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29 agosto, 2006

Feira do Livro de Brasília

Fotos e texto por Solange Pereira Pinto



A 25ª Feira do Livro de Brasília começou sexta-feira (25/8). Ontem passei por lá. Confesso que para um domingo à tarde achei o evento muito vazio. Esperava encontrar mais gente e produções culturais. Mas, sabemos que livro não é lá uma coisa que atrai muitas pessoas em nosso país. Melhor pagode, futebol e cerveja. Se fosse um sertanejo na Esplanada estaria lotado. Talvez certo esteja Octávio Paz “a sociedade expulsa aquilo que não pode assimilar”.





O ponto alto da feira (apesar do calor insuportável do “museu”) é a exposição “Evolução da Escrita”, projeto Sesc/DF que mostra os percursos da escrita desde sua origem até os tempos de internet. São 200m² de textos e imagens apresentando que a “escrita surge da necessidade do homem de se expressar tornando-se mais poderoso instrumento de sua evolução pela transmissão e perpetuação dos conhecimentos, bem como facilitador da comunicação e interação social”. Uma opção interessante para crianças também.





No Café Literário, assistimos Ronaldo Cagiano falar sobre a Antologia (que ele organizou) reunindo 100 contistas de Brasília. No encontro, Cagiano explicou os critérios que utilizou na seleção dos autores, enfatizando a qualidade textual e o fato de morar em Brasília. Junto a ele estavam outros escritores integrantes da coletânea, que puderam falar um pouco sobre o que é a qualidade em um texto literário. Características como qualidade da linguagem, concisão, e narrativa bem elaborada foram destaques. Assim como, a maioria concordou que a análise sempre passará pelo “juízo de valor” daquele que seleciona. Ou seja, qualidade acaba sendo algo mais subjetivo que mensurável objetivamente.







Neste ano o homenageado é Mário Quintana que se descrevia assim “nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora me pedem que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade”.


Espelho

Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...)
Parece meu velho pai - que já morreu! (...)
Nosso olhar duro interroga:
O que fizeste de mim? Eu pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga... Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste...


(Mário Quintana)








No mais a feira é praticamente a mesma de todos os anos. Um pouco piorada. Cheia de estandes de livrarias querendo vender. Vender. Vender. Caixas no chão e estandes lotados de livrinhos infantis de baixíssima qualidade, daqueles com muitas figuras óbvias, textos incompletos e superficiais, por cinco reais, para atrair o fundo que o GDF liberou para as escolas. Tudo made in China. Uma farsa! Pouca programação cultural. As mesmas figurinhas circulando. Uma feira escassa de novidades interessantes. Poucos acervos. Por exemplo, encontrar o livro de Marcelino Freire - Contos Negreiros - premiado Jabuti não foi nada fácil. Atendimento ruim. Será influência do mês? Brasília nesta época é muito seca. Mas outros convidados atuantes virão por ai. Vamos conferir!

3 comentários:

Cesar Cardoso disse...

Bom, atendimento ruim é quase o padrão da cidade, infelizmente... de qualquer maneira, sempre vale a ida à Feira, nem que seja para ver as mesmas novidades de sempre.

eduardo disse...

È tão bom conhecer lugares interessantes...

Roger disse...

q post mais cult
sinto que meu Q.I. aumentou meio ponto
obrigado
=]
e ótimo blog

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