninguém. Em compensação, nos oferece uma série de benefícios. O capitalismo, à semelhança da natureza, se desenvolve espontaneamente. Não precisa que meia dúzia de burocratas dite o rumo das coisas, como acontecia nos regimes socialistas. Em qualquer canto, há um cara inventando uma empresinha. De repente, no meio deles, aparece um Bill Gates. São multidões em busca de dinheiro! Impossível deter uma engrenagem tão eficiente. Podemos, no máximo, brigar para que as desigualdades geradas pelo capitalismo diminuam. Aliás, convém que briguemos. Não devemos abdicar de um mundo mais justo, ainda que capitalista.


Como você avalia o governo Lula?

Avalio mal. O Lula é um grande pelego. Sabe aquele indivíduo que se infiltra nos sindicatos para amortecer os conflitos entre trabalhadores e patrões? O Lula age exatamente assim. Por um lado, agrada os banqueiros e os empresários. Por outro, corrompe o povão com programas assistencialistas. Posa de líder popular, e a massa o aplaude. Viva o pai dos pobres! Resultado: todo mundo confia no Lula, o rico e o miserável. Em decorrência, as tensões sociais se diluem. Que maravilha, não? Um país de carneirinhos...

Em setembro de 2010, você completa 80 anos. Sente-se realizado?

Olha, a vida é uma cesta em que, quanto mais se põe, mais se deseja colocar. Estamos sempre partindo do zero. Hoje pinto um quadro ou termino de ler um livro. Fico satisfeito. Mas, amanhã, me pergunto: e agora?

14 abril, 2009

Caminho em frente pra sentir saudade

Janta (Marcelo Camelo e Mallu Magalhães)


informe o(s) compositor(es)
Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that i'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together

Cause i can forget about myself, trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(I can forget about myself trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má
(And please my Day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I'll let you stay with me if you surrender)

13 abril, 2009

Páscoa



"Se tiver que ir, vá.
Se tiver que parar, pare.
Mas não vacile".

(In: Aqui e agora, 100 pensamentos zen-budistas)

















Arte: Ana Luppso

10 abril, 2009

pesquisa sobre blog... começa o interesse acadêmico pelo fenÔmeno

Oi pessoal, estou participando de uma pesquisa e aproveito para compartilhar com vocês o meu pensamento...

_________________________



Esta é uma pesquisa qualitativa para uma matéria acadêmica. Ela tem como objetivo mostrar a influência de um blog na vida profissional do comunicador.
Por isso, gostaria que você respondesse a algumas questões.

Entrevistada: Solange Pereira Pinto

• Data de início do blog 03.04.2006

• Média de visitação mensal/diária média mensal 2.500 - média diária entre 80 a 120

• Tempo investido na manutenção do blog diariamente/semanalmente - Depende da época. Em geral, gasto pelo menos 10 horas semanais pesquisando na internet ou produzindo textos para atualizar o blog.



Perguntas

Quais são as tendências da sua profissão?
Creio que a tendência da profissão, tanto professora quanto jornalista, é utilizar cada vez mais as tecnologias e os blogs como ordenadores de conteúdo

• Por que criar um blog?
Depende. Para uso pessoal, entendo que o blog é um espaço de expressão. Nele podemos nos valorizar como sujeitos produtores de conhecimento, idéias e textos. Há nisso uma "liberdade" de ser "autoral". Podemos, assim, escrever o que vemos e pensamos sobre o mundo. Além disso, podemos comentar notícias, replicar outros pensamentos. O blog é democrático, uma vez que disponibiliza espaço gratuito para quem se interessar. Antes, os espaços eram caros ou destinados a pessoas escolhidas, colunistas famosos etc. Agora todos podem mostrar o que querem. Isso é muito bom e enriquece os debates.

Quais os meios de comunicação que você utiliza para se manter atualizado?
Praticamente a Internet. Leio muitos livros e artigos científicos também.

• Você acompanha blogs sobre quais assuntos? Quantos?
Nossa, acompanho vários blogs. Principalmente aqueles ligados às artes, jornalismo e educação. Além disso, acompanho blogs pessoais de pessoas que julgo interessantes. Não sei avaliar quantos blogs eu acompanho...

• Em que sentido ler outros blogs te influencia pessoalmente?
Influencia na abertura do pensamento. A partir de outras idéias eu amplio a minha visão de mundo. E, também, aprendo novas tecnologias e recursos para utilizar nos meus blogs.

Quais as semelhanças [relação] entre seu blog e seu trabalho?
Hum... Da mesma forma que preciso estudar, ler, inovar na minha profissão, preciso fazer o mesmo com o blog para que ele se torne interessante.

Como seu blog prejudica suas atividades profissionais?
Não vejo muitos prejuízos. Talvez o maior dele seja o tempo. Quando gasto muito tempo para manter meus blogs, deixo de dedicar tempo a alguma outra ativiidade. Embora eu aproveite o conteúdo dos blogs para dar aulas, por exemplo. No fim, tudo se mistura. A vida hoje é muito mais complexa. Sem investimento pessoal não dá para ser bom profissional. Precisamos derrubar certos mitos de que o tempo para o trabalho é utilizado somente no trabalho. Somos seres indissolutos,o que dedicamos à vida pessoal reflete na profissional e vice-versa. Uma pessoa que tem blog está quando não diretamente, está indiretamente se aperfeiçoando profissionalmente. Ou seja, está ordenando infomações, está se atualizando, está fazendo resumos, está exercendo o pensamento crítico, está se expondo às críticas e elogios dos outros, está sendo pro-ativo, está praticando a escrita, está conhecendo novas tecnologias, está melhorando a performance de pesquisador etc. Tudo isso é um "treinamento" não pago pela empresa que amplia as habilidades do indivíduo. Como isso pode ser prejuízo? Apesar de termos muitas empresas/pessoas ainda com pensamento retrogrado... Mas isso é outra coisa.

Quais as oportunidades que seu blog já te proporcionou profissionalmente?
Além do desenvolvimento das habilidades que mencionei, tenho me tornado referência nos blogs pedagógicos. O blog pessoal já me deu novos clientes. No dia a dia profissional, os meus blogs me dão um diferencial, pois entendo de uma tecnologia que nem todo mundo domina e algumas empresas já estão partindo para os blogs corporativos.




06 abril, 2009

*O mundo conforme Casciari*

Li uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha,só que mais jovem. Gostei dessa teoria e aí inventei um truque para descobrir a idade dos países baseando-me no 'sistema cão'. Desde meninos nos explicam que para saber se um cão é jovem ou velho, deveríamos multiplicar a sua idade biológica por 7.. No caso de países temos que dividir a sua idade histórica por 14 para conhecer a sua correspondência humana. Confuso? Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores.

A Argentina nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividimos estes anos por 14, a Argentina tem 'humanamente' cerca de 13 anos e meio, ou seja, está na pré-adolescência. É rebelde, se masturba, não tem memória, responde sem pensar e está cheia de acne. Quase todos os países da América Latina têm a mesma idade, e como acontece nesses casos, eles formam gangues. A gangue do Mercosul é formada por quatro adolescentes que tem um conjunto de rock. Ensaiam em uma garagem, fazem muito barulho, e jamais gravaram um disco. A Venezuela, que já tem peitinhos, está querendo unir-se a eles para fazer o coro. Em realidade, como a maioria das mocinhas da sua idade, quer é sexo, neste caso com Brasil que tem 14 anos e um membro grande.

O México também é adolescente, mas com ascendente indígena. Por isso, ri pouco e não fuma nem um inofensivo baseado, como o resto dos seus amiguinhos. Mastiga coca, e se junta com os Estados Unidos, um retardado mental de 17 anos, que se dedica a atacar os meninos famintos de 6 anos em outros continentes.

No outro extremo, está a China milenária. Se dividirmos os seus 1.200 anos por 14 obtemos uma senhora de 85, conservadora, com cheiro a xixi de gato, que passa o dia comendo arroz porque não tem - ainda - dinheiro para comprar uma dentadura postiça. A China tem um neto de 8 anos, Taiwan, que lhe faz a vida impossível. Está divorciada faz tempo de Japão, um velho chato, que se juntou às Filipinas, uma jovem pirada, que sempre está disposta a qualquer aberração em troca de grana.

Depois, estão os países que são maiores de idade e saem com o BMW do pai. Por exemplo, Austrália e Canadá. Típicos países que cresceram ao amparo de papai Inglaterra e mamãe França, tiveram uma educação restrita e antiquada e agora se fingem de loucos.

A Austrália é uma babaca de pouco mais de 18 anos, que faz topless e sexo com a África do Sul. O Canadá é um mocinho gay emancipado, que a qualquer momento pode adotar o bebê da Groenlândia para formar uma dessas famílias alternativas que estão de moda.

A França é uma separada de 36 anos, mais puta que uma galinha, mas muito respeitada no âmbito profissional. Tem um filho de apenas 6 anos: Mônaco, que vai acabar virando puto ou bailarino ... ou ambas coisas. É a amante esporádica da Alemanha, um caminhoneiro rico que está casado com a Áustria, que sabe que é chifruda, mas que não se importa.

A Itália é viúva faz muito tempo. Vive cuidando de São Marino e do Vaticano, dois filhos católicos gêmeos idênticos. Esteve casada em segundas núpcias com Alemanha (por pouco tempo e tiveram a Suíça), mas agora não quer saber mais de homens. A Itália gostaria de ser uma mulher como a Bélgica: advogada, executiva independente, que usa calças e fala de política de igual para igual com os homens A Bélgica também fantasia de vez em quando que sabe preparar espaguete.

A Espanha é a mulher mais linda de Europa (possivelmente a França se iguale a ela, mas perde espontaneidade por usar tanto perfume).. É muito tetuda e quase sempre está bêbada. Geralmente se deixa foder pela Inglaterra e depois a denuncia. A Espanha tem filhos por todas as partes (quase todos de 13 anos), que moram longe. Gosta muito deles, mas a perturbam quando têm fome, passam uma temporada na sua casa e assaltam sua geladeira.

Outro que tem filhos espalhados no mundo é a Inglaterra. Sai de barco de noite, transa com alguns babacas e nove meses depois, aparece uma nova ilha em alguma parte do mundo. Mas não fica de mal com ela. Em geral, as ilhas vivem com a mãe, mas a Inglaterra as alimenta.

A Escócia e a Irlanda, os irmãos de Inglaterra que moram no andar de cima, passam a vida inteira bêbados e nem sequer sabem jogar futebol. São a vergonha da família. A Suécia e a Noruega são duas lésbicas de quase 40 anos, que estão bem de corpo, apesar da idade, mas não ligam para ninguém. Transam e trabalham, pois são formadas em alguma coisa. Às vezes, fazem trio com a Holanda (quando necessitam maconha, haxixe e heroína); outras vezes cutucam a Finlândia, que é um cara meio andrógino de 30 anos, que vive só em um apartamento sem mobília e passa o tempo falando pelo celular com Coréia.

A Coréia (a do sul) vive de olho na sua irmã esquizóide. São gêmeas, mas a do Norte tomou líquido amniótico quando saiu do útero e ficou estúpida. Passou a infância usando pistolas e agora, que vive só, é capaz de qualquer coisa. Estados Unidos, o retardadinho de 17 anos, a vigia muito, não por medo, mas porque quer pegar as suas pistolas.

Irã e Iraque eram dois primos de 16 que roubavam motos e vendiam as peças, até que um dia roubaram uma peça da motoca dos Estados Unidos e acabou o negocio para eles. Agora estão comendo lixo. O mundo estava bem assim até que, um dia, a Rússia se juntou (sem casar) com a Perestroika e tiveram uma dúzia e meia de filhos. Todos esquisitos, alguns mongolóides, outros esquizofrênicos.

Faz uma semana, e por causa de um conflito com tiros e mortos, os habitantes sérios do mundo, descobrimos que tem um país que se chama Kabardino-Balkaria. É um país com bandeira, presidente, hino, flora, fauna... e até gente! Eu fico com medo quando aparecem países de pouca idade, assim de repente. Que saibamos deles por ter ouvido falar e ainda temos que fingir que sabíamos, para não passar por ignorantes.

Mas aí, eu pergunto: por que continuam nascendo países, se os que já existem ainda não funcionam?

NOTA SOBRE O AUTOR:
Hernán Casciari nasceu em Mercedes (Buenos Aires), a 16 de março de 1971. Escritor e jornalista argentino. É conhecido por seu trabalho ficcional na Internet, onde tem trabalhado na união entre literatura e blog, destacado na blognovela. Sua obra mais conhecida na rede, Weblog de una mujer gorda', foi editada em papel, com o título: 'Más respeto, que soy tu madre'.

05 abril, 2009

Teste básico para detecção de alcoolismo

Responda sim ou não:


1. Alguma vez o(a) senhor(a) sentiu que deveria diminuir a quantidade de bebida alcoólica ou parar de beber?


2. As pessoas o(a) aborrecem porque criticam o seu modo de tomar bebida alcoólica?


3. O(a) senhor(a) se sente chateado(a) consigo mesmo(a) pela maneira como costuma tomar bebidas alcoólicas?


4. Costuma tomar bebidas alcoólicas pela manhã para diminuir o nervosismo ou ressaca?


Leia mais sobre alcoolismo aqui





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Os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos

Os Doze Passos de A.A. consistem em um grupo de princípios, espirituais em sua natureza que, se praticados como um modo de vida, podem expulsar a obsessão pela bebida e permitir que o sofredor se torne íntegro, feliz e útil. Não são teorias abstratas; são baseadas na experiência dos êxitos e fracassos dos primeiros membros de A.A.


PRIMEIRO PASSO:
Admitimos que éramos impotentes perante o álcool - que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

SEGUNDO PASSO:
Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.

TERCEIRO PASSO:
Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.

QUARTO PASSO:
Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

QUINTO PASSO:
Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.

SEXTO PASSO:
Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

SÉTIMO PASSO:
Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

OITAVO PASSO:
Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

NONO PASSO:
Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.

DÉCIMO PASSO:
Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

DÉCIMO PRIMEIRO PASSO:
Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade.

DÉCIMO SEGUNDO PASSO:
Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

OS DOZE PASSOS - Forma Integral: consultar o Livro: "OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES" Disponível na JUNAAB - Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil. Avenida Senador Queiroz, 101 2 andar cj 205 Caixa Postal 580 - CEP 01060-970 S‹o Paulo/SP - Brasil



Fonte:

04 abril, 2009

Psicanalista: ganância gera mau humor do mercado

por Diego Salmen


Dia após dia, economistas dos quatros cantos do planeta se debruçam para tentar entender os motivos que geraram a atual crise no sistema financeiro mundial. Motivos e conseqüências. Por ora, ao que parece, tateiam no escuro: os mercados continuam oscilando, e ninguém arrisca um palpite sobre até quando a tormenta se estenderá. Estaria o discurso lógico e matemático também em crise, desta vez existencial?

A economia no divã.

Num esforço para compreender melhor os (maus) humores do Mercado, Terra Magazine conversa com a psicanalista e especialista em psicologia econômica Vera Rita de Mello Ferreira, autora do primeiro livro sobre o tema no Brasil (Psicologia Econômica - Estudo do comportamento econômico e da tomada de decisão).

- Enquanto a Bolsa cresce as pessoas tendem a afastar da consciência a percepção de que existe risco, de que não há segurança absoluta. Quando começa a cair, essa percepção volta com muita força, e daí parece um fantasma, um horror, uma coisa monstruosa a que você não vai sobreviver.

Vera também é representante do IAREP (International Association for Research in Economic Psychology) no país, além de ser coordenadora-adjunta e professora do curso "Psicanálise e Psicologia Econômica", na PUC-SP (Pontífica Universidade Católica de São Paulo).

A especialista lembra que a economia, apesar do amontoado de números e estatísticas, baseia-se no comportamento dos seres humanos. Estes, por sua vez, são movidos a emoções - o que ajuda a delinear um quadro de pouca racionalidade no mundo financeiro.

Isto posto, como se comportarão os investidores daqui para frente?

- A gente chama de falácia do apostador. Ele está lá no cassino perdendo, perdendo e perdendo. Ele pára de jogar e vai dormir? Não. Ele fica lá para ver se recupera.

Leia a seguir a entrevista com Vera Rita de Mello Ferreira:

Terra Magazine - Nós estamos vendo uma enorme oscilação nas Bolsas, e esse movimento muitas vezes é baseado em expectativas, e não em dados concretos. Existe uma histeria nesse momento vivido pela economia mundial?
Vera Ferreira - É um momento de pânico que nós estamos vivendo, um crash. Isso acontece regularmente depois do estouro de uma bolha. Em outras palavras: quando a bolha se forma, existe uma contaminação desse crença de que vai ser fácil ganhar dinheiro para sempre, que está tudo perfeito e de que ela não vai estourar jamais. De que é só deixar o dinheiro lá e não se preocupar. As pessoas nesse momento esquecem que Bolsa envolve risco - e é justamente por isso que ela oferece um retorno muito maior que outros investimentos conservadores. Elas vão sendo contagiadas por esse espírito de manada. Essas pessoas, quando começa a haver essas instabilidades que sempre existem, são as que ficam mais preocupadas, porque provalvemente acabarão perdendo dinheiro mesmo: elas entraram na alta e querem se desfazer dos papéis na baixa. Isso é o oposto do que todo mundo fala nas finanças. Quando a Bolsa está em alta, as pessoas querem sempre ganhar mais e mais e mais. E às vezes acabam deixando um percentual maior de seus recursos na Bolsa sem perceber que estão fazendo isso. Então, quando vem o tombo, o susto é muito maior, porque uma parcela maior do patrimônio está perdendo valor rapidamente.

Do ponto de vista psicológico, o que explica essa atração dos investidores pelo risco em um mercado que é, em grande medida, virtual? E, também, como explicar a reação quando há esse momento de ruptura?
As duas coisas estão interligadas. Para começar, existe a voracidade. As pessoas sempre querem ganhar mais, mais e mais. E se for aparentemente fácil o jeito de se ganhar, como parece ser (no mercado financeiro), isso acaba atraindo muito as pessoas, sem dúvida. Agora, enquanto a Bolsa cresce as pessoas tendem a afastar da consciência a percepção de que existe risco, de que não há segurança absoluta e até mesmo que eles próprios podem correr risco ao alocar uma parte tão grande de seus recursos ali, se for esse o caso. Quando começa a cair, essa percepção volta com muita força, toda força que você havia usado para afastar ela da sua consciência, como uma mola, e daí parece um fantasma, um horror, uma coisa monstruosa a que ela não vai sobreviver. E tem mais um fator aí.

Qual?
A psicologia econômica já pôde estudar em diversas situações experimentais que, quando as perspectivas são de perda, as pessoas, muitas vezes, acabam abraçando o risco muito mais do que fariam em situações normais. Então quando a pessoa está perdendo, ela vai perder em relação a um pico virtual. A maioria não vai nem fazer um cálculo para ver o quanto realmente está perdendo, se é que está perdendo em relação ao aporte inicial que ela havia feito.

Até porque a perda só se concretiza quando o prejuízo é realizado.
Exatamente, assim como o ganho. Enquanto isso é tudo virtual. Muita gente está se desfazendo dos papéis, tanto que eles estão caindo. Isso mostra que muita gente está realizando perdas também. A pessoa fica naquela dúvida: eu vendo agora ou espero? Se ela, por exemplo, precisar do dinheiro no curto prazo, já não deveria ter entrado na Bolsa se for esse o horizonte temporal... Ela pensa: 'não, vou esperar mais um pouco para ver se volta e eu consiga recuperar minhas perdas'.

Seria algo como: "já está ruim mesmo, então vou pagar para ver se vai piorar ou se melhora um pouco"?
É, mais ou menos. A gente chama de falácia do apostador. Ele está lá no cassino perdendo, perdendo e perdendo. Ele pára de jogar e vai dormir? Não. Ele fica lá para ver se recupera. Só que isso não acontece. Normalmente, continua perdendo mesmo. Se a pessoa pensa no longo prazo, então deixa o dinheiro lá. Vai fazer o quê com ele agora? Muita gente não pensa nisso, só pensa em tentar se livrar do mal-estar da perda. Não é que a gente tenha sempre aversão ao risco; a gente tem aversão à perda sempre. Perder ninguém quer. Então ao tentar evitar uma perda, as pessoas acabam correndo mais riscos.

A senhora fala em perdas. É possível fazer uma analogia entre as perdas no mercado financeiro e as perdas e traumas vividas pelas pessoas no dia-a-dia? O mecanismo é semelhante?
Sim, sim. Todo mundo odeia perder - a não ser que seja peso (risos). O problema é que nós valorizamos qualquer coisa que já tenhamos, porque é nosso, e não queremos nem pensar na possibilidade de ficar sem aquilo, ou mesmo sem o sentimento ou a pessoa, como perder o namorado, etc. Então a frustração, já entrando pelo lado da psicanálise, é o que nos coloca mais à prova. Porque nós fazemos o diabo a quatro para evitar sentimentos de frustração. E a frustração em relação ao plano que você tinha feito, "vou ficar milionário em 15 minutos", de repente... De repente coisa nenhuma, aliás: já se fala em estouro da bolha há mais de ano. A única coisa que não estava prevista era o momento exato que a catástrofe iria acontecer. Quando o Robert Shiller, autor do livro Exuberância Irracional, sobre a Bolha da Internet, esteve no Brasil, perguntei a ele: "O senhor acha que as pessoas estão aprendendo mais com essas experiência de estouro de bolha?". A resposta dele foi: "eu sou cético".

É possível, com base nesse perfil psicológico, ter uma previsão de como os agentes econômicos vão agir daqui em diante? E em que medida uma expectativa ruim pode, por si só, resultar em novos problemas para os mercados?
Existem emoções guiando todos os nossos comportamentos. Isso é o que a psicanálise diz há mais de 100 anos, e é o que a psicologia econômica está começando a dizer também. Não existe nenhum comportamento, pensamento ou decisão humana que não esteja fundamentada em raízes emocionais. Isso está presente o tempo inteiro. Acontece que, quando as coisas estão aparentemente dando certo, ninguém se lembra disso. Todo mundo tende a atribuir a mecanismos maravilhosos e mecanismos perfeitos, como que "agora o mercado está 'super-equilibrado'". Tudo balela. Basta aparecer uma turbulência como essa, entendida como uma espécie de janela epistemológica para entender o que está acontecendo, que aparece em toda a sua crueza como nós somos movidos pelas emoções. Antes, a emoção da ganância, da voracidade. Se pedia para alguém explicar essa contabilidade mirabolante dos bancos norte-americanos, mas ninguém conseguia. Quem queria esmiuçar isso àquela hora? Ninguém; todo mundo quer continuar ganhando dinheiro acreditando que vai durar por toda a eternidade. Quando essas expectativas são frustradas, aí todo mundo pára. Quer dizer: na hora em que está tudo bem, as pessoas não estão interessadas (em entender o problema).

Há um discurso muito frio e matemático vigente hoje em dia para explicar a economia, mas há quem defenda que ela é uma ciência humana com componentes que não são racionais...
Sem dúvida. Quem faz a economia são os agentes econômicos, que são seres humanos. Seres humanos são constituídos como? Imperfeitamente, com uma série de limitações, um monte de precariedades e fundamentados em um funcionamento emocional, que não segue a lógica formal. Ele segue a 'psico-lógica'. Essas decisões não são nada consistentes. Minha frase de cabeceira é a seguinte: "A razão é escrava da emoção, e existe para racionalizar a experiência emocional". Em outras palavras, nós podemos fazer de conta que é tudo racional, tudo lógico. Mas não é. Arrumar desculpa, justificativa é a coisa mais fácil que tem. Até uma criança de seis anos pega com a boca na butija roubando doce dá um monte de explicações.

Essa tentativa frustrada de explicar racionalmente a crise explica de alguma maneira o desespero do mercado em não conseguir uma solução para ela?
Sim, sim. Tem até uma piada: "Se faz uma previsão. Ela está errada. Na semana seguinte, (o autor da previsão) está dando uma palestra sobre isso". Cada vez mais nós vemos que alguns economistas já incluem essas variáveis psicológicas nas suas análises. E é evidente que isso ter que ser feito. Em 2002, o Daniel Kahneman, psicólogo econômico, ganhou o Prêmio Nobel de Economia. Em 1978, um outro pesquisador, chamado Herbert Simon, já tinha ganho também. Ele tinha formação em psicologia e economia. Não teve muita repercussão porque, naquele momento, havia a onda de teorias de liberalização dos mercados, ninguém queria saber, porque "os mercados são eficientes"....

...era o começo do "fim da história", do Francis Fukuyama...
É, que não é fim, né? Isso que nós estamos vendo agora já se repetiu. Claro que, agora, há alguns fatores que são um pouco diferentes. Mercado globalizado como nunca houve, o peso da China na economia mundial, que ainda é incerto, tem a questão do excesso de dólares (na China) intocados. Aliás, essa subida do dólar é muito curiosa.

Por quê?
O mundo está querendo comprar dólares no momento em que a economia que sustenta o dólar está derretendo. Então, dá uma impressão - e isso é uma hipótese especulativa, inclusive - de que há uma espécie de "ancoragem". Quer dizer, as pessoas tradicionalmente sempre correram para o dólar, e não estão parando para pensar. Elas estão correndo para o dólar no piloto automático. Me dá essa impressão.

E elas podem, digamos, vir a "quebrar a cara" novamente?
Eu acho que não vai (reduzir a cotação do dólar) no curto prazo. O pessoal fala que vai viajar, não sabe se compra dólar. É melhor comprar, porque pelo que a gente está vendo, pelo menos nessa semana... Se bem que essas coisas são muito rápidas. Eu fui a Roma no final de agosto, e recebi o Financial Times no avião. Parecia que eu tinha ido a outro planeta, porque lá a crise já estava completamente decretada. E aqui não. Aqui estava "ó, que alegria, tudo de bom".

Esse é um aspecto curioso. O presidente Lula costuma dizer que a crise não vai atingir o país. A despeito do discurso político, isso também tem um efeito psicologicamente tranqüilizador para o país? Isso é importante para induzir a um certo comportamento a economia do país?
Mas não está adiantando, né?

E se ele chegar e disser: "A coisa está ruim, vamos todos correr para o banco"...
Acho que isso não (deve ser feito). Mas como eu sou partidária do contato com a realidade no maior grau possível, eu acho que ficar com otimismo excessivo, que é o que alimenta bolhas - seja na economia ou na política -, eu acho que não funciona.

Ele dizia que não iria afetar, mas hoje já diz que pode afetar um pouco, há uma mudança gradual no discurso...
É. É complicado porque a força do boca-a-boca é muito grande. Eu estudei, do ponto de vista da psicanálise e da psicologia econômica, o que aconteceu aqui em 2002, durante a campanha presidencial. Foi um problema local, mas foi uma loucura. O risco-país quase bateu em 2.500 pontos, o dólar quase bateu em R$ 4. As agências de risco e a imprensa internacional diziam que em outubro daquele ano o Brasil estaria quebrado. Claro, essas coisas acabavam influenciando mais o mercado do que o (ex-presidente) Fernando Henrique e o (ex-presidente do Banco Central) Armínio Fraga dizendo que estava tudo tranqüilo e que os fundamentos da economia eram sólidos. É complicado saber como as informações vão chegar à população porque a realidade é percebida por cada um à sua maneira. Todo mundo enviesa para um lado ou para o outro. O fato de você dar determinadas informações não significa que as pessoas vão captar essas informações. Elas podem captar o oposto.

Você havia perguntado se o pânico não se realimenta. Sim, nós vivemos isso no período da inflação. Era exatamente isso. As pessoas achavam que o preço ia subir, então começavam a subir o preço. Porque depois subiria, e é claro que depois subia mesmo, de verdade. É muito fácil, sim, você alimentar uma espiral ascendente e é muito mais complicado você chamar as pessoas à razão. Porque a gente funciona, na maior parte do tempo, de um jeito primitivo e baseado em emoções.

Voltando um pouco no noticiário, o pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos, pelo seu próprio valor, vultuosíssimo, deveria ter, em certa medida, um efeito placebo sobre o mercado?
Depende de como o mercado perceber isso (o pacote). Pelo jeito, não está percebendo de uma forma muito otimista, não. O efeito placebo é muito poderoso, as pessoas podem realmente se sentir melhor só porque tomaram o placebo, se acreditaram que não é placebo. Então, eu não chamaria de efeito placebo. Eu acho que aí tem que ver como o mercado vai captar essa informação e se vai acreditar que é a solução. Por enquanto não está colando, não. Até porque o rombo de verdade... Eu já ouvi US$ 3,5 trilhões, US$ 13 trilhões... As pessoas nem sabem direito o que quer dizer isso, mas começam um a olhar para o outro: "você acredita? Está tudo perdido! Tudo perdido!". Aí pronto. É fogo no mato. Todo mundo acredita que está tudo perdido mesmo. Para recompor isso, vai demorar.

Terra Magazine

03 abril, 2009

3 anos de ideias e ideais! parabéns blog!!


"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais".


Mário Quintana

30 março, 2009

Iludidos pelo acaso

Muitas pessoas acham erroneamente que jornalistas são, por definição, negativos, o pessoal do contra — e que, por isso, a imprensa privilegia más notícias.

Embora alguns jornalistas optem de fato pela má notícia, existe um outro fenômeno que afeta os leitores, um fenômeno chamado a ilusão do acaso. Quem explica isso é o estatístico Nassim Taleb, autor do livro "Iludido pelo Acaso".

Embora ele não trate de jornalismo, mas do mercado de ações, mostrarei aqui a analogia com jornalismo — isso se vocês tiverem paciência, porque a lógica é, de fato, complicada. Mas vale a pena!

O mercado de ações americano sobe há mais de 40 anos a uma taxa média de 12% ao ano, lembrando-se de que média é media. Metade dos anos ele valoriza mais do que isso (uma excelente notícia), a outra metade ele cresce menos (o que continua sendo boa notícia, com exceção das poucas vezes em que a rentabilidade é negativa e você perde dinheiro). Apesar da volatilidade diária, olhando uma única vez por ano, você verá mais boas notícias do que notícias ruins.

Isso porque o mundo está melhorando lentamente, dando dois passos para frente e um para trás. Se você observar sua carteira de ações uma única vez por ano, em 40 anos você terá 93% de boas notícias: você ficou mais rico. Mas em 7% das vezes, ou 3 anos dos 40, a notícia será ruim: você ficou mais pobre (ou menos rico). Se você observar o nível da Bolsa de Valores todo trimestre, a situação muda de figura: 67% das vezes você ficará feliz - a Bolsa subiu no trimestre.

No entanto, 33% das vezes você terá uma má notícia: a Bolsa caiu e você empobreceu naquele semestre. Quem criou a frase dois passos para frente e um para trás deveria ler jornal a cada trimestre, que era a periodicidade de muitos almanaques da época. Como temos um gene de pessimismo, uma má notícia nos afeta 2 a 3 vezes mais emocionalmente do que uma boa notícia. Ou seja, apesar de você estar ganhando dinheiro trimestralmente, a sensação média é de quase empate ou vazia.

Bolsa

Em Alta /Em Queda

93.00%/ 7.00% Todo ano

67.00% /33.00% Todo Trimestre

59.00% /41.00% Toda Semana

54.00% /46.99% Todo Dia

50.17% / 49.83% Cada Minuto

Fonte: Fooled by Randomness, p. 57

Se você observar suas ações todo dia, como todo jornalista econômico faz, a situação ficará feia. 54% das vezes você terá boas notícias — a Bolsa subiu! E em 46% das vezes, você ficará infeliz...

E, como ninguém mantém esta contabilidade rigorosa, a sensação poderá ser de empate — ou até de que você, na média, perde dinheiro.

As oscilações de curto prazo da Bolsa, que chegam a ser mais ou menos 3%, ofuscam o lento crescimento de longo prazo de 0,056% ao dia. O 0,056% é quase imperceptível “a olho nu”, mas, depois de 200 pregões, chega aos nossos 12% ao ano.

No dia a dia, você só vê a volatilidade do curto prazo, e não a tendência de longo prazo. Você está sendo iludido pelo acaso, iludido pelas pequenas flutuações normais do dia a dia. Por isso, corretor de ações não é rico, day traders normalmente perdem dinheiro, especuladores pagam mais em corretagem do que ganham.

Por isso, tantos jornalistas econômicos e a maioria dos brasileiros acham que a Bolsa é um cassino, que é pura especulação, que é coisa para jogadores. Aqueles que mantêm uma “distância sadia” da Bolsa, aqueles que compram e ficam, e só olham as 93% de observações anuais, terão a visão que poucos têm — de que aplicar na Bolsa é relativamente seguro e de que só dá alegrias em 93% das vezes. É devido a essa ilusão do acaso que 98% dos brasileiros deixam de investir na categoria mais rentável do mundo, rendendo 12% ao ano em termos REAIS, preferindo títulos do governo que pagam 4% de valor real, e olhe lá.

Ultimamente, a situação ficou anda pior. Quem olhar pela internet a cada minuto, algo que só a nova geração teve o privilégio de experimentar, verá a Bolsa subir 50% das vezes e cair 49% das vezes. O crescimento histórico fica totalmente imperceptível.

O que tudo isso tem a ver com jornalismo?

Se a Bolsa incorpora todas as notícias boas e más do momento, isso significa que 50,1% das notícias são, de fato, boas para a Bolsa e que os outros 49,9% são notícias negativas, ao ponto de derrubar a Bolsa. Por isso, ela oscila de minuto a minuto, dia a dia.

Ou seja, se você quiser investir na Bolsa sem ficar com a sensação de que ela é um cassino, o melhor é não ler o noticiário econômico. Muito menos pela internet.

Refazendo a tabela de Taleb para o jornalismo, teríamos a seguinte distribuição:

más notícias/ boas notícias

49,8% / 50,2% jornalismo on line

46% / 54% jornalismo diário

41% / 59% jornalismo semanal

33% / 67% jornalismo mensal

7% / 93
% jornalismo anual

Ou seja, quem lê notícias diariamente será muito mais pessimista do que alguém que lê uma revista semanal como a Veja ou uma revista mensal como Época Negócios.

Otimistas são aqueles que lêem as edições de final de ano, cheias de esperanças e de dados de tendências para o ano seguinte, e aqueles que assistem uma vez por ano a uma palestra minha ou de outros economistas positivos como Octávio Barros ou Ricardo Amorim.

Por isso, jornalistas diários são mais pessimistas do que colunistas semanais, que por sua vez são mais pessimistas do que colunistas mensais.

Em momentos de crise, tendemos a aumentar a freqüência com que procuramos notícias, o que só piora a situação.


Se você observar a Bolsa todo ano, terá 93% de alegrias, como normalmente se faz com renda fixa e imóveis. Nem existem cotações diárias para imóveis e renda fixa. Se existissem, as notícias não seriam boas. Imóveis, como carros, desvalorizam ano após ano devido a idade e obsolescência do imóvel.

O jornalismo que dá certo é aquele que não se permite ser "Iludido pelo Acaso". É aquele que coloca a notícia no contexto, que aponta as tendências de longo prazo, que ignora marolas e concentra no horizonte que nem sempre aparece numa tempestade.

O jornalismo que dá certo é o que este site pretende ajudar a criar. Se você tem um blog de notícias, continue a publicar as más noticias que surgem para não ser tachado de otimista, mas contextualize com as análises que faremos aqui sobre O Brasil Que Dá Certo. Apesar dos pesares do dia a dia.

Stephen Kanitz

é assim...

Diz certa lenda, que estavam duas crianças patinando num lago congelado.
Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.

Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!

Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Pode nos dizer como ?!....
- É simples - respondeu o velho - Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.

24 março, 2009

Pares para que te quero...

Feliz sem sexo
Os assexuais, pessoas que não sentem desejo, começam a assumir sua identidade

Suzane Frutuoso


SEM LIBIDO André Romano, hétero e sem sexo há sete anos, não sente
desejo: “Sou feliz assim”

Sabe aquela cena em que uma mulher escultural passa diante de um grupo
de homens e todos se viram para olhá-la? Nesse momento, a mente deles
viaja. O cérebro envia uma série de comandos que libera hormônios pelo
organismo, avisando que é hora de se preparar para uma relação sexual
(mesmo que isso não vá acontecer). Reação semelhante tem a mulher que
é tocada e recebe beijos em pontos estratégicos do corpo. Mas na vida
do escritor André Romano, 28 anos, nada disso faz sentido. O carioca
passa dias de sol na praia de Ipanema diante de um desfile
interminável de biquínis de lacinho e não tira os olhos do livro. “Não
sinto desejo”, diz. “Troco o sexo por atividades culturais e sou muito
feliz assim.” André se encaixa no que especialistas começam a chamar
de quarta orientação sexual: a assexualidade. Além dos héteros, homos
e bissexuais, os assexuais formam uma outra vertente da sexualidade,
que não é nova. Apenas as pessoas sem desejo de fazer sexo estariam
finalmente assumindo um traço de sua personalidade – até como resposta
à pressão por um desempenho sexual fantástico imposto pela sociedade
atual, exacerbadamente erotizada.


Uma pesquisa do Projeto Sexualidade (Prosex), do Instituto de
Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo de 2004, revelou que
7% das mulheres e 2,5% dos homens não sentiam falta de sexo. Os dados
se repetiram durante o estudo Mosaico Brasil, que terminou no ano
passado e entrevistou mais de oito mil participantes em todo o País.
Ambos os trabalhos foram coordenados pela psiquiatra Carmita Abdo, que
diz ser absolutamente possível alguém viver sem sexo e não sentir
falta dele. “Quem transa diariamente não é mais normal do que aquele
que não transa nunca”, diz ela. “Não é uma opção, como o celibato, nem
doença. É parte do perfil do indivíduo.” A Organização Mundial de
Saúde inclui o sexo como um dos indicativos da qualidade de vida, ao
lado de itens como atividade física e alimentação equilibrada, desde
que seja seguro e prazeroso. “Fazer sexo obrigado é que acaba sendo
negativo”, diz Carmita.

Os assexuais (que podem ser tanto héteros quanto homossexuais) não
deixam de lado os relacionamentos amorosos. Acreditam, porém, que
carinho e romantismo são suficientes para levar uma relação adiante.
Romano não faz sexo há sete anos e diz que nunca teve uma decepção a
ponto de desistir do envolvimento com alguém. “Namorei cinco anos. O
sexo era maravilhoso. Mas, quando acabou, não senti falta. Tenho
sentimento, não tesão”, explica.
A internet, com seu poder de agregar pessoas com interesses comuns,
foi fundamental para tirar os assexuais da invisibilidade. No Orkut a
professora Sandra Ramos, 24 anos, de Santa Catarina, percebeu que
outras pessoas compartilhavam dessa mesma visão de mundo. Ela ficou
três anos sem vida sexual, por achar que não lhe trazia benefícios.
“Nunca foi algo agradável. Para mim, é mecânico”, diz. Namorando há
duas semanas, Sandra acaba de voltar a fazer sexo, já que gosta do
novo namorado. “Mas troco por um encontro com os amigos fácil”, diz.
Por intermédio da rede, o sociólogo americano David Jay, 27 anos, deu
início ao movimento assexual. Ele criou em 2001 o site Asexuality
Visibility and Education Network (Aven). No primeiro ano, a página com
informações sobre assexualidade registrou 50 pessoas. Hoje são dez mil
membros, com links em 12 idiomas. “Vivemos em uma cultura na qual as
pessoas têm de assumir que são loucas por sexo. Isso é complicado para
os assexuais”, disse Jay à ISTOÉ. “Não decidimos gostar ou não de
sexo, nascemos assim.” Ele acredita que cada vez mais os assexuais
reconhecerão a própria assexualidade e falarão abertamente sobre o
tema.

A sexóloga Ana Maria Zampieri, autora do livro Erotismo, sexualidade,
casamento e infidelidade (Ed. Summus), concorda: “A diversidade
sexual, que se expandiu com a revolução gay, tornou o cenário
favorável para o grupo dos assexuais aparecer.” Segundo ela, terapeuta
de casais há 35 anos, pessoas que amam o parceiro mas não o desejam
sexualmente sempre estiveram presentes no consultório. “A diferença é
que, no passado, isso só era revelado durante o casamento e ficava
relacionado ao tempo de convivência”, diz. Como hoje as pessoas casam
mais tarde – ou nem casam –, a indiferença ao sexo fica evidente.
Mas o ginecologista Gerson Lopes, coordenador da Associação S.a.b.e.r.
– Saúde, Amor, Bem-estar e Responsabilidade, alerta que a falta de
libido é uma disfunção sexual que precisa de tratamento terapêutico.
“É importante uma avaliação psicológica para saber se quem se
classifica como assexual não está mascarando problemas sérios”, diz. O
desejo minguado pode ser patologia quando causado por traumas (leia
quadro). Quem vive bem trocando uma maratona nos lençóis por um
cineminha não precisa se preocupar. Talvez a assexualidade seja apenas
o sinal de que um mundo tão sexualizado está à procura de um ponto de
equilíbrio. E de que as pessoas precisam se acostumar com as
diferenças.
Fonte : Revista Isto é

22 março, 2009

Por fora e por dentro: curtas e grossas

  1. Metendo o bedelho na porta dos outros, vejo que muitas vezes as pessoas mais querem aparecer do que informar embora o discurso seja exatamente o contrário. Somos mais previsíveis aos outros que a nós mesmos.

  1. Abrindo o meu ferrolho, percebo que não preciso gostar ou querer ter uma vida diferente da minha própria vida. Se meu tesão é estudar, conversar com gente inteligente e descobrir as senhas do comportamento humano, danem-se as relações sociais meramente sociais. Não sou obrigada a conviver e a partir de agora não me sentirei culpada.

  1. Engraçado, sempre ouvi dizer que gaúchos eram grossos. Convivendo agora com alguns, acho que sou gaúcha.

  1. Comunicação é um tacho onde todo mundo mete a colher, mas mandam apenas um ficar mexendo até dar o ponto. Quem estudou o ofício é o menos ouvido.

  1. Existem tantas éticas no mundo quanto o número de pessoas.

  1. Clodovil morreu. Grande perda. Sinceramente.

  1. O namoro de Francine e de Max ruiu por tanta opinião. Fora do BBB é a mesma coisa, pois não namoram apenas o casal, mas todos aqueles que acompanham a novela amorosa.

  1. Existe mais gente incompetente no mundo, do que competente.

  1. Quando a agressividade se torna habitual, alguém não está se fazendo entender. A agressão é arma dos invisíveis.

ENTREVISTA – CHARLOTTE ROCHE


Charlotte Roche - "A depilação está se tornando uma loucura"


A escritora alemã critica a moda de retirar todos os pelos pubianos e sugere que as mulheres usem gotinhas dos fluidos vaginais como perfume

por Cristiane Ramalho, de Berlim


Ela é a antítese da feminista tradicional. Charlotte Roche, de 31 anos, tem uma voz quase infantil e, por pura provocação, veste roupas tradicionais. A escritora que está levando os alemães a ler sobre sexo como nunca não poupa ninguém de sua escatologia. Em Zonas úmidas (Editora Objetiva), romance de estreia que conta as fantasias sexuais da jovem Helen, ela critica as mulheres “limpinhas”, obcecadas por depilação. Helen é uma mulher que sai de casa com calcinha furada e se perfuma com gotinhas do líquido vaginal. O livro da apresentadora de TV que virou celebridade já vendeu 1 milhão de exemplares na Alemanha e chega às livrarias do Brasil nesta semana. Nesta entrevista, Charlotte discute as razões pelas quais é considerada uma “nova feminista”.



QUEM É
Charlotte Roche, de 31 anos, é escritora, atriz, produtora, cantora e apresentadora de TV. Nasceu na Inglaterra, mas foi criada na Alemanha. Mora em Colônia, é casada e tem uma filha de 6 anos

O QUE PUBLICOU
Zonas úmidas (Editora Objetiva), primeiro livro alemão a alcançar o topo da lista mundial dos mais vendidos da Amazon.com. No Brasil, chega às livrarias nesta semana


ÉPOCA – O que a levou a escrever sobre “zonas úmidas”?
Charlotte Roche– Eu queria escrever um livro bem honesto sobre o corpo feminino. E foi muito divertido pensar em todos os tabus que envolvem as mulheres: em relação à higiene, a ser sexy e ter um corpo sem pelos. Por isso, criei uma mulher doente, com hemorroidas. O corpo dela dói, ela vai ao banheiro, menstrua, se masturba. Isso dá uma dimensão mais humana ao corpo feminino.


ÉPOCA – A protagonista, Helen, diz que “pessoas obcecadas por higiene a deixam louca”. Isso é o que você pensa?
Charlotte – Sim, eu acho que isso está indo longe demais. Não entendo por que queremos nos livrar do cheiro natural do nosso corpo. Eu realmente gosto do cheiro das pessoas. Não estou falando do mau cheiro. Você pode tomar um banho uma vez por dia (risos). Mas acredito que, quando a gente se apaixona por alguém, é por causa do seu cheiro pessoal. Não entendo esse cheiro industrializado de perfume, de desodorante, sempre tentando matar o cheiro humano.


ÉPOCA – Eliminar os pelos é assunto recorrente em seu livro. Por que esse tema?
Charlotte – O livro começa com a personagem Helen raspando os pelos no bumbum. A depilação está se tornando uma coisa extrema, uma loucura. Com frequência, as mulheres não têm mais nenhum pelo pubiano. Ao redor da vagina, todos os pelos se foram. Ficam parecendo bebês, menininhas. E não mulheres de verdade. Se há uma única mulher que não se raspa, então as outras ficam loucas, porque ela está abrindo mão dessa mania.


ÉPOCA – Você se depila?
Charlotte – Eu raspo as partes do biquíni, as pernas, as axilas. Mas também não entendo por que tenho de fazer isso (risos). Sempre pergunto a minhas amigas: “Por que vocês se raspam?”. Ninguém consegue responder! Certa vez, quando apresentava um programa de música na TV – e era dez anos mais nova -, deixei os pelos de minhas axilas crescer. As pessoas ficaram furiosas. Escreveram e-mails dizendo que me odiavam, só porque deixei as axilas cabeludas. São especialmente as mulheres que se tornam agressivas.


ÉPOCA – Alguns críticos classificam seu livro de “pornográfico”. Isso a incomoda?
Charlotte – É realmente um tédio. As pessoas perguntam: “Isso é pornografia ou é arte?”. Por que as coisas não podem ser uma mistura de arte e pornografia? Meu livro é político e, supostamente, feito para ser engraçado. E libertador para as mulheres. Escrevi também para deixar as pessoas excitadas.


ÉPOCA – Alice Schwarzer, tradicional feminista alemã, fez uma cruzada contra a pornografia. Como as feministas na Alemanha veem você?
Charlotte – Sou uma jovem feminista. E o grande problema com o feminismo é que as velhas feministas odeiam as novas. Mas sou “filha” delas – queiram ou não. Sou o resultado de anos de luta da velha-guarda pelos direitos das mulheres. Para mim, é frequente encontrar, entre as velhas feministas, muitas lésbicas. E acho muito difícil elas emitirem opiniões sobre como eu, uma heterossexual, devo tratar um homem. Uma lésbica obviamente não entende de pornografia, porque é uma coisa heterossexual. E se há um jogo entre um homem e uma mulher, e mesmo se isso é agressivo, ou um jogo “sadomaso”, ou o que for, é entre homem e mulher. Muitas vezes, as feministas estão lutando contra os homens. E elas sempre pensam que fazer sexo com um homem ou calçar um salto alto para um homem é idiota. Como heterossexual, eu quero que o homem me ache atraente. Então, eu calço salto alto e assisto a pornôs com meu marido. Mas as feministas odeiam os homens. Esse é o grande problema. E as jovens feministas estão tentando ter uma relação de amizade com os homens, e não brigar com eles.


ÉPOCA – Na Alemanha, há uma onda de publicações sobre um suposto novo feminismo. Seu livro faz parte disso?
Charlotte – Com certeza. Foi uma grande coincidência. Quando escrevi o livro, não sabia que havia outros sendo escritos. E, quando foram lançados, ficou claro que está surgindo um novo movimento feminista na Alemanha. Todas (as autoras) também foram insultadas pelas velhas feministas (risos). Meu livro ajudou a pensar sobre coisas que ainda são tabus absolutos sobre o corpo da mulher, como a masturbação. Muitas jovens não leem o livro como se ele fosse chocante, ou sexual, mas como uma leitura libertadora. Uma delas me contou, por exemplo, que vivia sem graça diante do próprio corpo, dos fluidos, do cheiro da vagina. Mas, depois de ler meu livro, passou a não ligar mais para nada disso.

"A depilação está se tornando uma coisa extrema,
uma loucura. As mulheres não têm mais
pelos pubianos. Parecem menininhas"


ÉPOCA – A inspiração para a personagem Helen veio de sua vida?
Charlotte – Sim, muito da história familiar da personagem é totalmente autobiográfica. Por isso é um pouco triste. Porque esse é o jeito como eu vejo a família – pessoas evitando falar sobre coisas importantes. Sofri bastante com o divórcio dos meus pais, e isso está no livro. Dito isso, a Helen não poderia ser real (risos). Vários homens me perguntam se as mulheres são realmente como ela, e eu sempre digo, ai, meu Deus, não! E fico sempre preocupada, porque, ao ler o livro, eles podem pensar que as mulheres são nojentas. Não conheço ninguém como a Helen. Ela é completamente exagerada. Mas alguma coisa que ela faz todo mundo deveria copiar. É muito melhor ter nosso fluido como perfume que perfume de verdade (risos).


ÉPOCA – Você já declarou que gostaria que sua filha tivesse ideias semelhantes às de Helen. Como assim?
Charlotte – A ideia feminista de educá-la está ligada a transmitir autoconfiança. E tentar manter o mundo sexista longe o máximo possível. A coisa mais importante na educação de uma filha é mostrar a ela que é uma coisa boa ser mulher. Mas isso é muito difícil, às vezes. Isso porque a vida é mais fácil para os homens que para as mulheres. Vejo com frequência mães – mulheres que eram legais com suas filhas quando elas eram crianças – dizendo para elas quando chegam à puberdade: “Não deixe seu irmão ver sua menstruação, isso é nojento”. Isso tudo começa com as próprias mães.


ÉPOCA – Por que as piadas sobre cheiro de vagina se repetem?
Charlotte – Cresci numa sociedade em que todos os homens faziam piadas sobre vaginas com cheiro de peixe morto. Nunca consegui entender isso. Costumam dizer que esse é um dos piores cheiros do mundo. Se os homens pensam que a vagina tem esse cheiro, por que gostam de sexo oral?


ÉPOCA – O que sabe sobre o Brasil?
Charlotte – Conheço uma coisa negativa do Brasil, a depilação completa – famosa aqui na Alemanha. É uma moda recente. Os pelos são totalmente eliminados. Você deita numa posição ginecológica, eles colocam a cera e arrancam tudo.

15 março, 2009


"Toda banda larga será inútil se a mente for estreita. É tempo de pensar sem fronteiras..."

11 março, 2009


"Quem nasce andando não tem saco para empurrar"

dando um tempo


Estou fechada para balanço.

Balanço de idéias.

Balanço de valores.

Balanço de crenças.

Balanço.

Estou num momento peneira.

para ver o que fica.

para ver o que foge.

para ver o que entope.

Estou dando um tempo.

No balanço da peneira...


Soll, entre calor e tempestade, Brasília, 10 de março de 2009.

09 março, 2009

AVISO IMPORTANTE

01 - Certidão de nascimento ou casamento
Quem quiser tirar uma cópia da certidão de nascimento ou de casamento, não precisa mais ir até um cartório, pegar senha e esperar um tempão na fila.

O cartório eletrônico, já está no ar! Nele você resolve essas e outras burocracias, 24 horas por dia, on-line. Cópias de certidões de óbitos, imóveis, e protestos também podem ser solicitados pela internet.
Para pagar é preciso imprimir um boleto bancário. Depois, o documento chega por Sedex.


www.cartorio24horas.com.br


02 - AUXÍLIO À LISTA
Telefone 102... não! Agora é: 08002800102

Vejam só como não somos avisados das coisas que realmente são importantes...

NA CONSULTA AO 102, PAGAMOS R$ 1,20 PELO SERVIÇO.
SÓ QUE A TELEFÔNICA NÃO AVISA QUE EXISTE UM SERVIÇO GRATUITO.


03 - DOCUMENTOS ROUBADOS
BO dá gratuidade - Lei 3.051/98 - VOCÊ SABIA???

Acho que grande parte da população não sabe. A Lei 3.051/98 nos dá o direito de, em caso de roubo ou furto (mediante a apresentação do Boletim de Ocorrência), gratuidade na emissão da 2ª via de documentos como:

Habilitação (R$ 42,97);
Identidade (R$ 32,65);
Licenciamento Anual de Veículo (R$ 34,11)

Para conseguir a gratuidade, basta levar uma cópia (não precisa ser autenticada) do Boletim de Ocorrência e o original ao DETRAN p/ Habilitação e Licenciamento e outra cópia a um posto do IFP.

01 março, 2009

E-blog

Idéia bem legal é o blog que fala de blogs. Um ezine virtual com a temática dos diários internéticos! massa né?