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11 agosto, 2009

Workaholics: bom ou ruim para o negócio?


07/08/2009




Eta, cachorro vagabundo!
Trabalhar muito está na moda. Dá status. Idiotas se vangloriam com um chopp na mão, contando os muitos anos sem férias, a falta de tempo para o esporte, para a família e para o lazer. Ao final a desculpa é sempre a mesma: “Eu tenho que aguentar, pois isso é uma fase passageira da minha vida. Preciso construir uma carreira e fazer meu patrimônio. Faço isso por minha família, mas daqui a alguns anos estarei com o burro na sombra”. Só se for o burro do vizinho, pois o dele vai estar exatamente no mesmo lugar: trabalhando que nem um burro!

Os estudiosos em RH atestam que workaholics são viciados (o termo vem de alcoaholics… alcoólatras). A coisa funciona mais ou menos como nos outros vícios: começamos achando bonitinho imitar os outros e quando percebemos já era, viramos viciados em trabalho. Aí, para nos afastarmos do vício de trabalhar demais (que é para lá de muito) é tão difícil quanto largar o cigarro, ou largar de beber.

Os workaholics são fáceis de identificar. Quando sentados na praia embaixo de um guarda-sol esperam por uma distração da mulher pra checar e-mails no celular. Caminhando no parque no domingo, ligam para algum subordinado (oh, saco!!!!) para adiantar um trabalho que vão fazer na segunda de manhã. Com o jornal na mão, não conseguem se concentrar em nenhuma notícia, pois seu pensamento volta sempre para a tarefa inacabada, ou por iniciar. Dormem no cinema, mas depois têm insônia na cama. Levam o laptop para o hotel nas férias. Preparam planilhas no laptop enquanto a mulher vê a novela. Nos aeroportos só fecham o laptop quando ouvem a última chamada para o vôo. Dentro do avião ficam suando frio até ouvir o aviso que os equipamentos eletrônicos (seu laptop) finalmente podem ser acionados. Nas festinhas de aniversário abrem a roda (todo mundo se afasta) com seu papo chato sobre trabalho. Transam com a mulher sempre em dias e horas pré-determinados, sempre rapidinho. Não ouso afirmar que os workaholics têm ejaculação precoce, mas é bem possível. E por aí vai…. Falo de cátedra, pois sou um ex-workaholic.

Será que ser workaholic é bom para o profissional? Novamente fico à vontade para expressar minha opinião, já que, alem de ex, eu também gerenciei e gerencio workaholics. Como em todos os vícios, o ganho é momentâneo. De início os chefes adoram os workaholics. Num segundo momento percebem que eles causam problemas. Não trabalham bem em time, trabalham muito fora do expediente e depois se cansam nas reuniões matinais. Seu raciocínio aos poucos se torna embotado. São irritáveis e criam um ambiente tenso. Muitos desenvolvem profundas depressões. Finalmente, acabam virando os chatos do pedaço. A maioria dos workaholics têm “vôo de galinha: sua carreira decola rapidamente, mas aterrissa logo ali na frente.

Mas, e os chefões (C-Level), que sempre parecem trabalhar muito e se dão bem? Isso é um erro de análise. Na verdade, os chief executives trabalham intensamente, focadamente, para poder liberar tempo para o pensamento criativo, para o golfe e para a família. Conhecer a vida do Jack Welch (emblemático CEO durão da GE, que se tornou uma referência para seus pares) é uma lição de vida para todos nós. Ele dava duro e trabalhava pesado, mas sempre reservava tempo para conversar com seus funcionários (sua especialidade) e tempo para sua família.

O melhor e mais efetivo executivo que já conheci, um ex-chefe, gastava umas duas horas na parte da manhã olhando o parque do Ibirapuera pela janela, com os pés sobre a mesa. Quando alguém olhava desconfiado ele explicava: “Estou pensando no que vou fazer à tarde”. E à tarde ele sempre tinha grandes idéias e soluções para todos os nossos problemas. O ócio (bom em pequenas doses, como o stress) é criativo, conforme já escreveu o Domenico Di Masi.

Nas empresas bem sucedidas do século XXI o valor maior para o negócio é a inovação. É sabido que a inovação é a transformação de idéias criativas, produzidas por indivíduos, em projetos que irão melhorar o valor percebido da empresa pelo mercado. E, definitivamente, indivíduos cansados, estressados e irritadiços, não conseguem ser criativos. Portanto, meu velho, se você quer ver sua carreira bombando, trate de arrumar um tempinho pra coçar o saco (com o perdão da palavra).

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