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14 março, 2007

De calça rosa e blusa preta

O calor pede refresco. Lá vou eu. A lista de boêmios está com problemas. Uns viajando. Outros casados. Alguns dormindo. E, ainda, tem quem nem atenda o telefone. Minha adrenalina noturna pede paz. Acabo o trabalho, dirijo os 40 km pensando para qual lugar ir. Páro na estação de sempre. Peço a latinha gelada, um copo de gelo e subo com um livro. "A vida sexual da mulher feia", de Claudia Tajes. Lá pela página 58, encontro a personagem Catilene, minha filha imaginária. Dou gargalhadas solitárias, e quase histéricas, enquanto escuto uma conversa de homens. Três. "O que mudou na relação entre nós foi minha maneira de olhá-la". Bonita frase. O papo estava tão interessante quanto as tentativas sexuais da feia. Com um olho no livro e um ouvido na mesa ao lado vou me divertindo. Os caras precisavam decidir como mandar uma mulher embora da casa. Um mulher que pelo menos dois deles já tinham transado. Enquanto a protagonista dizia suas estratégias para entrar na casa de um homem e ser possuída. Ficção e realidade se confundiam na noite quente. Entre goles e tragadas eu seguia pelos ponteiros do esquecimento. Queria conhecer o início da história da menina que poderia surtar ao ser expulsa pelo complô. Assim como queria saber o final da história daquela que poderia constatar que a "feiura é apenas um estado de espírito". Não cheguei nem a um, nem ao outro. Recolhi as tralhas, desci as escadas, paguei R$ 9,90, dei partida. Faróis acesos e com as pupilas anoitecidas dei tchau. Eu que me sentasse à beira das teclas para conduzir qualquer história, com início e fim.

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