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19 janeiro, 2007

oficina literária...

Ligare sine Locale

O bebê não sabe o nome de nada. Sem referências – vê. O
concreto. Percebe o mundo sem perceber o
sentido/percebe o sentido ao enxergar o
mundo. Em sua plasticidade re-significa. Forma novos
caminhos. Silencia. Quebra a língua - aprende a
falar. Junta palavras para construir a
linguagem. Imita. Des-constrói o real para
compreender. Desordena. Joga. Caixas de fósforo que
se juntam em vagões de trem. Brinca. Repete para
entender. Simplifica. Transforma.
O neném é um enigma. Seu choro um
oráculo. No murmúrio está toda a
significação. Onde tudo sabe. Tudo se
diz em um murmrrumrrummsrsrsr. Universal.
Quem lhe cuida
se incumbe no exercício do convívio diário de
interpretá-lo. Busca a metalinguagem. Revestida de
trans-temporal-idade. Processo árduo de percepção. Em
revisão permanente. Amamentação. Dar vida. O bebê não
comunica. Necessita versões. Verões. Para ser.
crescer. É. Factual. Simultaneamente na percepção e na
visão/vislumbra-se o sentido. Des-vela-lhe.
(por Solange Pereira Pinto - exercício em 2 de maio de 2003)

2 comentários:

eduardo disse...

Desculpa... MORRI DE INVEJA!!!
Tá lindo o texto!!!

Alena disse...

Que lindo, Sol! Me emocionou.

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