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17 dezembro, 2006

O inesperado...

Malabares na Torre de TV (domingo)


Performance contemporânea (sábado)

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O inesperado




A conversa está animada. O rapaz sobe as escadas com uma placa de metal. Ferro, talvez. Sai para a calçada. Meia-noite. Começa a arrastar o retângulo pesado. Joga no chão. Pisa. Pula. Salta sobre a placa. Arrasta novamente. O ruído metálico desliza pelo eco, pelo beco. Ressoa alto nos tímpanos. É visível a força do artista. O suor brilha na pele. Ele coloca o gel e ateia fogo. Um desenho se forma. Platéia atenta. Enigmática. Surge um rapaz e uma criança. “O que isso significa. Estou curioso. Você pode explicar”. A resposta vem encabulada. “É arte”. Ahn? “Isso é arte”. “Sim. Uma performance”. Uns sorrisos contidos e outros mais soltos estampam os rostos, enquanto a chama azulada queima e dança sobre o ferro amarelado. Uma janela se abre no andar acima. Um homem esbraveja. “Porra! Quero dormir! Caralho! Minha mãe trabalha amanhã o dia todo. Quer barulho, quer? Vou dar uns pipocos!” Os gritos ameaçadores competem com o espetáculo da construção artística contemporânea. Outra performance surge na cena. Um surto cheio de raiva e adrenalina. Estão todos ligados em emoções similares. Perplexidade geral. Vem o temor, o show acaba. Medo? Adrenalina? É o inesperado... da arte, do artista, da platéia, do pedestre, do homem que acorda, do metal aparentemente rígido que se contorce aos golpes do tempo, da criatividade, do....


...Domingo de chuva fina. Sol se deitou sobre a manhã e cedeu às nuvens um espaço no céu de Brasília. Torre de TV. Feira de artesãos. Passeio de famílias. Programa de namorados. Ganha pão de muita gente. Três malabaristas se revezam com nove malabares. Em círculo coreografam os objetos lançados acima de suas cabeças. Começa o espetáculo. As mãos hábeis e os olhos atentos conduzem o ritmo e o equilíbrio do vôo. Mudam a posição. Agora estão em fila. Continua o jogo. Novamente a acrobacia no ar. Um malabar cai no chão... depois outro... e mais um... É o inesperado... da arte, do artista, da platéia, do pipoqueiro, da feira, da...



...Escultura de fumaça rompe do piso ao teto. Forma um cilindro de luz e transparência. O menino golpeia o ar para romper o formato. O ar bambeia e outra escultura aparece. Ó vapor se transforma na imaginação dos expectadores. A visão recolhe a imagem das transmutações. Segundo a segundo outra configuração se torna possível. O homem entra na modelagem e seus cabelos sobem com o vento. As câmeras fotográficas tentam captar o que apenas os olhos vêem. Revela-se o inimaginável. Não está mais ali o cone. Nem menino. Nem o homem. A fumaça rompe do piso ao teto inaugurando novos estados de arte. É o inesperado... da arte, do artista, da platéia, da escultura, do homem, do menino, da mulher... do...



Pub lotado. É quinta-feira. Novamente as amigas vão dançar. A mesmice de sempre. Até que no fim da noite aparece alguém. Do nada. E entra na sua vida. Fica. Treme a pele. Dispara o coração. É o inesperado... da vida que não tem controle remoto, nem replay, muito menos manual...



Talvez viver seja mais simples quando se aceita o inesperado...


o momento... abrupto, acidental, acidentário, brusco, casual, episódico, estamarrado, extemporâneo, extraordinário, fortuito, impensado, impensável, impremeditado, impremeditável, imprevisível, imprevisto, incalculado, incalculável, inopinado, ocasional, repentino, subitâneo, súbito, surpreendente, infreqüente, incomum...



5 comentários:

Ual disse...

Atualizando a leitura por aqui também.

Pensei que ia te conhecer pessoalmente no amigo oculto de livros no sábado. Que pena que não deu, fica pra próxima.

Bj,T+

Soll disse...

não deu para ir, mas nos veremos em outra oportunidade... bjs

eduardo disse...

Lindas imagens... queria ter visto...

Fábio Alexandre disse...

A performance contemporânea foi uma experiência "única".
Um super beijo

Soll disse...

"única" mesmo rsss. beijao!!!

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