
Autora: Solange Pereira Pinto
Técnica: Fotografia
Hoje foi dia de oficina no CCBB, paralela à mostra Giorgio Morandi e a Natureza Morta na Itália.
Desanimada que estou, resolvi pintar para espantar os males.
Lembro-me que a última vez que pintei tela foi em 1999, com acrílica.
Da tinta a óleo eu não passava perto há mais de 20 anos.
Sei que a pintura assim como o desenho necessitam de treino.
Como tudo na vida...
Quanto menos se pratica, mais enferrujadas ficam as mãos.
Fazia tempo também que não me metia em oficina "dirigida".
Bom, vou tentar relatar a experiência.
Tarde ensolada, fria, ateliê ao ar livre.
Agradável sensação.
Vontade de pintar e encontrar novamente pincéis e tintas.
Embrenhar em cores e lambuzar as idéias.
De repente, me vejo novamente com carvão nas mãos para fazer esboço.
(coisa que já aboli há tempo, pois prefiro ir direto sem muito ensaio. Contudo, foi sugerido se fazer o esboço. Então topei, né)
Fazer rascunho é interessante, principalmente, para alguém (como eu) que não sabe desenhar.
Olha daqui, olha dali. Está lá. Rascunhada a tela.
A proposta era pintar a tal "natureza morta". Essa foi minha primeira vez. (Sempre preferi paisagens, temas livres ou abstratos).
Lancei-me ao desafio.
Lembrava algo sobre primeiro pintar o fundo, para depois dar corpo aos "objetos em primeiro plano". (técnica também sugerida hoje pelos monitores).
Lá fui eu brincar com o branco, um pouco de amarelo cádmio, óleo de linhança, solvente...
Depois passei para a base (a mesa) com branco e "grees" (um cinza escuro meio azulado).
Na minha cabeça a vontade de não fazer uma "natureza morta padrão".
Perguntei se poderia.
A monitora me olhou um pouco "espantada".
E, disse: "a proposta é observar os objetos, luz, sombra etc...".
Entendi.
Pensei, mas não farei um fundo padrão, pelo menos esse deve ser livre.
Passei em seguida para os objetos.
Nesse momento, o outro monitor (eram dois, uma moça e um rapaz) disse: "é melhor você ter cuidado com as cores, talvez esses tons não combinem com as cores dos objetos depois..."
Hum. Será?
O quadro deve seguir a linha de quem?
Não poderia então mudar as cores do objetos?
Não poderia destacar o fundo?
Precisaria mais uma vez na vida seguir o referencial?
Já comecei a achar que eu estava no lugar errado.
Mas, continuei no desafio.
Do vaso preto passei para o cinza, fui para a garrafa verde e, finalmente, cheguei na louça branca.
Dar volume era algo de louco.
Nossa, teria que ser "realismo"?
Precisaria pintar como os "mestres"?
Onde estava eu?
Só queria me divertir...
Dei o quadro por terminado ao pintar o último objeto.
Foi quando a monitora me disse: "precisa fazer a sombra dos objetos na mesa"
Ahn? pensei.
Completei dizendo: "precisa mesmo?". "Para mim está bom".
Ela retrucou delicadamente: "assim eles ficarão voando".
Então tá. Põe a sombra aí.
Foi quando a toalha, que eu queria lisa, ganhou as primeiras rugas.
Vem o outro monitor e me diz: "esse grafismo do fundo destoa do restante, deveria ser mais neutro, e a garrafa pode ganhar mais luz".
Ahn? pensei novamente.
Então tá. Põe a luz aí.
Foi quando a garrafa verde ganhou amarelos.
Eu que pensava havia concluído a "minha obra" antes da última foto, resolvi carregar a mão no tal "grafismo".
Se ele destoava, se as cores não combinavam, se não havia harmonia, se... se... se...
Eu ia agora era destoar de uma vez, para não ficar nos ahn? ahn? ahn?
Peguei os tons que estavam na palheta e comecei a pincelar mais forte o fundo.
Quebrar de uma vez a tal da "harmonia".
Quando me viu "carregando" a mão no fundo, o rapaz ficou em silêncio (e continuou observando).
Eu terminei os riscos, dei mais uns riscos na toalha, mais outros nos objetos e pensava: "agora vou riscar tudo".
Eu tinha perdido o interesse no quadro.
Ele já não era mais a "minha" pintura (do meu jeito).
Afastei, olhei de longe e comentei com o monitor: "veja ficou ótimo, o fundo está completamente diferente do resto".
Ele disse " é. está muito 'destacado'".
Sim, está, completei.
(por que as coisas têm que seguir um mesmo padrão? por que não experimentar o diferente?)
No final, expusemos todos os quadros no chão para olharmos os resultados, as várias leituras.
Sem dúvida o meu era o único com "fundo destoante".
Fiquei feliz por isso.
O quadro que mais gostei foi o de um outro rapaz que fugiu completamente do referencial, do volume, da luz, da sombra.
Era um tipo mais geométrico, moderno.
Pena que não tinha mais como fotografar.
No mais, foi muito válida a oficina, os monitores foram muito atenciosos.
Enfim, uma tarde gostosa sem pensar na vida.
Peguei meu quadro, saí de lá, fui para uma festinha de criança pensando: por que toda flor é vermelha com o caule verde?
"Mamãe, por que essas brincadeiras que as tias da colônia de férias inventam são sempre em rodinha?
Rodinha, rodinha, rodinha... ,mãe, é muito chato!
Por que elas não inventam outra regra?
Ah, na hora de ir para o lanche tem que ir em fila segurando no ombro do coleguinha, horrível, todo mundo tropeça, pisa no calcanhar do outro, por que a tia manda andar desse jeito, se de mãos dadas é muito mais fácil?
Todas as brincadeiras têm umas regras muito sem graça. Por que a tia não deixa a gente brincar livre, do que quer?
Por Solange Pereira Pinto (14/07/2006)
Arte: Lili, 6/07/2006
Em 2005, o país comprou cerca de 11 milhões de pneus usados por meio de liminar. O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Cláudio Langone, explica que cerca de 30% dos pneus usados que chegam ao Brasil não podem ser reutilizados, por estarem em más condições.
O interessante é que a entrada de resíduos sólidos no Brasil não está prevista na legislação. Existem instrumentos que proíbem a importação, mas um grupo de parlamentares articula a regularização.
O assessor tecnológico do deputado Ivo José (PT-MG), Walfrido Assunção, diz que a importação do pneu europeu se justifica porque a carcaça do brasileiro não tem condições de ser reformada. Ele explica que os pneus usados da Europa rodam menos e em estradas melhores.
Nessa hora não entendi nada. De um lado, o MMA lutando contra a importação e, de outro lado, parlamentares a favor. É isso? Decerto, está faltando balanço para a criançada em Minas Gerais.
As notícias dizem que a União Européia, interessada em abrir as fronteiras brasileiras para os seus pneus, solicitou a realização de um painel arbitral e o Brasil, que pretende mantê-los longe, será representado na OMC, em Genebra, por uma delegação composta pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e outros integrantes do governo. Os brasileiros usarão um argumento ambiental para tentar ganhar o direito de continuar proibindo a entrada de pneus de segunda mão.
Pelas estatísticas do MMA, a Europa produz anualmente cerca de 300 milhões de carcaças e despeja 26% em aterros sanitários – o que agora é proibido por uma lei que entrou em vigor no mês passado. "As destinações que eles podem dar dentro da Europa são todas muito caras. A alternativa é enviar esse lixo para países em desenvolvimento e, por isso, querem que o Brasil autorize a entrada", explica Langone, que prevê conclusão do processo até outubro.
Então, minha gente, será que além de quase tudo por aqui terminar em pizza, continuaremos sentados nos pneus? Parece que a colonização continua, o tráfico agora é de pneus usados. Ah, não serve mais? Manda lá para o Brasil... Lá pode tudo! É um pessoal bem-cordato...Um país recauchutado...
Notícias na íntegra:
Brasil quer barrar a importação de pneus usados
Importação de pneus usados não é legalizada, mas ocorre em grande escala