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31 dezembro, 2006

A Casa do Tempo Perdido



Por Carlos Drummond de Andrade



Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.


A casa do tempo perdido está coberta de hera
Pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
Pela dor de chamar e não ser escutado.


Simplesmente bater. O eco devolve
Minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
No bater e bater.


O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.

Um comentário:

rogério silvério disse...

gostei desse poema do Drummond. Sem rima, sem métrica...adorei.

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