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17 julho, 2008

Sumi-ê - essencial


Enquanto o ocidente viu diversos estilos de pintura especializados na realidade, utilizando muitas técnicas de sombras, cores, tons, espaço etc, o oriente focou no significado e através do pincel e da tinta preta surgiu o sumi-ê.


Derivado da caligrafia chinesa e originário dos templos budistas chineses durante a dinastia Sung (960 – 1274), o suiboku-ga chegou ao Japão no século XIV. A sua evolução em território japonês resultou no sumi-ê, um excelente exercício zen-budista para a paciência, humildade e simplicidade.

“Os elementos básicos do sumi-ê são três: simplicidade, simbolização e naturalidade. O sumi-ê é uma arte subjetiva. A expressão livre que brota por meio da cor sumi e dos movimentos do pincel reflete com serenidade o caráter e a personalidade do autor, induzindo-o ao prazer das descobertas” – Massao Okinaka



Munidos do suzuri (recipiente para a preparação da tinta), fude (pincel feito com pêlo de ovelha ou texugo), kami (papel de arroz) e do sumi (tinta fabricada a partir da fuligem de plantas e cola), os artistas do sumi-ê pintam, especialmente o shikunshi (os 4 nobres), o que deixa bem claro a profunda ligação desta arte com a natureza.
São eles:


A orquídea selvagem representa o verão, espírito jovem e é símbolo da graça e virtudes femininas. Esta flor cresce no local mais inspirador de todos, onde a montanha encontra a água.

O bambu representa o inverno e significa a simplicidade da vida e a humildade. O tronco simboliza a força e as virtudes do sexo masculino. As sub-divisões do tronco representam as etapas da vida. O centro oco remete ao vazio interior pregado no zen-budismo e por fim, a resistência do bambu representa a estabilidade e caráter inabalável.

A ameixeira é o símbolo da esperança e da tolerância. O tronco retorcido inspira dureza e ainda assim carrega consigo a promessa da primavera, que se confirma com o aparecimento dos primeiros delicados brotos em janeiro.

O crisântemo antecipa o inverno desafiando o frio do outono. Sua perseverança representa a lealdade e a modéstia. Também simboliza a vida familiar devido ao seu formato circular.

Uma obra do sumi-ê, mesmo desenvolvida com rapidez, carrega o espírito do artista. Fruto da inspiração artística do momento, não existe tempo para a reflexão daquilo que está em execução e nem a possibilidade de correção. Pelo fato de todo traço ser único e cheio de vitalidade, assim como um golpe de espada, muitos samurais praticaram o sumi-ê.


Fonte aqui

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Data do século II da nossa era o aparecimento na China da arte do sumi-e. A palavra que a designa tem raiz japonesa e significa literalmente pintura com tinta. Não existe nenhum ponto de contacto entre o conceito de pintura ocidental e este conceito. Na verdade trata-se de pura caligrafia. O artista deve comunicar a sua ideia de forma resumida e inequívoca em poucas palavras, ou seja, neste caso, em poucas linhas. Mais do que uma mera representação mimética o sumi-e é a arte do essencial.

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