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09 novembro, 2010

produto organico de limpeza

via Delícia by Marisa Ono on 10/19/10

Você já ouviu falar na Maienza? Até outro dia, nem eu. Mas já havia visto o belo trabalho do professor Yoshiaki Sogabe na recuperação de um rio no Japão. Ele desenvolveu um produto à base de fermento de pão, iogurte e natto. Contando com a colaboração da comunidade local, todos os dias despejavam uma quantidade bem pequena desse preparado ralo abaixo. Como a água da pia das cozinhas japonesas normalmente não é tratada, isso tudo ia para o rio. Pelo que entendi – e me lembro, porque essa reportagem já tem vários anos – o objetivo era povoar o desgastado rio com microorganismos benéficos. Naturalmente os ruins não suportariam a competição e isso proporcionaria o crescimento de outras formas de vida. Ou seja, foi preciso começar com os pequenos para chegar nos grandes. Claro que na época, achei a idéia fabulosa. E também fiquei muito impressionada com o comprometimento da comunidade. Mas recuperar um rio não é só isso. Foi preciso limpar as margens, tirar entulhos, plantar, re-introduzir espécies… Para mim, ficou a lembrança de que nosso meio é responsabilidade de todos e que pequenos gestos contribuem.
Na semana passada, assistindo à tv japonesa (NHK), lá estava novamente o senhor Sogabe. Mas desta vez, não estava só falando da restauração de um rio. Na verdade, o tema era natto. Esse feijão fermentado, odiado e amado por tantos, tem várias propriedades interessantes. Pulo a parte sobre nutrição, que não é a minha praia e também porque não quero criar mitos. O Bacillus subtilis, presente naturalmente no solo e na água, tem uma capacidade enorme de multiplicação, não-patogênico e já é usado no controle de pragas e doenças em plantas. O fermento de pão – Saccharomyces cerevisiae – é um fungo que também tem capacidade de sintetizar antibióticos e – adivinhem? – também está sendo usado no controle de pragas nos campos. Por fim, o iogurte, outra bactéria que não nos provoca mal. Também vi que já se usa tanto a bacteria do natto quanto do iogurte em tratamentos de pele. Pelo visto, a onda não é matar todos os microorganismos e sim, estimular os mocinhos para que eles acabem com os bandidos. Mas afinal, o que é a Maienza? É um produto de limpeza orgânico, feito a partir do fermento de pão, iogurte e natto. É comercializado no Japão através deste site: http://heart-ai.org .
O professor Yoshiaki  Sogabe aparece aqui: http://heart-ai.org/developer e os empregos desse produto estão aqui: http://heart-ai.org/howto/index.html. Tudo em japonês. Infelizmente não encontrei nada em inglês.
Bem, mas isso não significa que é preciso encomendar esse produto no Japão. Durante o programa Asaichi do dia 11/10, ele pode ser feito em casa. As instruções estão nesta página (em PDF): http://www.nhk.or.jp/asaichi/2010/10/11/images/101011.pdf Ah, mas está em japonês. Bem, eu também não entendo muito esse idioma! Mas dou meus tropeços e como é um folheto ilustrado, dá para entender. E como não fiquei completamente satisfeita, fui procurar na origem, onde tudo costuma ser melhor explicado: na página da cidade de kasaoka, onde tudo começou (lembram do rio, etc? Pois é) http://www.city.kasaoka.okayama.jp/0048/0008_ehimeAI.pdf
Bem, para quem quiser tentar o produto de limpeza orgânico, aqui vão as medidas para preparar 1,5 litro dele: 45 gramas de açúcar 15 a 18 gramas de fermento biológico seco (no verão, use menos, no inverno, use as 18 gramas) 75 gramas de iogurte natural 3 grãos de natto (isso mesmo, só 3 carocinhos de soja fermentada) 750 ml de água morna E você também vai precisar de uma iogurteira. Poderia sugerir uma caixa térmica, com um saco de água morna ou uma garrafa térmica, mas ambas as opções são meio chatas para controlar a temperatura em torno de 35 graus. Se mora em uma região muito quente, esqueça a iogurteira.
Meça e misture o açúcar com o fermento biológico.
Adicione o iogurte. Misture.
Adicione os grãos de natto. Como podem ver (borrado, é verdade), são só 3 grãos mesmo. Bata. A mistura vai espessar e você poderá notar uns filamentos bem finos. É isso que queremos. Na verdade, o grão de soja importa pouco, o interessante é essa “baba”. Adicione a água, tampe o pote e leve à iogurteira.
No começo, vai fermentar, borbulhar. É normal.
Depois de 24 horas (ou um pouco mais), a mistura vai estar amarelada e haverá um sedimento.
Conferindo o pH, que deve estar entre 3 e 4.
Coe e despeje em uma garrafa pet de 1.5 litros. Complete com água. Deixe em local protegido do frio por mais uma semana. Eventualmente, abra e deixe escapar o gás que se forma. Em uma das páginas li que era para deixar aquecido durante 1 semana. Enfim, não tenho certeza qual é o procedimento mais correto… Se alguém realmente lê japonês, por favor, esclareça essa dúvida para nós. Pronto. Mas será que limpa mesmo? Não resisti a um teste tipo antes e depois. Dizer que limpa o chão, ótimo, mas é um tanto quanto subjetivo. O teste da panela engordurada, sebenta e queimada é bem melhor. Ou, pelo menos, impressiona mais.
Digamos, tipo esta panela aí. Claro, eu também tenho panelas que escondo da humanidade. No caso, só a apresento por um bom motivo: está realmente suja, um caso perdido.
Coloquei o produto em um frasco com spray, pulverizei toda a panela e cobri com filme plástico para que não secasse. E deixei por umas 4 horas.
Depois deste tempo todo, só esfreguei com uma palha de aço (daquelas mais grossas), seca, sem sabão, sem água, sem nada. E foi tirando quase toda crosta… Talvez funcionasse ainda melhor se eu tivesse deixado a panela mergulhada em uma solução morna. Mas acho que o experimento foi bem-sucedido.
Também usei no forro do teto do carro. Pulverizei (diluí na proporção de 1 parte do produto para 4 de água) e tirei a sujeira com um pano seco. Na caixa de areia das gatas, tirou parte do cheiro, mas isso é um tanto quanto subjetivo. Limpei o fogão (produto puro em spray e depois, um pano úmido), passei no chão (30 ml em um balde de água) e em pontos de mofo, debaixo da pia. Neste caso, o resultado foi impressionante. Borrifei o produto puro nas manchas escuras e tirei com um pano úmido. Em superfícies ásperas não funcionou tão bem. E, por fim, estou testando nas plantas. Reguei umas cebolinhas tristes (na proporção de 1 para 500) e pulverizei as roseiras, sujeitas a pragas e fungos. Mas isso leva algum tempo para eu constatar se vai surtir efeito ou não. Quanto ao cheiro, tem um cheirinho de coisa fermentada, sim, mas não é persistente. Também é interessante despejar no ralo e torcer para que mantenha a caixa de gordura limpa. Em fossas, dizem, também evita o mau-cheiro, assim como em compostagens. E há quem tome banho com uma solução bem fraca dela. Eu usei uns 30 ml em um balde de água e finalizei o banho do totó. Ele tem um problema de pele persistente e o resultado disso é um cheirinho desagradável. Ele não gostou, mas o cheiro sumiu. E ainda por cima, o pelo dele ficou macio e brilhante.
Bem, é ótimo que um produto de limpeza limpe de verdade. Mas para quê tanto trabalho? Bem, a vantagem nisso tudo é que usamos menos detergentes e substâncias agressivas. Vai menos detergente para o esgoto e, pelo que sei, é um grande problema para a reciclagem da água. O risco de alergia a ele é menor, talvez nulo. E, por fim, são organismos que já estão à nossa volta, contribuem para a disponibilização de nutrientes no solo, ajudam a controlar pragas em plantas e o custo é baixo.
Quero finalizar com um aviso muito importante: apesar de ser bom, apesar de ser feito com bactérias e um fungo que consumimos, este não é um produto para ser bebido. É para ser usado externamente. Não pingue no olho, não faça gargarejos.

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