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01 outubro, 2006

Sem arte não dá

Texto e imagem por Solange Pereira Pinto
sem título
Autora: Solange Pereira Pinto
Técnica: Desenho em bic e manipulação digital
Data: 1/outubro/2006
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Hoje, dia de eleição. Vontade zero de votar. Aliás, não quero nem sair de casa. Para nada!Pendências totais após uma "leve-depressão-profunda-questionadora-dolorosa" (que ainda nem se foi direito). Por que tanta "existência" para uns e tão pouca para outros?


Fico pensando em quem não deseja nada solidário. Aquele que só pensa em si mesmo. Não tem ideais coletivos. Não pensa na transformação do mundo. Não pretende (agindo) uma sociedade melhor. Apenas faz discurso e reclama. Nem falo de política, que para muitos virou emprego. Falo de vida cotidiana. De formiga. De cigarra. De cada um de nós.


Observo aqueles que não se ligam na arte, na poesia, na literatura, na música... e que ficam no mero entretenimento da vida. Sábios? Sem cultura. Sem aprofundamento. Ficam na superfície. Boiando para aonde a onda leva. E muitas vezes se agarrando em quem sabe mergulhar e quase afogando o outro. E por que outros vão tão profundo, são tão inquietos, insatisfeitos, querem mudar o mundo? Se fazem de bóias? Não sei...


Estou meio cansada das profundezas, das belezas dos corais, da força das marés, da correnteza, dos devoradores, de degladiar para socorrer peixes miúdos. Queria por um tempo apenas flutuar. Deixar o tempo me carregar. Sem olhar para trás. Sem dúvida. Sem arrependimento. Sem culpa.


Jogar-me na ventania. Ser a cigarra que canta na primavera e morre seca no tronco da árvore. Sem carregar em mim o peso interno de ser saúva. Ainda não aprendi deixar a casca descolar. Quero mais é cantar... cantar... cantar... Não é isso Cacau? Não é Manoela? Que tal Alena? E tantas outras companheiras de vôo.



Sem arte não sei viver. Também não consigo ignorar o que se passa a minha volta. É preciso fechar os olhos? Não basta! É preciso tapar os ouvidos? Não basta! É preciso calar as palavras? Não basta! É, talvez, necessário trancafiar a alma. Isso não sei mesmo se sei fazer. Transbordo demais. Então, que seja pelo mesmo em arte, em literatura, em acolhimento, em troca, em compartilhamento.
E as dores?


Essas que passem... e não pesem. Estou cansada! Mas a casca oca, presa na árvore, será a memória de que ali habitou uma cigarra...


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"Quanto mais eu observo o Universo mais ele se parece a um grande pensamento do que a uma grande máquina"
.


(Albert Einstein)

4 comentários:

manoela disse...

ô sol, minha amiga... acho que ficamos nessa angústia porque somos sonhadoras sabia? por mais que tomemos na cabeça, aind cremos que a arte tem sua importância, ainda gozamos com a satisfação de produzir e pensar e fruir arte... precisamos sim de banho de sal grosso, arruda, benzedeira pra conter essa energia das formigas sistemáticas heheheeh... bom, eu te animo daqui e você me anima daí, tá? beijos!

eduardo disse...

Linda imagem, parabéns!!!

"leve-depressão-profunda-questionadora-dolorosa"

Tô um pouco assim também!!!

Alena disse...

Meu ex diz sempre: por que que nos importamos com o outro? Sejamos nós mesmos e isso basta.


Parece egoísmo ouvir isso, mas não é não. A gente é de um jeito e fica se preocupando com os outros. Nada adianta. Os outros continuarão como são. Nem todo mundo sabe as cores ... Entenda que , para a maior parte da humanidade, "todo caule é verde e toda flor é vermelha".

vida que muda disse...

Muito bom como sempre...
Esta última história do supermercado fiz em 10 minutos na sexta, antes de ir embora...Não ficou muito boa.
Beijos,

Danilo

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