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19 setembro, 2006

Desenhando com hashis

Fotos, desenhos e texto por Solange Pereira Pinto


Eu "ajeitando" as linhas para formar o desenho IV...



Desenho III


Desenho II


Desenho I

Domingo confuso. Sono após uma festa. Trabalho pendente. Várias fomes e muitos enjôos (literais e figurados). E, é claro a cabeça orbitando (sempre! Oh, coisa!). Para afastar os fantasmas, acendo uma vela. Para afastar a intriga, um incenso. Para a afastar a minha piração, uma volta sem rumo. Chave na ignição, lá vou eu...
Depois, sentar num Café. Pedir uma água com gás ou uma cerveja (quem sabe um chocolate quando o tempo está frio demais) ou vinho. Não importa. Pedir algo para beber e degustar pensamentos. Um passatempo que curto. Sentar acompanhada de cadernos, livros e canetas. Acender as idéias, soprar linhas.
Estava euzinha incomodada sobre os limites humanos. O que é loucura? O que é sanidade? O que é normal? Essa droga de racionalidade nos coloca em questões, né? E, pior sempre sem repostas.
Depois da água com gás. Enquanto as bolinhas subiam (ou desciam?) as perguntas aumentavam e respostas afundavam. Parei para não pirar! (Adoro clichê de mesa de bar. Eita, mais um. rsss). Mudei o assunto. Fiquei a pensar sobre os "limites" da arte.
Antes de abraçar Morfeu fui jantar. Um novo restaurante Japonês (Sumô na 204 sul). Entre papos e sushis peguei os hashis e fui desenhar. Material: prato ovalado branco, fios (muito finos) de cenoura, nabo e pepino, molho shoyo, agridoce, mão esquerda, idéias desordenadas, inquietude, um par de hashis.
O processo criativo pode ser algo interessante. Já vi arte feita de gelo, de chocolate, de areia e de outros ingredientes. Resolvi arriscar. O que seria possível fazer com fios de legumes decorativos dos pratos de sashimis? Era uma conversa "difícil". Um pouco "tensa", talvez. Molha daqui, escorrega dali, embebe uma dúvida acolá, uma resposta atravessada...
Olha no rosto. Olha o garçom. Olha nos olhos. Dá uma gargalhada. Olha para as outras mesas. Abaixa os olhos. Levanta o sorriso. Esconde a raiva. Abafa da tristeza. Engole um sushi. Toma um saquê. Fecha os olhos. Pisca. Fala. Escuta. Atropela. Chora. Evita. Envolve. Olha novamente, agora, o prato e vamos lá. Criar! Vamos criando os discursos e "ilustrando" as conversas (hahahha).
Durante as criações (acima) passei por momentos completamente diferentes. Acredito que James Joyce diria que meus "desenhos" - quase narrativas pictóricas -, conduzidos pelos hashis, fossem fluxos de consciência e Freud talvez dissesse associação livre . Essa observações pouco importam (apenas me lembrei de Joyce e Freud agora). Na verdade o que eu queria era experimentar essa arte, desse jeito, nessa hora, com hashis, molhos e fios, durante um papo escaldadiço.
O fato é que realmente fluiram no prato (o mesmo usado para todos os desenhos) idéias, pensamentos, emoções. Sem esboço. Sem plano. Sem tempo. Durante as falas (pensadas?) de um lado, surgiam as imagens (impensadas?) de outro, mexendo daqui e dali. Loucura?
Para os três desenhos eu dei um "título provisório". Em outra oportunidade posso dizer. Mas, por enquanto, gostaria da sua opinião. O que revelam? Que emoções passam? O que representam? Quem quiser colaborar é só postar aqui nos comentários... I, II, III e IV... Vamos arriscar?

8 comentários:

eduardo disse...

Adorei o post, me identifiquei bastante. Não sou um artista, mas, tenho processos criativo

Ual disse...

Que tudo! Adorei os desenhos. Vou divulgar no meu blog seus dotes artísticos. Meu preferido foi o desenho II, não sei se viajei muito, mas vi uma pessoa tocando violão e duas dançando. Olha que não bebo, hein?!

Cesar Cardoso disse...

Hm... o I é alguém bigodudo. O II é uma banda tocando. O III é uma mãe e sua filha. O IV... sei lá... não entendi :)

Soll disse...

aloooo, muito bem para o nr. II, um tocador... quem sabe um samba... ou talvez uma gôndola em Veneza... ou pensando bem um violeiro e dois dançantes... é isso ai... vamos lá!!!!!

Soll disse...

e então? o nr I é um bigodudo? é sim, e o que se passa por ele? quais seus sentimentos?

Cesar Cardoso disse...

Hm... o I parece estar pensando na vida... talvez tenha alguma preocupação.

Alena disse...

Já faz uns dias que eu estou a olhar estas imagens, esperando uma brecha para escrever o comentário. O IV, me deu a idéia do caos criativo, o princípio da vida. O III, me remonta à opressão materna perante uma garota desengonçada porque insegura diante do superego materno. O II me parece dizer que os amigso libertam e revelam o que é felicidade, como numa festa, onde todos dançam embora não se conheçam profundamente. O I me remonta a um homem sofrido, estropiado, talvez um Cristo.

Beijos!
___________
P.S. : O código que saiu aqui agora foi uehba . Uehba!!!

manoela disse...

q bonito!

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