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17 outubro, 2006

O que é ser humano...

Nanotecnologia assemelha homens e máquinas


"[...] Vivemos portanto, em nossa contemporaneidade profundamente marcada pelos avanços incessantes das ciências e das técnicas, uma crise contínua, um espasmo interminável: somos constantemente obrigados a rever as fundações de nosso entendimento sobre o mundo, sobre a coletividade e sobre nós mesmos.


Este é sem dúvida um momento singular na história do pensamento, uma vez que as descobertas da cosmologia, da microfísica, da biologia molecular, da evolução darwiniana e de muitas outras disciplinas progressivamente, e cada vez mais, diluem as fronteiras modernas entre natureza e cultura, ente e artefato, sujeito e objeto, interioridade e exterioridade, pelas quais estávamos acostumados a definir nosso estar-no-mundo, e assim resta posto em questão o próprio estatuto de nossa humanidade.


[...] De acordo com o grau de acesso aos recursos médicos (e à nutrição básica!), uma situação sem precedentes se apresentaria: as populações seriam divididas numa legião de 'efêmeros', uma minoria de 'duráveis', e uma elite de 'perpétuos'. Jamais qualquer sociedade humana experimentou uma tal separação em castas de durabilidade.


Numa tal Era das Mesclas, de hibridações de natureza e artifício, de carne e mente, de intimidade e globalidade, em que os limites que definiam os indivíduos tornam-se cada vez mais ambíguos e imprecisos, mais estendidos em um sentido, mais contraídos em outro, talvez a pergunta-chave seja: estaremos em vias de realizar a instalação de um novo patamar de complexidade no sistema de sistemas que chamamos Terra?


Estará em ação uma nova síntese integradora da Vida, uma nova etapa de individuação do Homem?


Se as tecnologias de movimento, de percepção e de cognição que nos fizeram a espécie dominante do planeta migrarem para o interior dos nossos corpos, se elas se fundirem com as nossas células, o significado de ser humano inexoravelmente mudará.


De animais técnicos que usam ferramentas, passamos para o operário mecanizado de Chaplin, para o trabalhador automatizado de Metropolis, mas a perspectiva que se abre agora é de termos um homem fundido às máquinas, um homem-máquina no sentido literal. Se, com Spinoza, entendemos por Ética a determinação de estratégias de ação, nossa época de hipertecnificação defronta-se com dilemas éticos ingentes.


Selecionar valores que favoreçam a vida, redefinir o sentido do que é ser humano - eis o desafio que nos cabe enfrentar"
. (Luiz Alberto Oliveira)




Entrevista na íntegra aqui


____________

Pergunto-me: a natureza humana é mutável? Ou o "ser humano" prega o que não é? Pela situação socioeconômica já não somos de alguma forma divididos em "êfemeros, duráveis e perpétuos"?



A ética disciplinadora do comportamento humano tem variado conforme os tempos. As finalidades e os ideais têm se transformado rapidamente. Mas, a "ética" tem progredido no sentido de "harmonizar" nossa existência ou de "degradar"? Será o medo do "novo" (como o mito da caverna) que compõe a ética dos "direitos humanos"?


Os avanços tecnológicos produzem novas formas de relacionamento e de percepção. Somos, sim, ainda que metaforicamente mais híbridos. Uma "elite" conectada e dependente de máquinas para existir e subsistir às mudanças. O mundo virtual modificando as realidades ou as realidades criando virtualidades? Já estamos nos misturando (desde sempre) personas e indivíduos.


Percebo que ainda somos "primatas reunidos na arena vendo os animais ferozes comerem pessoas". A carnificina vende. A internet divulga em tempo real. A desgraça se propaga pela fofoca. Os noticiários mostram os variados tipos de violência contra o ser "humano".


O que mudou? A natureza do homem? Ou sua forma de expressar e a rapidez em circular as informações?


Por outro lado, não somos mais tão "puros". Usamos pinos de platina, próteses de borracha, marcapasso, órgãos artificiais, partes de cadáveres, córneas emprestadas, dentes de ouro, de porcelana, até sangue preparado cientificamente, além de outros adornos em metal, piercings etc. A carne humana já se mistura a outros ingredientes. Loucura? Sanidade?


Contudo, ainda somos mais lentos do que o "progresso" por nós criados. Somos também mais frágeis que as máquinas por nós construídas. Somos em carne mais indefesos que nossa inteligência e raciocínio.


Mas, ainda somos os mesmos? ou as aparências já não enganam mais?


Estamos em "crise" há muito tempo. Cessará?


A velha pergunta: quem somos nós? A resposta não há.


Entretanto, podemos tentar responder: como viver melhor dia após dia nessa era de informações, tecnologias, excessos e artificialidades. Quem souber responder, me diga!



soll

Um comentário:

Soll disse...

será que ninguém leu este texto?!?!?!? :(

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