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27 abril, 2007

São Paulo - Cena I - Alibabar

Quarta-feira - 25.04.2007
22h40min



A fumaça do narguilé se misturava às batidas do bumbo. Quadris se alternando aos estampidos secos e compassados dos pés masculinos contra o chão. Uma grande fila lateral se forma no centro do bar, feito roda. Na pista de dança mulheres e homens se dão as mãos. A grande serpente dançante se enrola, se espicha e se contrai em movimentos lentos, inebriados, quase um desenho da naja enfeitiçada. Um instante distraído, de olhos fechados, poderia se imaginar o "olodum", o "vira-vira", o reggae, uma celebração indígena. De olhos bem-abertos se vê no teto longos tecidos dourados que se armam em tenda. O charuto da mesa ao lado adorna o ambiente num cheiro amadeirado. A tragada sobe ao tom do mantra... uê uê uê uê uê ... uh uh uh... ahn... aaaaaaaaaiiiiii. Entrecorta a flauta sibilante uh uh uh aaaaaai. Magia. Na palma da mão os sorrisos arremessando as batidas das mil e uma noites. Estamos na Zona Norte, Jardim São Paulo, Alibabar. Dança árabe com pasta de beringela e pão sírio. Avisto o "sheik", 1m90cm, rodeado de louras, morenas, "califas", e o grão-vizir. Harém de diversão. aaaaaaai. Face com sorriso de colar de pérolas. A corda do narguilé traz o gosto de maçã. Lembra-me Eva, a serpente, o paraíso. Adãos juntos, presos pelos dedos, degustando o prazer. É a pura sedução dos movimentos fálicos. O chocalho da cobra. A chacoalhada dos quadris. As tremidas, em onda, na barriga da odalisca. A sucção da fumaça, pela piteira presa na ponta da mangueira, do cachimbo d´água. Preliminares dum ritual sagrado. Um orgasmo público, coletivo. Senti o gozo no olhos, na boca, no ouvido. Um corpo estremecido perto da estação de metrô Parada Inglesa.

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